( Os filhos da Neve )

( Introdução )

Na pequena e isolada vila de Alvorada, escondida entre as montanhas cobertas de neve, a calma era constante durante a maior parte do ano. Contudo, com a chegada do inverno rigoroso, algo sombrio despertava nas florestas geladas ao redor. Os moradores, habituados às longas noites e aos ventos uivantes, começaram a perceber fenômenos estranhos. Sussurros nas árvores, sombras que se moviam rapidamente entre os troncos e, o mais perturbador, desaparecimentos inexplicáveis.

( O Início do Terror )

Em uma noite especialmente fria, quando a lua cheia iluminava os flocos de neve como se fossem cristais, a primeira vítima foi encontrada. Darlan, um jovem caçador e conhecido pela sua bravura, havia saído, como o de costume para buscar mantimentos na floresta. Os moradores aguardavam seu retorno ansiosamente; porém, ao amanhecer, sua casa permanecia silenciosa. Quando foram em sua busca, encontraram suas pegadas levando a uma clareira, onde sua lanterna estava abandonada, e não havia sinal algum de ele ter retornado.

As semanas seguintes trouxeram mais desaparecimentos. Maria, uma mãe de três filhos, foi vista pela última vez enquanto buscava lenha. A sensação de pânico começou a tomar conta da vila. As conversas nas tavernas se tornaram mais sombrias, e as noites eram preenchidas por murmúrios nervosos.

( O convite à Investigação )

Com o aumento dos relatos de pessoas desaparecidas, o velho Anders, um contador de histórias e conhecedor das lendas locais, decidiu reunir os moradores. Ele acreditava que os desaparecimentos estavam ligados a uma antiga maldição que recaiu sobre a região. Durante a reunião, ele compartilhou histórias reais sobre criaturas chamadas de "Os Filhos da Neve", seres míticos que se alimentavam do medo humano e eram capazes de assumir formas horripilantes.

Os moradores, inicialmente céticos, começaram a questionar a sanidade de Anders. Mas a desconfiança estava cada vez mais no ar, e a paranoia se espalhava como um incêndio em campo seco. Grupo após grupo de homens corajosos decidia entrar na floresta em busca de respostas, mas cada expedição retornava com mais perguntas do que respostas.

( O Encontro com o Desconhecido )

Certa noite, um grupo formado por cinco homens decidiu investigar a clareira onde Darlan foi lastimavelmente visto pela última vez. Armados com lanças, tochas e coragem, partiram sob a luz da lua. A atmosfera na floresta era opressiva; o vento parecia sussurrar advertências, e a neve sob seus pés estalava como se estivesse reclamando de seus intrusos.

Ao chegarem à clareira, encontraram marcas profundas na neve, como se algo colossal tivesse sido arrastado através dela. O grupo hesitou, mas a curiosidade empurrou-os a avançar. Foi então que ouviram risadas macabras e uma série de gritos ecoando na escuridão, profundos e angustiantes. Aquela noite terminou em desespero: dos cinco homens apenas dois voltaram vivos.

( Revelações Constrangedoras )

Os que retornaram, exaustos e pálidos, contaram uma história de horrores inimagináveis. Eles descreveram criaturas de pele pálida, olhos brilhantes e garras afiadas, que os espreitavam entre as árvores. Disseram que as criaturas não eram apenas monstros, mas sim representações de tudo que os moradores temiam: solidão, morte e desespero.

A vila agora estava em estado de pânico. Ninguém saia durante a noite, e os laços familiares tornaram-se tensos. As casas permaneceram trancadas, e o lume diminuiu em cada lar. Em raros momentos de coragem, os moradores tentavam se unir para fortalecer sua comunidade, mas o medo se tornava um veneno corrosivo.

( A Coragem da Comunidade )

Em meio ao caos, Maria, a mãe desaparecida, foi avistada novamente. Ela parecia diferente; seus olhos refletiam um vazio profundo, e sua presença aterrorizava os moradores. Assim, o povo de Alvorada entendeu que essas vítimas não estavam mortas, mas sim transformadas em instrumentos dos Filhos da Neve. Um plano emergiu entre os sobreviventes: eles precisavam confrontar o mal. Era um golpe desesperado de esperança em meio à desolação.

Reunindo coragem, os moradores decidiram organizar uma expedição final, não apenas para resgatar Maria, mas também para destruir aquelas criaturas. Com tochas iluminadas, eles marcharam em direção à floresta, prontos para enfrentar seus medos.

( A Batalha Final )

Sob a lua cheia, os aldeões se reuniram na mesma clareira. O ar estava pesado com uma expectativa tensa. Assim que a escuridão se estabeleceu, os olhos brilhantes dos filhos da neve surgiram entre as árvores, e um arrepio percorreu as espinhas de todos. As criaturas se revelaram em toda sua horrenda glória, e o pânico tomou conta.

A batalha que se seguiu foi brutal. Os aldeões lutaram ferozmente, mas os Filhos da Neve eram astutos e muito fortes. Aqueles que haviam perdido a humanidade agora atacavam sem piedade. No entanto, a força da unidade entre eles começou a superar o medo. Liderados por Anders, a luta se tornou um símbolo de resistência. Durante a batalha, Anders finalmente teve um vislumbre da verdade: a única maneira de vencer era resgatar as almas perdidas dos moradores.

( Rituais e Sacrifícios )

Anders, percebendo que precisava libertar as almas capturadas, começou a recitar um antigo encantamento encontrado em um livro velho que havia herdado de seu falecido pai. Ao mesmo tempo, os moradores lutavam para proteger o velho, criando uma linha de defesa contra as criaturas. Uma luz sobrenatural começou a emanar de Anders, enquanto as vozes das almas presas ecoavam em resposta ao chamado.

Gradualmente, os Filhos da Neve foram repelidos, as almas de Maria e outras vítimas começaram a emergir, lentamente retornando à realidade. As criaturas, enfraquecidas pelo poder da união e da verdadeira coragem, recuaram, desaparecendo entre as sombras da floresta.

( A Redenção e o Novo Amanhã )

Ao amanhecer, o ar estava calmo, e a nevasca finalmente havia cessado. Os moradores se reagrupavam, ofegantes e cobertos com graves ferimentos, mas muito aliviados por terem sobrevivido. Maria, restaurada aparentemente à sua forma original, olhou para Anders com gratidão e desespero. Haviam conseguido derrotar o mal, mas a um custo alto.

Com a vitória sobre os Filhos da Neve, a vila de Alvorada começou a se reconstruir. Permaneciam cicatrizes emocionais, mas a bravura da comunidade tornara-se um marco de esperança e solidariedade diante da adversidade. Nunca mais se esqueceriam da batalha que enfrentaram e das almas que tiveram que lutar para recuperar.

( Conclusão )

O inverno seguinte trouxe consigo uma mudança inesperada. Embora o temor de novos ataques persistisse, a união que nasceu daquela noite fatídica tornou-se o novo alicerce da vila. A história dos Filhos da Neve passou a ser uma lenda, não apenas de terror, mas de superação e coragem. Os moradores aprenderam que, mesmo nas noites mais escuras, a luz da esperança e da união sempre poderia brilhar.

Assim, Alvorada renasceu, não apenas como um lugar marcado pelo medo, mas como um símbolo de resistência humana frente às forças obscuras que, por vezes, ameaçam a paz e a tranquilidade da vida. A neve continuou a cair, mas agora, quando olhavam para o horizonte coberto de branco, viam não só o frio, mas a promessa de novos começos e a força inquebrantável de uma comunidade unida.

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