( As Quatro Serpentes )

Numa pequena cidadezinha situada no interior do Paraná, o ritmo da vida era marcado pelas mudanças das estações. Entretanto, ao longo dos anos, uma sombra abateu-se sobre a localidade. Quatro serpentes místicas: — Terra, Água, Fogo e Ar — emergiam das lendas locais, trazendo consigo a devastação. A cada nova estação do ano, uma delas aparecia, ceifando rebanhos inteiros e devastando plantações completas, deixando os moradores da pequena cidadezinha aterrorizados e em estado de desespero.

As serpentes eram criaturas magníficas na sua aparência, com escamas que brilhavam como pedras preciosas sob a luz solar. Embora poucos soubessem como haviam adquirido tais poderes, os mais velhos contavam histórias de um passado distante em que o equilíbrio da natureza era protegido por quatro jovens que segundos as lendas antigas se encontram agora adormecidos, mergulhados nas águas escuras de uma gruta encantada, longe do olhar humano.

( O passado esquecido )

Era um dia chuvoso quando Ana, uma jovem bibliotecária sonhadora, decidiu investigar as estantes empoeiradas da biblioteca em que trabalhava. Com um amor pela leitura e uma curiosidade insaciável, ela explorou cada canto à procura de algo especial para ler. Foi então que ao empurrar um velho livro empoeirado, uma passagem secreta revelou-se. Atrás da parede, Ana encontrou um antigo papiro, coberto com inscrições misteriosas e alguns feitiços, junto a ele havia também um velho mapa.

— "Liberte os adormecidos para o equilíbrio retornar" — dizia um dos feitiços escritos no papiro. O coração de Ana disparou na expectativa; poderia este texto revelar o caminho para derrotar as serpentes?

Ana não poderia fazer essa descoberta sozinha. Ela então convocou uma reunião com os seus amigos: — Lucas, um garoto cheio de coragem; Sofia, a que tinha uma afinidade inexplicável com a água; e Miguel, que adorava o fogo em todas as suas formas. Juntos, eles formavam um elo forte, e a idéia de que poderiam restaurar a paz na cidade e salvar os que dormiam, trouxe esperanças.

( Preparativos para a jornada )

Os jovens reuniram-se frequentemente na biblioteca por diversos dias, estudando o papiro com muita devoção. Cada linha desenhada nas páginas falava de poderes elementares e da força necessária para despertar os adormecidos, que era incomensurável. Para realizarem o ritual, precisavam primeiro reunir os quatro elementos em um único local: um ponto de convergência mágico que existia próximo à gruta.

A primavera chegou, e com ela a serpente da terra, conhecida como Teyra. A sua chegada foi precedida por tremores no solo e um silêncio opressivo. As plantações e rebanhos sofreram sobre o seu domínio, pois ela se alimentava do medo e da dor.

Era hora de agir.

( O encontro com a serpente )

Em uma noite estrelada, os amigos partiram para o local escolhido. Armados com o conhecimento do papiro, iniciaram o ritual. Ana, com sua voz suave, recitou as palavras sagradas, enquanto os outros invocavam os poderes de seus elementos. Sofia trouxe a água, conjurando uma fonte mágica; Miguel acendeu um fogo que dançava como chamas vivas; e Lucas chamou os ventos, fazendo-os girar em torno deles como um furacão.

Teyra apareceu, imponente e aterrorizante, com sua forma ondulando entre as sombras.

— " O que fazem aqui, mortais? " — perguntou a serpente, sua voz ecoando como um trovão.

— " Viemos libertar os adormecidos e restaurar o equilíbrio! " — respondeu Ana, determinada.

Ela finalizou o feitiço com uma explosão intensa se luz, e a serpente envolta numa aura mágica. Com um grito estrondoso, Teya foi transformada em pedra, agora sendo parte da paisagem.

No entanto, a vitória estava longe de ser completa. Com a derrota da serpente de terra, a cidade respirou aliaviada, por hora. Mas as outras três serpentes ainda estavam a solta: Aqueixa a serpente da água, que trazia chuvas torrenciais; Ignis, serpente do fogo, que incendiava florestas; e Garud, a serpente do ar, que criava tempestades. Elas viriam, com certeza, e os amigos precisavam estar prontos para quando chegassem.

As estações mudaram, e a próxima a enfrentarem foi Aqueixa. Com a sua magia, inundou tudo ao seu redor. Do lago, os jovens conseguiram encontrar forças e se concentrarem novamente. Unindo-se às águas, Sofia ergueu um muro protetor, enquanto Ana recitava o feitiço. A magia fluiu entre eles, e num gesto coletivo, os jovens invocavam a força da água. A serpente foi capturada e transformada em pedra, e a paz retornou momentaneamente à cidade.

( A batalha final )

As derrotas das serpentes estavam se tornando uma história de sucesso, mas Ignis e Garud estavam cada vez mais furiosos. Na chegada do verão, Ignis atacou com chamas vorazes, consumindo tudo em seu caminho. Contudo, os jovens, já mais confiantes, utilizaram as lições aprendidas. Miguel, em comunhão com com o seu elemento, conseguiu criar uma barreira de fogo contra outro ataque.

Com a união de todos os quatro, o poder do fogo virou um símbolo de força e proteção, e Ignis foi derrotada. No entanto, a batalha contra Garud, a serpente do ar, provou ser a mais desafiadora. Ele manipulava os ventos, criando tornados e tempestades, ameaçando levar os jovens para bem longe. Controlar o ar exigia um esforço conjunto sem precedentes.

Os quatro jovens uniram os seus poderes. Enquanto Ana recitava o feitiço, Lucas canalizava os ventos, e Sofia invocava a chuva para acalmar a fúria da tempestade. Um grande clarão surgiu, e Garud foi finalmente aprisionada em pedra.

( O despertar )

Com as serpentes derrotadas e transformadas em pedra, os jovens sentiram uma mudança profunda. As águas da gruta começaram a borbulhar, e uma luz azulada iluminou o local. Num momento mágico, os quatro jovens adormecidos despertaram, confusos e gratos. Eles eram os verdadeiros guardiões dos elementos e, ao recuperar os seus poderes, prometeram proteger a própria cidade.

Ana, Lucas, Sofia e Miguel toranaram-se heróis. Porém, o mais importante, a amizade deles fortaleceu os laços entre os habitantes da cidadezinha. A cidade aprendeu a respeitar a natureza, e com a presença dos guardiões, cultivavam sempre um espírito de união e esperança.

E assim, as lendas sobre as quatro serpentes tornaram-se parte importante da história da cidade, não mais como um terror, mas como um lembrete do poder que reside na união e na coragem frente à adversidade.

( Epílogo )

À medida que os anos foram passando, a cidadezinha floresceu. As estações não traziam mais medo, e sim expectativas de colheitas abundantes e celebrações comunitárias. As estátuas das serpentes, agora petrificadas, serviram como um monumento à luta e à vitória, lembrando a todos de que, mesmo nas piores adversidades, a colaboração e a coragem podiam transformar o desespero em esperança.

Os jovens, agora já adultos, continuam a cuidar da cidade e a ensinar as novas gerações sobre a importância das forças naturais. Com o passar do tempo, as histórias sobre as serpentes e os guardiões toranram-se lendas passadas de gerações  para gerações, sempre enfatizando que o verdadeiro poder reside na união e no respeito pela natureza e entre os seres humanos.

E assim, a cidadezinha permaneceu como um símbolo de harmonia e resiliência, onde o legado dos quatro jovens se perpetuou, eternamente ligados às serpentes que um dia foram temidas, mas que agora simbolizam a força coletiva e a esperança renovada.

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