Lincon
Enquanto aguardo pela resposta de Clara, a sala parece girar ao meu redor. O peso da confissão paira no ar, e meu lobo interior, se recolhe, percebendo a magnitude do que acontece entre nós. Sinto um frio na barriga, uma mistura de expectativa e medo.
Finalmente, a voz de Clara quebra o silêncio, suave mas firme.
— Talvez... talvez eu possa tentar. Mas precisamos ir com calma. Afinal, você é o chefe da minha mãe, e isso torna as coisas um pouco mais confusas.
Um alívio me invade, e sem demora, respondo:
— Claro. Vamos no seu tempo.
"Você precisa falar de mim para ela, Lincon. Não deixe isso se arrastar", sugere meu lobo, ressurgindo em um sussurro insistente.
Mas eu decido ignorá-lo. Já foi muita coisa para um único dia, e assustar Clara com minha verdadeira natureza agora não é o que quero. Preciso ir com calma, respeitar seus limites.
A tensão no ar parece se dissipar um pouco, mas ainda assim, a dúvida persiste. Ela me observa, seus olhos refletindo uma mistura de esperança e cautela, e percebo que este é um momento delicado.
— Então… — Clara diz, quebrando o silêncio novamente. — O que fazemos agora? Como seguimos em frente?
A pergunta paira no ar como uma pequena chama, e sinto a responsabilidade de alimentá-la com cuidado.
— Podemos começar a nos conhecer melhor. Marcar um café ou um passeio? Sem pressa, para ver onde isso nos leva — sugiro, tentando soar leve.
Ela hesita por um instante, o olhar em seu rosto é de reflexão. A chuva ainda ecoa lá fora, mas agora parece um pano de fundo distante, quase como uma música suave.
— Um passeio seria bom — ela finalmente concorda, um sorriso tímido começando a surgir. — Só precisamos ter cuidado para que ninguém perceba, principalmente minha mãe.
Intrigado, digo:
— Por que não quer que ninguém saiba? A sua mãe até entendo, mas mesmo assim, uma hora ou outra ela irá saber.
Ela suspira profundamente, olhando diretamente para mim.
— É que… provavelmente irão dizer mil e umas coisas, e prefiro que seja no nosso momento.
Assinto, refletindo profundamente.
— Tudo bem… mas eu realmente não tenho ninguém, Clara. Nem amigos, então fica tranquila.
Ela engole em seco, e lentamente se aproxima. E, então, leva delicadamente suas mãos até meu peitoral exposto, repousando uma delas sobre meu coração enquanto diz em um sussurro:
— Eu não sabia que você era realmente tão sozinho assim, Lincon. Eu estou aqui. Vamos tentar isso juntos… Vamos nos conhecer melhor, e ver onde isso nos levará. Um passo de cada vez, como as batidas dos nossos corações.
O calor do toque dela é reconfortante, e sinto um nó se desfazer dentro de mim. Sua sinceridade toca uma parte de mim que estava adormecida, e a conexão entre nós se fortalece. A promessa implícita em suas palavras ecoa em mim, como um compromisso silencioso.
— Um passo de cada vez — repito, a ideia começando a se solidificar em minha mente.
Ela sorri, e o brilho em seus olhos me dá esperança. Com Clara ao meu lado, sinto que, talvez, possamos definitivamente começar a escrever uma nova história.
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Atualizado até capítulo 73
Comments
Marcia Cristina Carneiro
então ela com 18ainda não se transformou 8/01/25/
2025-01-09
0
Sueli Parajara Bento
não tem aquele negócio de meu minha?
2024-12-04
0
Celeste Nogueira
,será que ela é uma loba e que só vai surgir quando se acasalarem
2025-01-21
1