Clara
Assim que entro no carro de Lincon e fecho a porta atrás de mim, meu coração acelera em um ritmo frenético. Antes de sua chegada, eu estava perdida em um turbilhão de emoções, a dor no peito me paralisando e tornando o medo uma mera lembrança distante. Nada parecia fazer sentido.
Levei alguns instantes para me recompor, até que a voz de Lincon ecoou em minha mente como um mantra, trazendo-me de volta à realidade crua que se desenrolava diante de mim.
Agora, sentada no banco do passageiro, ouço a chuva tamborilar no capô do carro, um som quase hipnótico, enquanto meus olhos se fixam no beco à frente. Lincon se encontra com aqueles homens, mas o que está realmente acontecendo ali?
Desesperada por uma visão mais clara, deslizo para o banco do motorista, tentando enxergar melhor, mas o vidro está embaçado pela umidade. Com a palma da mão, limpo um espaço, e nesse momento, um relâmpago rasga o céu, iluminando o beco por um breve segundo. A sombra de algo colossal se desenha contra o muro, e meu coração afunda.
— O que é isso? — sussurro, o som mal saindo dos meus lábios enquanto esfrego os olhos, tentando afastar a incredulidade.
A respiração ofegante se torna um mantra próprio, enquanto sigo concentrada na cena fora do carro. Desço um pouco o vidro, mas os pingos de chuva logo me forçam a fechá-lo. Antes que possa fazer isso completamente, gritos ecoam, o som agonizante dos homens penetra a atmosfera pesada da chuva.
Uma moradora de um dos prédios próximos grita, sua voz cortando o caos:
— Que barulheira é essa aí? Vou ligar para a polícia, está me ouvindo?
Mas sua advertência se perde sem resposta. Nesse instante, um dos homens surge em minha linha de visão, correndo em direção ao carro, como se o beco fosse um labirinto sem saída. Meu coração martela, e num impulso de sobrevivência, subo o vidro com rapidez, recuando para o banco de trás, encolhendo-me no assento enquanto tampo os ouvidos e fecho os olhos, como se o ato de me esconder pudesse me proteger.
Um estrondo ensurdecedor ressoa, e sinto o peso colossal de algo aterrador pousar no teto do carro. Desesperada, abro os olhos e fixo o olhar no teto, vendo a lataria se afundar sob o impacto, moldando-se em grandes patas que a chuva não consegue esconder.
— O que? — murmuro, as palavras quase se perdendo na confusão.
E então tudo acontece em um piscar de olhos: o homem é arremessado de volta para o beco, colidindo violentamente contra o muro. A criatura salta do carro em direção ao homem, mas a chuva torna a visão quase impossível. Com a manga da blusa, tento limpar o vidro, mas apenas um borrão de movimento grandioso se destaca, atacando.
— Meu Deus! Lincon! — a urgência em minha voz é como um grito silencioso.
O pensamento de Lincon agora me consome. Ele está lá fora, entre a criatura e aqueles homens. Será que ele está em perigo? É um animal? Um monstro? As perguntas se emaranham em minha mente, e a confusão se intensifica, enquanto o pânico se apodera de mim, como se a própria realidade estivesse se desmoronando.
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Atualizado até capítulo 73
Comments
Fátima Ramos
Ele não pode sair matando quando lhe sai malfeitor pela frente
2024-12-13
0
Cyllene Silvacruz
eu tô sem palavras
2025-02-15
0
Edvania Cardoso
eu tiro o chapéu para essas escritoria 👏Nossa todos sabemos que um livro uma ficção ainda de lobos etc aí vem um povo chato meu Deus, que chatice o livro tem que na pontas do i vc autora está de parabéns por aguentar esse povo
2024-12-14
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