Alexia.
— Alexia? – escutei a voz da Ashley e me virei para olhar diretamente para ela. Sua expressão indicava um certo constrangimento.
— Oi.
— Quero pedir desculpas por tudo... eu sentia inveja de você porque o Hamilton sempre te escolhia para as missões. – ela disse, e até percebi a sinceridade no que falava. – Sinto muito mesmo, Alexia...
— Está tudo bem, Ashley. Muitas vezes pensamos que a grama do vizinho é mais verde.
Respondi. Não queria mais entrar em conflito com ela, esse lance de rivalidade feminina não me atraía. Sorri e preparei meu café; agora precisava me concentrar em algo maior.
O que aconteceu entre mim e o Yuri na noite passada me traz mais arrependimento do que o beijo que dei no Bruno. Eu estava bêbada e acabei misturando o "que se dane" com o "isso não vai se repetir" e o que se sucedeu foi inesperado.
Yuri era um cara atraente e já fazia algum tempo que ele tentava me conquistar. Acabamos indo a um bar e as coisas tomaram um rumo inesperado. Alanes e Yuri foram as primeiras amizades que fiz quando cheguei aqui.
Entretanto, Yuri sempre demonstrou mais interesse, e eu o considerei como um amigo, mesmo sem ignorar seu grande charme. Sua pele morena e bronzeada era inegavelmente sedutora para qualquer mulher.
— Que cara é essa de quem fez besteira? — Alanes perguntou ao se sentar na cadeira em frente a mim.
— Você me conhece tão bem assim?
— O suficiente.
— Eu transei com o Yuri.
— O quê? — ela exclamou, parecendo surpresa, com a boca aberta em um O perfeito. — Ai, meu Deus! Vocês são muito safados. Enquanto eu trabalhava até tarde, vocês estavam se divertindo, né?!
— Fala mais baixo, Alanes.
— Por quê? A noite não foi boa? — ela indagou, fazendo uma expressão de pena.
Fechei os olhos ao perceber que Bruno tinha ouvido uma boa parte da conversa, e acredito que meu rosto nunca tenha ficado tão vermelho como agora.
Peguei o copo de água dela e, de uma só vez, virei o conteúdo. Ela se virou e viu Bruno parado na porta com uma expressão neutra. O que seria mais constrangedor? Conviver com o cara com quem você passou a noite anterior ou com seu parceiro que ouviu você mencionando que teve relações com outro homem na mesma noite?
Alexia, você realmente não se ajuda. Parabéns.
— Agente Vasatta, podemos conversar? – sua voz grave e atraente me chamou, e eu apenas acenei com a cabeça.
— Claro.
Levantei e Alanes me lançou um olhar que parecia um pedido de desculpas. Segui com ele até as escadas que levavam à cobertura; ele abriu a porta e me deixou passar primeiro. Senti a brisa fresca em meu rosto, fazendo meu cabelo balançar.
— Ele admitiu que era o responsável pelo perfil e que ajudava o primo, Clayton, a conquistar mulheres, seduzi-las e depois matá-las.
— Tão fácil assim? – perguntei, surpresa. – Você não fez nem uma chantagem?
— Não... também estou achando tudo muito estranho.
— O celular dele já foi para o laboratório? – indaguei.
— Sim. As ligações que ele fez foram todas apagadas, mas a equipe forense vai recuperá-las.
— Excelente.
De repente, ficamos em silêncio e apenas nos olhamos. Eu mordi o lábio e observei a vista dos prédios que se estendiam à nossa frente. A paisagem à noite é ainda mais bonita.
— Até quando vamos continuar fingindo? – ele comentou.
— Fingindo o quê? – voltei a olhar para seu rosto com uma sobrancelha levantada.
— Que temos uma atração enorme um pelo outro, isso é inegável, Alexia.
Eu respirei fundo, sentindo o calor se espalhando pelo meu corpo, mas tentei manter a compostura. Aquelas palavras dele flutuavam no ar como uma provocação, algo que eu não estava pronta para admitir, mas que, no fundo, sabia que era verdade. A tensão entre nós era palpável, como se o espaço ao nosso redor tivesse desaparecido, deixando apenas nós dois.
— E o que você quer que a gente faça com isso? – perguntei, tentando esconder a confusão que se formava dentro de mim. Minha voz soou mais baixa do que eu gostaria, mas era como se tudo estivesse em câmera lenta.
Ele deu um passo mais perto e, sem responder, apenas me puxou pela cintura com uma firmeza suave, encurtando a distância entre nossos corpos. Nossos olhos se encontraram de novo, e por um segundo, o mundo inteiro desapareceu. A única coisa que importava era aquele momento, a eletricidade no ar.
Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ele inclinou a cabeça e, com uma suavidade que parecia uma promessa, seus lábios tocaram os meus. Era um beijo lento, quase como se estivéssemos testando a reação do outro, avaliando os limites, os sentimentos que se mesclavam ali.
O gosto dele, misturado ao ar fresco, me envolveu de uma forma que eu não soubera que estava esperando. Era como se tudo o que eu sentia estivesse condensado naquele único toque, a tensão, a curiosidade, a vontade de ceder.
Quando nos afastamos por um instante, ele me olhou com uma intensidade que me fez sentir exposta, vulnerável.
— Isso é só o começo, Alexia – ele sussurrou, ainda tão perto que sua respiração se misturava à minha.
Eu não sabia se queria resistir ou simplesmente me entregar àquele momento. Mas que se dane.
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Atualizado até capítulo 37
Comments
Claudia Ciceri
Nossa que comentários sem noção... quando é o cara que faz isso é normal e normalmente as autoras ainda gostam de colocar transando na frente delas pra ficar mais escroto... e mais ele que ouviu e foi atrás dela igual, ele que tava todo babaca sem querer conversa, aff tem que ter paciência mesmo...
2024-12-17
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elenice ferreira
Kkkkkk, promíscua isso sim !
2024-11-28
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Fatima Maria
ACHO QUE ALEXIA TEM ALGUM ESPÍRITO DE PROSTITUIÇÃO. MISERICÓRDIA TRANSA COM UM AGENTE E DEPOIS O OUTRO E NÃO SABE COM QUEM FICAR.
2024-11-14
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