Acordei com uma leve sensação de desorientação. A primeira coisa que notei foi a cama sob mim, algo infinitamente mais confortável do que eu esperaria em um avião. Pisquei, tentando colocar as ideias em ordem, e foi só então que percebi que não estava sozinha. Ele estava parado à porta, observando-me com uma expressão tranquila, que não parecia condizer com o professor afiado e implacável que eu conhecia.
__ Você está no jato ainda — ele disse, e a voz grave me tirou do meu torpor.
Me sentei devagar, a sensação de constrangimento se espalhando enquanto processava o que estava acontecendo:
__ Eu... acho que nunca dormi tanto — murmurei, passando uma mão pelo cabelo — Na verdade, quase não dormi nos últimos dias. Acho que não sei mais como parar para descansar, o trabalho e os trabalhos da faculdade, extras e tal estão me matando e isso que se passou dias só.
__ Isso explica por que apagou tão rápido — ele comentou, dando alguns passos na minha direção — E também por que nem percebeu que a trouxe para o quarto.
Franzi a testa. A trouxe para o quarto? Pisquei, tentando lembrar, mas só tinha flashes da viagem e de como o sono tinha me vencido.
__ Você me trouxe… até aqui? — perguntei, um pouco incrédula.
Ele assentiu, parecendo completamente à vontade. __ Não parecia certo deixar você dormindo daquele jeito no salão do jato. Achei que ficaria mais confortável aqui.
Quase ri, achando um pouco irônico esse lado atencioso, e percebi que ele me observava intensamente, como se tentasse decifrar cada reação minha.
__ Obrigada — murmurei, ainda um pouco sem graça — Acho que eu realmente precisava descansar.
Fiquei quieta por um segundo, a ideia de que ele tinha me carregado até aqui martelando na minha cabeça. Ele me viu dormindo, me trouxe para o quarto, ficou por perto... Senti minhas bochechas esquentarem ligeiramente e desviei o olhar, tentando parecer mais tranquila do que realmente estava.
__ Tudo bem, agora venha, vamos pousar — ele finalizou e saiu voltando a velha face de ogro.
Ao descer do jato e pisar na pista de Toronto, fui surpreendida por um grupo de seguranças que aguardavam próximos a um carro imponente, desses que só costumam aparecer em filmes. Meu olhar capturou as reações ao redor e, por um instante, me diverti ao notar que chamava a atenção de todos. A sensação de estar bonita e confiante era um luxo raro, e sorri de leve.
__ Bom se sentir bonita — murmurei para mim mesma, meio brincando, mas percebi que ele ouviu.
Antes que eu pudesse me dar conta, senti a mão de Adam pousar firmemente no centro das minhas costas. O toque era seguro e, embora sutil, parecia ter um peso que eu não esperava. Ele não estava apenas me conduzindo para o carro; era como se, de certa forma, ele estivesse… marcando território.
Olhei para ele de soslaio, tentando entender o que passava por trás daquele gesto. Claro, ele era meu professor, e nossa relação até então se baseava em provocações e desafios na sala de aula. Mas, naquele instante, em meio a toda a proteção que ele mantinha ao redor de nós e a firmeza de seu toque, senti algo diferente. Meu coração bateu mais forte, e, sem perceber, comecei a questionar se havia algo mais naquela viagem do que o que estava aparente, minha mente dizia: ele te odeia, ele te odeia, mas seus gestos não estavam demonstrando isso.
Quando nos aproximamos do carro, um dos seguranças, alto e formal, fez uma pequena reverência antes de cumprimentá-lo.
__ Sr. Blake — ele disse, com uma deferência inesperada.
Observei a cena, surpresa. A maneira como o chamaram pelo sobrenome, com tanto respeito, me deixou desconcertada. Não era o tipo de comportamento que se tem apenas com um professor — havia algo mais ali, algo que ele estava escondendo.
Não era só um julgamento, disso eu já desconfiava, mas aquela postura dos seguranças me deixou ainda mais intrigada. O que ele realmente estava fazendo aqui, e por que eu estava ao seu lado?
Assim que entramos no carro, o silêncio era pesado. Eu não aguentei muito tempo antes de encará-lo diretamente.
__ Então, afinal, o que estamos realmente fazendo aqui?
Ele suspirou, claramente incomodado com a presença dos seguranças ao redor. Sem hesitar, pressionou um botão para erguer a divisória, isolando-nos no carro. Então se virou para mim, com o rosto sério.
__ Ficaremos hospedados na casa da minha mãe. Ela vai fazer uma festa de aniversário no sábado e... vamos comparecer — Ele disse isso como se fosse um simples detalhe, mas meu coração acelerou. Não era isso o que eu tinha planejado.
__ Olha, não acho que seja uma boa ideia eu ir... — comecei, mas ele me cortou com um olhar firme.
__ Isabella, não vou deixá-la sozinha aqui. Você está sob a minha responsabilidade, e não aceito objeções. E, além disso, estou pagando por seu tempo aqui, então o mínimo que espero é que você coopere.
A frieza na sua voz e aquele tom de comando fizeram meu sangue ferver. Fui levada a pensar que estávamos ali por motivos acadêmicos e não para brincar de acompanhante. Ele me olhou, avaliando minha reação, e eu segurei o queixo erguido, recusando-me a demonstrar qualquer abalo.
__ Tudo bem — respondi, a voz cheia de sarcasmo — Serei exatamente aquilo pelo qual você me contratou Sem problemas.
Ele apenas me olhou, e algo em seu semblante indicava que, mesmo diante do meu tom ácido, ele se divertia.
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Atualizado até capítulo 72
Comments
Renata Marcelina
acho que o tio vai dar em cima dela e ela vai dar um passa feira nele e fingir que está namorando o professor
2025-03-21
0
Andréa Debossan
tbm acho que o tio vai dar em cima dela mas quem vai ficar com ciúmes é o professor kkkkk
2025-03-17
4
Luiza Paiva
e o tio vai dá encima da Izabela ,e a ex vai fica com ciúmes
2025-03-11
1