Capítulo - 4

Lincon

Enquanto ando rapidamente pelos corredores do prédio, o som do meu sapato ecoa no mármore polido. Meu assistente, Marcelo, caminha atrás de mim com uma expressão preocupada, tentando manter o ritmo.

— Eu irei imediatamente enviar as imagens de hoje das câmaras do prédio para o senhor — diz ele, a voz entrecortada pela pressa.

Assinto com a cabeça, sentindo a urgência da situação, e respondo com firmeza:

— Ótimo. Faça isso, mas hoje já basta para mim. Não estou para ninguém; se tiver alguma reunião, remarque. Estou indo para casa.

Marcelo assente, ajustando os óculos que escorregam pelo nariz.

— Certamente, senhor.

Ele me ultrapassa, quase correndo, enquanto se concentra na tela do celular. Eu o observo por um instante, a sensação de estar sendo observado volta à minha mente, mais insistente do que nunca.

Sigo para a garagem, os passos ressoando cada vez mais fortes. Enquanto caminho, uma lembrança me assombra: aquela funcionária, com o celular na mão, tirando selfies.

"Ela estava por perto... admita, Lincon, você também sentiu o cheiro dela", sussurra meu lobo, sua voz primal se agita em minha mente.

— Eu senti, mas não a vi. Isso já está me enlouquecendo... preciso saber quem é ela, e logo.

"Nós precisamos, meu caro... nós precisamos."

— Eu sei bem por que você a quer, lobo... — respondo, quase em um sussurro.

Enquanto me aproximo do meu carro, a dúvida e a intuição se entrelaçam. Ao entrar no carro, o motor ronca sob a pressão do acelerador, mas a inquietação persiste. O lobo dentro de mim está desperto, e eu preciso descobrir o que está escondido nas sombras.

Enquanto dirijo sob a luz quente da tarde, a cidade pulsa ao meu redor, um emaranhado de carros e pessoas apressadas. O som dos motores, buzinas e passos apressados cria uma sinfonia caótica que ecoa na minha mente. Meus dedos tamborilam impacientemente no volante, a batida nervosa refletindo minha inquietação.

"É ela! Ela está perto novamente!", ruge a voz do meu lobo, um eco primal que ressoa nas profundezas da minha alma.

De repente, o ar se torna denso com o cheiro inconfundível dela, seu perfume penetra pela janela aberta. Com um movimento instintivo, olho para o lado e, lá está ela. A garota que tem me perturbado nas últimas horas, empurrando sua bicicleta enquanto digita algo em seu celular.

O sol ilumina seu rosto, destacando ainda mais sua pele. Um arrepio percorre minha espinha.

"Vamos! Siga-a, Lincon! Ande! Siga-a!", grita meu lobo, a urgência em sua voz crescendo, uma necessidade incontrolável.

— Está maluco? Eu não posso segui-la! Além do mais, o sinal…

Sem tempo para terminar de falar, sinto meu pé afundar no acelerador. O carro responde com um rugido potente, atravessando o sinal vermelho como se o mundo ao meu redor tivesse diminuído a velocidade. A adrenalina pulsa nas minhas veias.

— Eu te mato, seu maldito! Eu te mato! — grito, a raiva e a frustração se misturando em um frenesi.

"Você não pode me matar, Lincon. Agora, segure firme neste volante e vamos atrás dela. Precisamos descobrir onde ela mora", diz ele, confiante.

Enquanto o motor do carro ressoa como um leão em fúria, sigo seu rastro. Ela vira a esquina, e instintivamente, viro o volante, as rodas rangendo na curva. A cidade se transforma em um borrão de cores e sons, cada semáforo e pedestre se tornando meros obstáculos em minha perseguição.

O cheiro dela se intensifica, quase como se estivesse me envolvendo, e a conexão inexplicável entre nós se fortalece. Meu coração bate mais rápido; a expectativa e a ansiedade se entrelaçam. O que eu realmente quero? Saber quem ela é, ou apenas satisfazer essa necessidade primal que me consome?

Através das janelas, o movimento frenético da cidade se transforma em uma paisagem desfocada. Estou tão concentrado nela que mal noto o ônibus que passa ao meu lado, a buzina estourando como um trovão. A garota se distancia, e minha determinação se agiganta. Não posso deixá-la escapar.

"Vamos, Lincon!", exclama meu lobo, impaciente.

No entanto, ao fazer uma curva, um camelô gritando sobre suas mercadorias atravessa meu caminho. Freio abruptamente, e o som dos pneus deslizando sobre o asfalto ressoa na minha mente.

Meu coração bate forte no peito, a adrenalina fazendo meus sentidos pulsarem. É como se meus tímpanos quisessem estourar, cada batida do meu coração ressoando como um tambor de guerra.

Os carros ao meu redor buzinam, motoristas xingando enquanto se agitam em suas rotinas. Mas não me importo com eles; estou focado no único objetivo que importa. Olhando para fora, percebo que a garota desapareceu entre a multidão de pedestres.

Perco a noção do tempo enquanto rodo pela redondeza, passando por rostos desconhecidos e luzes piscantes, mas tudo parece em vão. Ela se foi, e a frustração me consome. Sem perceber, a tarde se transforma em noite, e as sombras começam a se alongar.

Ao fazer um retorno, passo por um beco mais escuro. De repente, meu carro é cercado. Três homens surgem das sombras, aproximando-se com expressões ameaçadoras, levantando suas camisas e exibindo armas. O frio na minha espinha se transforma em um ardor intenso de fúria.

Suspiro profundamente, e uma risada amarga escapa de meus lábios.

— Ótimo, lobo! Olha no que você nos meteu. Tudo isso por uma pirralha!

Sua risada interior ressoa, e eu sinto que ele se diverte com a situação.

"Olha, vejo por outro lado. Ao menos teremos um pouco de diversão. Saia do carro, Lincon, e me deixe emergir."

Sem hesitar, abro a porta e saio lentamente, erguendo as mãos. À medida que as abaixo, desabotoando minha camisa e a calça, digo com uma calma calculada:

— Rapazes... eu sugeriria que vocês começassem a correr. Sério, a coisa pode ficar feia por aqui. Vocês tiveram a infelicidade de mexer com a pessoa errada.

Eles trocam olhares confusos, e um deles, rindo, diz:

— Qual é, playboy? Quer nos pagar de outra forma? Mas não curtimos isso não... só queremos sua grana e o carro.

Sorrio cinicamente, agora apenas de cueca. Jogo minhas roupas em direção ao carro e digo:

— Eu avisei.

A transformação começa, um processo agonizante e libertador. Meus ossos estalam, e meu corpo se retorce. Garras surgem, pelos cobrem minha pele, meu rosto se alonga, transformando-se em um focinho feroz.

E então, meu lobo emerge por completo. A fraca luz que ilumina o beco parece vacilar diante da criatura que sou. Dentro da minha mente, a voz dele é um sussurro baixo e sinistro:

"Vamos brincar."

A caçada começa. Em um instante, a tensão se dissolve em um frenesi primitivo. O rugido da fera ecoa no beco, e os gritos agonizantes dos homens cortam a noite, se misturando ao som das garras atravessando suas peles.

Os três se espalham, mas a escuridão é minha aliada. A presa é fraca e apavorada, e o sabor da liberdade me envolve. Enquanto corro entre as sombras, a ferocidade pulsa em minhas veias, e a cidade se transforma em um playground de caça. O lobo dentro de mim está livre, e a noite está apenas começando.

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Comments

Tania

Tania

rindo muito rsrsrsrsr diversão garantida rsrs

2025-03-08

2

Claudia Santos

Claudia Santos

é o cara está com uma paciência, agora o bicho vai pegar,ops o lobão vai brincar.😅😅

2024-12-10

0

Luiza Paiva

Luiza Paiva

autora não tem foto? cola
foto de um turco lindo como lobo ❤️❤️

2025-01-10

0

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