( A vingança de Cassandra )

Era uma noite densa e silenciosa quando os sinos de uma antiga igreja tocaram, ecoando pela aldeia de Luminara como um presságio de terror. Este era o mesmo lugar onde anos atrás, a jovem Cassandra completou o seu vigésimo aniversário de uma forma trágica e insana. Ela havia sido sacrificada por uma seita maligna e obscura, conhecida apenas como "Os sem Cabeça", que acreditava que a decapitação de uma alma pura traria poderes inimagináveis.

Cassandra era uma jovem otimista, cheia de sonhos. A sua vida foi cortada cruelmente quando a seita a escolheu para realizar o seu ritual macabro. A sua cabeça foi separada do corpo sendo escondida num lugar oculto, enquanto o seu corpo jazia sem vida, servindo de oferta para alimentar a sede insaciável da seita. Mas o que eles não esperavam era que Cassandra não se dissiparia no vazio.

Vinte anos passaram-se, e a escuridão que envolvia a seita começou a se agitar. O ritual havia falhado. Na sua busca por poder, eles esqueceram o principal: um espírito após ser separado, pode retornar com uma força renovada e uma sede de vingança insaciável. E assim, Cassandra ressurgiu das sombras, a sua forma etérea imbuída de um desejo ardente por vingança.

Ela vagou pelo mundo dos vivos, vislumbrando fragmentos da sua antiga vida e enfrentando os horrores que lhe foram impostos. Com registros de memórias e dor, Cassandra encontrou um velho grimório, que pertencera a um dos fundadores da seita. Ele era uma fonte de poder e conhecimento, um portal para as forças que governavam a vida e a morte. Aprendendo a manipular essas forças, Cassandra fez um pacto sombrio: recuperar a sua cabeça e aniquilar todos aqueles que a traíram.

Enquanto explorava o mundo dos vivos, Cassandra encontrou novos recrutas da seita. Jovens sonhadores, atraídos pelo poder e promessa de grandeza. Ela apresentou-se a eles sob a forma de uma bela mulher, vestida de branco, disfarçando as suas intenções sombrias. Com uma voz suave e hipnotizante, falou das suas crenças, de um mundo onde poderiam encontrar maior propósito. Mas quando a confiança estabeleceu-se, revelou-se em toda a sua glória espectral, um tormento para as almas ingênuas.

A cada encontro, Cassandra exibia seu poder recém-descoberto. Com um movimento de sua mão espectral, ela desencadeava horrores que faziam os recrutas se perderem em suas próprias ansiedades e arrependimentos. Construiu uma história de terror ao redor da seita, e mais pessoas foram abandonando a organização que prometia poder e riqueza.

Mas a verdadeira busca de Cassandra era sua cabeça, que permanecia perdida. Ela seguia os ecos de sussurros que a levavam a florestas densas e cavernas sombrias. Em um desses lugares escondidos, encontrou uma caverna iluminada por uma luz sobrenatural, onde estava a cabeça dela, repousando numa base cerimonial, guardada por um antigo guardião da seita.

O guardião, um ser de aspecto grotesco e olhos vazios, era o último remanescente da seita original. Ele havia sido encarregado de proteger a cabeça de Cassandra para sempre, mas a jovem sabia que ele era apenas mais uma vítima de uma ideologia doentia. Ao invés de lutar, Cassandra ofereceu-lhe uma escolha: juntar-se a ela em sua missão de vingança ou enfrentar sua própria morte. O guardião hesitou, mas a chamada do poder além da vida era irresistível.

Juntos, Cassandra e o guardião atacaram a seita, agora enfraquecida e cheia de incertezas. Um a um, os novos recrutas caíam, vítimas de seu próprio orgulho e das promessas vazias que a seita havia feito. Cada ato de vingança trouxe satisfação a Cassandra, que sentia que sua justiça estava sendo feita.

Finalmente, após dias de massacres, a seita reuniu-se em seu domínio final, em uma torre imponente que exalava a aura do mal. Cassandra, agora completamente reunida com a sua cabeça, entrou na sala do ritual final. As luzes tremulam de medo, e um silêncio pesado tomou conta do ambiente.

— "Vocês me sacrificaram, mas nunca me destruíram!" — anunciou Cassandra, sua voz ecoando como um trovão."

— "Eu sou a vingança! e não descansarei até que todos vocês paguem por cada lágrima que me fizeram derramar!"

A batalha que se seguiu foi uma coreografia de dor e luta. Cassandra invocou sombras, com um simples gesto transformou tudo em destruição e desespero. Os sorrisos satisfeitos na face dos novos recrutas virou desespero profundo, pois a jovem não apenas buscava por vingança, mas também desejava libertar almas perdidas que ainda estavam presas nas garras da seita.

Ao fim da luta, a torre desmoronou, levando consigo os últimos remanescentes daquela organização malignamente ilusória. Com isso, Cassandra, agora livre de correntes do passado, olhou para o horizonte. Ela havia cumprido sua missão, mas sabia que a luta contra a escuridão nunca termina realmente.

Com um último suspiro, Cassandra se despediu da vida terrena, sua essência agora se dissipando como uma brisa leve. Ela tornou-se uma lenda, um aviso a todos que pensassem em brincar com as forças além deste mundo. E assim, a história de Cassandra permaneceu, ecoando através das gerações, um lembrete de que certas almas nunca devem ser subestimadas.

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