Victor Alvares era um renomado químico e tintureiro, cuja fama atravessava cidades e fronteiras. Ele era conhecido por suas habilidades singulares em criar cores vibrantes e duradouras para tecidos, algo que lhe concedia uma reputação quase mítica entre os outros da mesma área. A sua técnica secreta, que diferenciava o seu trabalho dos demais, envolvia um ingrediente macabro e proibido: — "Sangue humano!"
Victor nascera na pequena cidade de Arganhil, um vilarejo pacato onde todos se conheciam. Desde jovem, demonstrava uma curiosidade inquietante pela ciência, especialmente pela química. Quando atingiu a idade adulta, mudou-se para a capital, onde se formou com honras em uma prestigiosa universidade. Sua paixão pela química era alimentada por uma intrínseca atração pelas cores e suas propriedades. Essa combinação o levou a estudar intensamente a arte da tintura.
Após anos de estudos e experimentações, Victor retornou à sua cidade natal, onde abriu uma pequena oficina de tingimento. À primeira vista, sua loja parecia comum, mas os resultados de seu trabalho logo começaram a causar espanto. As cores de seus tecidos eram incrivelmente vivas, e as peças pareciam não desbotar, mesmo após várias lavagens e decorrer do tempo. O segredo por trás de seu sucesso, no entanto, era um segredo sombrio, desconhecido por todos, exceto por ele.
A reviravolta em sua trajetória aconteceu quando, durante um experimento, Victor descobriu que o sangue humano possuía propriedades únicas, quando misturado a certas soluções químicas. Para ele, o vermelho do sangue era incomparavelmente mais intenso e vibrante do que qualquer corante que já havia encontrado. Além disso, a solução especial que ele desenvolveu não apenas mantinha a intensidade da cor, mas também a fixava de forma permanente nos tecidos.
O primeiro "teste" de Victor foi macabro. Uma noite, um mendigo apareceu nas redondezas de sua casa. Victor, observando a oportunidade, convidou o homem para entrar, oferecendo-lhe comida e abrigo. Quando o homem adormeceu, Victor cometeu seu primeiro assassinato, drenando o sangue da vítima para suas experiências. O resultado foi extraordinário aos olhos dele. O tecido tingido com o sangue apresentou uma cor tão viva que superava qualquer outra tinta disponível na época. A partir desse momento, Victor tornou-se um assassino em série meticuloso.
Com o passar dos anos, os desaparecimentos em Arganhil começaram a chamar atenção. Dezenas de pessoas sumiram misteriosamente, sempre indivíduos que pouco agregavam à rotina da cidade, como mendigos e viajantes solitários. Ninguém desconfiava de Victor, cuja fachada apresentava um homem dedicado ao seu ofício e à comunidade.
Seus tecidos tornavam-se cada vez mais famosos, atraindo compradores de diversas regiões. Para atender à crescente demanda, Victor viu-se forçado a abastecer seu estoque de "materiais" de maneira mais ousada. Passou a emboscar viajantes na estrada que levava à cidade, expandindo seu raio de ação.
No entanto, como todo segredo obscuro, o dele também veio à tona. Certo dia, um grupo de caçadores encontrou restos mortais nas proximidades da oficina de Victor. Os rumores rapidamente se espalharam, e logo uma turma enfurecida se formou para investigar as atividades do tintureiro. O horror tomou conta da população ao descobrir o macabro segredo de Victor. Em sua oficina foi encontrado galões cheios de sangue e barris com cadáveres mutilados.
Cheios de raiva e horror, os moradores decidiram fazer justiça com as próprias mãos. Capturaram Victor em sua própria casa, amarraram-no a um poste e, sem nenhum julgamento formal, atearam fogo. Os gritos do tintureiro ecoaram pela cidade até que seu corpo fosse consumido completamente pelas chamas.
A morte de Victor Alvares colocou fim ao reinado de terror que assombrava Arganhil. Seu legado, porém, permaneceu por muito tempo. Os tecidos que ele tingira com sangue continuaram a circular entre as mãos de colecionadores e comerciantes, despertando medo e curiosidade.
Passaram-se anos até que a história de Victor fosse relegada a um mero conto folclórico, contada às crianças para evitar que se perdessem na floresta. Entretanto, a memória da cor vibrante e inextinguível dos tecidos que produziu sobreviveu. Cientistas e historiadores posteriores investigaram os métodos de tingimento de Victor, tentando desvendar os componentes químicos que possibilitavam tal fixação de cor. Contudo, o segredo de sua solução morreu com ele.
À medida que o tempo avançou, a cidade de Arganhil retomou a sua tranquilidade. Mas os eventos daquele período sombrio permanecem gravados na memória coletiva, lembrando a todos das dicotomias presentes na busca incessante pelo conhecimento e no preço de ultrapassar os limites da humanidade e moralidade. Assim, a história de Victor Alvares serve como um aviso eterno sobre os perigos de se permitir que as paixões científicas se transformem em obsessões homicidas.
( Considerações Finais )
Por meio desta narrativa, procuramos encapsular a trajetória sombria de um homem cujo brilho intelectual foi superado por sua sede de explorar os limites éticos e morais da ciência. Que essa história sirva de lição e reflexão sobre os limites impostos pelo respeito à vida humana, independentemente das aspirações e da sede por inovação.
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Atualizado até capítulo 47
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