...29/07/2009 Quarta-feira;...
...Dark Hour...
A moto avança pelas ruas desertas, com Mitsuru no comando e Hiro na garupa. As ruas estão cheias de caixões, testemunhas silenciosas da Dark Hour.
O céu verde brilha intensamente, e a chuva que cai assume uma tonalidade vermelha, transformando as ruas em um cenário macabro.
Mitsuru pisa no freio e entra com tudo em uma curva, preparando-se para a última reta que leva ao Santuário Naganaki.
"Isso aqui parece um massacre." comenta Hiro, segurando-se firme na cintura de Mitsuru.
"Estamos chegando," Mitsuru responde, passando a marcha com precisão.
De repente, a voz de Fuuka ecoa em suas mentes através da telepatia da Lúcia: "Kirijo-senpai, Hiro-san, tem Shadows se aproximando de vocês."
Ambos olham para trás e veem sombras voadoras se aproximando rapidamente.
"Deixe elas comigo!" diz Hiro, puxando o Evoker do coldre com uma expressão determinada.
Ele aponta o Evoker para a própria cabeça, sentindo aquela familiar onda de excitação percorrer seu corpo.
"Vamos lá, Lúcifer!" Hiro grita, puxando o gatilho.
O flash azul se espalha, e Lúcifer surge acima da moto, sua presença imponente.
Com um movimento ágil, ele estende as mãos na direção das Shadows e lança uma rajada de Agi.
As chamas voam, incinerando as sombras completamente.
"Hiro, na nossa frente!" Mitsuru alerta.
Hiro vira-se rapidamente e vê uma enorme Shadow bloqueando o caminho.
No meio da rua, uma criatura com aparência de estátua metálica gigante, com olhos laranja brilhantes e membros curtos, espera por eles.
Mitsuru freia bruscamente a moto, e ambos descem rapidamente. Ela saca seu florete enquanto Hiro gira a cimitarra entre os dedos.
"Provavelmente, ataques físicos não vão funcionar. Vamos precisar dos nossos Personas." Mitsuru analisa, focando na Shadow.
Sem hesitar, Hiro avança contra a criatura, desferindo um golpe com sua cimitarra.
Mas a Shadow, com um movimento rápido, lança Garu, e lâminas de vento atingem seu ombro.
O traje absorve parte do impacto, mas a dor ainda persiste.
O ataque de Hiro atinge a Shadow, mas a lâmina ricocheteia na superfície metálica. Ele se afasta, frustrado. "Você tinha razão, ataques físicos não vão dar certo."
"Se afaste, o ataque da Penthesilea vai te acertar!" Mitsuru ordena, puxando o Evoker do coldre.
Hiro salta para longe enquanto Mitsuru se concentra, apontando o Evoker para a testa. Ela sussurra: "Persona." antes de puxar o gatilho.
Ao contrário do flash comum, uma névoa azul envolve Mitsuru, e pequenas pedras de gelo flutuam ao redor dela.
Sua Persona, Penthesilea, emerge atrás dela, envolta em uma armadura prateada com detalhes azuis, segurando duas espadas.
Penthesilea gira as espadas, invocando Bufu. Uma nuvem fria se forma, lançando cristais de gelo que voam como flechas, atingindo a Shadow e congelando partes de seu corpo, expondo um ponto fraco na cabeça.
"Hiro, sua vez!" Mitsuru grita, guardando o Evoker.
"Entendido!" Hiro responde, avançando com sua cimitarra em punho.
A Shadow lança uma magia de luz na direção de Hiro, mas ele desvia no último segundo, saltando para o lado.
Com um grito, ele escala a criatura até alcançar a parte destruída, uma máscara metálica cobrindo o ponto fraco.
Com esforço, ele perfura a máscara com sua cimitarra, saltando para longe logo em seguida.
No ar, Hiro puxa novamente o Evoker, apontando para a própria cabeça. "Persona!" ele grita.
Lúcifer surge, voando para cima da Shadow com um bater de asas.
Ele mergulha sua mão na cabeça da criatura, arrancando a máscara do ponto fraco.
Com uma risada macabra, Lúcifer parte a máscara ao meio, fazendo a Shadow se dissolver em névoa negra.
Com a vitória, Lúcifer desaparece, e Hiro pousa ao lado de Mitsuru, que guarda seu florete na bainha.
Eles trocam um high five, satisfeitos com a batalha.
"Você se machucou?" Mitsuru pergunta, olhando para o ombro de Hiro.
Hiro balança a cabeça, guardando o Evoker no coldre. "Tô bem, o sobretudo segurou aquele golpe."
"Vamos, temos que chegar logo ao santuário." diz Mitsuru.
Hiro concorda, e ambos correm de volta para a moto. Mitsuru a liga e acelera novamente, seguindo em direção ao santuário.
"Kirijo-senpai, Hiro-san, vocês estão bem?" A voz de Fuuka ecoa pela mente de Mitsuru e Hiro através da telepatia, uma preocupação evidente em seu tom.
"Sim." Mitsuru responde, enquanto passa a marcha da moto. "Cuidamos das Shadows mais fracas. Nossa alvo chegou no Santuário Naganaki?"
"Digamos que sim, ela chegou no santuário... Mas a Lúcia não está conseguindo encontrar a Shadow," Fuuka continua, sua voz hesitante.
"O quê? Então ela desapareceu?" Hiro pergunta, olhando para o céu esverdeado acima, enquanto se segura na cintura de Mitsuru.
"Não, ela ainda está à solta." Fuuka responde rapidamente. "Mas o rastro dela está muito confuso. É como se ela ficasse invisível para mim assim que entrou no território do santuário."
Mitsuru franze o cenho, sua expressão se torna séria. "Uma Shadow que fica invisível? Isso é algo que eu não esperava. Akihiko, qual a localização de vocês?"
"A gente teve que enfrentar algumas Shadows no caminho, mas estamos na metade do caminho. Por quê?" Akihiko responde, também pela telepatia.
Ao longe, Mitsuru e Hiro avistam o Santuário Naganaki. Uma sensação estranha começa a envolver ambos.
"Eu e o Hiro chegamos ao santuário agora." Mitsuru anuncia, freando a moto bruscamente. "Nós dois vamos verificar o perímetro ao redor do santuário até vocês chegarem."
"Entendido," Akihiko responde. "Vou avisar o pessoal. E vocês dois, cuidado."
Hiro desce da garupa da moto, sentindo o ambiente ao redor. "Parece que a Shadow está em todo lugar... É difícil de explicar."
Mitsuru remove o capacete, olhando em volta com atenção. "Eu também estou sentindo isso."
Na entrada do santuário, um grande portão torii vermelho se destaca, com uma longa escadaria que leva ao topo.
Mitsuru e Hiro começam a subir as escadas, seus passos ecoando no silêncio da noite.
Ao chegarem ao topo, algo estranho acontece. Eles atravessam uma espécie de película invisível, e de repente, o céu verde da Dark Hour desaparece.
Em seu lugar, surge um céu ensolarado, banhando o santuário em uma luz cálida e desconcertante.
Hiro e Mitsuru trocam olhares confusos.
O edifício principal do santuário está à frente, com uma grande árvore próxima, envolta por uma corda espessa com tiras de papel penduradas.
Tudo parece normal demais, como se a Dark Hour nunca tivesse existido.
"Pera aí. A Dark Hour acabou?" Hiro pergunta, ainda atordoado pela mudança repentina.
Mitsuru observa o céu, a expressão pensativa. "Não. Se ela tivesse acabado, o céu estaria escuro. A Dark Hour é a hora a mais entre um dia e outro. Ou seja..."
"Ou seja, deveria ser meia-noite." Hiro completa, sua confusão crescendo.
Ele começa a caminhar pelo santuário, os olhos atentos a qualquer sinal de perigo.
De repente, ele para, seus olhos focando em uma silhueta invisível que apenas ele consegue ver.
Hiro rapidamente saca sua cimitarra, apontando para o estranho objeto. "Mitsuru, tá vendo isso?" ele pergunta, com uma voz tensa.
Mitsuru estreita os olhos, tentando identificar a figura. "Sim, eu tô vendo."
Com um movimento rápido, Hiro desfere um golpe com sua cimitarra, revelando que o objeto invisível é, na verdade, um sino.
O som metálico reverbera pelo santuário, ecoando de forma assustadora.
Mas algo dentro de Hiro mudou naquele momento.
Sua expressão endureceu, os olhos dilatam completamente, e ele deixa sua cimitarra cair ao chão com um baque surdo.
"Hiro?" Mitsuru chama, percebendo a mudança súbita nele.
Antes que ela possa reagir, Hiro se vira abruptamente e avança sobre ela, agarrando seu pescoço com uma força brutal.
Mitsuru se debate, tentando se libertar, mas a força de Hiro é esmagadora.
"Hiro... Hiro..." Mitsuru tenta falar, sua voz fraca enquanto luta pelo ar. "Sou eu... Mitsuru."
A força nas mãos de Hiro aumenta, e Mitsuru sente o ar em seus pulmões esvair-se rapidamente.
Sua visão começa a escurecer, e o desespero se instala. Na cabeça de Hiro, vozes ecoam, repetindo palavras sombrias:
"Mate ela... Ela é uma inimiga... Ela vai te trair..."
Mitsuru, lutando para se manter consciente, nota que os olhos de Hiro brilham em vermelho, um sinal claro de que a Shadow está tentando controlar sua mente.
Desesperada, ela alcança um pequeno cristal vermelho preso ao seu cinto.
Com esforço, ela esmaga o cristal contra o peito de Hiro, e um brilho intenso o envolve, começando a purificar sua mente.
O brilho diminui gradualmente, e as pupilas de Hiro retornam ao normal.
Ele pisca algumas vezes, confuso, antes de soltar Mitsuru, assustado.
"Merda, desculpa, Mitsuru. Você tá bem?" Hiro pergunta, sua voz carregada de culpa.
Mitsuru massageia o pescoço, recuperando o fôlego. "Estou... bem. A Shadow fez uma lavagem cerebral em você. Ainda bem que eu tinha um Homunculus. É um cristal que cresce em uma área do Tartarus, capaz de limpar o corpo de qualquer controle mental."
Hiro exala um suspiro aliviado. "Obrigado. Eu te devo uma."
Ele olha para o sino, agora visível, e pega sua cimitarra do chão. "Acho que esse sino está criando essa ilusão."
Mitsuru saca o Evoker, pronta para agir. "Também acho. Vou congelá-lo, e você o destrói."
Hiro concorda com a cabeça, afastando-se do sino enquanto Mitsuru se prepara. Ela aponta o Evoker para sua cabeça, sua voz firme:
"Penthesilea."
Ela puxa o gatilho, e o Evoker ativa. Penthesilea aparece atrás dela, girando suas espadas graciosamente, e uma poderosa magia de gelo, Bufu, é lançada, congelando o sino instantaneamente.
Hiro ergue sua cimitarra e, com um golpe poderoso, parte o sino em pedaços, espalhando estilhaços de gelo pelo chão.
A atmosfera ao redor deles distorce por um momento, e o céu verde da Dark Hour reaparece, banhando o santuário em sua luz sinistra.
Mitsuru guarda o Evoker, observando o ambiente. "Você estava certo. Esse sino tava criando essa ilusão."
Hiro gira a cimitarra em sua mão, ainda cauteloso. "Sim, mas por que ainda sinto que tem algo errado?"
Nesse instante, um ganido de cachorro ecoa pelo santuário, cortando o silêncio.
Hiro e Mitsuru olham em volta, procurando a origem do som.
Ao olhar em direção ao altar, eles avistam um pequeno cachorro cinza, deitado no chão, machucado.
É um Shiba Inu, com pêlos cinzentos e detalhes brancos, e um par de olhos vermelhos.
"Ei, garoto. Você tá bem?" Hiro corre até o cão, abaixando-se para examiná-lo.
Mitsuru observa incrédula. "Um cachorro? Aqui? Na Dark Hour?"
Hiro toca o torso do cachorro, e sua mão se mancha de sangue. "Sim, é estranho. Todas as pessoas normais deveriam virar caixões. Droga... Parece que a Shadow o acertou."
De repente, uma mão fantasma emerge de um véu escuro, estendendo-se na direção de Mitsuru, que não percebe o perigo.
Mas antes que a mão alcance Mitsuru, uma flecha voa pelo ar, acertando a mão fantasma, que recua com um relincho assustador, desaparecendo no véu.
Mitsuru e Hiro giram rapidamente, sacando suas armas, prontos para enfrentar o novo inimigo.
Mas, para sua surpresa, veem o restante do grupo correndo em sua direção.
"Mitsuru-senpai, Hiro, vocês estão bem?" Yukari pergunta, colocando seu arco nas costas.
"Se machucaram?" Minato adiciona, preocupado.
Hiro aponta para o cachorro ferido. "Não, mas ele se machucou."
O grupo olha para onde Hiro apontou e vê o cachorro deitado no chão.
"Koro-chan?" Fuuka exclama, surpresa.
Minato se desespera pela primeira vez, correndo até o cão. "Koromaru!"
Hiro, confuso, pergunta: "Vocês conhecem esse cachorro?"
Yukari se abaixa perto do cachorro, acariciando-o com cuidado. "Sim, esse é o cachorro que vivia com o monge daqui."
Minato passa a mão pelo pêlo de Koromaru, notando que o sangue é pouco em quantidade, mas suficiente para preocupá-lo. "Parece que não é grave. Precisamos tirá-lo daqui."
Junpei, atento, sussurra: "Pessoal, tem algo aqui."
Todos ficam em alerta, procurando a Shadow.
Aigis tenta usar seus scanners, mas seus sistemas detectam apenas uma mensagem repetitiva: "Shadow na área."
Aigis balança a cabeça, frustrada. "Não consigo localizá-la. Parece que ela está em todo lugar."
Koromaru, ainda fraco, olha para Hiro, percebendo a silhueta da Shadow levantando o braço para atacar.
Ele rosna e começa a latir furiosamente, tentando avisar Hiro do perigo.
"O que foi Koromaru?" Yukari pergunta, preocupada.
Minato, ao olhar para Hiro, finalmente vê a silhueta da Shadow pronta para atacar.
"Hiro! Atrás de você!" ele grita.
Hiro se jogou para o lado no último segundo, evitando um golpe mortal.
Akihiko avançou rapidamente, dando um uppercut que acertou a Shadow, forçando-a a sair da invisibilidade.
A criatura revelou sua forma horrenda: esguia, com membros longos e finos que lembravam um inseto, e uma pele metálica de cor escura.
A cabeça assemelhava-se a um crânio de cavalo, com uma mandíbula saliente e dentes afiados expostos.
Seus olhos brilhavam em amarelo sinistro, e ela usava um grande chapéu vermelho em forma de cogumelo, decorado com fitas vermelhas.
Akihiko assumiu sua postura de luta, as soqueiras brilhando sob a luz esverdeada. "Te achamos, desgraçada. Hiro, Minato, Junpei! Comigo!"
Minato puxou sua espada, dando um último olhar para as meninas. "Cuidem de Koromaru. Aigis, cubra a gente!"
Aigis ativou suas metralhadoras, assumindo posição. "Entendido."
Hiro avançou contra a Shadow, desferindo um golpe descendente com sua cimitarra, mas a criatura bloqueou o ataque com sua lâmina curva.
Em seguida, ela o chutou com força, lançando ele contra uma árvore. Aigis disparou incessantemente, acertando várias partes da criatura.
Minato, girando sua espada, executou um combo de três golpes antes de puxar seu Evoker e apontar para a própria cabeça. "Orpheu!"
O gatilho foi puxado, e um flash brilhou do outro lado de sua cabeça.
O Orpheu apareceu, seus olhos vermelhos brilhando enquanto tocava sua harpa.
A magia de fogo, Agi, foi lançada contra o rosto da Shadow, mas a criatura resistiu e atacou com sua lâmina, que foi bloqueada pela harpa de Orpheu.
Orpheu retaliou, golpeando a cabeça da Shadow com a harpa, fazendo-a cambalear para trás.
A Shadow gritou, irritada, girando sua arma para apontá-la na direção de Junpei.
Raios negros voaram da lâmina, drenando a energia de Junpei e recuperando a vitalidade da Shadow.
Junpei, apoiando-se em sua montante. "Ora sua...", falou irritado, e sacou seu Evoker o pressionando contra sua cabeça. "Hermes!"
O Evoker foi ativado, e Hermes apareceu, batendo as asas antes de lançar uma série de chutes giratórios na Shadow.
Junpei seguiu com uma sequência de golpes pesados com sua montante, quebrando parte do chapéu da criatura.
Hermes continuou atacando, mas a Shadow contra-atacou, prendendo ele com mãos fantasmagóricas e dando um soco que racha sua viseira.
Junpei sentiu uma dor aguda na barriga, um corte aparecendo em sua testa, fazendo o sangue escorrer sobre seu olho.
"Hermes... Sai daí!" gritou Junpei, mas Hermes estava preso, a Shadow levantando o punho para um golpe final.
Hiro, em um impulso desesperado, puxou o Evoker. "Lúcifer!"
O som do Evoker ecoou, ressoando pelo campo de batalha.
Lúcifer voou diretamente para cima da Shadow, suas garras afiadas arranhando o rosto da criatura enquanto uma risada maníaca escapava de sua boca.
O ataque foi rápido e brutal; as garras de Lúcifer rasgaram o olho esquerdo da Shadow, cegando-a.
Um grito de dor e fúria irrompeu da criatura, ecoando pela noite.
Hermes conseguiu se soltar das garras da Shadow, desaparecendo no ar com um brilho cintilante.
Enquanto a Shadow ainda se debatia em agonia, Lúcifer não perdeu tempo.
Ele agarrou a boca da criatura com ambas as mãos, sua expressão demoníaca se contorcendo em um esforço concentrado.
Com um grito de pura força, ele rasgou a boca da Shadow, partindo-a ao meio como se fosse uma simples rolha de garrafa.
O som do rasgo foi horripilante, e a Shadow, agora sem boca e sem nariz, jorrava um líquido negro que parecia nunca parar.
Lúcifer, satisfeito com sua obra, soltou uma risada sombria antes de voar para longe e desaparecer no ar, deixando a criatura agonizando em silêncio.
Akihiko viu a oportunidade e não hesitou. Com suas soqueiras prontas, ele avançou contra a Shadow, seus punhos desenhando um arco de jabs rápidos e precisos.
Cada golpe seu causava mais dano à criatura, partes de seu corpo se partindo e se desintegrando.
Um uppercut quebrou a mandíbula restante da Shadow, e o som de seus ossos estalando ecoou pelo santuário.
Enquanto isso, Yukari, que estava cuidando de Koromaru, observava a batalha com determinação renovada.
Ela sentiu a urgência da situação e, sem perder tempo, puxou o Evoker do coldre. Com um grito firme, ela apontou para a própria testa.
"IO!"
O gatilho foi puxado, e um flash brilhante em forma de vento verde surgiu atrás de sua cabeça.
No mesmo instante, sua Persona, Io, apareceu em uma manifestação poderosa e imponente.
Io era uma figura única, uma fusão entre o humanoide e o mecânico.
Uma estrutura metálica, branca e brilhante, moldada na forma da cabeça estilizada de um touro com grandes chifres, prendia Io em suas correntes.
No centro, uma figura feminina de pele negra e cabelo loiro estava sentada serenamente.
Sua máscara preta cobria os olhos, mas sua presença era quase angelical, destacada pelo vestido rosa claro que parecia flutuar em torno dela como uma chama.
Com um gesto suave, Io apontou suas mãos em direção a Junpei, a magia de cura fluiu dela como uma brisa calma.
O feitiço Diarahan envolveu Junpei em um brilho reconfortante, e ele sentiu o corte em sua testa desaparecer, enquanto a dor em sua barriga começava a sumir.
Junpei olhou para suas próprias mãos, incrédulo. "Hã? Meus machucados... eles desapareceram."
Mas a batalha não esperava. Io, em resposta ao comando de Yukari, ergueu as mãos na direção da Shadow e lançou Garudyne, uma magia de vento poderosa.
Uma rajada de vento feroz percorreu o campo, circulando a Shadow e a atingindo em cheio.
No entanto, algo estranho aconteceu. Ou melhor, não aconteceu.
A Shadow permaneceu intacta, como se nada tivesse acontecido.
A expressão de Yukari se transformou em pura surpresa.
"O quê?" Yukari exclamou, o medo começando a se insinuar em sua voz.
Foi então que Minato, percebeu o que estava acontecendo.
A fraqueza da Shadow não era o vento, mas sim o raio.
Sem perder tempo, ele puxou o Evoker do coldre e o girou em sua mão, trocando rapidamente de Persona.
Com um movimento decidido, ele apontou o Evoker para sua própria cabeça.
"Thunderbird!" Minato gritou, ativando o Evoker. O som do gatilho ecoou, e em um instante, uma nova e imponente figura surgiu atrás de Minato.
Thunderbird era uma visão magnífica, se assemelhando a uma gigantesca águia prateada.
Sua máscara amarela brilhava intensamente, destacando o poder dos raios que emanavam de sua presença.
Hiro, observando de longe, não entendeu nada ao ver o novo persona. "O quê? Ele pode mudar de Persona?"
O Thunderbird não perdeu tempo. Com um giro no ar, ele canaliza sua energia e um raio caiu do céu, avançando em direção à Shadow.
Mas a criatura, ágil e desesperada, conseguiu esquivar-se do ataque, avançando contra Minato com uma ferocidade implacável.
"Droga." Minato murmurou, percebendo a aproximação rápida demais.
A Shadow o alcançou, agarrando ele com suas garras enormes e o chocando brutalmente contra o chão.
Com uma força descomunal, ela o segurou pelas pernas e começou a esmagá-lo contra o solo, repetidamente.
A dor se espalhava por todo o corpo de Minato, mas ele não tinha tempo para reagir. A Shadow ergueu sua arma, pronta para dar o golpe final.
De repente, um grito cortou o ar.
"Solta ele!" Hiro correu em direção à Shadow, sua cimitarra brilhando à luz verde da lua.
Com um movimento preciso, ele cortou mais uma parte do rosto da criatura, fazendo a lâmina prender ao redor de seu pescoço, e ele também se agarrar em seu pescoço.
A Shadow gritou em fúria, irritada com o ataque surpresa.
Sem pensar duas vezes, ela arremessou Minato com toda a sua força em direção às meninas.
Minato foi lançado como uma bala de canhão.
Ele se chocou violentamente contra Yukari e Mitsuru, e os três voaram, colidindo contra o muro de pedra com um impacto terrível.
Aigis correu até os três, seu coração mecânico apertado em preocupação. "Minato-san!"
Eles caíram em uma pilha, com Mitsuru sobre Yukari e Minato por baixo, sentindo cada centímetro de seu corpo doer.
Ele tossiu, e um fio de sangue escorreu pela sua boca, o sabor metálico preenchendo sua língua.
"Minato... você tá bem?" Yukari perguntou, a voz tremendo de desespero, enquanto se contorcia para tentar ajudá-lo.
Com esforço, Minato levantou a cabeça, seus olhos procurando desesperadamente por Akihiko, que ainda estava no outro lado do santuário.
Ele gritou, a voz rouca mas cheia de urgência. "Akihiko! A fraqueza da Shadow é raio! Usa seu Persona!"
Akihiko puxou o Evoker e o apontou para a própria cabeça, pronto para liberar seu Persona.
Seu olhar se fixou no Hiro, que estava se agarrando no pescoço da Shadow.
"Hiro, sai daí!" Akihiko gritou, sua voz cheia de urgência.
Hiro, em um movimento rápido e preciso, cortou um dos braços da Shadow, fazendo uma explosão de sangue negro jorrar da criatura.
Ele então se jogou para trás, escapando da zona de perigo.
"Agora!" Hiro berrou, seu grito ecoando pelo santuário.
Akihiko não perdeu mais tempo.
Com o Evoker firmemente pressionado contra sua testa, ele gritou: "Polydeuces!"
O som do gatilho sendo puxado reverberou, e um flash de raios iluminou o outro lado de sua cabeça.
O ar ao redor de Akihiko começou a crepitar com energia, e de repente, uma imponente figura surgiu atrás dele.
Polydeuces com seu corpo musculoso e largo estava coberto por uma armadura metálica azul-clara, brilhando intensamente sob a luz tênue do santuário.
A armadura, composta de várias placas rígidas especialmente na região do tórax, reforçava a sensação de poder absoluto.
O braço direito do Polydeuces é uma gigantesca seringa metálica, cuja presença emanava uma sensação de controle, talvez relacionada à saúde ou à ciência.
Sua mão era vermelha, com dedos longos e ameaçadores, e seus cabelos loiros fluíam para trás, criando um contraste marcante com a armadura metálica.
Sem hesitar, Polydeuces apontou a agulha de sua seringa na direção da Shadow e, com um movimento decidido, canalizou o poder de Ziodyne, uma magia de raios.
Uma descarga elétrica saiu da agulha, atravessando o campo de batalha e acertando a Shadow em cheio.
A criatura, é atingida em sua fraqueza, foi tomada por espasmos violentos, cambaleando até cair de joelhos, enfraquecida por tantos ataques consecutivos.
Mitsuru, vendo a oportunidade, grita: "Akihiko, Hiro. Acabem com ela!"
Hiro e Akihiko avançaram simultaneamente, suas silhuetas cortando o ar enquanto corriam em direção à Shadow.
Hiro, com a cimitarra brilhando em suas mãos, iniciou uma sequência frenética de cortes, cada movimento preciso e mortal.
Ao mesmo tempo, Akihiko, com suas soqueiras firmes, desferia uma série de golpes brutais, cada soco ressoando como um trovão ao atingir a carne negra da criatura.
Enquanto massageava o pescoço após um golpe particularmente forte, Akihiko olhou para Hiro com um sorriso ligeiramente provocador. "Não estrague as coisas, Hiro."
Hiro, girando sua cimitarra para um novo golpe, retrucou sem perder o ritmo. "Olha quem fala."
Os dois, sincronizados como se fossem parte de uma única força, desferiram um chute simultâneo no peito da Shadow.
O impacto foi devastador.
Akihiko aproveitou o impulso e, com um salto sobre Hiro, desferiu um uppercut poderoso na cabeça da Shadow.
O golpe foi tão forte que um dos olhos da criatura foi lançado para fora de seu rosto deformado.
Hiro se preparou para o golpe final, pronto para decapitar a Shadow.
Mas ela, em um último esforço desesperado, levantou sua arma em formato de lua.
Antes que qualquer um pudesse reagir, uma lâmina fantasma cortou o ar na direção do Hiro e do Akihiko.
Hiro conseguiu levantar sua cimitarra a tempo, desviando o golpe que cortou sua perna levemente, mas o ataque atingiu em cheio o peito de Akihiko.
O rosto do Akihiko se contorce de dor enquanto o sangue voa para todos os lados.
Koromaru, apesar das feridas, começou a rosnar com raiva, uma determinação feroz em seus olhos.
Mesmo com o corpo tremendo de dor, ele tentava se levantar, desafiando os próprios limites.
"Koromaru, você não pode se levantar!" Fuuka exclamou, sua voz carregada de preocupação. "Vai piorar sua ferida!"
De repente, algo incomum aconteceu. O Koromaru começa a uivar e apos um brilho sair de seus olhos, um Persona aparece.
Fuuka arregalou os olhos, surpresa com o que via. "Um... Persona?"
Aigis, sempre analítica, imediatamente reconheceu a figura que emergia ao lado de Koromaru. "Cerberus, o cachorro de três cabeças da mitologia grega."
O enorme Cerberus uivou, um som profundo e ressonante que reverberou pelo santuário.
Koromaru, mesmo debilitado, acompanhou o uivo, e juntos, os dois avançaram sobre a Shadow.
Cerberus atacou com ferocidade, suas três cabeças mordendo violentamente as partes da criatura e a arremessando contra o chão.
Hiro, observando a cena com olhos arregalados, gritou incrédulo: "O cachorro invocou um Persona?!"
Cerberus não deu trégua. Suas três cabeças dilaceraram a Shadow em vários pedaços, com uma força brutal que deixava claro o poder destrutivo do Persona.
A Shadow, agora em frangalhos, soltou um grito estridente.
Mas a cabeça central de Cerberus a silenciou rapidamente, cravando suas presas na cabeça da criatura e a forçando a sair, decapitando ela com um movimento selvagem.
Enquanto a Shadow se dissipava em uma névoa negra, Cerberus uivou em triunfo.
Koromaru, no entanto, exausto e ferido, começou a tremer violentamente antes de desabar no chão.
Hiro, ainda incrédulo com o que havia presenciado, murmurou: "Cacete..."
Akihiko, pressionando a mão contra o peito ferido, balançou a cabeça, tentando processar o que havia acabado de acontecer. "Eu não sabia que animais podiam ter Personas."
Mitsuru e Yukari correram até Hiro e Akihiko, suas expressões preocupadas.
"Vocês estão bem?" Mitsuru perguntou, sua voz cheia de autoridade, mas com um tom suave de preocupação.
Hiro, guardando a cimitarra enquanto tentava recuperar o fôlego, respondeu: "Acho que sim. O Akihiko aqui... nem tanto."
Sem perder tempo, Yukari tirou um cristal branco de seu cinto e o quebrou no ombro de Akihiko.
O cristal, um Media Crystal, uma raridade do Tartarus capaz de curar ferimentos, brilhou suavemente enquanto a magia de cura se espalhava.
"Melhorou?" Yukari perguntou, o alívio evidente em sua voz.
Akihiko assentiu, sentindo a dor diminuir. "Vou sobreviver."
Minato, se aproximando de Mitsuru, comentou em um tom calmo, mas pensativo: "Essa Shadow era forte... e nem era uma Shadow Arcana."
Mitsuru olhou para o local onde a Shadow havia desaparecido, as sobrancelhas franzidas em reflexão.
Antes que pudesse responder, Cerberus, agora sem a presença ameaçadora da Shadow, se aproximou do grupo.
As três cabeças do Persona analisaram cada um dos membros do time, como se estivessem decidindo algo.
De repente, uma das cabeças de Cerberus lambeu o rosto de Hiro, deixando-o surpreso e um tanto desconfortável.
As outras cabeças esfregaram-se em Minato, mostrando um afeto inesperado.
Em seguida, Cerberus desapareceu tão subitamente quanto havia aparecido.
Hiro, limpando a saliva que havia ficado em seu rosto, reclamou: "Jesus... que bafo."
Minato sorriu de leve, observando o local onde o Persona havia sumido. "Parece que o Cerberus gostou da gente."
Mitsuru se virou para o grupo, assumindo novamente sua postura de líder. "Vamos levar Koromaru para o dormitório. Vou ligar para a empresa da minha família para enviar alguns veterinários para cuidar dele."
Fuuka, ajoelhando-se ao lado de Koromaru e acariciando seu pelo suavemente, murmurou com carinho: "Koro-chan deu o máximo para salvar o Akihiko-senpai e o Hiro-san..."
...30/07/2009 Quinta-Feira; Manhã...
No dormitório, a atmosfera era tensa, mas ao mesmo tempo, havia uma sensação de alívio por estarem longe do perigo imediato.
Hiro, Akihiko e Minato estavam sentados nos sofás da sala, seus corpos cobertos por bandagens que ainda mostravam os efeitos da batalha intensa do dia anterior.
As marcas do confronto estavam presentes em cada movimento, cada respiração pesada.
Mitsuru desceu as escadas, segurando um celular próximo ao ouvido, sua expressão séria.
Após terminar a chamada, ela desligou o aparelho e o colocou de volta no bolso do blazer, voltando sua atenção para os outros.
"O Koromaru está sendo tratado." Mitsuru anunciou, sua voz firme mas carregada de preocupação. "O presidente Shuji analisou o Koromaru e, realmente, ele tem um Persona."
Akihiko, ainda sentindo a dor no peito, massageou a área ferida enquanto tentava processar a notícia. "Que coisa, hein? Um cachorro com um Persona..."
Hiro, intrigado, voltou seu olhar para Minato, que estava sentado mais afastado, os fones de ouvido ainda pendurados em torno do pescoço. "Falando em Persona... Minato, desde quando você consegue mudar de Persona? Porque, todos nós só temos o nosso próprio. Mas, ontem, você trocou de Persona como se fosse a coisa mais natural do mundo."
Minato suspirou profundamente, pausando a música que tocava em seus fones e os removendo por completo.
"Eu não sei," ele começou, com um tom de incerteza. "Desde que eu despertei meu Persona, sempre consegui trocar. O Orpheu é meu Persona principal, tipo o de vocês. Mas, de alguma forma, eu posso alternar entre outros."
Mitsuru se sentou ao lado de Hiro, sua expressão pensativa. "Eu também me pergunto isso desde o início." ela admitiu. "Ele é o único que consegue fazer isso. Nem o computador da sala de comando consegue entender como isso é possível."
Akihiko esticou-se com dificuldade para pegar uma garrafa de água na mesa de centro, grunhindo ao sentir a dor aguda no peito.
"É por isso que o Minato... ai, meu peito..." Ele fez uma pausa, respirando fundo antes de continuar. "É por isso que ele sempre lidera nas incursões ao Tartarus. Como ele pode mudar de Persona, a Mitsuru deixa ele ir na frente. Ele pode usar vários ataques elementais, diferente de nós."
Mitsuru assentiu, esclarecendo: "Eu sou imune a ataques de gelo, mas ataques de fogo me derrubam. Akihiko é imune a ataques de raio, mas é fraco contra ataques de gelo."
Hiro olhou para sua própria mão, refletindo sobre suas próprias vulnerabilidades. "E eu... Sou imune a ataques de fogo e escuridão, mas sou fraco contra ataques de luz."
De repente, o som da porta de entrada do dormitório se abrindo chamou a atenção de todos. Eles se viraram para ver quem entrava.
Akihiko, reconhecendo a figura que atravessava a soleira, arregalou os olhos, incrédulo. "Shin... Shinjiro?"
Shinjiro entrou no dormitório, sua presença silenciosa.
Ele varreu o ambiente com os olhos antes de focar diretamente em Akihiko.
"Yo." disse Shinjiro, com as mãos enfiadas nos bolsos de seu sobretudo. "Parece que vocês levaram uma surra."
Mitsuru, surpreendida, levantou-se abruptamente. "O que você está fazendo aqui? Você não tinha..."
"Não é o que você está pensando." Shinjiro interrompeu, sua voz grave e firme. "Eu vim falar com ele."
Ele então apontou na direção de Hiro, pegando todos de surpresa.
Akihiko, confuso, perguntou: "O quê? Vocês dois se conhecem?"
Shinjiro, com a mesma calma, voltou a enfiar as mãos nos bolsos. "Desde ontem. Hiro, vem comigo."
Hiro se levantou, ainda confuso com a situação, mas sentindo a urgência no tom de Shinjiro. "Tá bom... Eu acho. Deixa eu só pegar minhas coisas no quarto."
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Atualizado até capítulo 33
Comments
Carlos hunter15
Tive a mesma reação Hiro.
2024-10-19
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