Era uma vez, nas profundezas de um mar tempestuoso e misterioso, uma bela sereia chamada Lyria. Seu cabelo vermelho como o pôr do sol e a sua pele prateada brilhavam sob a luz da lua e das estrelas, fazendo com que todas as criaturas marinhas, térreas e os marinheiros navegantes sonhassem com ela. Contudo, essa beleza era uma maldição. Lyria nasceu num reino onde a inveja florescia como corais venenosos, e a sua aparência deslumbrante fez dela alvo da irá de poderosas bruxas que governavam as águas.
Certa noite, enquanto nadava entre as rochas deslizando sob as ondas suaves do mar, Lyria encontrou-se cercada por uma névoa densa de coloração acinzentada. Três figuras sombrias emergiram, flutuando como sombras: eram as bruxas, com seus olhos ardendo num verde gelatinoso.
— "Por sua extrema beleza, você será amaldiçoada!" — elas entoaram em uníssono.
— Drenaremos de você toda a sua luz, pois a beleza que brilha tão intensamente deve ser apagada!"
Assim, Lyria foi transformada em uma sereia vampira, condenada a drenar o sangue das mulheres que lhe eram semelhantes, aquelas cuja a beleza a lembrava da sua própria. Em troca, Lyria adquiriu um poder avassalador, mas também uma solidão eterna. Com cada golpe de suas garras afiadas nos pescoços dos inocentes, o seu coração se tornava mais frio, escuro e suas lágrimas se misturavam ao mar, formando pérolas negras.
Os anos passaram, e Lyria tornou-se uma lenda temida entre marinheiros navegantes e habitantes das costas. Sua canção hipnótica atraia as mais belas para as suas garras letais, e enquanto elas dançavam nas suaves ondas do mar, Lyria as observava do fundo do abismo, seu espírito dividido entre a necessidade de vingança e a dor da solidão.
Certa manhã, um jovem pescador chamado Kael, conhecido por sua bondade e simplicidade, decidiu desafiar aos rumores e navegar em busca da verdade. Ele escutara histórias de cunhadas desaparecidas, irmãs, tias, amigas e mães que nunca retornaram ao seus lares. Com os cabelos dourados ao vento e um coração puro, ele não temia o cântico da sereia.
Ao acercar-se das águas profundas, ouviu a melodia triste de Lyria. A música penetrava seu ser, e ele não conseguia resistir. As ondas pareciam convidativas, e antes que percebesse, estava mergulhando.
Quando Lyria avistou Kael, algo inusitado aconteceu. Embora ele fosse belo, sua essência não era daquelas que a magoariam. Ele não tinha a rivalidade em seus olhos, mas uma curiosidade genuína.
— Por que você chora?" — perguntou ele, através das bolhas de ar.
Lyria hesitou, suas asas de escamas verdes reluzindo à luz do sol que penetrava as águas profundas.
— "Sou amaldiçoada." — confessou Lyria, a tristeza tingindo a sua voz.
— "Preciso drenar a beleza das outras para recuperar a minha própria alma perdida."
Kael, surpreso, respondeu:
— "E se a sua beleza nunca foi a razão da sua dor? E se você pudesse encontrar paz sem precisar machucar as outras?" — ele estendeu a mão, um gesto de compaixão que nunca havia recebido.
As palavras dele penetraram e aqueceram o coração gelado de Lyria como um raio de sol. Durante horas, eles conversaram, dividindo histórias das suas vidas, sonhos e medos. Kael não via a sereia vampira apenas como a criatura cruel que atacava inocentes; ele via uma alma perdida, alguém que precisava de amor e compreensão.
A conexão deles cresceu como um coral, e a sede de Lyria começou a enfraquecer. Ao invés de caçar vítimas, ela começou a buscar uma maneira de quebrar a maldição que a aprisionava. Juntos, eles aventuraram-se em busca de respostas, visitando oráculos e explorando grutas esquecidas, enfrentando monstros e desafiando as bruxas que a amaldiçoaram.
Após meses de buscas incessantes, encontraram uma antiga profecia escondida entre as páginas de um livro empoeirado. Para quebrar a maldição, Lyria deveria renunciar à sua beleza e aceitar a verdade sobre a sua existência. Isto siguinificava abrir mão de seu poder e viver uma vida simples, mas com o amor ao seu lado.
Num momento de decisão, Lyria olhou para Kael e sentiu que sua beleza não a definia. Com lágrimas nos olhos, ela clamou às bruxas, oferecendo sua essência em troca de liberdade e amor verdadeiro. As bruxas, surpresas pela força do coração dela, concordaram mas com um preço: — ela perderia sua beleza para sempre.
Entregando algo tão precioso, Lyria sentiu seu corpo mudar. A beleza exterior se dissipou, tranformando-se em uma forma mais terrestre, embora seu espírito brilhasse mais do que nunca. Ao lado de Kael, ela encontrou a paz que tanto anseava.
O mar, testemunha da transformação, acalmou suas águas. A história da Sereia Vampira se tornou em uma lenda de redenção, lembrando a todos que a verdadeira beleza residia na capacidade de amar e ser amado, e que mesmo nas sombras, a luz pode sempre voltar a brilhar. Lyria e Kael viveram juntos, construindo um lar onde a verdadeira essência do amor superava qualquer maldição.
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Atualizado até capítulo 47
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