Bruno.
Ao deixar a casa da Alexia nesta manhã, senti uma vontade incontrolável de me dar um soco. Sério mesmo. Eu me odiei por isso. Mas não havia nada que eu pudesse fazer; estava claro naquela noite que ambos desejávamos muito aquele beijo. E, do jeito que ela expressou, parecia que eu a havia forçado a aquilo.
Jamais faria algo assim.
Aquela pequena loirinha estava arruinando minha sanidade, e com aquele beijo, eu me entreguei ainda mais. Já faz dois meses que estamos trabalhando juntos, e memorize todos os seus gestos, todos os seus movimentos. Eu realmente apreciava sua companhia, apesar de detestar trabalhar em equipe.
Agora me encontrava sentado no sofá do meu apartamento, olhando para o teto de gesso. Sério que aquilo realmente aconteceu? Mas, no momento, eu tinha algo mais importante para me preocupar: o que havia rolado entre Alexia e Peter Hamilton.
Ficou bem evidente que houve algo entre eles, e eu estava determinado a descobrir a verdade. Peguei as chaves do meu carro e saí do apartamento, entrando no elevador.
Dirigir até o departamento do FBI, onde a nova equipe já estava em plena atividade, cada um em sua respectiva mesa.
— Bruno? O que você faz aqui num domingo? – perguntou Yuri ao entrar na sala e acomodar alguns papéis na mesa de Alexia.
— Estava sem nada para fazer e decidi vir trabalhar. – respondi com um aceno de cabeça, perguntando em seguida; – O que é isso?
— Uns relatórios que a Alexia pediu para eu imprimir e deixar para ela.
— Ela está aqui?
— Não. Ela me ligou mais cedo.
— Ah, entendi.
Yuri deixou a sala e fiquei olhando os papéis na mesa da minha colega. Uma batalha psicológica se formou dentro de mim sobre ir até lá e conferir do que se tratava ou simplesmente ignorar. Optei por não ir. Tínhamos estabelecido que nenhum de nós invadiria a privacidade do outro.
Iniciei meu laptop e acessei o sistema do departamento; eu tinha um talento especial para hackeamento. Contudo, só utilizava essa habilidade em casos realmente críticos. Busquei o nome de Peter Hamilton no sistema.
Peter Jefferson Hamilton, 41 anos, divorciado, é o chefe do departamento do FBI e ex-chefe da CIA. Também foi membro das forças especiais.
Não compartilhou mais nada que fosse de interesse. Quando a porta se abriu, levantei os olhos e vi Alexia parada na entrada, me observando. Ela esboçou um sorriso tímido, mas eu apenas desvie o olhar para o computador.
— Bruno... desculpe pelo que disse. – ela falou num tom arrastado. – Eu sei que a gente não se gosta mas... eu não tinha o direito de falar amigo. Você não me forçou a nada...
— É melhor mantermos a postura que tínhamos antes, nada de contatos físicos, e só nos comunicarmos se realmente for imprescindível. E, por falar nisso, nunca forçaria você ou qualquer outra mulher a fazer algo que não deseje.
— Eu entendi, mas...
— Deixa pra lá, Alexia.
Levantei-me da mesa e saí da sala, passando ao lado dela. Peter estava de pé, conversando com os outros agentes, e eu permaneci em pé, com os braços cruzados, apenas ouvindo o que ele dizia. Ele estava comentando sobre um caso que não me interessava.
Dirigi-me à sala de café e preparei uma bebida para mim. Sentei-me em uma das cadeiras e comecei a fazer algumas pesquisas pelo celular. A cadeira em frente à minha foi ocupada, e levantei os olhos. Uma mulher morena, de olhos cinzas e pele clara, sentou-se diante de mim.
— Oi, meu nome é Ashley. Você trabalha aqui há muito tempo?
— O bastante, por que?
— Não é nada demais. Praticamente todas as mulheres falam sobre você.
— Espero que seja algo bom.
— Está brincando? Falam muito bem de você. Quem é sua parceira? Ou você trabalha sozinho?
— Alexia Vasatta.
— Own. – fez uma expressão de desgosto. – Alexia, a que foi demitida pela CIA depois de estragar toda uma operação? Que triste. Ela realmente acabou com meses de planejamento nosso. – disse, revirando os olhos.
Senti-me desconfortável. Ela estava falando mal de alguém para uma pessoa que acabara de conhecer? Isso era tão absurdo.
— Isso não é da minha conta. Com licença.
Levantei-me e fui até a máquina de lavar louça colocar o copo. Saí da cozinha e retornei para a sala; Alexia estava concentrada digitando no notebook. Será que ela era tão reservada por causa da demissão? Parece que ela se sente um peso para os outros. Será que é por causa dessa situação?
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Atualizado até capítulo 37
Comments
Fatima Maria
ESSES AGENTES VÃO DAR TRABALHO PARA ALEXIA. E ATÉ AGORA NÃO ENCONTROU SEQUESTRADOR, ISTO QUER DIZER QUE TEM GENTE DE DENTRO QUE ESTÁ DANDO INFORMAÇÃO.
2024-11-14
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