Capítulo 17

Bruno.

Era quase nove horas da noite quando saí do departamento. A recepção do FBI estava relativamente cheia, o que não era surpresa. Sempre havia familiares esperando por notícias, seja sobre os detentos ou as vítimas dos casos em andamento.

Caminhei até o meu carro e o destranquei com o controle remoto. Entrei e liguei o motor, começando a me dirigir para a rua. Porém, antes que eu entrasse no tráfego, ouvi alguém chamar meu nome e ouvi duas batidinhas na porta do veículo.

Alexia.

Ela estava agasalhada, já que o frio em Seaville naquela noite estava insuportável. Destranquei a porta, e ela a abriu, sentando-se ao meu lado e deixando a porta parcialmente aberta.

— Fiquei sabendo o que aconteceu, sinto muito. Todo o seu trabalho foi por água abaixo. – ela disse, com um tom pesaroso.

— Ainda não. Vou encontrar um motivo forte o suficiente para colocá-lo atrás das grades.

— Pior do que trair o FBI?

— Talvez.

— Bruno, preciso te contar uma coisa importante... Mas...

Seus olhos se arregalaram, mas antes que pudesse responder ou ela pudesse falar algo, tudo aconteceu rápido demais. Um farol vindo na nossa direção e o impacto no lado onde eu estava fez o carro balançar para o lado. A dor foi imediata, uma pancada forte na cabeça e na costela.

Um zumbido tomou conta dos meus ouvidos e tudo ao redor se tornou distante. Não conseguia ouvir mais nada. Alexia. Meus olhos vagaram, e a vi caída no chão perto do carro. Ignorei a dor e saí correndo, sem pensar em nada além dela.

Nem percebi quando alguns policiais se aproximaram para abordar o motorista do carro que nos atingiu. Eu estava totalmente focado nela, no que tinha acontecido com ela. Seu rosto estava coberto de sangue, seus cabelos loiros estavam tingidos de vermelho do sangue. Seus olhos verdes se abriram, e ela me olhou.

— Bruno... eu também gosto de você. — sussurrou, quase sem força.

— Por favor, Alexia, não dorme. Não fecha os olhos, fica acordada, por favor. — Senti as lágrimas escorrendo pelo meu rosto, sem me importar com a vergonha. — ALGUÉM CHAMA UMA AMBULÂNCIA!

Suas pálpebras se fecharam e colqouei meu dedo no seu pescoço sentindo sua pulsação fraca, porém ainda ali. Ouvir o som das sirenes ao longe e depois ela estava naa maca com um colar cervical e uma máscara de oxigênio.

— Saturação  caiu para 69%, precisamos de oxigênio imediato! — disse o paramédico enquanto ajustava rapidamente a máscara de oxigênio no rosto da minha parceira.

Eu engoli em seco, sentindo o estômago revirar. O som das máquinas, o ritmo frenético das mãos dos profissionais, tudo parecia distante e ao mesmo tempo próximo demais. A dor no meu peito não era só física, mas um nó apertando minha garganta.

— Fica comigo, Alexia. Por favor... — sussurrei, sentindo o calor das suas mãos ainda, mas o seu corpo tão frio.

Ela estava pálida, quase sem vida. Eu podia ver os detalhes de seu rosto, de suas feições, como se o tempo estivesse congelado e tudo fosse um pesadelo ao qual eu não conseguia acordar. Minha mente estava caótica, tentando encontrar alguma solução, alguma resposta, mas não havia nada. Só o som da ambulância cortando a noite.

— O que aconteceu? — perguntei,  para os paramédicos quando eles começaram injetar algo no soro.

O paramédico ao meu lado me olhou rapidamente, tentando me tranquilizar.

— A prioridade é estabilizá-la, é provável que ela tenha sofrido um trauma na cabeça com o baque.

Os minutos pareciam horas. Eu queria gritar, mas as palavras ficavam presas na minha garganta. Não importava o quanto eu tentasse. Só havia um pensamento fixo na minha mente: Ela precisa ficar bem e voltar pra mim.

Saí da ambulância assim que chegamos ao hospital. Retiraram-na do carro e começaram a empurrá-la em direção ao Seaville Medical Center. Algumas pessoas abriram caminho, e eu não soltei a mão dela.

— Qual é a situação? — perguntou uma médica ao homem.

— Acidente de carro, fratura craniana, 28 anos. Ela foi lançada para fora do veículo durante o impacto. Os sinais vitais estão estáveis, mas ela não responde.

— Certo. Senhor, preciso que fique aqui. Não pode passar daqui — ordenou a doutora.

— Ei, ei, ei! Vamos tratar desse ferimento na testa — disse outra médica, empurrando-me para trás.

— Ela vai ficar bem, não vai? — perguntei, mais para mim mesmo do que para ela.

— A doutora Kendricks é a melhor. Ela fará de tudo para que sua namorada se recupere.

Ela me acomodou em uma cama, enquanto meus pensamentos vagavam longe. Eu só queria que ela estivesse bem e rezava mentalmente por isso.

Mais populares

Comments

Monica Da Costa Raposo

Monica Da Costa Raposo

ela nao ppde morre não

2024-10-08

4

Ver todos

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!