Alexia.
Levo a xícara de café até os lábios, observando Bruno pressionar as teclas do notebook como se fosse um verdadeiro hacker. Talvez ele seja, mas isso não me interessa muito; prefiro ficar na minha.
Duas horas mais tarde, escuto leves batidas na porta e a pessoa já está entrando. Reconheço bem aquele perfume. Aquele perfume insuportável está grudado nas minhas narinas, e isso me dá vontade de vomitar.
Não levanto o olhar, mas fico atenta à conversa entre meu parceiro e meu chefe.
— E aí, Lacerda? Alguma novidade?
— Sim e não. Tenho os dados do e-mail, mas o nome da pessoa ainda não aparece e sim estácomo @ananimosusagmail.com. Assim que isso carregar completamente, poderei acessar o celular onde esse e-mail foi registrado e a sua localização.
— Uau. Você é realmente brilhante. Tem certeza de que não quer trabalhar na área de tecnologia? Temos vagas disponíveis.
— Acredito que me saio melhor na prática.
Detesto ser alguém com a mente poluída, que me fez imaginar inúmeras coisas imprestáveis enquanto meu rosto esquentava de vergonha.Meu Deus, eu não era assim antes.
Me esforço ao máximo para me concentrar nas minhas pesquisas e rezo mentalmente para que eu consiga me tornar invisível enquanto ele está aqui na sala. No entanto, minhas orações não foram atendidas quando, pelo canto do olho, percebo que ele se aproxima.
Droga.
— Alexia? Fico tão feliz que você está se recuperando da... ansiedade. – ele destaca a última palavra, e eu fecho os olhos, consumida pelo ódio. – Eu disse que tudo ia dar certo no final.
Ele deu duas leves batidinhas no meu ombro e saiu da sala. Peguei o álcool em gel que estava em cima da mesa, passei nas mãos e, em seguida, no ombro. Cravei minhas unhas na palma da mão, me segurando para não pegar minha arma que estava no coldre e apontar bem para a cabeça dele.
Olhei para Bruno, que me observava como se quisesse entender o que tinha acabado de acontecer. Então, lancei um olhar bem explícito de "cala a boca e trabalha" para ele.
...[...]...
Já passava das sete da noite e era hora de eu voltar pra casa. Tive mais uma discussão com a Ashley e queria encerrar isso de uma vez por todas. No fundo, meu subconsciente me lembrava que não tinha que dar satisfação a ninguém.
No entanto, estava realmente exausta de toda essa situação. Quando estava saindo do prédio, avistei ela prestes a entrar no carro. Gritei seu nome e ela parou, voltando-se para mim.
— Ouça, isso eu vou dizer apenas uma vez: não te devo explicações, mas quero que me deixe em paz. Se você quer entender por que eu prejudiquei aquela operação... – pausei, mordendo a bochecha antes de prosseguir. – porque eu estava com uma mão na calça enquanto fazia isso. O agente Hamilton, chefe da CIA, não conseguia afastá-la de mim, não importava o quanto eu tentasse. Então, sim. Eu me distrair.
— Alexia...
— Não. O que aconteceu já é passado e delatar não vai mudar nada, ele é um chefe de grande importância e eu sou apenas uma agente. Já superei essa situação e não quero mais trazer isso à tona. Está claro?
— Eu só queria dizer que sinto muito.
— Não estou interessada na sua pena, só quero que me deixe em paz.
Pude notar que seus olhos verdes estavam brilhando com lágrimas. Sequei meu rosto, fui até o carro, abri a porta e a fechei com força.
Levei um bom tempo para perceber que Peter não me via como uma agente excepcional, alguém competente. O motivo pelo qual ele sempre me chamava para as operações não era para me ensinar ou para que aprendêssemos juntos.
Era, na verdade, para me levar para a cama. Bati no volante várias vezes, irada comigo mesma por ter sido tão ingênua e não ter reconhecido os abusos dele. Assim que consegui me recompor, liguei o carro para sair dali.
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Atualizado até capítulo 37
Comments
Anonymous
Historia boa mas meio confusa, não dá pra saber quem está falando com quem, não tem nomes na frente pra saber
Ex: Bruno ......
Alexia.........
Assim ficaria mais facil
2024-10-20
3
elenice ferreira
F.....d. P...
2024-10-15
4