...05/08/2009 Quarta-feira;...
...Dark Hour...
O ar estava pesado e abafado no Tartarus, onde o grupo se preparava para mais uma subida.
Cada um ajustava suas armas, verificando os equipamentos com precisão.
O som de lâminas sendo afiadas e coldres sendo ajustados ecoava pelas paredes.
Hiro estava agachado, apertando o coldre na perna, sua camiseta colada ao corpo devido ao calor insuportável.
Ele havia deixado o sobretudo de lado, pois o calor era demais para suportar.
Junpei tirou o boné e começou a se abanar desesperadamente. "Meu deus... que calor."
Yukari, sentada na escadaria próxima, suspirou, sentindo o suor escorrer pela testa. "Agosto sempre é o mês mais quente do ano. Mas isso... isso tá demais."
Mitsuru terminou de beber um gole de água do cantil de Hiro antes de devolvê-lo. "Precisamos testar o cartucho Teurgia. O presidente Shuji pediu para experimentarmos usando um estimulante que ele criou."
Hiro pegou o sobretudo das mãos de Aigis e o vestiu com um pouco de relutância antes de pegar o cantil da mão de Mitsuru. "Como exatamente ativamos esse cartucho sem usar o estimulante?"
Fuuka, que estava examinando um manual que havia tirado do cinto, começou a ler em voz alta enquanto retirava sua braçadeira. "Bom, tá difícil de entender a letra dele. Mas aqui diz que a braçadeira tem um reagente químico que detecta seu nível emocional e hormonal."
Junpei franziu a testa, tentando processar a informação. "O que isso significa exatamente? Algo parecido com um modo fúria?"
Minato limpou o suor da testa, inclinando-se para ver o manual que Fuuka segurava. "Algo assim. Parece que ele será ativado quando estivermos em uma situação de extremo estresse, ou quando nossa vontade de agir estiver no limite. Quando isso acontecer, é só apertar o símbolo do Colégio Gekkoukan na braçadeira, e o cartucho será ejetado."
Akihiko observou a própria braçadeira e, com curiosidade, apertou o símbolo. Uma pequena abertura se revelou, e o cartucho saiu para fora, emitindo um leve brilho vermelho.
"E depois é só colocá-lo dentro do Evoker?" Akihiko perguntou, estudando o cartucho.
Fuuka dobrou o papel, assentindo. "Exatamente."
Mitsuru olhou para Aigis. "Aigis, você trouxe o estimulante?"
Aigis abriu um compartimento em seu braço, revelando uma seringa com um líquido amarelo dentro. "Sim, o presidente pediu para alguém injetar no próprio ombro."
Hiro olhou para a seringa com desconfiança. "E isso é seguro?"
Junpei deu um leve soco no ombro de Hiro, rindo nervosamente. "Eu estava me perguntando o mesmo. Isso não parece muito saudável para o corpo."
Mitsuru pegou o estimulante, suspirando com preocupação. "E não é. Apenas uma dose é segura. Mais do que isso, o indivíduo pode ter um ataque cardíaco."
Akihiko soltou uma risadinha sarcástica. "De combatentes a cobaias de laboratório. Que ótimo."
O olhar irritado de Mitsuru foi suficiente para fazer Akihiko recuar. "Retire o que disse." seus olhos pareciam dizer.
Levantando as mãos em sinal de rendição, Akihiko tentou acalmar a situação. "Calma, calma. Eu tava brincando."
Mitsuru olhou para a seringa novamente, sua mão tremendo ligeiramente com a preocupação. "Então, alguém quer se voluntariar? Se ninguém quiser, eu mesma usarei."
O grupo se entreolhou, o silêncio pesado enquanto ponderavam quem se arriscaria.
Yukari, com uma expressão resoluta, se aproximou de Mitsuru e pegou a seringa de suas mãos.
"Eu vou... todos precisam saber como é." Yukari disse, sua voz firme apesar da tensão.
Minato deu um passo à frente, colocando a mão no ombro de Yukari. "Tem certeza? Se quiser, eu posso ir no seu lugar."
Yukari balançou a cabeça, decidida. "Sim."
Mitsuru fechou os olhos brevemente, em sinal de consentimento. "Muito bem..."
Ela fez um sinal para Fuuka, que começou a ajustar o teletransporte.
"Arisato." Mitsuru chamou Minato, que estava ao lado de Hiro e Aigis. "Leve o Hiro e a Aigis com você. Protejam a Takeba. Ela provavelmente vai desmaiar quando o efeito do estimulante passar."
Minato massageou o ombro, já se preparando mentalmente. "Tudo bem. Vamos."
Minato, Yukari, Hiro e Aigis subiram no teletransporte, enquanto Fuuka ativava o dispositivo.
Um brilho branco envolveu os quatro, e, em um piscar de olhos, eles foram transportados para um novo andar do Tartarus.
O brilho intenso que envolvia Hiro e Aigis começou a diminuir, revelando um novo ambiente, mas a Yukari e o Minato não estava lá. Hiro olhou em volta, surpreso.
"Mas que...?" Hiro murmurou, enquanto seus olhos se ajustavam à escuridão do Tartarus.
Aigis, sempre atenta, imediatamente ativou suas metralhadoras embutidas. "O teletransporte sofreu interferência novamente. Minato-san e Yukari-san foram separados de nós."
De repente, a voz de Fuuka ecoou na mente de Hiro através da telepatia, carregada de preocupação. "Pessoal, estão me ouvindo?"
Hiro olhou para cima instintivamente. "Sim, o que aconteceu?"
"O teletransporte tá com defeito!" Fuuka respondeu, a tensão evidente em sua voz. "Eu não sei como..."
Antes que Fuuka pudesse continuar, Mitsuru entrou na conversa. "Hiro, Aigis, qual a situação?"
Aigis respondeu rapidamente. "Eu e o Hiro-san estamos na segunda área do Tartarus, provavelmente no próximo andar iremos para a terceira área."
A urgência na voz de Fuuka aumentou. "Encontrei eles! Ah, não... parece que estão lutando contra uma Shadow forte. Corram para o próximo andar, rápido!"
Hiro e Aigis trocaram um olhar, a determinação refletida em seus olhos.
Sem hesitar, começaram a correr em direção à escadaria, o som de seus passos ecoando pelo corredor sombrio.
Na terceira área do Tartarus, que se assemelhava a uma realidade distorcida, onde o preto predominava, iluminado apenas por luzes coloridas e vibrantes.
Yukari correu em direção aos sons familiares do Evoker de Minato sendo ativado repetidamente.
Ao virar uma esquina, ela avistou Minato em plena luta contra duas Shadows.
Ele acaba de finalizar uma delas, que se dissolvia em uma névoa negra. Apenas uma Shadow restava.
Ela era uma mão branca gigante, com um anel prateado em seu dedo anelar, na parte do pulso da mão se encontra a cabeça da shadow, na qual esta vestindo uma máscara azul.
Sem perder tempo, Yukari puxou o arco de suas costas e disparou uma flecha certeira no olho da máscara da Shadow, fazendo a criatura recuar com um grito irritado.
Minato não perdeu o ritmo. Ele puxou o Evoker do coldre, girando ele enquanto escolhia seu próximo Persona. "Orpheu!"
Ele pressionou o Evoker contra a cabeça e puxou o gatilho.
O flash azul brilhou ao seu lado, e Orpheu surgiu imponente atrás dele.
Com um movimento gracioso, Orpheu tirou sua harpa das costas e a tocou, lançando Agi, a magia de fogo, diretamente na Shadow.
O ataque acertou em cheio, explorando a fraqueza da criatura.
A Shadow se abaixou, dando espaço para Minato avançar e, com um golpe rápido de sua espada, partir a máscara da criatura em dois.
A Shadow recuou, começando a se desfazer em névoa negra.
Yukari correu até Minato, preocupação evidente em seus olhos. "Minato, você tá bem?"
Minato guardou o Evoker, acenando com a cabeça. "Sim, eu tô. Você viu o Hiro ou a Aigis?"
Yukari colocou o arco nas costas, ainda ofegante. "Não, mas consegui falar com a Fuuka. Ela disse que o Hiro e a Aigis estão vindo. Mas por que..."
Antes que Yukari pudesse terminar a frase, uma figura obscura emergiu das sombras, oculta pelas luzes coloridas.
Minato agiu rápido, agarrando Yukari e se jogando com ela pro o lado, desviando de uma rajada de espinhos de luz que passou por onde ela estava.
Os dois caíram no chão com um baque surdo, Minato protegendo Yukari em um abraço apertado.
Seus olhos fixaram na nova Shadow que havia surgido.
"Droga." Minato murmurou. "Essa é uma das fortes."
Yukari, com o rosto corado pela proximidade repentina, gaguejou. "Mi... Minato..."
Percebendo a situação, Minato rapidamente soltou Yukari e se levantou, puxando a espada. "Yukari, tudo bem? Tem uma Shadow aqui!"
Yukari balançou a cabeça, recuperando o foco, e se levantou, pegando o arco novamente.
A Shadow rugiu, e uma lâmpada em sua barriga começou a girar, lançando um raio diretamente na direção de Minato e Yukari.
Yukari conseguiu pular para o lado, desviando do ataque que era sua fraqueza, mas Minato não teve a mesma sorte.
Ele foi atingido em cheio e cambaleou para trás.
A Shadow avançou contra ele, desferindo dois chutes circulares em sua barriga antes que a lâmpada girasse novamente, disparando uma rajada de espinhos de luz que Minato conseguiu esquivar por pouco.
Mesmo ferido, Minato se jogou para o lado, puxando o Evoker e apontando para a própria cabeça. "Persona!"
Orpheu apareceu novamente, sua harpa nas mãos, e com um movimento rápido ele acertou a cabeça da Shadow, afastando-a e rachando sua máscara.
No entanto, a Shadow retaliou rapidamente, disparando uma descarga elétrica diretamente em Orpheu, explorando sua fraqueza.
Minato soltou um grito de dor, cambaleando, tentando se manter de pé.
A Shadow aproveitou a abertura e, com um impulso, desferiu uma voadora na cabeça de Minato, o arremessando contra a parede com força.
Yukari assistiu em choque, e lembranças começaram a surgir em flashes diante de seus olhos.
Ela se lembrou da primeira vez que Minato a salvou, enfrentando a primeira Shadow Arcana sozinho, e de como ele se colocou na frente de um ataque para proteger ela e o Junpei.
"Não... eu não posso mais ser fraca." Yukari sussurrou para si mesma, seus olhos se fixando no Minato caído no chão. "Eu preciso salvá-lo... eu preciso salvar alguém pelo menos uma vez."
Com determinação renovada, Yukari se levantou e puxou a seringa do estimulante junto com o Evoker.
Ela removeu o protetor da agulha e, sem hesitar, injetou o estimulante em seu ombro.
Imediatamente, sentiu seu corpo esquentar, e sua vontade de proteger seus amigos, de proteger o Minato, tomou conta de sua mente.
O símbolo do Colégio Gekkoukan em sua braçadeira começou a brilhar intensamente em um vermelho vibrante, e o cartucho Teurgia foi ejetado automaticamente.
"Fica longe dele!" Yukari gritou, jogando a seringa no chão e pegando o cartucho.
Ela abriu o Evoker e inseriu o cartucho no compartimento novo. Com o Evoker agora em sua mão, ela apontou para a própria cabeça.
"Io!" Yukari gritou, e puxou o gatilho.
O flash no outro lado de sua cabeça brilhou em um vermelho profundo, e Io surgiu atrás dela, envolta em uma aura vermelha, como se estivesse em frenesi.
Io colocou a mão sobre o arco de Yukari, e a corda do arco brilhou em um verde intenso. Yukari pegou uma flecha, que também começou a brilhar em verde.
Ao puxar a corda e disparar, a flecha se dividiu em várias, atingindo a Shadow inúmeras vezes, destruindo seu manto e a lâmpada em sua barriga.
Com a ajuda de Io, Yukari saltou para o alto, puxando outra flecha e mirando na Shadow.
"Você não vai mais machucar ninguém!" Yukari gritou, enquanto a flecha brilhava com uma intensidade verde, como uma torrente de ar.
Ela disparou, e a flecha, movendo-se com uma velocidade anormal, atingiu a Shadow, causando uma explosão de vento que ecoou pelos corredores do andar.
Hiro e Aigis ouviram o estrondo reverberar pelo outro lado do andar.
"O que foi isso?" Hiro murmurou enquanto puxava sua cimitarra, seus olhos atentos escaneando o ambiente.
Aigis, seus scanners já em alerta máximo, analisou os dados rapidamente. "Os níveis de energia são do Persona da Yukari-san. Ela usou o teurgia."
Sem perder tempo, ambos correram na direção do som.
Ao virarem a esquina, depararam-se com o que restava da Shadow — suas pernas metálicas ainda se contorcendo, com o suporte da lâmpada girando freneticamente.
Yukari, exausta, pousou no chão, e Io voltou ao seu estado normal.
Ela imediatamente apontou as mãos na direção de Minato e conjurou Diaharan, curando as feridas que o cobriam.
Minato, vendo Yukari se esforçando para permanecer de pé, correu até ela. "Yukari!"
Ela, apesar do cansaço evidente, sorriu enquanto seu corpo começava a ceder à exaustão. "Eu... te salvei... consegui..."
Yukari soltou o arco, seu corpo desabando. Mas antes que pudesse tocar o chão, Minato a segurou, puxando-a para perto de si.
"Sim, você conseguiu. Obrigado." Minato sussurrou enquanto passava a mão carinhosamente pelo cabelo de Yukari.
De repente, a lâmpada da Shadow começou a girar novamente, ativando uma magia residual. Mas Aigis notou o movimento perigoso.
Ela abriu as mãos, ativando rapidamente seu Evoker interno.
"Palladion!" Aigis gritou com determinação.
Seu Persona apareceu acima dela, concentrando-se na Shadow.
Em um movimento explosivo, Palladion avançou como um míssil, acertando a Shadow em cheio e finalmente a derrotando.
A criatura se dissolveu em névoa negra, sumindo no ar.
Hiro, ainda com a adrenalina correndo em suas veias, correu até Minato. "Vocês estão bem?"
Minato, segurando Yukari firmemente, assentiu. "Sim, a gente tá. A Yukari conseguiu ativar o cartucho."
Hiro, guardando sua cimitarra e pegando o arco que estava no chão, sorriu aliviado. "Percebi. Foi um baita estrondo. Vamo voltar."
No entanto, antes que pudessem relaxar, Aigis começou a ouvir um som perturbador, batidas de corrente, cada vez mais próximas.
Seus sistemas apitaram em alerta máximo.
"Hiro-san, Minato-san. Escutem!" Aigis alertou, sua voz repleta de urgência, levantando o dedo com o significado: Escutem isso.
O desespero começou a tomar conta de Minato. "Era o que faltava..."
Hiro, agora atento ao redor, olhou para cima, tentando conter sua própria ansiedade. "Fuuka! Tem um teletransporte de mão única aqui?"
"Não, por quê?" Fuuka respondeu através da telepatia, claramente preocupada.
"O Ceifador tá vindo. Consegue teleportar a gente?" Hiro respondeu, sua voz tensa.
A voz de Fuuka começou a tremer de desespero. "Ah não... Vão para uma parte do andar que não tenha muitas dessas luzes piscantes. A Lúcia não consegue alcançar vocês aí!"
Aigis, com seus sistemas em alerta máximo, avistou a figura sombria se aproximando. "Hiro-san! Atrás de você!"
Hiro se virou rapidamente, sua cimitarra em punho, apenas para se deparar com o Ceifador.
A criatura sinistra estava com seus dois revólveres apontados para o alto, as correntes ao redor de seu corpo batendo incessantemente, emitindo um som metálico assustador.
Com um grito ensurdecedor, o Ceifador fixou seus olhos em Hiro.
A voz baixa e aterrorizante do Ceifador, um sussurro que ecoa pelo corredor. "Você..."
Em um movimento rápido, o Ceifador apontou um dos revólveres para Hiro e disparou.
Hiro, em um reflexo rápido, ergueu sua cimitarra para defender.
O mundo pareceu desacelerar enquanto a bala mágica, envolta em uma magia branca, voava na direção de Hiro.
Ele, com um grito primal, moveu sua cimitarra em um arco diagonal ascendente, colocando toda sua força no golpe.
A lâmina encontrou a bala e, com um impacto ressonante, rebateu o projétil, que se desviou e explodiu contra a parede ao lado.
"CORRAM!" Hiro gritou, a urgência em sua voz inconfundível.
Sem hesitar, todos começaram a correr, fugindo do Ceifador. Minato, com Yukari nas costas, liderou o grupo pelos corredores.
"Virem à esquerda, vou mandar a Lúcia agora!" A voz de Fuuka ecoou em suas mentes, carregada de tensão.
Os três viraram a esquina à esquerda e, finalmente, avistaram a aura reconfortante de Lúcia se materializando à sua frente.
"Pulem!" Minato ordenou, sua voz firme apesar do cansaço.
Hiro e Aigis se jogaram na direção da luz, enquanto Minato, com grande esforço, pulou com Yukari ainda em suas costas.
Na entrada do Tartarus, Fuuka aguardava, apreensiva.
Todos os olhos estavam fixos nela até que uma fenda verde apareceu sobre o teletransporte.
Hiro, Aigis e Minato, carregando Yukari, emergiram da fenda, caindo pesadamente no chão devido à corrida desesperada.
Akihiko se aproximou do grupo, seu olhar preocupado. "Vocês estão bem?"
Hiro, ainda recuperando o fôlego após a corrida desesperada, soltou um suspiro pesado. "Sim... Puta merda eu rebati um tiro."
Mitsuru, com sua postura sempre firme, aproximou-se de Minato, seus olhos fixos na figura desacordada de Yukari. "Arisato, como ela tá?"
Minato, com cuidado, colocou Yukari delicadamente no chão. "Bem, para dizer o mínimo. Acho que é só o efeito do estimulante... O mesmo que você mencionou."
Aigis, ainda em modo de análise, virou-se para Mitsuru. "Kirijo-senpai, por acaso conseguiu analisar o cartucho?"
Mitsuru assentiu, seus olhos afiados refletindo a luz suave do teletransporte. "Sim, consegui obter as leituras do Persona da Takeba. O cartucho fornece um aumento significativo no poder do Persona. Algo semelhante a um..."
"Frenesi?" Junpei interrompeu, ainda confuso, mas curioso. "Foi o que pareceu quando Yukari invocou á Io."
Mitsuru confirmou com um leve aceno. "Correto. É um frenesi controlado."
Enquanto a conversa prosseguia, Hiro olhou para sua cimitarra e notou uma pequena rachadura na lâmina, resultado do impacto ao rebater a bala do Ceifador.
Ele girou a arma na mão, observando o dano, antes de guardá-la na bainha.
Quando levantou o olhar, notou algo estranho; o Minato não estava mais com o grupo.
Ele olhou ao redor e avistou Minato se aproximando de uma porta azul mágica, com uma mulher vestindo um traje azul ao lado dela.
Hiro observou, perplexo, enquanto Minato conversava com a mulher.
Ela acenou com a cabeça e abriu a porta, ambos entrando em uma luz azulada que irradiava da entrada.
"Ei, gente... que porta é aquela?" Hiro apontou na direção da porta, sua voz carregada de confusão.
Todos os olhos se voltaram para ele, e então seguiram a direção que ele apontava.
No entanto, para o espanto de Hiro, ninguém mais parecia ver a porta.
Na visão dos outros, Minato estava apenas parado, olhando para o chão, como se sua mente tivesse saído do corpo.
Não havia sinal de porta alguma.
Junpei coçou a cabeça, ainda mais confuso. "Hã... Hiro, não tem porta nenhuma ali. O Tartarus tá mexendo com sua cabeça?"
Mitsuru, agora ainda mais preocupada, se aproximou de Hiro. "Está tudo bem? Ninguém mais tá vendo essa 'porta'."
Hiro olhou de volta para a porta azul, que ainda parecia real e sólida em sua visão.
Mas Minato já havia desaparecido, tendo entrado na luz azul.
Decidindo não alarmar os outros, Hiro sorriu e fingiu despreocupação. "Acho que o susto com o Ceifador mexeu com a minha cabeça. Mas eu estou bem, não se preocupem."
Mitsuru suspirou de alívio. "Ainda bem. Vá na frente e volte para o dormitório. Nós cuidaremos de Yukari."
Hiro acenou em concordância, fingindo que ia em direção à saída.
No entanto, ao dar uma última olhada para trás e perceber que todos estavam ocupados com Yukari, ele começou a andar em direção à porta azul.
Quando parou na frente dela, Hiro a analisou com cuidado.
Era uma porta de madeira rústica, de um azul índigo profundo. Uma luz intensa parecia emanar das frestas ao redor.
"Desde quando essa porta tá aqui?" Hiro murmurou, intrigado.
Sem hesitar, ele colocou a mão na maçaneta e a girou.
No instante em que a porta se abriu, ele foi puxado violentamente para dentro, a luz azul o engolindo por completo.
...??/??/2009 A Velvet Room...
O som melancólico da música preenchia o espaço, enquanto o elevador, em um profundo azul índigo, continuava sua subida sem fim.
Minato, já familiarizado com o ambiente, entrou novamente na sala, seus olhos varrendo os detalhes ao redor.
Igor, com seu característico sorriso largo, que parecia esconder segredos sombrios, falou primeiro. "Bem-vindo à Velvet Room. Vejo que seu destino está se desenrolando conforme planejado."
Minato caminhou até a cadeira em formato de harpa, o peso das batalhas recentes refletido em seus olhos. "Oi, Igor. Acho que encontrar o Ceifador não estava exatamente no meu destino."
Igor soltou uma risada macabra, seus olhos penetrantes fixos em Minato. "Todas as suas decisões são de sua responsabilidade. Mas, como eu disse antes, nosso papel é guiar você, independentemente das escolhas que fizer."
Com um estalo dos dedos de Igor, a mulher ao seu lado, Elizabeth, aproximou-se, posicionando-se ao lado da poltrona do homem de nariz pontudo.
"Então, o que será desta vez? Ohh... espere." disse Igor, seus olhos se iluminando com uma lembrança. "Elizabeth, o que você disse sobre o décimo quinto arcano se concretizou."
Elizabeth sorriu animada, mostrando que havia esperado por este momento. "Minato, gostaria de apresentar um novo visitante."
Minato, surpreso, levantou uma sobrancelha. "Novo visitante? Como assim?"
Antes que pudesse obter uma resposta, ele ouviu um grito de desespero ecoando através da porta por onde havia passado.
Em um instante, a figura de Hiro foi lançada para dentro da sala, caindo pesadamente no chão.
Ele gemeu, sentindo os ossos estremecerem com o impacto.
"Aí... minha cabeça." murmurou Hiro, massageando a nuca enquanto se levantava. "Onde eu tô?"
Ele finalmente notou o ambiente ao seu redor: a sala azul índigo, o enorme relógio no centro com ponteiros girando incessantemente, e o homem de terno formal, com um sorriso enigmático e um nariz pontudo, acompanhado de uma mulher em um uniforme azul, semelhante ao de uma assistente.
Minato, ainda em choque, exclamou: "Hiro? O que você tá fazendo aqui?"
Hiro se levantou, apontando para a porta pela qual foi jogado. "Eu que te pergunto. Eu vi você entrando pela porra daquela porta com uma mulher. Além disso, ninguém no grupo conseguia ver essa porta, só eu."
Igor riu, suas mãos se unindo em um gesto teatral, enquanto seu sorriso macabro se alargava. "Admito que é uma surpresa receber outra pessoa aqui."
Hiro, ainda confuso, franziu o cenho. "Quem caralhos é você?"
Igor respondeu com um tom quase paternal, embora ainda sinistro. "Seja bem-vindo à Velvet Room. Eu sou Igor, mestre deste lugar. É um prazer conhecê-lo, Hiro Mikoshi."
Hiro, ainda mais perplexo, perguntou: "Velvet Room? Como você sabe meu nome?"
Elizabeth interveio com um sorriso gentil. "Eu sou Elizabeth, assistente de meu mestre. A Velvet Room é um espaço que oferece auxílio para certas pessoas, ajudando-as a cumprir seu destino."
Com outro estalo de dedos de Igor, um sofá apareceu diante da mesa. "Por que não se sentam, cavalheiros?" ele sugeriu, mantendo seu sorriso enigmático.
Hiro e Minato se entreolharam brevemente antes de se sentarem no sofá.
Hiro, ainda tentando processar as informações, perguntou: "Como assim 'auxiliam' as pessoas a cumprirem seus destinos?"
Elizabeth respondeu com uma calma que parecia mascarar a profundidade de sua compreensão. "Aqueles que assinam nosso contrato enfrentam desafios que ameaçam a realização de seus destinos. Mas as decisões que os levarão até lá são exclusivamente deles. Nós não opinamos, nem interferimos nas escolhas que fazem. Afinal, quem toma as decisões deve lidar com as consequências."
Hiro coçou a cabeça, tentando absorver o que havia sido dito. "Ok... então, se eu tô aqui, significa que meu destino tá em risco?"
Igor inclinou-se levemente para frente, como se estivesse prestes a revelar um segredo profundo. "Hipoteticamente, você está certo, mas também não está."
Ele apontou para Hiro e depois para Minato. "Seu destino está entrelaçado com o dele, Hiro Mikoshi. O destino de todos aqueles com quem você convive está nas mãos dele."
Hiro olhou surpreso para Minato, que ouvia tudo em silêncio, já ciente das implicações.
"Espera aí... entrelaçado?" Hiro perguntou, incrédulo.
O sorriso de Igor se alargou ainda mais. "Seu destino percorre junto com o de Minato. Mas seu descontrole pode prejudicar suas decisões. Sem você, o destino de Minato não pode se concluir; e vice-versa."
A revelação pairou no ar, pesada e carregada de significado, enquanto Hiro tentava compreender a gravidade da situação.
Minato permaneceu calmo, mas em seu olhar havia um entendimento silencioso do fardo que ambos agora compartilhavam.
Igor acenou para Elizabeth, que prontamente abriu seu livro.
De dentro dele, cartas de tarô começaram a flutuar, circulando magicamente ao redor de todos presentes.
Em meio ao turbilhão, duas cartas se destacaram, pousando suavemente sobre a mesa: o Arcano do Diabo e o Arcano do Louco.
Igor fixou seu olhar no Hiro, sua voz carregando uma mistura de sabedoria e advertência. "Seu coração é fragmentado, Hiro Mikoshi. Ele define quem você é. Seu Persona é aquilo que você não está tentando ser, um reflexo de um vício eterno. Esse é o significado da carta do Diabo."
Hiro, com cautela, pegou a carta do Diabo, aproximando-a do rosto.
Ele sentiu uma estranha familiaridade, como se a essência de Lúcifer estivesse representada ali, refletindo suas próprias lutas internas.
Elizabeth, com passos graciosos, contornou a mesa e parou ao lado de Hiro, sua presença tranquilizadora contrastando com a seriedade do momento. "O Arcano do Diabo representa muitas coisas, uma delas sendo vícios ou pensamentos autodestrutivos que impedem seu crescimento pessoal."
Igor continuou, sua voz penetrante ressoando na sala. "Isso é apenas uma das interpretações dessa carta. Não podemos explicar mais do que isso, porém..."
Ele olhou profundamente nos olhos de Hiro, como se enxergasse cada uma de suas inseguranças e dúvidas. "Essa representação é o que você está vivendo atualmente. O destino de Minato, que está entrelaçado com o seu, não se cumprirá se você mantiver as mesmas decisões. Por isso, Minato possui a carta do Louco, pois ele acredita plenamente no destino."
Igor pausou, como se estivesse escutando algo que apenas ele podia ouvir. "Entendo..."
Hiro, ainda processando o que ouviu, olhou para a carta em suas mãos. "Eu... não sei o que dizer..."
Elizabeth pousou a mão gentilmente no ombro de Hiro, oferecendo-lhe um conforto silencioso. "Não se preocupe. Enfrentar seus próprios desafios é necessário."
Hiro lembrou-se de algo, uma dúvida que sempre o incomodou. "A propósito, esse lugar tem a ver com o motivo pelo qual Minato pode ter múltiplos Personas?"
Minato ficou surpreso com a pergunta, mas reconheceu que Hiro estava certo. "Sim, tem a ver com isso."
Igor explicou, sua voz tingida de um conhecimento ancestral. "Minato é aquele que assinou nosso contrato. Assim, ele aceitou a responsabilidade de usar múltiplas formas de pensar, adotando múltiplas personalidades para melhorar suas relações."
Hiro, assimilando a explicação, murmurou. "Então é por isso que ele tem múltiplos Personas..."
Elizabeth assentiu. "Minato é especial, mas seu destino está tão entrelaçado com o dele que é por isso que você conseguiu ver a Velvet Room."
Igor se recostou, seu sorriso ampliando-se. "Nosso tempo aqui está chegando ao fim. Aguardarei mais visitas suas, Hiro Mikoshi. A partir de agora, você poderá receber alguns dos nossos auxílios, mas não terá um poder semelhante ao de Minato."
De repente, Hiro e Minato começaram a ser puxados para a porta, como se uma força invisível os estivesse expelindo da Velvet Room.
Hiro olhou desesperado para Igor, suas palavras carregadas de confusão e medo. "Mas eu não posso mudar! Eu não sou ninguém!"
Igor respondeu com uma risada enigmática, que ecoou pela sala. "Todos aqueles que tomam decisões são alguém. Eles tendem a racionalizar suas ações. Afinal, as decisões sempre são pensadas antes de serem aplicadas."
......Arcano do Diabo ......
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Atualizado até capítulo 33
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