...24/07/2009 Sexta-feira; Manhã...
Hiro se senta na beira da cama, as mãos cobrindo o rosto enquanto tenta afastar os resquícios do estranho sonho.
A cada vez que fecha os olhos, flashes de memória o atingem, trazendo de volta a imagem daquela imensa torre que ele viu.
O despertador ao lado começa a tocar, emitindo um som agudo e irritante, mas ele logo o silencia com um golpe que o amassa ainda mais. Hiro solta um suspiro irritado.
"Tá bom, tá bom. Eu sei que já tá na hora de levantar." resmunga, a voz abafada pelas mãos.
Ele se levanta lentamente e olha para seu reflexo no espelho do guarda-roupa.
O jovem de cabelos escuros e desgrenhados que o encara de volta tem olhos profundos, tingidos por uma mistura de cansaço e confusão.
Hiro encara seu reflexo por um momento, refletindo sobre o que presenciou.
"Aquela torre... não foi só um sonho... mas o que era aquilo?" murmura para si mesmo, enquanto esfrega a nuca, tentando entender.
Ele se levanta e vai até o armário, pegando o uniforme escolar. Após pegar sua bolsa, Hiro sai do quarto e segue para o banheiro.
O vapor da água quente começa a embaçar o espelho à medida que ele toma seu banho, mas os pensamentos sobre a torre persistem, rodopiando em sua mente.
Pouco depois, já vestido e pronto, Hiro sai de seu apartamento e desce as escadas, misturando-se à multidão de alunos que se dirigem à estação de metrô, todos com destino ao Colégio Gekkoukan.
"Hunf, os dias de folga terminaram e a maioria das alunas já estão reclamando." pensa Hiro, caminhando entre os outros estudantes.
"Tô começando a achar que eu tô ficando louco." Ele fala coçando sua cabeça.
O metrô chega e ele entra, juntando-se ao mar de estudantes que, como ele, estão indo para mais um dia de aula.
Quando chega à frente do colégio e começa a caminhar em direção à entrada, um arrepio percorreu sua espinha.
Ele sente que está sendo observado.
Hiro para por um instante e olha em volta, procurando o rosto de algum aluno que esteja o encarando.
Mas tudo o que vê são rostos comuns, distraídos com suas próprias preocupações.
"Acho que é só minha imaginação." pensa, tentando afastar a sensação desconfortável.
Ele continua a caminhar em direção à sua sala, mas o que ele não percebe é que, de trás de uma árvore, Junpei, Minato e Yukari o observam atentamente.
"Sei não hein..." sussurra Junpei, o rosto em uma expressão mista de curiosidade e apreensão. "Parece que a qualquer hora ele vai tirar uma katana da bolsa."
"Você só tá inventando." retruca Yukari, estreitando os olhos em direção a Hiro. "Ele não parece tão ruim assim. De qualquer forma, precisamos saber mais sobre ele. Ainda bem que o presidente é quem vai conversar com o Hiro sobre o SEES."
Minato, aparentemente aborrecido por estar ali, pensa consigo mesmo, "Aí que saco, por que o Junpei e a Yukari me puxaram para aqui?"
Dentro da sala de aula, Hiro entra e coloca sua bolsa sobre a carteira.
Seus olhos se voltam para Mitsuru, que está sentada perto da janela, anotando algo em seu caderno.
Seu semblante está tão sério e concentrado como sempre, os longos cabelos ruivos perfeitamente alinhados, refletindo a luz suave que entra pela janela.
"Dá pra ver que esses dias de folga não fizeram nenhum efeito em você, Mitsuru." comenta Hiro, sentando-se em sua carteira.
Mitsuru para de escrever por um momento e levanta o olhar, encontrando os olhos de Hiro. "Bom dia, Mikoshi. Não posso descansar muito, afinal, eu sou a presidente do conselho estudantil." responde ela, sua voz firme, mas com um leve sorriso nos lábios.
Hiro puxa a cadeira e se senta. "Sim, eu sei. Pra mim não faz diferença."
Mitsuru volta a escrever, mas seu olhar de vez em quando desvia para Hiro, como se estivesse ponderando algo.
Após um breve silêncio, ela fala novamente, agora com um tom mais sério.
"Mikoshi, posso te perguntar algo?"
Hiro se vira para ela, ligeiramente surpreso com a mudança de tom. "Ok... sobre o que seria?"
Mitsuru coloca a caneta na mesa e, com os olhos fixos nos dele, pergunta, "Por acaso, você viu alguma coisa de madrugada? Algo de diferente no céu?"
Hiro se surpreende com a pergunta, e sua mão inconscientemente vai até o queixo.
Ele reflete por um momento antes de responder. "Isso é inesperado. Mas já que você perguntou... sim, eu vi."
Mitsuru levanta uma sobrancelha, interessada, e se inclina ligeiramente para frente. "Sério? E o que seria?"
"Céu verde." começa Hiro, cruzando os braços e voltando seu olhar para a frente da sala. "E também vi uma torre gigante no horizonte. Os eletrônicos não funcionavam e o relógio na minha casa simplesmente parou na meia-noite."
Um leve sorriso surge no rosto de Mitsuru, como se tivesse confirmado uma suspeita.
"Entendo." ela diz, voltando a postura normal na cadeira e pegando a caneta novamente. "Talvez você tenha visto algo em seu sonho. Ou algo assim."
Hiro, ainda encarando o quadro, estreita os olhos, seus pensamentos girando em torno da pergunta de Mitsuru.
"Para ela ter perguntado sobre isso, então ela já sabe do que se trata." pensa, desconfiado.
Ele se vira para Mitsuru e pergunta, "Por que a pergunta, Mitsuru?"
Mitsuru o encara de volta, seu olhar sereno, mas enigmático. "Não é nada importante. Apenas estava curiosa."
Hiro a observa por um momento, seus olhos estreitando. "Tem certeza?"
"Absoluta." Ela responde com um tom sereno, mantendo uma postura elegante.
Os dois se encaram, o silêncio carregado de uma tensão não dita, até que o professor entra na sala, quebrando o momento.
"Desculpem a demora." diz o professor, ajeitando os óculos enquanto se dirige à mesa.
"Estava procurando meu livro de circunferências que tinha perdido na sala dos professores. Abram seus cadernos para anotar as fórmulas que vou escrever no quadro."
Mitsuru e Hiro voltam às suas atividades, o mistério do que aconteceu na madrugada anterior permanecendo entre eles, não resolvido, mas certamente não esquecido.
...24/07/2009 Sexta-feira; Entardecer...
O sinal ecoa pelos corredores do Colégio Gekkoukan, anunciando o fim do dia letivo. Hiro, com sua expressão habitual de desinteresse, caminha lentamente em direção à saída.
Ele atravessa os corredores e o pátio, onde observa alguns alunos conversando e rindo despreocupados. Sua mente, no entanto, está em outro lugar.
Após pegar o metrô e sair na estação Iwatodai, Hiro percebe que algo está estranho.
Um grupo de garotos o cerca, formando um círculo ao seu redor.
Hiro reconhece um dos líderes, Akasa, que estuda em outro colégio.
"Trouxe mais amigos, Akasa?" pergunta Hiro, sem se deixar intimidar. "Eu já não te falei que não tem mais motivo de você vir atrás de mim?"
Akasa, visivelmente irritado, responde: "Ah, Hiro. Você sempre gosta de bancar o inocente. Mas não se esqueça que você me deve uns vinte mil ienes."
Hiro solta um suspiro de tédio. "Eu não te paguei semana passada? Ou você gastou o dinheiro com a conta do hospital?"
Antes que Akasa pudesse responder, um dos garotos tenta surpreender Hiro por trás, erguendo o punho para um golpe.
Mas Hiro, com reflexos rápidos, agarra o braço do agressor, gira habilmente e aplica uma chave de braço que faz um estalo ecoar pelo ar.
O garoto grita de dor enquanto Hiro o empurra para longe, fazendo-o cair aos pés de Akasa.
"Mais alguém quer ter o braço engessado?" Hiro pergunta, o olhar afiado encarando todos ao redor.
Os outros garotos hesitam, incertos se devem atacar. Akasa, no entanto, não recua.
Ele avança contra Hiro, tentando machucá-lo. Mas Hiro desvia com facilidade, colocando o pé na frente do Akasa para ele tropeçar.
Quando Akasa cai no chão, um canivete escorrega de sua mão.
Hiro rapidamente o chuta para longe e pisa com força no pulso de Akasa, arrancando um grito de dor do valentão.
"Da próxima vez, a conta do hospital vai vir o triplo. Entendeu?" diz Hiro, com frieza.
Akasa, agora aterrorizado, acena com a cabeça em concordância.
Sem hesitar, Hiro chuta o rosto de Akasa, quebrando seu nariz, e sai andando calmamente, como se nada tivesse acontecido.
No entanto, ao se afastar, Hiro é parado por um policial, que o impede de continuar.
"Os mesmos encrenqueiros de sempre?" pergunta o policial, que parece já estar acostumado com essas cenas. "Se eu fosse eles, já teria parado de ir atrás de você.
Hiro dá de ombros."Sinceramente, eles só querem tirar dinheiro de mim. Eu já perdi as contas das vezes que me perturbaram e denunciei eles para você. Bom, sabe o que tem que fazer."
O policial suspira e vai falar com o grupo de garotos, enquanto Hiro continua seu caminho de volta para casa.
Chegando ao prédio onde mora, Hiro sobe as escadas com uma sensação de inquietação.
Quando ele vai abrir a porta de seu apartamento, percebe que ela está entreaberta.
Ele estreita os olhos, confuso, pois lembra claramente de ter trancado a porta antes de sair. Cautelosamente, empurra a porta e entra.
Sentado no sofá, esperando por ele, está um homem de meia-idade, com olhos castanhos escuros, cabelos castanhos longos e ondulados, e um cavanhaque bem cuidado.
Ele veste uma jaqueta bege sobre uma gola alta preta. Seu olhar é tranquilo, quase acolhedor, mas Hiro não consegue esconder a desconfiança.
"Quem caralhos é você? Como entrou aqui?" Hiro pergunta, a voz carregada de cautela.
"Peço desculpas pela invasão de sua casa, Mikoshi-san." o homem responde com um tom polido. "Eu sou Shuji Ikutsuki, presidente do conselho administrativo do Colégio Gekkoukan."
Hiro se aproxima, reconhecendo vagamente o rosto de Shuji. "Agora eu lembro de você. Eu lhe vi algumas vezes nos corredores. Mas você ainda não respondeu minha outra pergunta. O que tá fazendo aqui?"
Shuji aponta para o sofá, indicando que Hiro deveria se sentar.
Relutante, Hiro se senta, mas mantém o olhar atento.
"Mikoshi-san." começa Shuji, cruzando as pernas, "Venho aqui para te pedir um favor. Não é qualquer coisa, mas algo que envolve a segurança de todos."
Hiro coça a cabeça, ainda desconfiado. "Me chame apenas de Hiro. Então, o que quer dizer com 'a segurança de todos'?"
Shuji sorri levemente, seus olhos penetrando nos de Hiro de uma maneira quase hipnótica. "Então, Hiro, você acreditaria em mim se eu dissesse que um dia consiste em mais de 24 horas?"
Hiro se surpreende, sua mente repassando as palavras de Shuji. "Peraí... como é? Explica direito."
"A Dark Hour," começa Shuji, "é uma hora escondida entre um dia e outro, onde monstros chamados 'Shadows' aparecem. São esses monstros os responsáveis pela síndrome da Apatia."
Hiro sente um arrepio percorrer sua espinha enquanto Shuji ajusta sua postura, falando com seriedade. "Por acaso, você em algum momento viu o céu verde?"
Hiro acena com a cabeça, ainda confuso. "Sim, eu vi. O celular não funcionava, e tudo parecia parado no tempo. Na meia-noite."
Shuji assente, como se já esperasse essa resposta. "A Dark Hour não é percebida pela grande maioria das pessoas porque, para elas, é apenas alguns segundos. E caso alguém veja a Dark Hour, após o período dela terminar, a pessoa simplesmente esquecerá e continuará vivendo normalmente. Porém, tem um detalhe..."
Shuji olha pela janela, e Hiro segue seu olhar.
"Certas pessoas têm a capacidade de lembrar da Dark Hour. Porque, ou elas têm uma certa resistência a essa influência, ou elas têm um poder dentro delas, os Personas. E é por isso que estou falando com você, Hiro."
Shuji tira de sua jaqueta uma braçadeira e a estende para Hiro.
Ele a pega e vê as palavras "S.E.E.S" escritas, e logo abaixo, "Specialized Extracurricular Execution Squad", com o número 8 gravado.
No centro da ombreira, o brasão do Colégio Gekkoukan está em destaque.
"S.E.E.S... é um clube do colégio?" pergunta Hiro, ainda processando as informações.
"Algo parecido." responde Shuji, assentindo com a cabeça. "O S.E.E.S é um grupo de alunos que têm o mesmo poder que você, Hiro. Vocês lutam contra as Shadows para manter a segurança de todos."
Hiro devolve a braçadeira para Shuji, seus pensamentos girando com as novas informações. "E que poder é esse?"
"Como posso explicar?" Shuji começa, seu tom ponderado. "O 'Persona' é uma manifestação da personalidade de um usuário, é uma espécie de 'máscara' que um indivíduo pode arrancar. Quem consegue fazer isso, tem a possibilidade de usá-la para destruir as Shadows. Sendo essa personalidade o seu 'verdadeiro eu'."
Hiro fica surpreso ao ouvir isso, e olha para a própria mão, refletindo sobre o que Shuji disse. "Então, você está querendo dizer que eu tenho um poder que pode parar a síndrome da Apatia?"
"Exatamente." confirma Shuji. "Você é um dos poucos que podem salvar as pessoas, Hiro. Se você quiser continuar a viver sua vida normalmente, eu não irei lhe obrigar. Mas tudo o que você fizer com o S.E.E.S será o mesmo que salvar a humanidade, sem que ela saiba que houve uma luta."
Hiro desvia o olhar, questionando a si mesmo se isso é o que realmente quer.
Seria necessário sacrificar tanto e não receber nem um simples "obrigado"?
Enfrentar criaturas que ninguém sabe o que são ou qual é o propósito delas?
"Eu nunca quis carregar o peso do mundo nas minhas costas." Hiro pensa para si mesmo. "Mas, uma única vez, vou poder salvar alguém."
Finalmente, ele olha diretamente nos olhos de Shuji e fala: "Tudo bem, eu tô dentro."
...24/07/2009 Sexta-feira; Noite...
No dormitório Iwatodai, Minato retorna após fazer algumas compras na farmácia. Ao entrar, ele vê Yukari sentada no sofá, saboreando um mochi.
"Bem-vindo de volta." diz Yukari, sorrindo. "A Mitsuru-senpai ainda não voltou, então provavelmente não vamos ao Tartarus hoje."
Minato, tirando os fones de ouvido, responde: "Que coincidência, eu também estava pensando em não ir hoje. Preciso descansar."
Enquanto Minato se acomoda no sofá, Junpei desce as escadas ao lado de Akihiko.
"Ah, você chegou, Minato." diz Junpei animado. "A gente vai para o Tartarus hoje?"
Minato balança a cabeça, negando. "Não, eu não tô afim de ir hoje. Ainda me sinto cansado."
Fuuka sai da cozinha e se junta ao grupo. "A Kirijo-senpai acabou de mandar uma mensagem." informa ela. "Ela disse que está voltando com a Aigis para o dormitório. Parece que o presidente conseguiu falar com o…”
Antes que pudesse terminar, a porta do dormitório se abre, e um grupo de homens de terno entra, carregando caixas em direção às escadas.
Logo atrás, Mitsuru e Aigis fazem sua entrada.
Mitsuru, com sua presença imponente, comenta: "Bom, parece que o presidente Shuji conseguiu convencer o Mikoshi a entrar."
Akihiko, ainda meio surpreso com os homens carregando caixas, pergunta: "Mitsuru, quem são esses?"
Com um movimento elegante, Mitsuru joga o cabelo para o lado e responde: "São trabalhadores da minha família. Estão apenas trazendo as coisas do Mikoshi para o quarto."
Nesse momento, o presidente Shuji entra no dormitório, seguido por Hiro.
"Então, esse é o dormitório que você mencionou..." Hiro começa a falar, mas sua voz desaparece ao ver Mitsuru, congelando confuso.
Ele reconhece Akihiko também, junto com algumas outras pessoas que já viu pelos corredores do colégio, mas com quem nunca havia conversado.
"Mitsuru? Você tá aqui?" pergunta Hiro, surpreso.
Mitsuru, já esperando essa reação, responde calmamente: "Mikoshi, espero que o presidente tenha lhe explicado tudo."
Antes que Hiro pudesse responder, Junpei se aproxima com seu habitual entusiasmo. "E aí, cara! Prazer, eu sou o Junpei Iori."
Hiro acena de volta para Junpei, enquanto os outros membros do grupo observam em silêncio.
Akihiko, com seu olhar sério, cruza os braços. "Acho que não preciso me apresentar, não é?"
Hiro balança a cabeça, reconhecendo, e cerrando seus olhos de forma desafiadora. "Não, nem um pouco. Akihiko Sanada."
Yukari e Fuuka se aproximam com sorrisos gentis. Yukari, pegando a mão de Hiro, diz: "Prazer em te conhecer, Hiro. Sou a Yukari Takeba, do segundo ano."
Fuuka, tímida, faz uma pequena reverência. "E... eu sou a Fuuka Yamagishi. É um prazer, Hiro-san."
Hiro passa a mão na cabeça, tentando processar tudo enquanto conhece o resto dos membros do grupo. "Aonde que eu fui me meter?" pensa ele.
Após alguns minutos de conversa, o grupo sobe até a sala de comando no quarto andar.
Hiro, surpreso com o grande computador na parede, olha em volta e comenta: "Uma baita estrutura essa de vocês, hein. Não esperava que o dormitório Iwatodai fosse uma base para um esquadrão secreto."
Mitsuru, colocando uma maleta sobre a mesa, abrindo e retirando um florete, explica: "Esse dormitório foi criado como nossa base de operações desde o início. Além disso, os recursos são disponibilizados pela Kirijo Corporation. Minha família é a fundadora e administra todos os recursos do S.E.E.S."
Akihiko, pegando uma faixa vermelha de uma gaveta, joga ela para Hiro. "Em questão de materiais de combate, a gente tem de sobra. Essa faixa é sua até que os nossos trajes de combate sejam fabricados."
Hiro examina a faixa, notando o nome "S.E.E.S" bordado. Ele olha para Akihiko e pergunta: "Minha arma vai chegar agora e depois a gente vai para esse tal de Tartarus, não é?"
Nesse exato momento, Aigis entra na sala, carregando uma cimitarra que estende para Hiro. "Hiro-san, essa é a cimitarra que você encomendou?"
Hiro pega a arma, tira um pouco da lâmina da bainha e comenta: "Sim, chegou rápido. Aliás, como é que se usa o Persona?"
Minato, que estava sentado no sofá observando tudo em silêncio, tira uma pistola de um coldre e a arremessa na direção de Hiro, que a pega no ar.
"Esse é o Evoker." explica Minato. "Sem ele, não conseguimos invocar nossos Personas. Para usar, aponte para sua cabeça e puxe o gatilho."
Hiro se assusta com o que Minato disse. "Pera aí. Como é que é? Apontar essa pistola pra minha cabeça?"
Yukari, sorrindo de forma divertida, acrescenta: "Não se preocupe. Essa foi a mesma reação que tive quando me falaram isso."
O presidente Shuji termina de beber o chá de sua xícara e fala com um tom tranquilizador: "Não se preocupe, não é uma pistola de verdade. É apenas uma forma que os cientistas da Kirijo Corporation desenvolveram para conseguir fazer o Persona, que está no fundo de sua mente, ser invocado."
Hiro olha para o Evoker, que tem o símbolo do S.E.E.S gravado em seu cano, e comenta: "Entendo. Já que falam com tanta certeza, vou acreditar."
...24/07/2009 Sexta-feira; Quase meia noite...
Perto da meia-noite, o grupo se reúne em frente ao portão do colégio Gekkoukan.
O ar está silencioso, carregado com uma tensão que Hiro ainda não compreende completamente. Ele olha em volta, confuso.
"Por que estamos na frente do colégio a essa hora? Não tem nada aqu..." Hiro começa a perguntar, mas sua frase é interrompida quando Mitsuru coloca delicadamente um dedo sobre seus lábios, fazendo ele corar levemente.
"Está quase na hora." diz Mitsuru com um sorriso enigmático. "Espere e veja."
Akihiko, atento ao relógio em seu celular, anuncia: "Vai começar."
Assim que os relógios marcam meia-noite, um sino distante ressoa, seu som ecoando pelo ambiente.
O céu acima deles começa a mudar, tornando-se um verde etéreo, surreal.
Hiro observa, fascinado, enquanto o colégio Gekkoukan à sua frente desaparece, dissolvendo-se na escuridão.
No lugar onde o colégio estava, o chão começa a tremer.
Uma torre colossal começa a se erguer, a mesma estrutura imponente que Hiro viu uma vez antes.
A torre cresce sem parar, subindo em direção ao céu até que seu topo se perde na vastidão.
O sino toca mais uma vez, marcando o início da Dark Hour.
Mitsuru, com os olhos fixos na torre, declara: "Bem-vindo ao Tartarus, Hiro."
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Atualizado até capítulo 33
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