( O caçador de virgens )

( O Pânico que Assola o Vilarejo )

Em um vilarejo esquecido pelo tempo, onde as lendas sussurravam entre as árvores e as nuvens se arrastavam pesadamente, uma sombra aterrorizante se estendia sobre os habitantes. Ao longo dos meses, dez moças virgens tinham desaparecido de maneira inquietante, deixando para trás famílias destroçadas e um clima de pânico que permeava cada esquina. O fluxo das águas do riacho azul, que outrora trazia alegria e esperança às vidas simples dos moradores, agora refletia um desespero profundo.

Os rumores sobre um caçador de virgens, dotado de uma malícia inimaginável, se espalhavam como incêndios em pastagens secas. As jovens mulheres foram forçadas a buscar a proteção da união matrimonial, e muitas decidiram se casar-se o mais rápido possível com seus noivos, apenas para escapar das garras desse predador insaciável. A vida no vilarejo tornou-se uma luta constante contra o medo, e os rostos antes vibrantes agora estavam pálidos, marcados pela constante apreensão.

( Betina e o Desejo de Aventura )

Contudo, em uma cidade distante, havia uma jovem chamada Betina, cuja inocência era tão pura quanto as águas do riacho que ela tantas vezes admirara. Alheia as tragédias que se desenrolavam em lugares próximos. Betina era uma sonhadora, desejosa de aventuras além dos limites de sua vida cotidiana. Um dia, ao caminhar sozinha à beira de um riacho, ela avistou a beleza da natureza e decidiu se perder na contemplação. As flores silvestres dançavam ao vento, e os pássaros cantavam melodias suaves que pareciam prometer um dia feliz.

Entretanto, enquanto Betina apreciava os encantos da vida, um par de olhos escuros opacos a observava. O caçador de virgens, atraído pela beleza radiante da jovem, emergiu das sombras de forma silenciosa. Ao se aproximar, ele sentiu uma emoção inesperada envolvê-lo: amor à primeira vista ou, talvez, um desejo avassalador. Em um impulso irrefreável e sombrio, ele decidiu poupar sua vida, mas ao mesmo tempo se sentiu compelido a possuí-la. Assim, como um predador que não resiste a sua presa, capturou Betina, levando-a para longe de sua casa.

( A Captura e o Terror )

Nos dias que se seguiram, Betina foi mantida em cativeiro, com os tornozelos acorrentados para não fugir, longe da luz do dia e das alegrias que conhecera. O caçador impôs a ela uma tortura psicológica, alimentando sua solidão com palavras sutis de domínio e assédio. Entretanto, a jovem oculta um segredo sombrio que o caçador ignorava completamente: Betina não era humana. Ela era uma criatura carnívora, das trevas, que se alimentava da carne de seres malignos e perversos extraindo força e poder de suas vítimas.

Durante três longos dias, Betina observou seu captor com frieza calculada. Uma mente astuta e uma natureza impiedosa permitiram que ela analisasse o caráter dele, percebendo que ele não era apenas um caçador, mas também um ser consumido pela depravação. A cada dia, enquanto o terror se acumulava em seu coração, Betina preparava seu plano de vingança metódico e sutil.

( O Jogo da Morte )

No final do terceiro dia, Betina decidiu que já era hora de agir. Com a perspicácia própria de uma predadora nata, ela começou a testar seu captor, provocando-o com palavras que pareciam inofensivas, mas que revelavam sua verdadeira essência. O caçador, completamente enredado por seus encantos e a promessa de posse, não percebeu que estava sendo levado a um destino cruel.

Uma noite, quando a lua iluminava o mundo com uma luz espectral, Betina finalmente fez o movimento decisivo. Com um rápido golpe, ela mordeu a mão do caçador, introduzindo nele uma toxina letal que lhe permitiria controlar o sangramento e prolongar sua agonia que também o paralisava. Ele não sabia que estava sendo tratado como um alimento. Os dedos de suas mãos foram os primeiros a serem devorados, e cada mordida era doce, um triunfo sobre a maldade que ele representava.

( A Degradação e a Agonia )

Betina continuou sua dança macabra, devorando lentamente seu captor. Primeiro, foram os dedos; depois, as mãos inteiras, seguidas pelos pés. O caçador, tomado por uma mistura de dor e desespero, clamava por socorro, mas em sua mente já não havia mais clemência. O que ele não sabia era que cada pedaço de carne que Betina consumia a tornava ainda mais forte, enquanto ele se tornava ainda mais fraco, mais impotente.

Conforme seus membros foram sendo reduzidos a nada, a jovem revelava a verdade cruel de sua natureza. O terror que ele infligira a tantas virgens agora se voltava contra ele, numa ironia risível que ecoava entre as árvores que assistiam à cena. As pernas até os joelhos foram finalmente devoradas. No fim o caçador se viu reduzido a um mero resquício de sua antiga grandeza.

( O Fim do Caçador )

Restava apenas a cabeça do caçador, e a aversão que Betina sentia por aquela parte do corpo era palpável. Em um último ato de desprezo, ela a colocou em um galho, onde o sol da manhã pudesse iluminá-la, enquanto os urubus, criaturas também do abismo, terminariam o que havia sobrado. O caçador de virgens, agora era um mero eco em um mundo repleto de dor, não mais poderia roubar a pureza de nenhuma jovem.

Com seu trabalho completo, Betina voltou a cidade como se nada tivesse ocorrido. Os meses se passaram, e as histórias sobre homens e mulheres desaparecidos começaram a cessar, como se uma brisa suave tivesse expelido os medos que antes atormentavam os habitantes. O caçador vira um fim trágico, mas para Betina, era apenas o começo de uma nova jornada.

( A Busca Contínua )

E assim, Betina decidiu mudar-se para um vilarejo ainda mais distante. Ela havia eliminado uma fonte de maldade, mas sabia que outros monstros poderiam estar à espreita. A busca por novos "alimentos" se tornaria uma incessante atividade de sua existência. Havia muitos vilarejos a explorar, muitas almas traiçoeiras a devorar.

Embora a serenidade tenha retornado à vida local, a escuridão nunca dorme, e aqueles que se sentem seguros estão sempre à mercê de quem se esconde nas sombras. Betina, a caçadora das trevas, vagava em direção ao horizonte, onde novas histórias de horror e redenção a aguardavam.

( Considerações Finais )

Neste conto sombrio que entrelaça amor, terror e vingança, testemunhamos a fascinante dualidade da natureza humana e das criaturas que povoam nosso imaginário. Betina, embora inicialmente perecia ser a vítima, revela-se uma protagonista inquietante e, em última análise, justificada, perpetuando um ciclo de caça que a sociedade, em seu desespero, nunca conseguiria compreender plenamente.

A moral deste relato reside na consideração de que, às vezes, os monstros mais perigosos não são aqueles que se escondem nas sombras, mas aqueles que usam a luz para encobrir seu verdadeiro eu. Afinal, em uma realidade distorcida, até mesmo a escuridão pode ser justificada sob a perspectiva de quem a habita.

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