Capítulo 19; Uma vez abaixo da verdade

...02/09/2009 Quarta-feira; Meio-dia...

Os corredores do colégio Gekkoukan estavam abarrotados, com a vida dos estudantes fluindo em cada canto.

O som abafado de conversas ecoava pelos espaços, risadas misturadas com fofocas, e o cheiro de comida preenchia o ar do horário de almoço.

Mas, enquanto os alunos se agitavam em seus próprios mundos, no terraço, Yukari se isolava, observando a vista de Tatsumi Port Island.

O horizonte era preenchido pelas grandes hélices das turbinas eólicas, girando sem cessar, acompanhando o vento que brincava com seus cabelos castanhos curtos.

Ela mantinha o olhar distante, a camisa branca com mangas curtas realçando o contraste de sua minissaia preta e o casaco rosa amarrado à cintura.

Meias pretas cobriam suas pernas até os joelhos, e mocassins marrons completavam seu visual.

Ao redor de seu pescoço, a gargantilha branca com um delicado coração brilhava sutilmente à luz do sol.

A porta do terraço se abriu de repente, e Minato entrou em silêncio, as mãos nos bolsos, seus cabelos azuis balançando suavemente com a brisa.

Ele se aproximou de Yukari, sem pressa, e parou ao lado dela, observando o mesmo horizonte que ela parecia tão absorta.

"Eu vi você sair da sala meio cabisbaixa. A Aigis também percebeu." disse Minato, com a voz baixa e neutra.

Yukari suspirou, os olhos ainda fixos na vista. "Ah... é que eu recebi uma mensagem da minha mãe... ela começou a namorar outro cara de novo."

Minato franziu o cenho, confuso. "Outro?"

Yukari deu um sorriso triste, quase imperceptível, como se estivesse cansada de contar essa história. "Desculpa... eu não te falei sobre esse meu problema com minha mãe."

Minato deu um passo mais próximo, a preocupação sincera em seu olhar. "Vocês estão brigadas?"

Yukari desviou o olhar para baixo, o peso das lembranças pressionando seu peito. "Algo assim. Quando meu pai morreu... minha mãe nunca conseguiu superar. Então ela namora muitos caras... tentando suprimir a dor. Ela quer que eu esqueça meu pai..."

Minato, sentindo a dor nas palavras dela, colocou a mão no ombro de Yukari, um gesto silencioso de apoio. "Desabafe, vai fazer bem a você."

Yukari se virou para ele, a frustração finalmente emergindo em sua voz. "Ela... aí meu deus, que ódio... Minha mãe tenta esquecer meu pai, porque ela não consegue lidar com o fato de que ele se foi. E agora ela quer que eu faça o mesmo. Mas como eu posso ter um futuro bom se eu nunca abandonar o passado?"

Seus punhos se fecharam com tanta força que suas unhas cravaram suavemente na palma de sua mão.

Ela respirou fundo, liberando o ar com lentidão, tentando se recompor.

Yukari olhou diretamente para Minato, seus olhos um pouco mais claros, mas ainda carregados de dor. "Você me disse que eu não podia culpar meu pai... e você tá certo. Ele não fez nada de errado, mas agora eu percebi que também não posso culpar minha mãe. Ela está apenas fugindo... tentando escapar da realidade."

Minato a observou com calma. "Mas você... quer fugir do passado?"

A pergunta dele atingiu Yukari como um choque, e ela se pegou refletindo.

As memórias de sua conversa com Minato em Yakushima emergiram, lembrando das palavras que ele disse sobre ter perdido tudo, mas encontrado um motivo para continuar graças aos laços que criou com seus amigos.

Essas palavras ecoavam agora, trazendo um novo significado.

Yukari desviou o olhar para o lado, murmurando para si mesma: "Eu... quero destruir a Dark Hour."

Com determinação renovada, Yukari deu um passo à frente, ficando mais próxima de Minato, seus olhos encontrando os dele com uma intensidade que ele não esperava.

Minato permaneceu em silêncio, respeitando o momento.

"Vou destruir a Dark Hour, para que meu pai possa descansar em paz. Não vou parar de lutar, não vou fugir." ela declarou, a firmeza em sua voz refletindo a força recém-descoberta em seu coração.

Minato esboçou um sorriso sutil, um reflexo da admiração que sentia pela determinação dela. "Você tá melhorando, Yukari."

Yukari se surpreende, e ela piscou confusa. "Hã?"

Minato deu de ombros, enfiando as mãos nos bolsos. "Eu percebi que você está mais confiante. É um alívio ver você se tornando uma pessoa mais forte."

As palavras dele ressoaram dentro dela, girando em sua mente até que, sem perceber, seu rosto começou a corar.

O rubor tomou conta de suas bochechas, tingindo seu rosto com um vermelho vivo.

Minato, sem entender, a olhou curioso. "Tá tudo bem? Você tá vermelha."

Yukari, completamente envergonhada, virou as costas rapidamente para ele, gaguejando. "Na...no... não... digo... obriga... de nada. Aí meu deus! Eu tô bem..."

Minato ergueu uma sobrancelha, confuso. "Tem certeza?"

Yukari, ainda de costas, com um sorriso tímido enquanto seu rosto continuava a queimar, respondeu de forma apressada: "Tenho total certeza. Bom, obrigada por me escutar, Minato. Eu... eu tenho que ir agora. Até o dormitório!"

Sem esperar por uma resposta, ela saiu correndo, quase tropeçando em seus próprios pés, e desapareceu pela porta do terraço, deixando Minato para trás, perplexo.

Ele a observou até que a porta se fechasse com um baque, e então, um pequeno sorriso surgiu em seus lábios.

A reação de Yukari o havia surpreendido, mas ele a achou... adorável.

"Acho que ela tá bem, sim..." murmurou para si mesmo, rindo baixinho. "Agora, não esperava essa reação... será que eu falei alguma coisa errada?"

...03/09/2009 Quinta-Feira; Meio-dia...

A sala do conselho estudantil estava silenciosa, o barulho abafado dos alunos do lado de fora mal conseguia atravessar as paredes.

O ambiente estava iluminado suavemente pela luz que entrava pelas grandes janelas, criando um clima aconchegante enquanto Hiro e Mitsuru comiam seus almoços.

Mitsuru, sempre impecável em sua postura, terminava sua refeição, fechando a tampa da marmita com um suspiro de alívio.

Seu visual elegante com uma camisa branca de mangas curtas e a saia preta se combinavam perfeitamente com suas botas de cano alto, pretas e lustrosas.

O laço vermelho em seu pescoço combinavam com os cabelos e olhos vermelhos.

Hiro, por outro lado, exibia uma postura mais relaxada.

O casaco do uniforme do colégio repousava sobre seus ombros, e os tênis que usava no lugar dos sapatos sociais.

Seu cabelo preto, agora esta mais longo, caía até os ombros, preso em um coque alto.

"Então, o que você fazia antes de vir pro Gekkoukan?" perguntou Mitsuru, olhando para ele com curiosidade, enquanto ainda saboreava o chá em sua xícara.

Hiro, colocando sua garrafa de suco de lado, respondeu com um leve sorriso: "Eu vivia nos clubes de esgrima e de esportes. Eram bem mais interessantes que os outros... como o de culinária e o de literatura."

Mitsuru retribuiu o sorriso. "Entendo. Isso explica por que você sabe lutar tão bem. Quando você entrou no S.E.E.S, já era melhor que muitos de nós."

Hiro deu uma risadinha modesta. "Talvez, mas eu nunca ganharia de você em um duelo. Eu posso ser rápido com minha kukri, mas não sou mais rápido que você."

Ela sorriu com o elogio, levando a xícara aos lábios para tomar mais um gole de chá.

Enquanto isso, Hiro soltava o cabelo, as mechas caindo sobre seus ombros.

"Agora... como foi sua vida do S.E.E.S ser criado?" Hiro perguntou, a voz carregando um tom de genuína curiosidade.

Mitsuru pousou a xícara na mesa e ficou em silêncio por um momento, seus olhos vagando pelo teto, como se estivesse buscando respostas entre as lembranças.

As imagens de seu pai, Takeharu Kirijo, e da criação do S.E.E.S, voltaram à sua mente.

Ela suspirou. "Inicialmente, eu nem deveria estudar no Gekkoukan. Mas quando o acidente que criou a Dark Hour aconteceu, meu pai entrou no Tartarus com alguns cientistas e guardas... e eu segui ele."

Hiro levantou uma sobrancelha, intrigado. "Mas você era só uma criança. E não podia ir, não é?"

"Não, não podia." Mitsuru balançou a cabeça negando.

"Mas eu segui ele mesmo assim. Foi quando uma Shadow apareceu... E foi nesse momento que eu descobri algo importante: apenas usuários de Persona podem matar uma Shadow. Quando alguém normal tenta lutar contra elas... só as irrita mais."

Hiro assobiou, surpreso. "Caralho, disso eu não sabia."

Ela mexeu nos cabelos, lembrando-se da cena que nunca saiu de sua mente. "E foi nesse mesmo dia que eu despertei minha Persona. Meu pai... ele não queria que isso acontecesse."

Hiro se encostou na cadeira, digerindo a informação.

Seus olhos encontraram os de Mitsuru, que agora parecia um pouco cabisbaixa.

Mas, rapidamente, ela se recompôs, soltando outro suspiro.

"Seu pai não queria que você fosse uma usuária de Persona?" Hiro perguntou, a percepção aguda no tom de sua voz.

Mitsuru olhou para ele, surpresa pela precisão de sua dedução, e assentiu lentamente. "Sim, ele sempre quis o melhor para mim. Quando viu que eu tinha despertado um Persona, ele se sentiu culpado... por todo o peso da responsabilidade que caiu sobre mim. Ele nunca quis que eu carregasse o fardo da nossa família."

Hiro se levantou e, num gesto instintivo, colocou a mão no ombro de Mitsuru, sua voz suave, mas carregada de preocupação. "E o que você acha disso? Eu entendo a preocupação dele, afinal, ninguém queria ver a própria filha carregar o peso do mundo."

Mitsuru olhou para ele, um sorriso delicado surgindo em seus lábios. "Eu não vejo problema nenhum. Meu pai está seguro, e enquanto eu mantiver você e os outros a salvo, não reclamo de guiar o grupo."

Hiro puxou uma cadeira para se sentar mais próximo dela. "Mas... qual é o verdadeiro motivo para você continuar liderando o S.E.E.S? Você lidera por vontade própria, mas isso não significa que precisa carregar tudo sozinha."

Ela desviou o olhar, as palavras de Hiro ecoando em sua mente.

Lembrou-se das promessas que seu pai fez, das palavras pesadas que ele falou sobre destruir o Tartarus.

A determinação em sua voz parecia ter se fundido com a dela.

"Eu quero ajudar meu pai a destruir a Dark Hour." começou ela, voltando a olhar para Hiro. "Ele deseja tirar o fardo que a minha família criou, e eu vou realizar esse desejo. Quero proteger ele, não importa o custo. Mas, para isso, preciso que todos do S.E.E.S estejam bem."

Hiro sorriu, colocando a mão no ombro dela novamente. "Então, eu vou te ajudar. Você não precisa carregar tudo sozinha, Mitsuru. Pode pedir minha ajuda, ou de qualquer outro do grupo."

Mitsuru arregalou os olhos por um momento, surpresa pela oferta.

Mas, ao sentir a sinceridade nas palavras dele, um leve rubor surgiu em suas bochechas, e ela colocou sua mão sobre a dele, agradecida.

"Obrigada, Hiro. Vou me lembrar disso."

Hiro sorriu de volta. "Não há de quê."

...04/09/2009 Sexta-Feira; Tarde...

Junpei caminhava pela estação de metrô, rodeado pela multidão de estudantes que, assim como ele, estavam aliviados com o fim das aulas do dia.

Ele coçava a cabeça distraidamente, os olhos fixos no chão, perdido em pensamentos. Ser membro do S.E.E.S o fazia sentir-se útil, importante.

Mas, à medida que o tempo passava e eles se aproximavam do fim da Dark Hour, uma sensação incômoda de vazio começava a surgir.

"Droga... passei todo o recesso do festival sem fazer nada... quem diria que ter superpoderes iria ser tão... entediante." murmurou para si mesmo, os ombros caídos em frustração.

Ele pegou o celular do bolso e deu uma olhada na data. "O segundo semestre já começou... e logo eu vou estar no terceiro ano... mas, e daí? Nós vamos matar todas as Shadows Arcana... e eu vou perder meu Persona."

Saindo da estação, ele andou pelas ruas, o céu cinzento combinando com seu humor, até que algo chamou sua atenção.

Sentada num banco, a poucos metros de distância, estava Chidori, desenhando no caderno com a concentração habitual.

Junpei deu um leve sorriso e, sem hesitar, se aproximou.

"Yo, Chidori! Como tá sua mão?" ele perguntou, animado.

Chidori levantou o olhar vagarosamente, com a mesma expressão desinteressada de sempre, antes de voltar a focar em seu caderno.

Junpei, notou algo que deixou ele confuso.

A mão da Chidori, que antes tinha cortado a mão em alguma coisa, não tinha nenhuma cicatriz visível.

"Mas que...? Não tem cicatriz... nem uma marca sequer." ele murmurou, coçando a cabeça, perplexo. "Será que o corte não foi tão sério assim?"

Chidori parou de rabiscar e o encarou diretamente, os olhos frios refletindo uma indiferença que fazia Junpei se sentir pequeno.

Então, de repente, ela perguntou: "Me diga, Junpei... o que você faz para se sentir vivo?"

Junpei franziu o cenho, a pergunta pegou ele de surpresa. "Hã... sei lá, respirar, eu acho?"

Ele riu, tentando aliviar o clima. "Sabe, eu já pensei nisso algumas vezes. E você? O que você sente quando desenha?"

Chidori desviou o olhar para o caderno, uma expressão de dúvida cruzando seu rosto. "Eu não sei... a maioria dos desenhos são apenas garranchos. Eu nem entendo quem eu realmente sou."

Junpei coçou o queixo, pensando em como responder.

Ele olhou para o céu, as nuvens cinzentas refletindo a incerteza que sentia desde que entrou no S.E.E.S.

Mas havia algo que ele sabia com certeza.

"Olha, para ser sincero... tem uma coisa que me faz sentir vivo." Ele hesitou por um momento, antes de continuar. "É quando eu... ajo como um herói. Eu acho."

Ele cerrou os olhos, firmou os pés no chão e bateu no próprio peito, assumindo uma postura firme. "Na hora mais sombria, desconhecida por todos, exceto por alguns, os escolhidos lutam contra as forças do mal. Nosso herói, Junpei, luta para proteger o mundo dos monstros que ameaçam a todos."

Ele então saiu dessa postura heroica, dando uma risadinha e olha para Chidori. "Bom, acho que você pegou a ideia. É nesses momentos que eu realmente me sinto vivo."

Chidori observava Junpei com curiosidade crescente, seus olhos refletindo uma dúvida interior.

Algo em sua mente se mexia; uma memória vaga, de meses atrás, quando ela, Jin e Takaya observaram o S.E.E.S partindo para enfrentar as Shadows Arcana.

Ela não conseguia lembrar claramente dos rostos, mas agora, a silhueta de Junpei parecia familiar.

"Você luta contra isso sozinho?" ela perguntou, inclinando a cabeça.

Junpei, pego de surpresa, deu uma risada nervosa. "Ei, eu tava só brincando..."

Chidori o interrompeu, a voz fria, mas curiosa. "Você luta durante uma hora que ninguém tem noção de que existe, não é? Isso significa que ninguém sabe o que você está fazendo."

Ela fechou o caderno e olhou diretamente nos olhos dele. "Então, você luta, mesmo sabendo que ninguém vai te agradecer ou reconhecer seus atos heroicos."

Ela deu um sorriso suave, algo raro vindo dela. "Estou impressionada. Acho que te subestimei, Junpei."

Junpei arregalou os olhos, surpreso pelo elogio - se é que aquilo foi um elogio.

Ele corou levemente e passou a mão pelo pescoço.

"Uhh... sério? Eu não esperava que você fosse realmente acreditar em mim..." Ele riu, sem jeito.

Chidori continuou a encará-lo com interesse renovado. "Pode me contar mais sobre o que você faz?"

Junpei olhou para o lado, ponderando se deveria contar para Chidori sobre a Dark Hour e o Tartarus.

As palavras de Mitsuru ecoaram em sua mente, um alerta sério.

"Jamais conte para alguém sobre a Dark Hour. Até mesmo para sua família. Isso é pela segurança de todos nós."

Depois de alguns segundos de hesitação, ele tomou uma decisão.

"Hmmm... tudo bem para mim... desde que você leve esse segredo para sua cova." Junpei sorriu, sentindo que podia confiar nela.

Chidori sorriu de volta e deu um espaço no banco para ele.

Sem pensar duas vezes, Junpei se sentou ao lado dela, tirando a bolsa do ombro e a coloca ao lado.

Uma sensação de conexão silenciosa pairava entre os dois, algo que ele nunca imaginou encontrar em alguém como ela.

Junpei coçou o queixo por um momento, ponderando sobre como continuar.

Ele percebeu que, apesar da estranheza de suas conversas com Chidori, algo nele sempre o impulsionava a contar mais.

"Então... tem um superpoder chamado 'Persona'. É esse poder que a gente usa pra derrotar os monstros." disse ele, olhando diretamente para Chidori.

Ela ergueu uma sobrancelha, intrigada. "A gente?"

Junpei sorriu, relaxando um pouco mais no banco. "Sim... eu não luto sozinho. Eu e meus amigos lutamos juntos. E, sabe, meio que sou o cara que mantém o grupo unido. Sem mim, acho que eles já teriam se desmanchado."

Chidori encostou-se no banco, absorvendo as palavras dele. "Entendi."

Junpei também se recostou, deixando um suspiro escapar. "Ah, e tem mais. Nem todo mundo pode usar os Personas. Por isso que falei sobre os 'escolhidos'. Somos nós que enfrentamos e derrotamos esses monstros."

Chidori deu um leve sorriso, uma expressão rara em seu rosto. "Isso parece ser divertido."

Junpei coçou a cabeça, um tanto envergonhado com o elogio. "Bom... é, acho que dá pra dizer que sim. Ah, e a gente nunca perdeu uma luta. Somos bem fortes, na verdade."

Chidori soltou uma risadinha, inesperada, enquanto se levantava. "Obrigada, Junpei. Eu me diverti muito hoje."

Ele piscou, surpreso, e coçou a cabeça de novo. "Você se... divertiu?"

Chidori inclinou a cabeça de lado, o sorriso suave ainda em seus lábios. "Agora eu vou embora. Te vejo amanhã, certo?"

Sem esperar resposta, ela se virou e começou a caminhar.

Junpei ficou olhando para ela, tentando processar tudo o que tinha acabado de ouvir.

Aos poucos, um sorriso surgiu em seu rosto, e ele murmurou para si mesmo, empolgado: "Hehehe... eu vejo você amanhã..."

Então, de repente, ele pulou do banco com tanta energia que sua bolsa caiu no chão, espalhando seus livros.

"ISSO, EU CONSEGUI UM ENCONTRO!" gritou, antes de perceber a bagunça. "Ah, droga... derrubei tudo."

Enquanto Junpei recolhia seus pertences com uma mistura de felicidade e constrangimento, Chidori já estava longe.

Ela parou em frente a um beco escuro, seus olhos castanhos ganhando um brilho vermelho intenso.

Ativando a telepatia de sua Persona, sua voz fria ecoou na mente dos Strega.

"Takaya, Jin, me encontrem no esconderijo. Preciso informar o que descobri."

...05/09/2009 Sábado; Noite...

...OPERAÇÃO DA LUA CHEIA...

A noite envolvia a cidade em uma penumbra silenciosa enquanto Junpei caminhava pelas ruas escuras, a mente inquieta, perdida em pensamentos sobre Chidori.

Ele suspirou, desanimado.

"Poxa... a Chidori não foi para a estação hoje... será que eu devo voltar para ver se ela chegou?" murmurou para si mesmo, parando na frente do dormitório Iwatodai.

Ele olhou de volta para o caminho que havia percorrido, ponderando se deveria ir procurá-la.

No entanto, sua mente rapidamente se lembrou da importância do dia. "Pera... hoje é dia de operação... então eu deveria ficar no dormitório."

Ele olhou para o chão, sentindo o peso da responsabilidade cair sobre seus ombros. "A operação... a gente luta para proteger todos... então eu também luto para proteger ela."

A ideia o motivou.

Ele apertou o punho, um sorriso se formando em seu rosto. "É isso! Eu vou lutar para deixar a Chidori segura! Agora eu me motivei."

Ele soltou uma risadinha, seu humor melhorando um pouco. "Parando pra pensar... a gente realmente é heróis... heróis da justiça."

Mas antes que ele pudesse fazer qualquer outra coisa, um assobio agudo ecoou pela rua deserta.

Ele se virou para ver, mas antes que pudesse reagir, um golpe violento o atingiu no rosto, ele cambalea, tonto por cauda da pancada, e deixar sua bolsa cair no chão.

"Ei, que merda é essa?!" Junpei gritou, a dor latejando em sua cabeça.

Antes que pudesse se recompor, uma das figuras o agarrou pelo pescoço, colocando ele em um mata-leão.

Ele se debateu, tentando gritar por ajuda, mas um pano foi colocado em sua boca, abafando qualquer som.

Em meio à luta desesperada, ele ouviu passos suaves se aproximando.

Quando seus olhos se ajustaram ao escuro, ele viu uma figura familiar emergir das sombras - Takaya Sakaki, o líder dos Strega, com seus olhos amarelos brilhando de forma ameaçadora.

"Nós somos totalmente gratos por você revelar sua identidade, membro do S.E.E.S. Agora, temos algo para negociar com o seu grupo." disse Takaya, sua voz carregada de sarcasmo.

Junpei tentou gritar novamente, mas sua luta foi interrompida por uma injeção rápida no pescoço.

Seu corpo começou a perder força, sua visão fica aos poucos embaçada.

Ele olhou para a pessoa que havia injetado aquilo, e seus olhos mal acreditavam no que viam.

Era Chidori.

"Chi...do...ri..." ele tentou dizer, mas sua voz falhou quando a escuridão o envolveu.

Dentro do dormitório, Koromaru estava deitado tranquilamente na sala, quando seus ouvidos escutam um som distante, e ele vê algo estranho do lado de fora. Ele vê a silhueta de Junpei sendo carregado.

O Koromaru se levantou rápido, latindo desesperadamente. Ele correu para a cozinha onde Hiro e Shinjiro conversavam.

"Então você aprendeu a cozinhar no orfanato que você e o Akihiko vivi..." Hiro fala, mas foi interrompido pelo Koromaru, que late freneticamente, girando e olhando para a porta de entrada.

"O que foi, Koromaru?" perguntou Hiro, confuso.

Shinjiro, imediatamente entendeu o desespero do cão. "Aconteceu alguma coisa!"

Ele e Hiro trocaram olhares, e ambos correram para a entrada do dormitório.

Ao olhar pela janela, viram alguém carregando Junpei e começando a se afastar muito rapido ao perceber que foram vistos.

Sem perder tempo, Shinjiro tirou seu Evoker de dentro do sobretudo e o entregou a Hiro.

"Vai com o Koromaru atrás deles! Eu aviso os outros. VAI!" gritou Shinjiro, enquanto Hiro assentia e assobiava para Koromaru seguir ele.

Hiro abriu a porta do dormitório com força, correndo para fora com Koromaru ao seu lado.

Eles veem uma figura entrando em um beco e derrubando algo no caminho.

Sem hesitar, Hiro e Koromaru saltaram por cima da moto de Mitsuru, que havia sido derrubada para atrasar eles.

"Vamos, garoto!" Hiro incentivou, apontando o Evoker para a própria cabeça, para invocar seu Persona.

No entanto, antes que pudesse agir, uma granada de luz explodiu no ar.

O clarão cegante forçou Hiro e Koromaru a cobrir os olhos, e quando a luz finalmente diminuiu, as figuras haviam desaparecido.

"Porra! A gente perdeu eles." Hiro murmurou, irritado.

Koromaru soltou um latido, apontando com o focinho para algo no chão. Era o boné do Junpei.

Hiro se aproximou e, com um aperto no peito, pegou o boné de Junpei.

"Merda... só pode tá de sacanagem com a gente." ele resmungou, cerrando os olhos.

Koromaru soltou um ganido de frustração, como se se culpasse por não ter conseguido salvar Junpei.

Hiro, ainda irritado, se abaixou e deu um leve carinho na cabeça do cão.

"Tá tudo bem, garoto. A gente fez o que pôde. Vamo voltar."

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