Lincon
Assim que o dia amanheceu, vim rapidamente para a empresa. Ontem, lutei contra o impulso de ir até o endereço da minha funcionária, Lúcia. A curiosidade quase me consumiu, mas consegui me manter firme.
Agora, aqui estou, impassível, observando o relógio de pulso a cada poucos minutos. Está quase na hora do almoço, e se minhas observações estiverem corretas, a garota deve chegar a qualquer momento.
A ansiedade começa a me dominar. Caminho em direção à área de lazer, tentando agir naturalmente, mas meu coração acelera ao avistar Lúcia digitando algo em seu celular. A garota deve estar chegando. Apresso os passos, planejando um encontro casual, como se fosse mera coincidência.
— Eu não irei abordá-la, lobo. Não tem como, não tenho o que dizer — murmuro em um tom quase inaudível, ciente de que ninguém está por perto.
"Você é um fracote, Lincon! Deixe-me assumir. Eu sei como me comunicar com ela", responde meu lobo, sua voz vibrando de excitação.
— Está ficando louco? Se você fizer isso, ela vai se assustar. Precisamos agir com cautela.
"Mas eu não quero agir com cautela... Quero tê-la, logo, para mim", diz ele, seu tom profundo e tenebroso ecoando em minha mente.
— Mas não podemos...
As palavras morrem em minha garganta quando a vejo sair do elevador. Ela avança em minha direção, segurando um recipiente em suas mãos, provavelmente o almoço. Meu coração dispara.
Desta vez, consigo observá-la melhor. Seus cabelos castanhos caem sedosamente sobre os ombros, e uma mexa rosa se destaca, dando um toque vibrante à sua simplicidade. Vestida com uma camiseta preta e uma calça jeans, sua aparência despretensiosa a torna ainda mais encantadora.
Nossos olhares se encontram, e uma onda de eletricidade percorre meu corpo à medida que ela começa a passar por mim.
"Ande, fale alguma coisa! Ela está indo, Lincon! Vamos, reaja!", meu lobo grita, angustiado.
O impulso de agir quase me derruba, mas estou paralisado, absorvendo cada detalhe dela. A maneira como seus olhos brilham, a forma despreocupada com que se move... Eu me vejo perdido, como se tudo ao meu redor tivesse desaparecido, e só existisse este instante.
— Ei! — finalmente consigo me forçar a dizer, a voz saindo mais como um sussurro do que um chamado firme.
Ela para, um olhar surpreso no rosto. A expressão dela é uma mistura de curiosidade e um leve receio. O que eu faço agora? Ela hesita um momento, e isso parece se arrastar por uma eternidade. Meus pensamentos giram.
— Eu... a, Lúcia é sua mãe? — A pergunta sai quase sem pensar, mas logo percebo que não era o que eu queria dizer. Queria algo mais significativo.
Ela levanta a sobrancelha, mas um sorriso tímido surge em seus lábios, e isso me dá um pouco de coragem.
— Sim. Sou Clara, e o senhor deve ser o chefe dela, certo? — responde ela, sua voz e seu nome são suaves e doces, ecoando em minha mente.
Meu lobo ri internamente:
"Olha só, ela está se abrindo para você! Aproveite!"
Forço um sorriso, tentando parecer descontraído.
— Isso, sou Lincon, o chefe de sua mãe.
O sorriso dela se amplia, e percebo que esse pequeno momento de troca de palavras é o que eu precisava para abrir espaço para algo mais.
— Bem, preciso ir, levar o almoço dela... então tchau, senhor Lincon.
Dou um leve sorriso, colocando as mãos nos bolsos da minha calça.
— Até breve, mas pode me chamar apenas de Lincon.
Ela assente e continua a caminhar, enquanto eu também sigo meu caminho. Porém, ouço seu grito:
— Ah, e senhor... digo, Lincon, me desculpe por ontem no elevador. Não foi minha intenção ter caído sobre você.
"Diga, que ela pode cair quantas vezes quiser de novo; foi um prazer segurar os seios dela", diz meu lobo.
Eu pigarreio, tentando evitar a confusão diante de suas palavras, e me esforço dando um sorriso.
— Não se preocupe, acontece.
Ela sorri e acena, e se vira, prosseguindo. No entanto, ambos olhamos para trás ao mesmo tempo. Aceno um pouco sem jeito para ela, que desaparece pelo corredor.
(...)
Enquanto sigo meu caminho, não consigo tirar Clara da minha cabeça. A maneira como seus olhos brilharam quando ela sorriu, a simplicidade dela... tudo isso me intrigou.
Vou para minha sala, mas a concentração é quase impossível. Olho para os papéis na mesa, mas minha mente divaga. O que posso fazer para conhecê-la melhor?
A ideia de abordar sua mãe não me parece certa; eu quero que isso venha de forma natural. Talvez encontrar alguma oportunidade de conversar mais.
Um leve toque na porta me tira dos meus pensamentos. É Marcelo, meu assistente.
— Senhor, tudo bem? — Ele observa, com um olhar curioso.
— Estou só pensando em algumas coisas... trabalho — respondo, tentando disfarçar.
— Certo. Ah, e senhor, não se esqueça de que tem a reunião com os investidores mais tarde — diz ele, saindo da sala.
Assinto, e solto um suspiro ao cair sentado na cadeira, perdendo-me novamente em pensamentos sobre Clara. É ridículo como a presença dela me afeta. Tenho que me certificar de que, quando a ver novamente, terei algo mais interessante para dizer.
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Atualizado até capítulo 73
Comments
Celeste Nogueira
eu gosto muito quando tem um lobo assim que manda mais do que seu humano kkkle ilario
2024-12-05
0
Margareth Santana
esse lobo é bem assanhado
2024-12-21
0
Elenilda Soares
amando muito parabéns autora
2025-01-28
1