...27/08/2009 Quinta-Feira;...
...Dark Hour...
No quarto de Minato, havia um silêncio peculiar, um ar de mistério que parecia pairar entre ele e Pharos, um visitante que, com o tempo, deixou de ser uma surpresa.
Desde a assinatura do contrato, Pharos surgia sempre perto de uma lua cheia, cada encontro trazendo mais enigmas e desafios que testavam o coração e a mente de Minato.
Minato fixa o olhar no menino de pele pálida e cabelos escuros à sua frente, que mantinha um sorriso suave, quase tranquilizador, enquanto o observava.
Os olhos de Pharos tinham aquela profundidade que parecia vasculhar a alma, mas Minato, já é acostumado com a estranheza desse visitante.
"Faz um tempo desde que não nos vemos. Você está superando bem os desafios." comentou Pharos, com o mesmo tom tranquilo e enigmático de sempre.
Minato suspirou e passou a mão pelos cabelos azuis, se levanta devagar.
Ele senta na beira da cama, o cobertor escorrega para o chão, e Minato encara Pharos diretamente, como se tentasse decifrar o garoto.
"Pode-se dizer que sim... mas por que você tá aqui?" Minato perguntou, a voz levemente carregada pela fadiga da noite.
Pharos desvia o olhar por um momento, como se pensasse profundamente.
Algo parecia borbulhar em sua mente, talvez uma memória distante, borrada.
Ele olhou para o teto, antes de responder, com um toque de mistério em suas palavras.
"Eu vim te perguntar se está pronto para o próximo desafio. Cada vez mais você se aproxima da verdade."
Os olhos de Minato se estreitam, sua curiosidade evidente. "E que verdade seria essa?" Ele pergunta, mantendo o olhar fixo nos olhos de Pharos.
Pharos, mantendo o tom suave, sorriu com algo que parecia um segredo inalcançável. "Seria a verdade que você é mascarado de ver, para que, no fim... veja aquilo que lhe foi definido."
As palavras de Pharos ecoaram como um enigma pelo quarto.
Ele caminha devagar até a janela, onde a luz esverdeada da Dark Hour atravessava o vidro, tingindo o ambiente com um brilho macabro.
Lá fora, o silêncio é opressor, o tempo congelado, como sempre foi durante essa hora.
Pharos fixou os olhos na lua, como se estivesse à espera de algo.
"Ele está quase acordando..." ele sussurrou, e suas palavras foram carregadas por uma gravidade que fez Minato sentir um arrepio.
Minato sente uma presença estranha no coração, algo que não era Pharos, mas que, de alguma forma, parecia ligado a ele.
"Ele quem?" Minato pergunta, com a voz um pouco mais hesitante.
Pharos vira, levantando os braços em um gesto amplo, como se estivesse apresentando algo grandioso e terrível ao mesmo tempo.
Um sorriso misterioso dançou em seu rosto, e o ar ao redor pareceu se condensar, quase palpável.
"O Arauto do Diabo... está acordando."
De repente, o som de um sino distante reverberou pelo quarto, um som pesado e profundo que ecoava pelas paredes como um lembrete do Tartarus, sempre presente, sempre vigilante.
Mesmo acostumado com a Dark Hour, o sino ainda causava arrepios em Minato, seu corpo reagindo instintivamente ao som.
Pharos se aproximou mais uma vez, suas palavras suaves contrastando com o peso da revelação.
"Bom, acho que nosso tempo está acabando. Espero que dê tudo certo na próxima lua cheia. Boa noite, Minato. E boa sorte."
Com essas palavras, o menino começou a desaparecer, sua figura se desvanecendo lentamente à medida que a Dark Hour chegava ao fim.
A luz esverdeada deu lugar ao brilho suave das estrelas no céu noturno, e o quarto de Minato voltou ao normal.
Mas o peso daquela conversa ainda pairava no ar.
Minato suspirou, olhando para sua jaqueta de combate pendurada no cabide.
Cada vez que falava com Pharos, mais perguntas surgiam, e nenhuma resposta parecia suficiente.
Seus olhos se cerram, a confusão toma conta de seus pensamentos.
"Mas... quem ou o que é o Arauto do Diabo?" murmurou para si mesmo, sabe que, algo vai acontecer com todos do S.E.E.S.
...28/08/2009 Sexta-feira; Tarde...
O sol brilhava intensamente no céu da tarde, refletindo a alegria e o movimento do festival de cinema que ainda agitava a cidade.
Pessoas andavam pelas ruas, aproveitando o momento, mas Chidori, com seus longos cabelos vermelhos e expressão distante, permanecia alheia a tudo isso.
Sentada em um banco próximo ao cinema, seus olhos castanhos escuros estavam fixos no caderno de desenhos em seu colo, rabiscando algo em um silêncio quase absoluto.
Seu vestido gótico branco contrastava com o calor da tarde, mas ela parecia indiferente ao clima.
Enquanto desenhava, uma sombra interrompeu a luz que banhava seu caderno.
Ela levantou o olhar, encontrando Junpei em pé à sua frente, com as mãos enfiadas nos bolsos, um sorriso incerto no rosto.
"Você de novo?" Chidori falou, seu tom frio cortando o ar, sem nenhum traço de surpresa ou interesse.
Junpei hesitou por um momento, surpreso que ela ainda se lembrasse dele.
Ele balançou a cabeça, tentando organizar seus pensamentos antes de responder.
"Ah... eu... uhh..." Ele coçou a cabeça, buscando as palavras certas. "Eu tô surpreso que você ainda lembra de mim. Qual era mesmo seu nome?"
Chidori olhou para ele com desinteresse, antes de voltar ao seu desenho. "Eu digo o mesmo com você." respondeu com frieza, sua voz sem emoção.
Junpei deu uma olhada rápida na roupa incomum de Chidori. "Assim, sua roupa é bem memorável." disse, tentando aliviar o clima com um comentário casual.
Chidori soltou um som de desdém, ignorando ele enquanto continuava a desenhar. Junpei, sem saber o que mais dizer, deu um passo mais perto e olhou por cima do ombro dela, tentando ver o que ela estava desenhando.
Seus olhos se arregalaram ao ver o caos de linhas no papel, um garrancho que ele não conseguia decifrar.
"Então, ehhhh... o que você tá fazendo?" perguntou, curioso, mas cauteloso.
Chidori parou o lápis por um instante e olhou para ele, analisando sua expressão confusa.
"Um desenho. Por que a pergunta óbvia?" respondeu, voltando a se concentrar no papel.
Junpei coçou a cabeça, tentando decifrar as intenções dela. "Ahh, nada... é que eu pensei no seu hobby em desenhar. É bem legal ter algo para fazer."
Chidori balançou a cabeça em negação, sua voz ainda sem emoção. "Não é o que você pensa. Eu apenas desenho porque acho necessário."
Junpei franziu o cenho, confuso. "Ehhhh... entendo." respondeu, claramente sem entender nada.
Chidori, parece perder a paciência, guarda o lápis em um bolso interno do vestido, fecha o caderno e se levantou para ir embora.
Foi então que Junpei notou algo alarmante: pequenas gotas de sangue pingavam no chão, vindo de um corte na mão da Chidori.
"Ei, caramba! Sua mão!" exclamou Junpei, correndo até ela. Rapidamente, ele tirou um lenço do bolso e começou a limpar o sangue.
"O que diabos aconteceu!? Você tá sangrando!" Ele estava visivelmente preocupado, mas Chidori puxou a mão para longe, irritada.
"O que tem de errado com você? Por que não cuida da sua vida?" retrucou ela, sua voz carregada de frustração.
Junpei ficou confuso, sentindo-se frustrado. "Tá de sacanagem!? Eu não posso ignorar isso!"
Chidori o encarou por um momento, sua expressão fria agora manchada por uma leve confusão.
Era como se ela não conseguisse entender por que ele estava reagindo daquele jeito.
"Por que você tá se desesperando?" perguntou, genuinamente curiosa.
"O quê? Quem não taria se desesperando agora? Você deveria ir para um médico. Uhhh, quer que eu vá com você?" Ele olhou para ela, sem saber o que esperar.
Chidori ficou em silêncio por um momento, seus olhos analisando Junpei mais uma vez. "Você é bem estranho..." murmurou, virando-se de costas para ele.
Enquanto o silêncio entre eles se instalava, Chidori levantou o olhar para o céu claro da tarde.
"É Chidori." disse calmamente.
Junpei piscou, confuso. "Huh?"
Ela olhou para ele por cima do ombro. "Meu nome é Chidori. Você tinha perguntado antes. O seu é Junpei, não é?"
Junpei finalmente lembrou da pergunta que havia feito antes. "Ah, verdade. Sim, sou o Junpei Iori."
Chidori voltou a olhar para frente. "Estou quase terminando meu desenho. Duvido que você entenda alguma coisa, mas caso queira ver, sabe onde me encontrar."
Com essas palavras, ela começou a se afastar, seus passos lentos e calculados.
Junpei ficou parado, observando-a enquanto desaparecia na multidão.
Seus pensamentos começaram a vagar, mas ele logo balançou a cabeça, voltando à realidade.
"Ela é bem... estranha." murmurou para si mesmo, um pequeno sorriso se formando em seus lábios. "Não sei como ela aguenta usar essa roupa nesse calor. Mas, até que achei ela interessante."
...28/08/2009 Sexta-feira;...
...Dark Hour...
No Tartarus, o S.E.E.S. se preparava para mais uma incursão, ajustando suas armas e equipamentos.
Hiro, entretido em girar sua Kukri entre os dedos, teve sua atenção desviada ao ouvir o som de algo se manifestando atrás dele.
Quando se virou, viu a porta azul índigo da Velvet Room surgir do nada.
Sem hesitar, Hiro guardou sua Kukri na bainha presa ao cinto, observando enquanto a porta se abria e de dentro dela saía Elizabeth, com seu uniforme azul e o misterioso livro nas mãos, marcado com o grande "V" metálico no centro.
Elizabeth sorriu com uma certa felicidade. "Olá, Hiro. Faz um tempo desde a sua primeira visita à Velvet Room."
Hiro olhou rapidamente para o grupo, percebendo que ninguém, além de Minato, parecia notar a presença de Elizabeth ou da porta da Velvet Room. "Elizabeth. O Igor quer falar comigo?"
Ela abriu o livro que carregava e começou a folhear suas páginas, procurando algo específico. "Não, meu mestre ainda não deseja falar contigo. Mas eu estou aqui para parabenizá-lo por ter alcançado a segunda etapa do seu arcano."
Hiro, intrigado, se aproximou, tentando espiar o que havia no livro. "Ah... era o arcano do Diabo, não é?"
Elizabeth sorriu suavemente e empurrou Hiro de volta, impedindo que ele visse as páginas. "Exatamente. O décimo quinto arcano do tarô, o arcano do Diabo."
De repente, o livro emitiu um brilho suave, e uma carta de tarô começou a flutuar, emergindo lentamente das páginas.
A carta do arcano do Diabo pairou no ar entre eles.
Elizabeth, em um tom enigmático, explicou, ainda com um sorriso nos lábios. "O arcano do Diabo representa pensamentos perturbados ou vícios de comportamentos autodestrutivos que limitam o crescimento pessoal. Mas você abandonou esses pensamentos e abraçou o que precisa fazer."
Hiro, com os olhos fixos na carta, questionou: "Mas, como assim eu cheguei no segundo estágio?"
Elizabeth estendeu a mão, fazendo a carta flutuar sobre sua palma. "O segundo significado da carta do Diabo: a sensação de estar preso a algo externo. Como se o próprio mundo estivesse contra você, exercendo medo, insegurança ou influenciando suas decisões."
Um calafrio percorreu a espinha de Hiro, como se ele estivesse sendo observado.
Ao olhar para trás, viu seu Persona, Lúcifer, observando atentamente Shinjiro à distância, seu olhar intenso.
"Seu Persona tem aparecido em suas visões?" perguntou Elizabeth, com uma leve preocupação na voz.
"Sim, ele acabou de aparecer ali. Por quê?" Hiro respondeu, olhando para ela, esperando uma resposta clara.
Elizabeth desviou o olhar, sua expressão suavemente triste, como se soubesse mais do que podia revelar. "Infelizmente, não posso falar mais. Isso quebraria as regras da Velvet Room."
"Ah... entendi." murmurou Hiro, frustrado pela falta de respostas concretas.
Mas Elizabeth sorriu novamente, confiante. "Tenho certeza de que você descobrirá o que fazer. Confie em si mesmo e nos seus aliados, Hiro. Assim como Minato, são suas conexões que o tornam mais forte, mas também deve fortalecer o seu próprio coração."
Hiro suspirou, encarando Elizabeth. "Beleza. Obrigado por me avisar, Elizabeth."
"Não há de quê. Ah, aqui, pegue isso."
Elizabeth folheou algumas páginas do livro e retirou um pequeno brasão prateado com o "V" dourado no centro, estendendo-o para Hiro. "Esse brasão permitirá que você entre na Velvet Room sem que eu precise vir te buscar. Quando quiser falar comigo ou com meu mestre, sinta-se à vontade para entrar."
Hiro guardou o brasão no bolso de seu sobretudo. "Tudo bem. Acho que tenho muito o que perguntar ao Igor."
Elizabeth fez uma reverência delicada. "Aguardaremos sua visita... e a de Minato também. Até a próxima, Hiro."
A porta da Velvet Room se abriu magicamente, e Elizabeth entrou, desaparecendo enquanto a porta se fechava sozinha. Hiro permaneceu parado, encarando a porta azul, refletindo sobre tudo o que acabara de acontecer.
O Lúcifer estava tentando enlouquecê-lo? O mundo estava conspirando para que ele abandonasse tudo o que havia conquistado?
As perguntas que giram em sua mente.
Foi então que Minato se aproximou, colocando uma mão firme no ombro de Hiro, interrompendo sua espiral de pensamentos.
"Eu ouvi sua conversa com a Elizabeth." disse Minato, olhando diretamente nos olhos de Hiro. "Quer conversar sobre isso amanhã?"
Hiro suspirou, aliviado com a companhia do Minato. "Pode ser. Mas, agora, a gente tem que levar o Ken para testar o Persona dele, não é?"
Minato colocou as mãos nos bolsos, assentindo. "Sim, eu falei pra Mitsuru que vou levar você e a Yukari na subida. Vamos até o décimo quarto andar. Lá, as Shadows são mais fracas e é um bom lugar pra testar o Ken."
Com um aceno de cabeça, Hiro e Minato começaram a caminhar de volta para o grupo, onde os outros discutiam sobre como testar o Persona do Ken.
No décimo quarto andar do Tartarus era um labirinto sombrio, iluminado apenas pela luz esverdeada da Dark Hour que atravessava as janelas.
O Hiro, Minato, Yukari avançam com cautela pelos corredores, guiando o Ken em sua primeira incursão.
Ken segurava sua lança com firmeza, tentando não demonstrar nervosismo.
Ele vestia a jaqueta de combate padrão do S.E.E.S, luvas sem dedos, e carregava o Evoker em um coldre na cintura, com a braçadeira do S.E.E.S exibida no ombro esquerdo com o número 9 a mostra.
Hiro olhou de canto de olho para Ken, franzindo a testa ao perceber o desproporcional tamanho da lança que ele carregava.
A arma era praticamente três ou quatro vezes maior que o Ken.
"Ken." Hiro murmurou, não conseguindo segurar sua preocupação. "Eu sei que você escolheu usar uma lança, mas tem certeza de que consegue usar? Essa coisa é praticamente um poste comparado com você."
Ken deu um sorriso despreocupado. "Hehehe... eu sei que parece exagerado, Mikoshi-senpai. Mas grandes generais usavam lanças pela vantagem de alcance e agilidade. Eles podiam controlar o campo de batalha."
Hiro piscou, surpreso com a resposta madura do garoto. "Você conhece bem coisas de armas. Mas você também sabe que é pequeno demais pra usar uma lança, não é?"
Ken riu de novo, mais relaxado agora. "Eu sei, mas eu me sinto bem com uma lança. Me sinto como um adulto que sabe o que está fazendo."
Fuuka, ouvindo a conversa através da telepatia, riu suavemente. "Você é bem maduro para a sua idade, Amada-san. Mas, por favor não se esforce demais para não se machucar."
Ken corou ligeiramente, tímido com o elogio. "Obr... obrigado, Yamagishi-san. Eu prometo que vou tomar cuidado."
Antes que a conversa pudesse continuar, Minato levantou a mão, sinalizando para todos pararem.
Ele olhou ao redor com cautela e lentamente puxou sua espada.
Yukari franziu o cenho, puxando o arco das costas. "O que foi?"
Minato, ainda examinando o ambiente, apontou para uma bifurcação adiante. "Nós já passamos por aqui umas seis vezes... essa vai ser a sétima."
Fuuka, agora mais preocupada, falou através da telepatia. "O quê? Vocês estão andando em círculos? Mas a Lúcia não detectou nada..."
Hiro olhou ao redor, confuso, e deu alguns passos à frente, aproximando-se do centro da bifurcação, seus olhos examinando o local em busca de qualquer sinal de interferência.
De repente, Fuuka gritou ,sua voz carregada de urgência. "Cuidado! Uma Shadow tá correndo na direção de vocês!"
O grupo rapidamente formou um círculo no meio da bifurcação, todos prontos pra agir.
Hiro, mais ágil, puxou sua Kukri, girando a lâmina entre os dedos enquanto se preparava para o combate.
O som de passos pesados ecoou pelo corredor, um ruído monstruoso reverberando pelas paredes estreitas.
O coração de Yukari bateu forte, e ela sentiu uma gota de suor deslizar por sua testa.
Todos voltaram sua atenção para o corredor à esquerda. Do meio da escuridão, uma Shadow colossal surgiu.
É uma mão dourada, imensa, com quase cinco metros de altura, e seus dedos pareciam se contorcer como se estivessem vivos.
Hiro não conseguiu conter sua surpresa. "Puta que pariu... olha o tamanho dessa porra."
O grupo encara a shadow em estado de choque, esperando o confronto iminente.
Yukari soltou um grito agudo de susto, incapaz de controlar sua reação ao ver a Shadow.
Mas para a surpresa de todos, a gigantesca mão dourada gritou de volta, como se tivesse sido igualmente assustada, e simplesmente se vira e sai correndo para o corredor, desaparecendo na escuridão.
O grupo permaneceu em silêncio por alguns segundos, atônitos.
Ninguém sabia ao certo o que tinha acabado de acontecer.
Olhares de confusão estavam estampados nos rostos de todos, tentando processar o ocorrido.
Yukari, ainda perplexa, balançou a cabeça lentamente. "Ela... ela gritou e saiu correndo...?"
Hiro coça a cabeça, incrédulo, e deu uma risada nervosa. "Ok... acho que essa foi a coisa mais bizarra que já aconteceu por aqui."
Ken cerra os olhos tentando ver o que tem no corredor escuro onde a shadow gigante saiu correndo.
Do meio da escuridão, uma nova figura surgiu.
Era outra Shadow, sua parte superior do tronco girava lentamente, envolta em uma longa capa preta.
No lugar do estômago, uma lanterna sinistra brilhava, enquanto uma máscara laranja, com um furo no meio, cobria seu rosto macabro.
Todos entraram em postura de combate. Hiro, no entanto, sentiu um latejar estranho em sua mente, como se algo tentasse forçar sua cabeça a rachar. Ele balançou a cabeça, afastando a sensação.
Minato foi o primeiro a agir, avançando contra a Shadow com sua espada. Ele desfere três golpes: dois horizontais e um diagonal ascendente; acertando a lanterna que fazia parte da barriga da shadow.
Ela gritou, irritada, mas não recuou.
Hiro não perdeu tempo. Correndo na direção da Shadow, ele puxou o Evoker e o apontou para a própria cabeça. "Lúcifer!" Ele gritou antes de apertar o gatilho.
O flash brilhante de energia atravessou sua cabeça e, em resposta, Lúcifer surgiu atrás de Hiro.
Com um bater de asas, o Persona se posicionou para o ataque.
Várias esferas roxas de energia surgiram ao redor de Lúcifer, lançando-se como disparos em direção à Shadow.
As esferas atingem a cabeça e a lanterna da criatura, mas não causam nenhum dano.
"Merda." Hiro resmungou, mordendo o lábio. "Escuridão não funciona."
Yukari, com uma precisão impecável, disparou uma flecha diretamente no furo da máscara da Shadow, a deixando desorientada.
Nesse instante, a voz de Mitsuru ecoou através da telepatia de Fuuka: "Amada-kun, use seu Persona agora!"
Ken respirou fundo, enfiando a lança no chão ao seu lado antes de pegar o Evoker do coldre.
Ele olhou para a arma, o medo visível em seu rosto, mas reuniu coragem. Com as duas mãos, apontou o Evoker para sua testa.
"Vamos... você consegue... Não me subestime por ser uma criança!" Ken murmurou para si mesmo, reunindo todas as suas forças.
"Apareça, Persona!" Ele gritou, puxando o gatilho.
O flash brilhou atrás de sua cabeça, e o Persona de Ken, Nemesis, se materializou.
O persona tem um corpo quase inteiramente mecânico, com partes robóticas, e no lugar da cabeça e torso, grandes olhos laranjas fixavam-se de forma ameaçadora na Shadow.
Um sorriso grotesco e repleto de dentes afiados decorava seu rosto.
Nemesis girou seus braços, e a serra acoplada ao seu corpo começou a rodar freneticamente.
Um feixe de luz saiu de seus olhos, e Kouha, uma magia de luz pura, foi disparada diretamente contra a Shadow.
A shadow gritou de dor ao ser atingida, caindo de joelhos no chão.
Ken, vendo sua oportunidade, agarrou sua lança e correu na direção da Shadow.
Com um salto decidido, ele enfiou a arma diretamente no furo da máscara.
A Shadow começou a se dissolver em névoa negra, desaparecendo lentamente enquanto Ken, em um movimento estiloso, girava a lança em suas mãos.
No entanto, o cabo da arma bateu involuntariamente na parte de trás de sua cabeça, e ele caiu no chão com um baque.
"Aí... porcaria." Ken murmurou, esfregando a cabeça, visivelmente envergonhado.
Yukari, segurando o riso, se aproximou e estendeu a mão para ajudar Ken a se levantar. "Você quase conseguiu. Tá tudo bem? Se machucou?"
Hiro, por outro lado, continuava olhando para o local onde Nemesis desapareceu, uma expressão de desgosto visível em seu rosto.
"Meu Jesus..." ele murmurou, esfregando os olhos. "Aquele Persona parece um cortador de pizza."
Fuuka, pela telepatia, informou: "Consegui capturar os níveis de energia do Persona do Amada-san. Vocês podem voltar agora."
Ken olhou para Hiro e Minato, um misto de ansiedade e orgulho estampado em sua expressão. "Como eu me saí?"
Minato, guardando sua espada, deu um leve sorriso. "Você se saiu bem. Tem um bom espírito de luta."
Hiro, girando sua Kukri antes de guardá-la na bainha, acrescentou: "Só precisa se acostumar com o peso dessa lança. É bem diferente das de treino, que são mais leves."
De repente, Hiro sentiu um zumbido insuportável em sua cabeça.
Ele soltou um gemido de dor e caiu de joelhos. Imediatamente, Yukari e Minato correram até ele, preocupados, tentando entender o que estava acontecendo, e quando percebem o Hiro desmaiou.
"Hiro!" Minato segura os ombros do Hiro, sacudindo ele. "Ei Hiro! O que foi? Hiro!"
Ken observava, assustado com a situação. "O que tá acontecendo?"
Yukari olhou para Hiro, seu rosto demonstrando preocupação crescente. "É igual àquela vez... quando ele ouviu algo no notebook. Fuuka! Teleporta a gente de volta pra entrada, agora!"
...??/??/?? A ilusão...
Hiro se encontrava imerso em um vazio negro, sua mente perdida naquele estranho espaço de tormento.
A escuridão era esmagadora, como se tentasse sufocá-lo com seu silêncio.
Quando finalmente encontrou forças para se mover, percebeu estar em um vasto campo, onde poças de sangue se espalhavam pela terra enegrecida.
O cheiro metálico preenchia o ar, e a visão grotesca lhe causava um arrepio que subia pela espinha.
Ele se levantou, confuso, o coração disparado.
"Gente?" Ele gritou, esperando ouvir as vozes de alguém do S.E.E.S; Mas nada.
Seu grito ecoou pelo campo, diminuindo de intensidade até que restasse apenas o silêncio novamente.
A sensação de isolamento era esmagadora, e o desespero começava a apertar em seu peito.
Foi então que uma risada macabra ecoou atrás dele.
Hiro se virou bruscamente e, diante de si, viu Lúcifer se materializar.
Seus cabelos curtos e brancos brilhavam sob uma luz invisível, e seus olhos vermelhos como rubis o encaravam com um misto de diversão e desprezo.
A pele pálida, contrastando com as penas negras que rasgavam seu corpo musculoso, criava uma figura ao mesmo tempo divina e aterrorizante.
As asas brancas, que de alguma forma pareciam deslocadas em seu aspecto maligno, completavam a visão infernal.
Lúcifer olhou para as próprias unhas, indiferente, antes de falar com um tom de desdém. "Eu estava me perguntando se você tinha me esquecido. Afinal, depois daquele seu... pequeno surto de fúria. Não me invocou mais. Porque será que está me evitando, Hiro?"
Hiro sentiu a raiva borbulhar dentro de si.
"Seu filho da puta... o que você quer?" Ele cuspiu as palavras, o nervosismo começando a tomar conta.
Lúcifer deu alguns passos na direção de Hiro, uma risada ecoando de seus lábios enquanto seus olhos rubros se fixavam nos de Hiro. "Ué, eu não falei? Você não me usou faz certo tempo. Está recusando o poder que você mesmo carrega... Estou errado? Afinal, você entendeu que seu papel é matar as coisas."
As palavras caíram pesadas sobre Hiro, mas ele reagiu de imediato, cerrando os punhos com força. "Eu não quero matar inocentes! O que eu mato são monstros que devoram a alma das pessoas e as deixam em um estado vegetativo eterno!"
Lúcifer abriu os braços, um olhar ameaçador fixo em Hiro. "Mas é exatamente isso que você está fazendo."
Hiro sentiu o chão tremer sob seus pés, seus olhos se arregalando em puro choque. "Hã?"
Lúcifer segurou o riso, quase teatralmente. "As Shadows são criadas a partir dos sentimentos dos seres humanos. E o que elas fazem? Devoram as almas dos seus próprios humanos. E o que você e o S.E.E.S. fazem? Sim! Vocês matam inocentes!"
A gargalhada de Lúcifer ecoou pelo campo vazio, um som que parecia cortar a sanidade de Hiro como uma lâmina afiada.
Ele olhou para as próprias mãos, sentindo a raiva explodir dentro de si.
"Eu... NÃO SOU UM ASSASSINO!" Hiro gritou, sua voz carregada de desespero.
Lúcifer fingiu enxugar uma lágrima, ainda rindo. "Mas eu não disse que você é um assassino... Não é mesmo? Mas também não quer dizer que não tem sangue nas mãos. Você mata e mata, sem perceber que está preso em um ciclo sem fim. Uma mentira contada que te faz matar mais e mais. Sério que você não percebe que está em uma roda sem fim?"
As palavras de Lúcifer penetraram fundo, rasgando qualquer senso de realidade que Hiro tentava desesperadamente manter.
E então, algo dentro dele quebrou. Seus olhos se tornaram vermelhos, um brilho bestial tomando conta de sua visão.
"CALA A BOCA SEU FILHO DA PUTA!" Ele rugiu, avançando furiosamente contra Lúcifer, seus punhos tentando acertá-lo.
Mas, cada golpe atravessava o corpo do Persona como se fosse feito de ar. Lúcifer ria ainda mais.
"Isso... você está se tornando o que não quer. Um monstro!" Lúcifer provocava.
"EU NÃO SOU UM MONSTRO!" Hiro berrou, jogando-se sobre Lúcifer.
Ele montou em cima do Lúcifer e começou a esmurrar seu rosto repetidamente, com uma violência cega.
Cada soco fazia Lúcifer rir mais, e sangue começou a cobrir o rosto de Hiro.
Com cada golpe, o sangue escorria, obscurecendo sua visão, mas ele continuava.
Seus punhos vermelhos, o coração acelerado, o olhar assassino em seu rosto. A fúria consumia tudo.
Ele sente a raiva de seus músculos, sendo tomada, e ele dá um grito que reverbera por todo o local enquanto ele soca o Lúcifer, porém logo percebe alguém atrás dele.
"E o que você está fazendo agora? Sim, uma hipocrisia. Você fala que não é um monstro mas está gritando como um." Lúcifer falou, perto do ouvido de Hiro com um ar de desdém e ironia.
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Atualizado até capítulo 33
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