Capítulo 06

Alexia.

Mamãe já havia me ligado três vezes para saber como eu estava e para me lembrar que amanhã é o aniversário de 14 anos da minha sobrinha, e eu não poderia deixar de comparecer. Depois de tomar banho, vesti uma camiseta enorme de uma banda que já não era mais a minha favorita.

Em Seaville, o frio estava intenso e o aquecedor estava ligado. Eu precisava de uma roupa que me mantivesse aquecida, mas que não me fizesse sentir calor.

Coloquei o notebook na mesa de centro junto com as minhas anotações. No fim das contas, foi bom eu ter voltado para casa, já que me sentia horrível. Sabe quando parece que o mundo vai desmoronar sobre você? Era o peso da culpa e a sensação de ser um fardo.

A campainha tocou e eu me levantei para atender com o coração acelerado. Por quê? Não sei. Ao abrir a porta, dei de cara com o Bruno, que segurava algumas sacolas. Abri um sorriso e o deixei entrar.

— Oi.

— Oi, como você está?

— Estou bem... bem melhor, obrigada.

— Então, não sei se você está com fome, mas eu trouxe algo para comer. Precisamos discutir um assunto.

— Hmm... Sushi? Tenho um vinho excelente para acompanhar.

Bruno retirou tudo da sacola e colocou sobre a mesa, depois coloquei o vinho e duas taças. Em seguida, nos sentamos. Começamos a comer enquanto conversávamos sobre o caso que agora tinha novas pistas que poderiam nos levar até o assassino.

Depois, ele me contou que Isaac havia saído do departamento de polícia. Eu o conhecia há apenas cinco meses, mas ele era incrível. Sua ausência será sentida. Também falou da nova equipe de agentes.

— E quem o sucederá? – perguntei, elevando a taça de vinho até os lábios.

— É algo que você não vai acreditar. Peter Hamilton.

Meu sorriso sumiu.

Fiquei em choque.

Fiquei sem palavras.

Sabe quando tudo parece desacelerar e você ouve aquele zumbido no ouvido? Deixei o garfo escorregar do prato e coloquei as mãos sobre as pernas. Aquele nome... eu poderia imaginar claramente do rosto, o sorriso sinico. Minha pele começou a pinicar.

— Alexia? Tá tudo bem?

— C-claro... eu só... não é nada.

Levei a taça de vinho aos lábios e golfei todo o conteúdo. Servi-me de um pouco mais e bebi novamente. Eu precisava ficar bem embriagada para não demonstrar nada.

— Ele foi seu chefe na época em que você estava na CIA, certo? – Bruno insistiu no tema. – Ele é excepcional em tudo o que faz. Um ótimo agente e...

Cobri a boca com a mão e corri para o banheiro, vomitando tudo o que tinha ingerido. Ajoelhei e abracei meu estômago, sentindo-o revirar. Levantei, dei a descarga e escovei os dentes. Bruno, assustado, estava parado na porta.

— Nossa! A comida te fez mal? Se precisar, posso ir comprar remédio.

— Não precisa... – respondi com um sorriso tímido. – Acredito que foi apenas o sushi. Vamos voltar.

— Você realmente está bem?

— Estou.

Retornamos à cozinha, onde Bruno me ajudou a colocar tudo na máquina de lavar, e ficamos tomando apenas nossos vinhos. Enchi minha taça até a borda e saboreei todo o líquido que havia nela.

— Vou preparar um martini. - digo enquanto coloco a taça em um canto.

— Eu prefiro uísque - ele apanha a garrafa que está em cima do balcão e começa a examinar a de bourbon que recebi do meu cunhado no ano novo.

Pelo menos agora tenho alguém para compartilhar o meu uísque, que estava lá, intocado, desde que ganhei.

— Tudo bem, Lacerda. Você é tão chato que até sua bebida é sem graça. - brinco, pegando a garrafa da mão dele para servi-lo.

Após quatro doses de uísque, já não sei em que mundo estou. Sinto um peso na cabeça que me deixa cada vez mais lenta, até para pensar.

Minha sala é composta por um grande sofá e duas poltronas dispostas lado a lado. Entre elas, há um abajur aceso para iluminar o ambiente escuro.

Estamos sentados em poltronas opostas, e além de beber, já falamos sobre uma infinidade de assuntos. É oficial: Bruno Lacerda é quem me conhece de forma mais profunda agora, até mais do que meus pais ou minha irmã, que sabe tudo sobre mim.

Espero que, na manhã seguinte, ele não se lembre de nada.

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Comments

Fatima Maria

Fatima Maria

ESTA HISTÓRIA É CHEIA DE QUEBRA CABEÇA. O QUE EU QUERO DIZER DE ALTOS E BAIXOS. MAIS VAMOS QUE VAMOS DESCOBRIR OS SEGREDOS DOS AGENTES E DOS ASSASSINOS. 😉

2024-11-14

1

Lucia Cezar

Lucia Cezar

História maravilhosa

2024-10-12

2

Ver todos

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