Capítulo 15; O sol da noite

...22/08/2009 Sábado, Amanhecer...

Shinjiro andava pelas ruas envoltas em uma névoa suave, própria da madrugada — 4:45 da manhã.

Sua figura imponente, vestida com o habitual sobretudo vinho de detalhes pretos, uma camisa marrom de gola alta e mangas compridas, calças pretas e sapatos Chelsea marrons, se destacava.

O gorro cinza, cobrindo os cabelos castanhos, reforçava o ar sombrio que ele sempre carregava.

Ele se enfiou em um beco oculto, movido por um compromisso que parecia inevitável. Mas, de repente, parou.

Um vazio familiar surgiu em seu peito. Seus olhos se arregalaram, e uma dor aguda o atingiu, arrancando um grito sufocado de sua garganta.

Suas pernas cederam, e ele se apoiou na parede antes de cair de joelhos, lutando para respirar.

Sua visão começou a ficar turva, enquanto ouvia o relinchar de Kastor, seu Persona, ecoando em sua mente.

Shinjiro sabia o que aquilo significava: Kastor estava furioso, tentando se libertar. Mais uma vez, seu Persona queria destruí-lo.

Desesperado, Shinjiro começou a procurar nos bolsos de seu sobretudo, tentando encontrar o inibidor. Mas eles estavam vazios.

"Porra... eu deixei o último no meu armário." ele resmungou, irritado, sentindo a dor aumentar.

Então, uma risada macabra cortou o silêncio do beco. Na névoa, surgiram duas figuras. Takaya Sakaki e Jin Shirato, membros dos Strega, caminharam em sua direção.

Takaya avançava de maneira sarcástica, quase zombeteira, enquanto Jin o seguia com uma expressão fria e calculista.

Takaya riu novamente, uma risada amarga que reverberou pelo beco enquanto ele olhava para Shinjiro com desdém. Havia um ar de superioridade em cada passo, como se aquele momento fosse algo antecipado por ele.

"Olha só pra você." Takaya começou, seus olhos amarelos brilhando com malícia. "Agonizando por aquilo que desejou suprimir. Que decepção, Shinjiro Aragaki."

Shinjiro tossiu, o gosto metálico de sangue já invadindo sua boca.

Mesmo em meio à dor, ele ainda conseguia reunir a fúria que carregava no peito.

"Eu que quis inibir meu Persona..." Ele ofegou, cada palavra era uma luta. "Eu não ligo se ele mesmo me matar."

A risada de Takaya só aumentava a raiva dentro dele, mas ao mesmo tempo, aquela sensação também o corroía.

Jin soltou um suspiro frustrado, abriu sua maleta e retirou uma sacola de papel, mas antes que pudesse entregar o conteúdo, Takaya ergueu a mão, sinalizando para parar.

Seus olhos permaneciam fixos em Shinjiro, que ainda lutava contra a dor.

"Ainda não, Jin. Não recebemos nosso pagamento." disse Takaya com frieza.

Shinjiro, apoiado na parede, luta para levantar. Sua voz era entrecortada pela dor e raiva. "Oh caralho... Eu não paguei vocês ontem?"

Jin bufou irritado e ajustou os óculos enquanto segurava a sacola, que, ao se mover, produziu um som metálico, como se estivesse cheia de seringas. "Sim, você nos pagou o mínimo do necessário. Mas o Takaya quer mais do que dinheiro. Sabemos que você voltou para seu grupo, Aragaki."

Shinjiro se surpreendeu e olhou para Jin e Takaya, e tenta entender a implicação daquelas palavras. "O quê?"

Takaya manteve sua expressão fria, seus olhos brilham com intenções ocultas. "O que queremos é informação sobre o S.E.E.S. Quem é o líder de vocês? E quem é o mais forte?"

O calafrio que percorreu a espinha de Shinjiro o alertou sobre a verdadeira intenção de Takaya.

Ele percebeu que o alvo deles poderia ser Mitsuru ou Minato ou Hiro.

Shinjiro cerrou os punhos e tentou controlar suas palavras, também sabe que qualquer deslize poderia comprometer a segurança do S.E.E.S.

"Você acha que eu vou falar alguma coisa? Nem se me espancar." respondeu Shinjiro com firmeza.

Takaya deu um leve sorriso de desaprovação. "Como eu imaginei... Você não iria falar. Mas não se preocupe, eu já sei onde focar minha atenção."

Ele fez um gesto para Jin. "Pode entregar o pacote."

Jin jogou a sacola para Shinjiro, que a pegou no ar, ainda de joelhos.

"Esse será nosso último pacote para você, Shinjiro Aragaki. Não se esqueça, você não é como nós. Você tem um Persona puro." Jin fala em um tom de desprezo.

Takaya sorriu, um sorriso macabro que fez o sangue de Shinjiro gelar ainda mais. "Sim, você sabia que não podia usar nossos inibidores de Persona. Seu Persona é puro, diferente dos nossos, que foram criados artificialmente. Isso está te destruindo por dentro, não está?"

A dor no peito de Shinjiro se intensificou, e ele soltou um grito angustiado enquanto rasgava a sacola, encontrando as seringas de inibidor.

Ele logo pegou uma e a injetou em seu pescoço, e sente o alívio imediato conforme a dor desaparecia e sua visão voltava ao normal.

Ele olhou para Takaya com ódio nos olhos.

"Eu sei que essas merdas estão me matando aos poucos. Mas é melhor morrer por isso do que deixar meu Persona se descontrolar e matar inocentes!" disse Shinjiro, com os dentes cerrados.

Takaya suspirou, virando-se de costas para Shinjiro. "Eu entendo. Espero que, quando a morte te encontrar, não seja pela minha arma."

Ele se vira na direção do beco e deu um último olhar por cima do ombro. "Até que a morte nos encontre novamente, Shinjiro Aragaki."

Takaya e Jin desapareceram na névoa do beco, deixando Shinjiro para trás, exausto.

O frio causado pelo inibidor começou a tomar conta de seu corpo, tornando seus movimentos lentos e pesados.

Ele olhou para a seringa vazia em sua mão e a soltou no chão, esmagando-a com o pé, frustrado.

"Ninguém sabe que eu vou morrer. Mas..." Ele olhou para o céu, seus pensamentos vagando para as conversas que tivera com Hiro no restaurante, onde ambos falavam sobre suas vidas e segredos.

"Mas será que eu deveria contar pro Hiro sobre isso?"

Shinjiro endireitou a postura, guardou a sacola com os inibidores dentro de seu sobretudo e saiu do beco, caminhando de volta ao dormitório.

Estava decidido a continuar treinando, mesmo sabendo que seu tempo estava se esgotando.

...22/08/2009 Sábado, Meio-dia...

O dormitório estava silencioso, quase vazio, com a maioria dos membros do S.E.E.S. fora, se preparando para o festival de verão que aconteceria mais tarde.

Apenas Shinjiro, Koromaru, Fuuka e Hiro permaneciam no local.

No quarto do Hiro, ele afiava sua Kukri com cuidado, enquanto escutava música pelo celular.

O ritmo constante da lâmina contra o afiador foi interrompido por uma vibração: uma nova mensagem no celular.

Ele colocou a Kukri sobre a escrivaninha e pegou o celular, vendo que a mensagem era de Fuuka.

Mensagem: Hiro. Pode vir aqui no meu quarto? Eu queria lhe dar uma coisa.

Hiro levantou a sobrancelha, intrigado. "Me entregar uma coisa, é?" murmurou para si mesmo, interessado.

Ele vestiu uma camiseta que estava jogada em cima da cama antes de sair do quarto.

No segundo andar, ele caminhou até o quarto de Fuuka.

A porta estava entreaberta, e ele pôde ouvir sua voz abafada, murmurando preocupações.

"Qual eu escolho? A Yukari-san falou que essa yukata combina com o meu cabelo, mas... será que eu fico bem de yukata?" Fuuka parecia hesitante, falando sozinha.

Hiro parou na entrada e a observou. Fuuka, com seu cabelo curto azul-esverdeado e olhos cinza-acastanhados, vestia um vestido de verão verde-água que brilhava à luz do quarto.

Ela usava leggings e chinelos pretos, parecendo nervosa com a escolha das roupas para o festival.

"Fuuka?" Hiro chamou suavemente, entrando no quarto.

Fuuka deu um pequeno grito de susto e virou-se abruptamente, seus olhos arregalados de medo.

Ao ver que era Hiro, ela suspirou aliviada, o coração se acalmou.

"Ah, é você Hiro." disse ela, colocando a yukata que estava segurando de volta sobre a cama.

Hiro se aproximou, um pouco preocupado. "Aconteceu alguma coisa? Vi sua mensagem e vim logo pra cá."

Fuuka, agora lembrando o motivo pelo qual o havia chamado, teve um breve flash de memória.

Durante uma de suas idas ao shopping, seus olhos captaram algo em uma loja de acessórios masculinos - uma pulseira com o símbolo Yin Yang.

No momento em que a viu, a imagem de Hiro veio à sua mente, e ela não resistiu em comprá-la.

O flashback passou, e Fuuka caminhou até sua escrivaninha, pegando uma pequena caixinha.

Com um sorriso tímido, ela a estendeu para Hiro, que pegou, curioso.

"O que é isso?" perguntou ele, examinando a caixa.

Fuuka sorriu, um pouco nervosa. "Eu encontrei uma pulseira que achei que combinava com você, e decidi comprar. Não sei se você vai gostar, mas..."

Hiro abriu a caixinha, revelando a pulseira. Ao vê-la, um sorriso espontâneo surgiu em seu rosto.

"Então, o que achou?" Fuuka perguntou, ansiosa pela reação dele.

Hiro pegou a pulseira, ainda sorrindo. "Eu amei. Obrigado, Fuuka."

Fuuka soltou um suspiro de alívio, o sorriso dela também crescendo. "Ainda bem. Quando vi essa pulseira, me lembrei de você... Você tem um lado equilibrado, sabe? Mesmo quando tá irritado ou lutando, é como se fosse outra pessoa. Mas no fundo, você tem um bom coração, Hiro."

Hiro começou a prender a pulseira em seu braço, e Fuuka notou um brilho diferente em seus olhos.

Ela sabia que a promessa que fez com ele estava funcionando - Hiro estava tentando ser uma pessoa melhor, e aquilo a enchia de esperança.

"Hiro," ela disse suavemente, "você parece mais feliz."

Ele levantou os olhos, curioso. "Como assim?"

Fuuka sorriu, gentil. "Desde que você entrou para o S.E.E.S., parecia sempre estar de mau humor... com um vazio no peito. Agora, parece que tirou um peso do coração."

Hiro olhou nos olhos dela, um toque de gratidão em sua expressão. "Bom, acho que devo te agradecer, então. Digamos que, se não fosse você, eu provavelmente não teria tentado ser uma pessoa melhor."

Ele ergueu a mão, pousando-a suavemente na cabeça de Fuuka, que corou levemente.

Com carinho, ele deu um afago em seus cabelos, demonstrando um afeto sincero.

"Pra ser sincero, você é como a irmã mais nova que eu nunca tive, Fuuka. E eu não vou esquecer nossa promessa." disse ele, com sinceridade.

Os olhos de Fuuka se encheram de alegria, e ela não conseguiu conter o impulso de abraçá-lo com força, suas emoções transbordando.

"Fico feliz em ouvir isso, Hiro. Você é incrível." murmurou ela, com lágrimas de alívio nos olhos.

Hiro sorriu e devolveu o abraço, sentindo a profundidade da conexão entre os dois.

Era uma sensação nova para ele, algo reconfortante.

Ele sabia, então, que tinha alguém em quem poderia confiar plenamente.

...22/08/2009 Sábado; Por do sol...

O santuário estava cheio de vida, com luzes que iluminavam suavemente a noite, criando uma atmosfera mágica.

As tendas espalhadas por toda parte ofereciam comidas, jogos e lembranças, enquanto o cheiro delicioso de diferentes pratos flutuava pelo ar.

Famílias e amigos se reuniam em filas para aproveitar os jogos e comprar máscaras, aproveitando cada momento do festival de verão.

Akihiko, Hiro, Minato e Shinjiro caminhavam pelo santuário, observando o movimento ao redor.

Akihiko, sempre atento, olhava ao redor, tentando encontrar algum sinal das garotas.

Com seus curtos cabelos prateados e olhos cinzentos, Akihiko, vestindo uma camiseta vermelha de decote em V e calça branca, olhava confuso para a multidão. "Esse ano tem mais gente que o normal. Cadê as meninas? Tão vendo elas?"

Minato, com uma camiseta azul marinho e branca e calças justas de trabalho pretas, examinava a multidão, mas só via mulheres em yukatas e crianças correndo.

"Não, nem um sinal delas." respondeu ele, sua voz calma, mas com uma leve frustração.

Hiro, vestindo uma camisa de mangas compridas vermelha sobre uma camiseta branca e jeans azul, tentava ligar para Mitsuru, mas o celular não dava sinal.

"Sem sorte. Meu celular tá fora de área." comentou ele, guardando o aparelho de volta no bolso. "Vamos procurar pelas tendas, a gente se encontra no templo."

Shinjiro, usando seu habitual sobretudo vinho com detalhes pretos, camisa marrom de gola alta e calças pretas, apenas acenou com a cabeça.

"Eu tô indo pegar umas coisas pra comer. Encontro vocês quando for a hora dos fogos de artifício." Sem esperar resposta, começou a caminhar em direção às tendas.

Hiro suspirou e olhou para Minato e Akihiko. "Querem ficar aqui ou vamos olhar as tendas?"

Akihiko deu um leve sorriso, sua expressão animada. "Bom, tô afim de pegar um takoyaki pra comer. Tô indo." E assim, ele também se misturou à multidão.

Agora restando apenas Hiro e Minato, os dois se entreolharam por um breve momento antes de também mergulharem na multidão de pessoas, explorando as tendas.

Hiro, espremido entre as pessoas, de repente parou ao sentir um cheiro familiar e irresistível: Katsudon, sua comida favorita.

Seus olhos brilharam de animação. "Puta merda. Mentira que tem Katsudon aqui. Faz tanto tempo da última vez que eu comi um."

Ele logo procurou pela origem do cheiro até que vê uma tenda com uma placa que dizia "Donburimono".

Sem perder tempo, Hiro correu até lá, já tirando a carteira e colocando cinco notas de 1.000¥ no balcão.

O atendente, que preparava o molho, notou o entusiasmo de Hiro e sorriu. "Dá pra ver que você gosta de alguma coisa, meu caro. O que deseja?"

Com uma animação palpável, Hiro respondeu sem hesitar: "Uma tigela grande de Katsudon, por favor! E eu quero acompanhada de sopa de missô."

Em outro lado do santuário, a luz suave da lua banhava o santuário, e o brilho prateado parecia refletir os pensamentos perturbados de Minato.

Ele permanecia ali, estático, os olhos fixos no céu noturno, mas sua mente vagava em lugares que iam além do presente.

As Shadow arcanas rodavam em sua mente, um turbilhão de previsões sombrias.

Quem do S.E.E.S. estaria em perigo? Quem cairia, quem sobreviveria? Ele não tinha respostas, mas as perguntas o corroíam.

Seus dedos, um tanto trêmulos, tocaram seu rosto.

Um hábito involuntário de esfregar a pele na tentativa de aliviar a tensão crescente que se acumulava dentro de si.

Ele respirou fundo, tentando afastar a inquietação que o dominava.

Então, uma lembrança o atingiu.

Chamas. O calor devastador de um carro envolto em fogo.

Ele podia ver nitidamente o rosto de seus pais dentro do veículo em chamas, o desespero estampado nos olhos de sua mãe.

Seu corpo pequeno, jogado para fora pela violência do impacto, olhava de volta para o carro, impotente.

E, naquele instante, o gesto final.

A mão dela estendendo-se em sua direção, mesmo enquanto as chamas avançavam.

"Viva a sua vida... seja forte, Minato."

A explosão do carro tomou o resto da memória, deixando um vazio e uma dor que apertava o peito de Minato.

Seus olhos voltaram para a lua, agora mais distante que antes, como se ele estivesse preso entre o presente e um passado que nunca o deixava.

Sua mão subiu instintivamente ao colar MP3 que sempre carregava, e ele apertou o objeto contra o peito, como se aquilo pudesse trazer de volta o consolo que buscava.

A depressão retornava, como uma sombra constante, e a vontade de simplesmente desaparecer, de se entregar à morte, pesava cada vez mais.

Minato respirou fundo, os ombros tensos enquanto lutava contra seus próprios pensamentos.

O suspiro que escapou de seus lábios foi de pura exaustão.

"Minato-san."

A voz de Aigis interrompeu sua espiral, e o puxa de volta à realidade.

Ele balançou a cabeça levemente, para afasta os pensamentos sombrios.

Com um movimento calmo, ele colocou as mãos nos bolsos e se virou, encontrando o olhar da Aigis.

Ela estava vestida de uma maneira que Minato nunca imaginaria.

A yukata azul, adornada com delicadas flores brancas, parecia estranha contra o ambiente habitual de combate ao qual ele a associava.

Mesmo assim, a postura dela era a mesma de sempre: precisa e mecânica.

"Finalmente encontrei você, Aigis." disse ele, sua voz sem o peso de antes. "Onde estão as outras?"

Ela levantou a mão, apontando com precisão para o local onde Mitsuru, Yukari e Fuuka estavam, perto de uma tenda de máscaras.

Porem, a atenção de Aigis, não se prendeu nas outras meninas por muito tempo.

Ela olhou para a própria yukata, puxando o tecido com dedos curiosos, tentando entender o significado daquela roupa.

"Minato-san." disse ela, com a mesma calma habitual, embora um toque de curiosidade mecânica transparecesse. "Você acha esta roupa adequada para combate? Ela limita meus movimentos de maneira significativa."

A observação pragmática de Aigis trouxe um leve sorriso aos lábios de Minato.

Mesmo em um festival, ela permanecia fiel à sua programação.

Ele olhou para a yukata que Aigis vestia, notando o contraste entre o azul sereno das flores e a natureza de combate dela.

"Aigis." respondeu ele, ainda com um pequeno sorriso, "Acho que hoje à noite você não precisa se preocupar em lutar."

Ela o observou por um momento, seus olhos brilhando em um tom suave sob a luz da lua.

Aigis observava sua própria mão, como se estivesse tentando decifrar algo profundo, mas que ao mesmo tempo era simples.

Ela compreendia, então, que nem tudo em sua existência deveria ser visto sob a lente de combate.

Às vezes, como no caso da yukata, o propósito de uma vestimenta era simplesmente ser um símbolo de tradição e estilo, algo que não precisava ser analisado por sua eficácia em batalha.

"Entendo." disse Aigis, com uma tranquilidade quase mecânica enquanto seus olhos brilhavam sob a luz suave da lua. "Esta roupa não é adequada para combate. É mais para uso habitual."

Minato, ainda com as mãos nos bolsos, acenou afirmativamente, confirmando o que Aigis deduziu.

Ele apreciava o esforço dela em entender mais sobre o mundo humano, mesmo que fosse de uma forma tão direta e literal.

Antes que pudessem continuar, Hiro e Akihiko se aproximaram, suas presenças marcadas de maneira distinta.

Hiro estava com uma expressão de bom humor incomum, enquanto Akihiko, de forma casual, mastigava seu takoyaki.

Quando ele viu Aigis em sua yukata, seus olhos se arregalaram brevemente, mas ele manteve o controle.

Aigis, notando o humor de Hiro, inclinou levemente a cabeça. "Hiro-san, você parece mais feliz que o normal."

Hiro soltou um suspiro satisfeito "É o que acontece quando você finalmente come sua comida favorita depois de tanto tempo."

Ele fez uma pausa, analisando a yukata de Aigis com um sorriso suave. "E essa yukata... não esperava que fosse usar algo assim."

Akihiko, ainda mastigando o último takoyaki, engoliu antes de comentar. "Muito menos eu. A Mitsuru que mandou você vestir isso?"

Aigis assentiu, confirmando com um movimento preciso. "Sim, Mitsuru-senpai quis me mostrar como se comemora um festival e me pediu para usar essa vestimenta."

Antes que a conversa pudesse se estender, Mitsuru, Fuuka e Yukari apareceram, se aproxima do grupo após uma breve busca.

Yukari, está com sua yukata laranja e branca decorada com pequenas rosas, segurava uma cesta na mão, enquanto Fuuka exibia um sorriso tímido, vestindo uma yukata azul-marinho com desenhos de bolhas e girassóis.

Já Mitsuru, usava uma yukata branca adornada com sutis flores roxas, seu cabelo amarrado em um elegante rabo de cavalo.

Yukari, com um tom casual, se aproximou e perguntou: "Finalmente a gente achou vocês. Onde estavam?"

Hiro, ao ver Mitsuru, perdeu completamente o foco.

Seus olhos se arregalaram, e sentiu seu coração acelerar.

Tudo ao redor desapareceu; ele estava absorto na imagem de Mitsuru, seus gestos, sua elegância.

Mesmo que estivesse perto para ouvir a conversa entre ela e Aigis, tudo parecia distante, como se ele estivesse imerso em uma bolha de admiração.

Akihiko, percebe a expressão sonhadora de Hiro, não resistiu e deu um sorriso malicioso.

Sem hesitar, levantou a mão e deu um tapa forte na nuca de Hiro.

Hiro soltou um gemido irritado, levando a mão à nuca dolorida. "Precisava disso seu porra?"

Akihiko riu de forma discreta e joga fora o prato de takoyaki vazio. "De nada. Só trouxe você de volta pra realidade."

Apos alguns minutos, o grupo estava reunido no templo, cada um de pé ou sentado, aguardando o início do espetáculo de fogos de artifício.

A atmosfera é calma, mas carregada de uma energia inquieta, como se o evento que estavam prestes a testemunhar fosse apenas uma distração temporária para algo maior e mais ameaçador.

Mitsuru observa o Hiro sentado na escadaria ao lado de Akihiko, os dois absortos em seus próprios pensamentos.

Havia algo de sereno na postura de Hiro, mas Mitsuru sabia que, assim como ela, ele devia ter perguntas sobre o futuro.

"Hiro." chamou Mitsuru, sua voz carregada de curiosidade e uma ponta de preocupação. "Sei que ainda é cedo para pensar nisso, mas o que você pretende fazer quando tudo isso acabar?"

Hiro levanta o olhar na direção dela, seus olhos que estão sombrios sob a luz difusa do templo. "Você quer dizer quando destruirmos a Dark Hour e o Tartarus?"

Mitsuru acenou com confirmação, sem desviar o olhar.

Hiro suspirou, e desvia o olhar para o céu escuro.

A dúvida pairava sobre ele, como se nunca tivesse considerado o que viria depois.

Afinal, o que vai ser suas vidas sem a constante ameaça das Shadows? Ele, Mitsuru, Akihiko... estão no último ano do ensino médio. O que viria depois?

Hiro coçou a cabeça e voltou a encará-la. "Não sei... acho que vou tentar conseguir uma bolsa para alguma faculdade. Talvez engenharia, ou quem sabe economia."

Akihiko, entusiasmado, entrou na conversa com um sorriso. "Você devia tentar as olimpíadas de luta. É o seu estilo."

Hiro acenou com a mão, claramente desinteressado. "Prefiro não perder minha privacidade." E, muda o foco, pergunta. "E você, Mitsuru?"

Mitsuru, por um momento, pareceu ponderar, mas já sabe sua resposta.

Ela soltou o cabelo com um movimento elegante, a brisa da noite balança suas mechas enquanto uma mão repousava firme na cintura. "Eu vou ajudar meu pai a administrar a Kirijo Corporation. Quando chegar a hora certa, vou assumir os negócios da família Kirijo."

Hiro, olhando de volta para o céu estrelado, murmura: "Saquei. Que bom que você já sabe o que vai fazer."

Antes que a conversa pudesse avançar, passos apressados ecoaram pelo templo.

Todos se voltaram para ver Junpei, que corre com uma sacola na qual balança em suas mãos.

Yukari, que estava de pé, franziu o cenho ao vê-lo chegar.

"Junpei." disse ela, os olhos estreitados em desaprovação. "Onde você se enfiou? Quase se atrasou para os fogos."

Junpei, ainda ofegante, começou a abrir a sacola, onde tem máscaras comemorativas.

Ele as entregava uma a uma com um sorriso meio arrependido.

"Eu sei, eu sei." disse ele, enquanto tenta recuperar o fôlego. "Mas eu rodei o festival inteiro para conseguir essas máscaras."

Fuuka, sempre gentil, riu suavemente. "Tudo bem, Junpei-kun. Obrigada pela máscara."

Junpei sorriu de volta, meio bobo, mas satisfeito.

Por fim, ele pegou a última máscara e a estendeu para Hiro, que a segurou com um olhar surpreso.

"Ah, foi mal Hiro." disse Junpei, enquanto coça a cabeça. "Era a última que tinha na tenda... só sobrou essa."

Hiro encarou a máscara por um longo momento, uma máscara vermelha de Oni, com feições demoníacas e intensas.

Apesar da aparência intimidadora, ele sentiu uma estranha conexão com o objeto.

"Tá tudo bem." disse Hiro, seus olhos brilhando levemente. "Até que eu gostei dela."

Junpei soltou um suspiro de alívio e foi se sentar na escadaria.

Enquanto isso, no topo das escadas, Minato, Shinjiro e Aigis observavam o céu, e esperam pelo início dos fogos.

Minato, olha pro lado e nota algo estranho em Shinjiro.

O amigo tosse levemente, mas seus olhos se direcionam a roupa dele.

"Aragaki." chamou Minato, olhando de canto.

Shinjiro olhou de volta, sua expressão habitual. "Hmm?"

Minato aponta para a roupa do Shinjiro, mesmo naquele calor de verão, ele usa um sobretudo. "Você não sente calor? Por que sempre usa essas roupas, até no verão."

Antes que Shinjiro possa responder, Aigis fala, com um tom suave. "Meus scanners indicam que o corpo de Aragaki-senpai tem uma regulação térmica abaixo da média."

Shinjiro levantou as sobrancelhas, surpreso, e lançou um olhar curioso para Aigis. "Você escaneia todo mundo, é? Bom... mas é verdade, eu sempre tô com frio."

O comentário foi breve, mas carregado de significado, logo é interrompido por Yukari, que gritou animada. "Olha, começou!"

Todos levantaram o olhar para o céu, onde os primeiros fogos de artifício explodiam em uma explosão de cores, iluminando a noite de verão.

O brilho refletido no rosto de Shinjiro não trouxe alegria, no entanto.

Enquanto os outros riam e se maravilhavam com o espetáculo, ele sentia uma dor profunda, mas não física.

Ele sabia que seu tempo estava acabando.

De seu lugar, ele olhou para Akihiko, que ria enquanto tenta ajudar Hiro a tirar a máscara que Junpei havia dado, presa de maneira cômica em seu rosto.

Um sorriso triste cruzou os lábios de Shinjiro, mas foi breve.

Olhando de volta para os fogos de artifício, ele suspirou, a amargura e a frustração pesando em suas palavras. "É... logo isso tudo vai acabar pra mim."

...22/08/2009 Sábado; Dark Hour...

A Dark Hour se inicia mais uma vez.

O mundo, envolto na escuridão verde do momento entre os dias, parece respirar.

As pessoas comuns viram caixões, sem saber ou compreender o terror que se desenrola ao seu redor.

As águas, antes límpidas, agora fluem vermelhas como sangue, refletindo a luz da lua que paira sobre o céu doentio da Dark Hour.

Dentro do Shopping Paulownian, o ambiente é opressivo.

A escuridão se move como um véu pesado, e o ar está denso, quase tangível, com uma energia perturbadora que faz cada som, cada suspiro, parecer amplificado.

A fonte no centro do shopping jorra um líquido vermelho, caindo em cascatas grotescas no chafariz.

O som da água vermelha caindo se mistura com o silêncio agonizante.

De repente, um grito rompe a quietude. Não é apenas um grito comum: é um som de pânico absoluto, carregado de desespero.

Um vigia, que deveria estar selado dentro de um caixão como todos os outros, desperta.

Ele pisca várias vezes, confuso, tentando processar a estranheza ao seu redor.

O caixão que o envolvia desaparece, e deixa ele vulnerável.

"Que diabos... aconteceu?" O vigia boceja, esfregando os olhos, a realidade ainda nebulosa para ele.

Outro grito ecoa, mais forte desta vez, cortando o ar como uma lâmina fria.

O vigia se sobressalta, puxando a pistola com mãos trêmulas.

Ele tenta ligar a lanterna, mas a luz não responde. "Maldita! Você sempre me deixa na mão."

A irritação em sua voz é apenas uma máscara para o medo que cresce dentro dele.

Ele sai da guarita, seus passos ecoando nos corredores vazios, e a visão que encontra é terrível.

O céu verde sopra uma aura doentia sobre tudo, enquanto os caixões ao redor parecem murmurar, como se houvesse uma presença oculta à espreita.

Ele sabia que algo estava errado, mas não sabia o quê.

Cada vez que o grito ecoava, o frio em sua espinha se intensificava, até que seu corpo inteiro tremia.

"Quem tá aí?!" Sua voz treme de medo. "Aparece, se não eu atiro!"

O silêncio que o responde é esmagador. Mas o pior ainda estava por vir.

Chegando à praça do chafariz, ele vê o líquido vermelho jorra, ele pulsa como sangue vivo.

O Vigia engole em seco, e proucura racionalizar o que vê.

"Alguém jogou corante na água... só pode ser isso..." Mas mesmo dizendo isso em voz alta, ele sabia que estava errado.

Mais uma vez, o grito. Desta vez, vindo do clube Escapade, à distância.

O vigia olha na direção do clube, e seus olhos captam as caixas de instrumentos e equipamentos empilhados perto da porta.

Um panfleto colado na entrada do clube anuncia uma apresentação de Rise Kujikawa: a idol mais popular do Japão, prevista para 10 de setembro desse ano.

Ele escuta grunhidos, sons grotescos e inumanos vindos de dentro do clube.

Sua garganta se fecha, e o suor começa a escorrer por sua testa, frio como gelo.

Tentando reunir o que resta de sua coragem, ele caminha em direção à porta, seus passos agora pesados e arrastados.

"É só minha imaginação... deve ser só isso." ele sussurra, como se repetir essas palavras pudessem torná-las verdade.

Ele abre a porta, que range em um som agonizante, e entra no clube.

O ambiente dentro é distorcido, sufocante.

A pista de dança, que normalmente seria um espaço aberto e vibrante, está coberta por cabos grotescos, azuis e vermelhos, que se espalham como serpentes malignas.

Eles se entrelaçam e ondulam, criando um cenário de pesadelo.

O vigia mal tem tempo de reagir antes de notar algo acima de sua cabeça.

Lá, erguida na escuridão, uma criatura cabeça com a cabeca abaixada.

Uma crista cinza, semelhante a chamas eternas ou penas distorcidas, tremeluzia com uma luz macabra.

O corpo da criatura, esguio e formado por cabos densos e emaranhados, se estende pelo chão como raízes infernais.

Três enormes lâmpadas brilham em suas costas, emitindo uma luz fraca e aguniante.

O vigia sente seu coração parar por um momento.

Ele tenta gritar, mas a voz falta. Sua pistola cai de suas mãos suadas, e bate no chão com um som oco.

Era uma shadow arcana.

A Shadow Arcana ergue a cabeça lentamente, como se estivesse observando sua presa.

A máscara laranja que cobre seu rosto brilha com uma luz sinistra, o único furo em sua superfície revelando o vazio.

Gravado nela, o número IX em algarismos romanos.

De repente, a Shadow solta um grito bestial, um som que faz o ar ao redor vibrar.

O furo em sua máscara começa a brilhar com um vermelho, e os cabos que antes estavam imóveis se agitam como tentáculos vivos, e se enrolam de forma rápida nas pernas do vigia.

O homem grita. Seu corpo inteiro é tomado pelo pavor, cada fibra de seu ser implora por fuga, mas é tarde demais.

Os cabos se apertam com uma força esmagadora, e ele é puxado com brutalidade em direção à Shadow.

O desespero toma conta de seus sentidos. "Alguém... alguém me ajude!"

Mas sua voz é engolida pelo silêncio opressor da Dark Hour junto com o som de seu corpo sendo destroçado.

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