...30/07/2009 Quinta-Feira; Noite...
O vento soprava suavemente no terraço do dormitório, balançando as folhas das plantas ao redor. Hiro estava ali, sozinho, focado em seus movimentos.
Com uma cimitarra em mãos, ele treinava golpes rápidos e precisos, girando a arma entre os dedos e cortando o ar várias vezes com elegância.
Seu corpo se movia em sincronia com a lâmina, como se fossem um só.
De repente, ele saltou para trás, realizando um corte giratório antes de pousar suavemente no chão. Sua respiração estava ofegante, mas sua determinação era inabalável.
Shhhk! A cimitarra deslizou em sua mão enquanto ele a girava novamente, controlando o movimento com maestria.
"Nada mau." disse uma voz familiar. "Eu não sabia que você usava o terraço para treinar."
Hiro parou e olhou para o lado, limpando o suor da testa.
Era Akihiko, que estava encostado na parede, batendo palmas em aprovação.
"Bom, hoje não vamos para o Tartarus por causa do Minato. Além disso, estou entediado." Hiro fala enquanto se espreguiça.
Akihiko sorriu enquanto vestia suas soqueiras. "Você não é o único entediado aqui. Quer que eu participe do seu treino?"
Hiro girou a cimitarra, um brilho de desafio em seus olhos. "Mas é claro.."
Os dois se encararam por um momento, suas posturas refletindo a tensão no ar.
Akihiko levantou os braços, entrando em guarda, preparado para a luta que se aproximava.
Sem aviso, eles avançaram um contra o outro.
Hiro esquivou dos socos de Akihiko com agilidade, desviando dos jabs e cruzados que vinham em sua direção.
A cimitarra brilhava enquanto cortava o ar, mas Akihiko repeliu os ataques com suas soqueiras, bloqueando o golpe lateral que Hiro desferiu.
Com um movimento rápido, Akihiko aproveitou a brecha e acertou uma joelhada no torso de Hiro, fazendo-o recuar.
"Caramba... essa doeu." Hiro admitiu, afastando-se para recuperar o fôlego.
"Cansou foi?" Akihiko perguntou, um sorriso desafiador nos lábios enquanto batia os pés, pronto para mais.
"Que nada. Tô só começando." Hiro retrucou, girando a cimitarra, pensando em seu proximo movimento.
Hiro avançou novamente, atacando sem parar.
Akihiko desviava e bloqueava os ataques, mas quando Hiro desferiu um golpe vertical descendente, ele percebeu tarde demais que havia caído em uma armadilha.
Hiro havia aberto sua guarda de propósito. Num movimento rápido, ele saltou para o lado, esquivando-se do contra-ataque de Akihiko e, antes que ele pudesse reagir, Hiro deu uma rasteira precisa, derrubando Akihiko no chão com um baque surdo.
"E aí, Akihiko? Perdeu o foco?" Hiro provocou, abrindo os braços em triunfo.
Akihiko se levantou, estalando o pescoço enquanto sorria. "Admito, você me pegou desprevenido. Mas não vai se repetir."
Antes que pudessem continuar, a porta do terraço se abriu, e Mitsuru apareceu. Ela suspirou ao ver os dois prontos para lutar.
"Vocês dois. Parem!" Mitsuru ordenou, sua voz firme.
Hiro e Akihiko se assustaram, parando de se moverem, não percebendo a chegada da Mitsuru.
"Mitsuru? Aconteceu alguma coisa?" Hiro perguntou, ainda com a adrenalina da luta pulsando em suas veias.
Akihiko, com um tom sarcástico, brincou: "Ah Mitsuru, tá atrapalhando a nossa brincadeira."
Mitsuru cruzou os braços, assumindo um tom sério. "Akihiko, você se esqueceu que a ferida em seu peito ainda não cicatrizou?"
Akihiko tentou disfarçar, dando de ombros. "Que nada, ela já curou. Não é?"
Hiro, ainda segurando a cimitarra, soltou um suspiro e guardou a lâmina na bainha. "Acho que não, tinha até me esquecido da sua ferida."
"Não posso tirar os olhos de vocês por um segundo, que decidem lutar." Mitsuru comentou, exasperada.
"Em minha defesa, essa luta não é o que você tá pensando. É apenas um treino." Akihiko tentou justificar.
"Mesmo assim, você está machucado. E além disso, estão usando suas armas de verdade. Da próxima vez que forem treinar, usem armas de treino. Entenderam? Não quero ninguém do grupo se machucando." Mitsuru disse, deixando claro seu ponto.
Akihiko desistiu de discutir, suspirando. "Entendi. Às vezes você parece a minha mãe."
Mitsuru sorriu levemente. "Évidemment. É meu dever garantir que todos estejam bem. Afinal, eu sou a líder."
Hiro franziu o cenho, intrigado. "'Évidemment'? Você fala francês?"
"Claro." Mitsuru respondeu, com um toque de orgulho. "A elegância da linguagem francesa é impecável. Foi uma das melhores coisas que minha família me ensinou."
"Entendi... só não vá falar algo importante em francês. Eu não sei nada além do nosso japonês." Hiro disse, coçando sua cabeça enquanto olhava pra Mitsuru.
"Vou me lembrar disso. E nada de lutarem de novo. Vão descansar, entenderam?" Mitsuru disse, virando-se para a porta do terraço.
Os dois assentiram, e Mitsuru deixou o terraço, satisfeita com a resposta.
Depois que ela saiu, Akihiko e Hiro se sentaram, encostando-se no parapeito enquanto olhavam para o céu.
Akihiko riu suavemente enquanto passava a mão no peito. "Essa Mitsuru... Ela pode ser durona às vezes, mas se importa com a saúde e o bem-estar de todos."
"Sim... ela tem seu charme. Às vezes, quando durmo na aula de japonês, ela puxa minha orelha. Principalmente depois que entrei no S.E.E.S."
Akihiko riu e pegou um frasco de pastilhas de menta, oferecendo uma a Hiro.
Que aceitou e colocou na boca, sentindo o frescor instantâneo.
"Se lembra do que eu falei mais cedo? Sobre nós nos conhecermos melhor?" Akihiko perguntou, olhando para o horizonte.
"Sim. O Shinjiro mencionou que você tinha uma irmã. Que ela morreu em um incêndio, eu acho." Hiro respondeu, seu tom sério.
Akihiko suspirou, seu olhar ficando mais distante. "É. Eu tinha. Miki era o nome dela."
Hiro olhou para Akihiko, com uma expressão de empatia. "O que aconteceu com você? Depois de perder sua irmã, quero dizer."
"Bom... Quando eu e Miki fomos adotados por um casal, eles nos buscariam no dia seguinte. Mas... o orfanato pegou fogo enquanto todos dormiam." Akihiko disse, sua voz carregada de tristeza.
Hiro cerrou os olhos, absorvendo o peso da história. "Caralho..."
"Depois que a Miki morreu, eu fui para casa desse casal, que são meus pais adotivos atuais. Eu sofri com a morte da minha irmã por anos. E o principal..." Akihiko olhou para a lua, sua voz suave. "Eu nunca tive vontade de entrar no clube de boxe ou praticar algum esporte. Mas a Miki... Ela era uma nadadora profissional, ganhou muitas medalhas, mesmo com seis anos."
Hiro olhou para o lado, começando a entender. "E você entrou no clube de boxe por causa dela, não é?"
Akihiko se surpreendeu com a dedução de Hiro, olhando diretamente para ele.
Seu olhar se entristeceu ainda mais, enquanto ele olhava para sua própria mão. "Sim, a Miki sempre me falou que eu deveria usar minha força para o bem. Eu entrei para o clube de boxe, não para ganhar medalhas, mas para proteger."
Ele se levantou, sua determinação renovada. "Eu preciso ficar mais forte para proteger todos vocês. Preciso ser alguém que ajude os outros. Foi por isso que, quando você desafiou todos no clube de boxe, eu quis te espancar, Hiro. Para colocar você no lugar certo."
Hiro também se levantou, encarando Akihiko em silêncio, ouvindo atentamente suas palavras.
"Mas, depois de você me dar uma surra, e eu te dar uma surra no ringue, percebi que ainda não sou forte o suficiente para te derrotar." Akihiko continuou, sua voz carregada de frustração.
De repente, Akihiko recebeu um soco na cara.
Hiro havia dado o golpe, mas não com intenção de brigar, e sim para acordar Akihiko.
"É aí que você se engana. Olha, Aki, você não é fraco." Hiro disse, seu olhar sério.
Akihiko colocou a mão onde levou o golpe, confuso. "O quê? Como assim?"
"Naquela vez que eu desafiei todos no clube, ninguém além de você conseguiu acertar um mísero golpe. Mas você não só me acertou." Hiro apontou para o próprio nariz, sorrindo. "Você também quebrou isso daqui meu. Se esqueceu?"
Akihiko teve um flash de memória.
Ele se lembrou vividamente daquele dia no ringue de boxe, onde ele e Hiro se encaravam com intensidade, ambos de guarda levantada, prontos para o que poderia ser a luta decisiva.
Hiro estava visivelmente cansado, seus braços marcados por hematomas, e a respiração pesada.
Akihiko, por sua vez, tinha o olho direito inchado, uma lembrança dolorosa dos golpes que havia sofrido.
Mesmo assim, ele pisou firme no chão e avançou com determinação, lançando um uppercut devastador que atingiu a defesa de Hiro.
O impacto fez Hiro perder o equilíbrio, mas ele não se deu por vencido.
Com uma resposta rápida, desferiu um chute certeiro na barriga de Akihiko.
No entanto, ao fazer isso, ele abaixou a guarda, e Akihiko, percebendo a abertura, lançou um jab com toda sua força.
O soco foi forte o suficiente para quebrar o nariz de Hiro, deixando uma marca que nenhum dos dois esqueceria tão cedo.
Quando o flashback terminou, Akihiko sorriu.
Ele levantou o punho e deu um murro, não muito forte, na barriga de Hiro, como se fosse um gesto de camaradagem.
"Você tem razão." Akihiko disse, ainda sorrindo. "Acho que estou precisando de um caderno para anotar as memórias."
Hiro riu, passando a mão na barriga onde havia recebido o soco. "Com certeza. E talvez algo que deixe seu punho mais leve."
Os dois riram juntos, o peso da conversa anterior começando a se dissipar.
"Vou me lembrar disso... obrigado, Hiro. Por ter escutado." Akihiko disse, sua voz carregada de gratidão genuína.
"Não há de quê." Hiro respondeu, sorrindo com a sinceridade que só um amigo pode oferecer.
Então, Akihiko estreitou os olhos, um sorriso desafiador surgindo em seu rosto. "Vamos fazer um acordo. Se até a última Shadow Arcana que formos enfrentar, um de nós fugir, o outro vai espancá-lo por trinta minutos. Que tal?"
Hiro se surpreendeu com a proposta, especialmente depois da promessa que havia feito com Fuuka.
Sua vida estava realmente mudando, e ele percebeu que estava formando laços mais fortes do que nunca.
"Com certeza." Hiro respondeu, estendendo a mão com um sorriso. "Agora, se vier pedindo para eu pegar mais leve, vou pegar mais pesado. Entendeu?"
Akihiko apertou a mão de Hiro, selando o acordo. "O mesmo vale para você. Agora somos rivais."
Os dois se encaram, selando um acordo de rivalidade entre ele.
Reconhecendo a força de cada um, começando uma amizade que irá durar por muito tempo.
...31/07/2009 Sexta-feira; Manhã...
O dormitório estava envolto em um silêncio tranquilo naquela manhã, o ar ainda fresco do amanhecer pairando levemente.
No quarto de Mitsuru, o som constante da água correndo ecoava suavemente.
Sob o chuveiro, ela esfregava seus cabelos ruivos com delicadeza, espalhando a espuma cremosa por entre os fios.
O alívio se espalhava por seu corpo enquanto sentia a exaustão dos músculos se dissipar.
Mitsuru, de olhos fechados, suspirou profundamente, tentando afastar o cansaço e as preocupações que a assombravam.
"Esse sonho ainda não saiu da minha cabeça..." Ela pensou, tentando afastar a memória persistente.
De repente, como um relâmpago, a lembrança do sonho invadiu sua mente novamente.
Ela se via em um lugar estranho, uma árvore de folhas vermelhas como sangue se erguia majestosamente à sua frente.
As raízes daquela árvore envolviam alguém que parecia familiar, mas a identidade da pessoa escapava de sua compreensão, como um vulto perdido nas sombras.
Ela olhou para sua própria mão e viu que segurava uma adaga negra, adornada com detalhes brancos e vermelhos.
Uma figura sinistra, com uma presença opressiva, se materializou atrás dela, e mãos frias pousaram sobre seus ombros.
"Você irá jurar sua vida a ele? Ou irá sacrificá-lo?" A voz da figura era assustadora, reverberando em sua mente como um eco distante, mas imponente.
O sonho se desfez como névoa, e Mitsuru se viu de volta ao chuveiro, encarando a parede com um olhar vazio.
Por um momento, ficou ali, imóvel, até que soltou um suspiro pesado e pegou o frasco de condicionador.
Despejou o líquido em sua mão, tentando se concentrar no presente.
"Calma, Mitsuru... é só um sonho." ela murmurou para si mesma, enquanto massageava os cabelos, sentindo a tensão que apertava seu peito começar a se dissipar.
Do lado de fora do quarto de Mitsuru, Hiro estava parado, encarando a porta com uma expressão irritada, segurando uma toalha e uma muda de roupa.
"Que dia, hein... logo hoje o chuveiro lá do térreo decide quebrar." ele resmungou para si mesmo, com a voz baixa.
Com um suspiro resignado, Hiro se aproximou da porta, batendo nela com firmeza.
"Mitsuru, é o Hiro! Desculpa bater a essa hora. Mas posso usar seu banheiro? O de lá de baixo quebrou." ele disse em um tom mais alto, esperando uma resposta.
O silêncio pairou no ar por alguns segundos, sem qualquer sinal de resposta.
"Mitsuru?" ele chamou novamente, franzindo o cenho.
Decidindo tentar a porta, Hiro pressionou a mão contra ela, sentindo-a ceder com facilidade.
Para sua surpresa, a porta estava destrancada.
"Tá aberta? Eu jurava que ela sempre trancava a porta." Hiro pensou, intrigado.
Cauteloso, ele empurrou a porta um pouco mais e entrou no quarto, ainda esperando não incomodar Mitsuru.
"Tô entrando, não fique irrita..." As palavras morreram em sua boca quando ele finalmente viu o interior do quarto de Mitsuru.
O que ele encontrou o deixou boquiaberto.
O quarto era deslumbrante, exalando uma elegância que ele não esperava.
As paredes eram decoradas com bom gosto, e havia uma prateleira cheia de livros, todos organizados meticulosamente.
No centro do quarto, dois sofás luxuosos estavam dispostos com precisão, e uma escrivaninha impecável exibia uma pequena caixa médica, cuidadosamente posicionada.
Hiro olhou ao redor, sua surpresa crescendo a cada detalhe que descobria.
A cama, de estilo nobre, parecia confortável e acolhedora, enquanto o guarda-roupa, aberto, revelava uma coleção impressionante de roupas.
Vestidos elegantes, pijamas de marcas caras, e até mesmo as roupas mais simples, são de marcas mais sofisticadas, estavam dispostas ali.
"Puta merda... que quarto é esse? Parece que entrei em um palácio. Os outros quartos são nada comparados com esse." Hiro murmurou, ainda em estado de choque diante da riqueza e do bom gosto que permeavam o quarto de Mitsuru.
Hiro, ainda encantado com o quarto de Mitsuru, caminhou em direção à escrivaninha.
Entre os objetos organizados com precisão, algo chamou sua atenção: uma moldura de foto.
Ele pegou a moldura e, ao observar a imagem, viu uma Mitsuru mais jovem, sorrindo ao lado de um homem alto com um tapa-olho no olho direito.
Ao fundo, uma pequena vegetação com flores complementava a cena.
"Esse deve ser o pai da Mitsuru..." Hiro pensou, admirando a expressão alegre da jovem Mitsuru na foto. "Tenho que admitir, ela tá bem fofa nessa foto." E um sorriso sutil aparece em seus lábios.
Enquanto Hiro estava imerso em pensamentos, a porta do banheiro se abriu.
Mitsuru, ainda abotoando a camisa após o banho, saiu e, ao ver Hiro de costas, levou um susto.
Pois, ela não esperava encontrar alguém em seu quarto naquele momento.
"Hiro?" Mitsuru exclamou, surpresa e ligeiramente envergonhada.
O chamado inesperado fez Hiro se virar abruptamente, seu coração disparando.
"Ahh, Mitsuru..." Ele deixou as roupas e a toalha que carregava caírem no chão em sua pressa de responder.
Tentando recuperar a compostura, ele rapidamente devolveu a moldura à escrivaninha e se abaixou para pegar suas coisas.
Apontando para seu próprio peito, com o rosto corado enquanto olha pro lado, Hiro se desculpou logo: "Foi mal, eu não queria entrar no seu quarto escondido."
Mitsuru, percebendo o gesto de Hiro, olhou para baixo e notou que havia abotoado os botões da camisa de forma errada, especialmente na região do busto, mostrando seu sutiã.
Seu rosto ficou ligeiramente corado enquanto ela ajustava a camisa.
"Não se preocupe." Mitsuru respondeu, enquanto abotoava a camisa corretamente. "E obrigada por avisar que eu abotoei errado a camisa."
Hiro, ainda tentando disfarçar o embaraço, coçou a cabeça. "De nada. Enfim, eu tô aqui para usar seu banheiro emprestado. O chuveiro lá de baixo tá quebrado."
Mitsuru seguiu o olhar de Hiro até a toalha que ele segurava e assentiu, compreendendo a situação. "Claro, não tem problema. Deixa eu só pegar umas coisas aqui."
Com isso, Mitsuru voltou ao banheiro para pegar o pijama que havia usado na noite anterior, deixando Hiro aliviado por ter evitado uma situação ainda mais embaraçosa.
Quando Mitsuru saiu do banheiro, ela cruzou com Hiro, que estava prestes a entrar.
Ele passou por ela apressadamente, ainda um pouco desconcertado pela situação anterior.
Ao fechar a porta atrás de si, Hiro foi imediatamente confrontado com a grande quantidade de utensílios de beleza, maquiagem e produtos para a pele que preenchiam o espaço.
"Meu Deus... até o banheiro é assim? Se tá é doido." Hiro murmurou para si mesmo enquanto coçava a cabeça, sem acreditar na quantidade de produtos.
Do lado de fora, Mitsuru ouviu a reação de Hiro e não pôde evitar sorrir. Achou a surpresa dele genuinamente fofa.
Ela andou até a escrivaninha e pegou a moldura que Hiro havia segurado antes.
Observando a foto por um momento, Mitsuru passou os dedos suavemente sobre a imagem, seu olhar ficando sério.
"Não se preocupe, faltam seis Shadows Arcana para tudo isso terminar. Eu vou terminar o que meu avô começou." Mitsuru murmurou para si mesma, o olhar determinado.
De repente, a voz de Hiro interrompeu seus pensamentos.
"Mitsuru! Qual desses frascos é o shampoo?! A maioria é produto para limpeza corporal!" Hiro gritou do banheiro, a confusão evidente em seu tom.
Hiro, agora embaixo do chuveiro, segurava dois frascos nas mãos.
Um amarelo dizia "Amaciador de raízes capilares", enquanto o outro, de cor rosa, estava escrito em francês e parecia ser um creme depilador, pela imagem no rótulo.
"É o frasco azul que está na parte de baixo do suporte!" Mitsuru gritou de volta, tentando conter o riso.
"Ah, achei! Da próxima vez que eu for usar seu banheiro, você coloque um rótulo em japonês!" Hiro respondeu, colocando os outros frascos de volta no suporte.
"Vou me lembrar disso!" Mitsuru respondeu, com um sorriso divertido nos lábios.
Finalmente, Hiro encontrou o shampoo correto e despejou o conteúdo na mão antes de começar a esfregar em seus cabelos negros, sempre desgrenhados.
A água quente caía sobre sua pele, levando embora a sujeira e aliviando a dor residual em sua perna, uma lembrança da batalha contra a Shadow para salvar Koromaru.
"Puta que pariu... eu tava precisando disso." Hiro pensou em voz alta enquanto pegava o sabonete líquido, sentindo o relaxamento tomar conta de seu corpo.
Após alguns minutos, Hiro saiu do banheiro, secando o cabelo com a toalha enquanto o balançava para se livrar do excesso de água.
Mitsuru estava sentada em um dos sofás, saboreando um chá.
Quando seus olhos encontraram Hiro sem camisa, ela corou levemente ao notar os músculos bem definidos dele, mas rapidamente balançou a cabeça para retomar sua postura.
"Hiro, quer um pouco de chá?" Mitsuru ofereceu, tentando manter a voz calma enquanto tomava mais um gole de sua xícara.
"Claro, deixa eu só botar minha camiseta." Hiro respondeu, colocando a toalha em volta do pescoço enquanto caminhava em direção à escrivaninha.
Ele pegou a camiseta que havia deixado cair e a vestiu rapidamente antes de se dirigir ao sofá do outro lado da sala.
Mitsuru, com um gesto elegante, colocou uma xícara de chá para Hiro, que se acomodou no sofá.
O vapor do chá subia suavemente, enchendo o ar com um aroma reconfortante.
Mitsuru despejava o chá na xícara com um movimento gracioso. "Hiro, por acaso você testou o cartucho de Teurgia?" perguntou, enquanto o aroma do chá preenchia o ambiente.
Hiro pegou a xícara com cuidado, apreciando o calor que emanava. "Aquele cartucho que fica preso dentro da nossa braçadeira? Não, ainda não usei."
Ele deu um gole no chá e, para sua surpresa, acaba gostando do sabor mais do que esperava.
Olhou para o reflexo no líquido na xícara, ligeiramente intrigado.
"Hmm, é muito bom... e olha que eu não gosto tanto de chá." comentou Hiro, sua expressão refletindo a surpresa agradável.
Mitsuru sorriu suavemente com o comentário dele, levando sua xícara aos lábios antes de responder. "O cartucho ainda não foi ativado por nenhum de nós. Sem contar no que ele faz, o presidente Shuji informou que o cartucho pode fazer o Persona liberar mais poder do que o normal, como um ataque especial."
Hiro, curioso, bebeu mais um pouco do chá antes de estender a mão para pegar um biscoito na mesa.
"Sério? Mas é seguro liberar nossos Personas de forma mais forte?" perguntou, mastigando o biscoito com interesse.
Mitsuru colocou sua xícara de volta no pires com um movimento suave. "Não, o cartucho tem um efeito temporário. Se bem me lembro, o presidente disse que o tempo de ativação é de apenas quarenta segundos."
"Entendi." respondeu Hiro, pensativo, antes de fazer uma pausa. "Aliás, eu queria perguntar sobre sua fami..."
De repente, uma batida na porta interrompeu a conversa. A porta se abriu, revelando Yukari.
"Mitsuru-senpai, eu queria falar com você sobre as... Hiro?!"
Yukari parou abruptamente ao ver Hiro ali, claramente surpresa. Seus olhos se alternavam entre Hiro e Mitsuru, tentando entender a situação.
"Hã... estou atrapalhando algo entre vocês dois?" Yukari perguntou, confusa, suas sobrancelhas franzidas.
Mitsuru sorriu, percebendo o mal-entendido. "Não é o que você está pensando. Estamos apenas conversando." respondeu calmamente, seu tom sereno aliviando a tensão no ar.
Yukari apontou para Hiro, ainda confusa. "Mas ele tá com o cabelo molhado..."
Hiro estendeu a xícara para Mitsuru, pedindo mais chá. "É que eu vim tomar banho aqui. O chuveiro do térreo não quebrou?"
A expressão de Yukari se suavizou ao perceber a situação. "Ah... verdade. Tinha me esquecido disso."
Mitsuru pegou o bule e serviu mais chá na xícara de Hiro, depois encheu a própria. "O que você ia falar mesmo, Takeba?"
Lembrando-se do motivo de sua visita, Yukari retomou o foco. "Então, eu queria perguntar sobre a próxima operação da Lua Cheia. Faltam seis dias, não é?"
Hiro colocou a mão no queixo, refletindo. "Dia seis de agosto. Minha primeira operação. Vocês já enfrentaram seis Shadows Arcana até agora. Pode ser que enfrentemos duas Shadows desta vez, ou apenas uma."
Mitsuru tomou um gole de seu chá antes de responder. "Sim, se formos seguir a ordem dos Arcanos Maiores do tarô, nossos próximos alvos seriam..."
"O Arcano da Justiça." Yukari completou rapidamente. "E, caso sejam duas Shadows, o Arcano da Justiça e o Arcano do Carro de Guerra."
Hiro olhou para Yukari, surpreso com a prontidão da resposta.
Yukari sorriu, levantando o polegar com um gesto afirmativo. "Eu pesquisei sobre os Arcanos Maiores na internet."
"Agora fez sentido." Hiro comentou, aproximando a xícara da boca.
Mitsuru, com os olhos focados em Hiro, lembrou-o: "Não se esqueça de uma coisa, Hiro. As Shadows Arcana são muito mais poderosas que as Shadows comuns. Até mesmo mais fortes do que aquela no santuário Naganaki."
Hiro terminou seu chá e colocou a xícara na mesa. "Eu sei. É por isso que vamos ao Tartarus hoje, não é?"
Yukari colocou a mão sobre o peito, preocupada. "Sim, mas você já tá melhor?"
Encostando-se no sofá, Hiro assentiu. "Estou. Só minha perna foi machucada. Agora, no caso do Akihiko..."
Mitsuru interrompeu, prendendo o cabelo em um coque com uma liga. "Ele está mais machucado, e o ferimento no peito ainda não se recuperou. Mas ele não vai subir os andares, só por cima do meu cadáver que ele pisa naquele teletransporte."
O comentário fez Hiro e Yukari rirem, aliviando um pouco da tensão.
Yukari, ainda sorrindo, voltou-se para Hiro. "Enfim, Hiro, você é bom em desembaraçar fios? A corda do meu arco precisa ser trocada, mas as minhas reservas estão todas embaraçadas."
Hiro se levantou com um aceno afirmativo com a cabeça. "Posso tentar. E Mitsuru, das próximas vezes que quiser tomar chá e precisar de companhia, pode me chamar."
Mitsuru sorriu suavemente. Levando a xicara mais uma vez para perto de sua boca. "Très bien. Vou me lembrar disso. Um companheiro de chá não faria mal."
Hiro sorriu de volta e seguiu Yukari para fora do quarto.
Enquanto Mitsuru observava a porta se fechando, algo chamou sua atenção. No sofá onde Hiro estava sentado, havia um celular.
Pegando-o, ela notou que o aparelho estava um pouco danificado, com as bordas quebradas de tantas quedas.
"Deve ser do Hiro." pensou, ligando o celular.
A tela exibiu uma imagem: uma mulher de cabelos pretos, com um sorriso caloroso, seu rosto gentil e doce.
Por alguma razão, o rosto dela parecia familiar.
Mitsuru estreitou os olhos, pensativa. "Essa mulher... ela lembra o Hiro de alguma forma... será que é a mãe dele?"
Nesse momento, Hiro voltou ao quarto, batendo nos bolsos, procurando algo. "Mitsuru, por acaso você viu meu celular?"
Mitsuru estendeu o aparelho para ele. "Está aqui. Você deixou cair no sofá."
Hiro suspirou de alívio, pegando o celular e colocando-o no bolso. "Valeu. Não gosto de ficar longe dele."
Mitsuru, curiosa, hesitou antes de perguntar: "Hiro..."
Ele olhou para ela, um pouco confuso. "Hmm? O que foi?"
Mitsuru abriu a boca para perguntar sobre a mulher na foto, mas algo em seu coração lhe dizia para não tocar no assunto.
Talvez fosse algo sensível para Hiro.
"Esquece..." Mitsuru acenou, mudando de ideia. "Eu ia perguntar algo, mas deixa pra lá."
Hiro levantou uma sobrancelha, curioso, mas assentiu com a cabeça e saiu do quarto.
Sozinha novamente, Mitsuru colocou a mão no peito, sentindo uma preocupação crescente, embora não soubesse o porquê.
Algo em Hiro parecia quebrado por dentro, mas ele não havia contado a ninguém.
"Ele... parece que está carregando algo pesado." pensou Mitsuru, olhando para a porta fechada. "Por que ele não contou para ninguém? Hiro..."
......[Pensamentos]......
...Um acordo, agora somos rivais que se respeitam. Eu não vou me deixar perder, Hiro! Eu vou dar meu melhor para te vencer, e manter nosso acordo em pé....
...Arcano do Imperador; Akihiko Sanada...
...Tem algo errado, ele parece que está quebrado por dentro. E fingindo que está tudo bem. Parecido com um lobo sem sua alcateia, ele se dá como um durão mas por dentro esta sofrendo com uma dor irreparável....
...Preciso saber o que tem de errado com o Hiro. Ele é um membro do S.E.E.S, e é meu dever garantir o melhor de todos. Principalmente o dele....
...Arcana da Imperatriz; Mitsuru Kirijo...
...Eu me preocupo com todos, principalmente com o Minato. Ele é alguém que precisa da minha ajuda. Eu preciso da ajuda dele....
...A próxima lua cheia. Eu não vou fugir. Eu vou lutar! Eu vou proteger todos!...
...Arcana do Enamorados; Yukari Takeba...
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Atualizado até capítulo 33
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