Capítulo 12; Novas Memórias

...10/08/2009 Segunda-feira; Madrugada...

O dormitório estava envolto em um silêncio absoluto, apenas quebrado pelo ocasional tique-taque do relógio na parede, que marcava as quatro da manhã.

Todos os membros do S.E.E.S. estavam em seus quartos, dormindo profundamente.

No quarto de Hiro, a paz era evidente. Ele estava mergulhado em um sono pesado, virando-se ocasionalmente na cama enquanto empurrava o cobertor para o lado, tentando escapar do calor sufocante.

Seu rosto estava tranquilo.

A porta do quarto se abriu lentamente, sem fazer barulho.

Uma figura entrou furtivamente, movendo-se com uma precisão calculada para não acordá-lo.

Era Mitsuru, trajando um roupão vermelho por cima de sua camisola branca.

Ela se aproximou da cama do Hiro, seus olhos fixos nele, uma mistura de determinação e preocupação estampada em seu rosto.

"Eu não vou deixar você virar aquilo de novo." sussurrou ela para si mesma, a voz quase inaudível no silêncio do quarto.

Mitsuru desviou o olhar para o armário de Hiro, caminhando até ele e abrindo suas portas.

Começou a procurar meticulosamente pelo traje de combate dele, mas sua mente estava distante, sendo assombrada pela voz de seu pai, que ressoava em sua memória: "...o cartucho Teurgia tem uma chance de quarenta por cento de descontrolar o Persona dele."

"Onde tá a braçadeira? Ela não tá aqui." murmurou ela, frustrada, enquanto fechava o armário, percebendo que Hiro não guardava seu traje no mesmo lugar que ela guarda o seu.

Cada um tinha seu próprio jeito de organizar as coisas.

Mitsuru levou a mão ao queixo, ponderando sobre onde mais poderia estar o traje.

Subitamente, uma ideia lhe ocorreu, lembrando das instruções do presidente Shuji sobre o cartucho Teurgia.

"Se o presidente Shuji falou que para manter o cartucho Teurgia em condições favoráveis teria que mantê-lo dentro da braçadeira em um lugar seco... Então, deve estar na caixa em que o traje chegou." concluiu ela, olhando para a cama de Hiro e deduzindo que a caixa está ali.

"Espero que eu não fique presa... e não acorde ele." sussurrou Mitsuru, resignada, enquanto se ajoelhava ao lado da cama e se esgueirava para debaixo dela.

Suas mãos tatearam o chão até encontrar a caixa.

"Achei!" disse ela em um sussurro aliviado, ao puxar a caixa de debaixo da cama.

Na tampa, o brasão do S.E.E.S. e o número 8 estavam gravados, identificando o equipamento de Hiro.

Ao abrir a caixa, Mitsuru encontrou o traje, o Evoker e, finalmente, a braçadeira.

Ela pegou a braçadeira e pressionou o símbolo do Colégio Gekkoukan, ativando o mecanismo que ejetou o cartucho Teurgia.

Pegando o cartucho, ela lançou um olhar preocupado para Hiro, mas logo um sorriso de alívio apareceu em seus lábios.

"Não se preocupe. Você vai ficar seguro." sussurrou ela, como se Hiro pudesse ouvi-la em seus sonhos.

Mitsuru colocou a braçadeira de volta na caixa, a fechou e a empurrou para seu lugar debaixo da cama.

Antes de sair, ela se inclinou sobre Hiro, ajeitando suavemente seus cabelos negros.

A sensação de estar fazendo a coisa certa a envolveu, mesmo que o preço fosse a confiança que Hiro e os outros depositavam nela.

Ao sair do quarto e fechar a porta silenciosamente, Mitsuru suspirou, sentindo-se aliviada e ao mesmo tempo pesada pela responsabilidade que carregava.

"Estou fazendo o certo. Confie em mim, Hiro." sussurrou ela, afirmando para si mesma enquanto se dirigia de volta ao seu quarto, determinada a proteger todos, custe o que custar.

Mas o Hiro deitado na sua cama, vira na direção da porta, e os seus olhos se abrem, pois ele estava acordado.

...10/08/2009 Segunda-feira; Meio-dia...

O sol estava em seu auge, iluminando o território do Colégio Gekkoukan, onde o movimento era intenso.

Estudantes e espectadores das arquibancadas enchiam a pista de corrida, prontos para assistir à competição de 400 metros rasos.

Não eram apenas alunos do Gekkoukan que estavam presentes, mas também de outras escolas, todos ansiosos para ver quem sairia vitorioso.

Minato, representando o Colégio Gekkoukan, estava na linha de partida junto aos outros competidores.

Sua postura era firme, e um suspiro de concentração escapou de seus lábios enquanto ele mantinha o olhar fixo na pista à sua frente.

"Vai Minato! Você consegue!" gritou Yukari, o incentivando da arquibancada.

Junpei, ao seu lado, balançava energicamente uma bandeira com o brasão do colégio Gekkoukan. "Mostra pra eles quem é que manda!"

"Não se esqueça de que você não pode se cansar logo nas primeiras voltas!" gritou Fuuka, tentando passar dicas úteis.

Minato ouviu os gritos de apoio e sentiu o peso das expectativas em seus ombros.

Ele fechou os olhos, buscando focar sua mente enquanto esperava o disparo do juiz.

O juiz se aproximou da linha de partida, puxando um revólver de festim e carregando ele com uma bala de borracha. "Preparem-se para correr. Em três, dois, um..."

O som do tiro ecoou pela pista, e os corredores partiram em disparada, correndo o mais rápido que podiam.

As arquibancadas explodiram em gritos e torcidas enquanto a corrida se desenrolava.

Minato rapidamente assumiu a terceira posição, mantendo um ritmo constante e acelerado.

"Mais rápido, Minato!" gritou Junpei, levantando-se da arquibancada, tentando motivar ainda mais o amigo.

Minato aumentou sua velocidade, ultrapassando o segundo colocado e provocando uma reação de entusiasmo na torcida do Colégio Gekkoukan.

Enquanto isso, um pouco mais afastados, Mitsuru e Hiro observavam a corrida, avaliando o desempenho de Minato.

"O Arisato está se saindo bem." comentou Mitsuru, com os olhos fixos no placar. "A segunda volta vai começar e ele já garantiu o segundo lugar."

Hiro, carregando duas latas de suco, sorriu ao ouvir a análise de Mitsuru. "É, mas o Mamoru Hayase só tá brincando com os outros. Assim que ele levar a sério, o Minato vai comer tanta poeira que nem vai dar pra acreditar. Quer uma?" perguntou, oferecendo uma das latas para Mitsuru.

"Obrigada." disse Mitsuru, aceitando a lata e abrindo-a. "Eu te pago depois, quando pegar minha carteira."

Hiro deu um gole no suco e sorriu de forma amistosa. "Não precisa. Afinal, você faz tanto por nós."

Enquanto Mitsuru bebia o suco, seus olhos ainda fixos na corrida, Hiro lembrava-se da noite anterior.

Ele havia visto Mitsuru em seu quarto, pegando algo da caixa onde ele guardava seu traje.

Quando verificou sua braçadeira, notou que o compartimento do cartucho Teurgia estava vazio.

Ele sabia que Mitsuru não havia pego o cartucho para prejudicá-lo, mas a dúvida sobre o motivo ainda o incomodava.

"Mitsuru..." começou Hiro, hesitante.

Mitsuru virou-se para ele, curiosa. "Hmm?"

Hiro pensou por um momento, pesando se deveria ou não perguntar sobre o que viu, ele olhou para os olhos vermelhos da Mitsuru, por baixo da postura e do rosto elegante dela tem uma líder responsável.

No fim, decidiu confiar nela.

"Você se lembra de quando me perguntou sobre o meu motivo para lutar?" ele perguntou, desviando o olhar para a corrida.

"Sim, eu lembro. Você disse que não tinha um." respondeu Mitsuru, voltando-se completamente para ele.

"Isso." assentiu Hiro. "Mas agora... comecei a perceber que preciso mudar. E meu motivo agora..."

Ele parou por um momento, olhando para as nuvens no céu, refletindo sobre sua decisão.

Sabia que precisava deixar de ser uma pessoa irritada e indiferente, precisava se esforçar para ser alguém melhor.

"Meu motivo é tentar ser uma pessoa melhor." disse ele, com os olhos fixos nos de Mitsuru. "Não que eu vá mudar completamente, mas quero ser alguém confiável para todos vocês."

O coração de Mitsuru se aqueceu com aquelas palavras.

Mesmo sabendo que Hiro ainda lutava com seu próprio vazio e dor, ela se sentiu aliviada e feliz por ver essa mudança nele.

"Graças a Deus... você está melhorando." sussurrou Mitsuru, com um sorriso suave, tão baixo que Hiro não pôde ouvir.

"Falou alguma coisa?" perguntou Hiro, confuso.

"Não, nada." respondeu Mitsuru, olhando nos olhos dele. "Só estou feliz que você está se abrindo mais para todos. Continue assim, Hiro."

Hiro copassava quase , um rubor que quase passava despercebido.

Ele sorriu e olhou para o lado, sentindo-se grato por ter alguém como Mitsuru ao seu lado.

"Valeu. Conte comigo quando precisar, tá bom?" disse ele, seu sorriso suave e sincero.

Mitsuru assentiu, um calor em seu peito ao ver o crescimento de Hiro. "Tá bom."

...10/08/2009 Segunda-feira; Anoitecer...

Apos a noite chegar, e a aula terminar, Hiro entrou no dormitório com a mão coçando a cabeça e uma expressão visivelmente cansada e irritada.

"Meu Deus... como eu odeio aula de gramática. É um kanji pior que o out..." murmurou ele, os olhos fechados de frustração.

Antes que pudesse terminar sua reclamação, um latido ecoou pela sala.

De repente, uma pequena figura peluda correu na direção de Hiro e saltou em seu peito, derrubando-o no chão.

Hiro, pego de surpresa, tentou se levantar enquanto era coberto de lambidas.

Ele finalmente conseguiu levantar a figura agitada e, com um olhar de surpresa, reconheceu o cachorro. "Koromaru? O que você tá fazendo aqui?"

Koromaru, o Shiba Inu com pelagem cinza e branca, balançava o rabo animadamente, seus olhos vermelhos brilhando de alegria.

A resposta veio em forma de mais latidos, como se o cachorro estivesse tão feliz quanto Hiro por vê-lo.

Fuuka apareceu da cozinha, carregando uma tigela de ração.

Ela notou a cena e, embora tivesse se assustado com o barulho da queda, não pôde deixar de rir ao ver Koromaru em cima de Hiro.

"Koro-chan, cuidado para não machucar o Hiro!" disse ela, ainda rindo. "Você está bem, Hiro?"

"Sim, tô bem." respondeu ele, enquanto se levantava, ainda segurando Koromaru nos braços. "Esse daqui quase me afogou em baba."

Hiro colocou Koromaru no chão e fez um gesto para que ele se sentasse, e, surpreendentemente, o cachorro obedeceu prontamente.

Hiro ficou surpreso com a obediência de Koromaru.

"Você é bem treinado, hein..." Hiro sorriu, ainda limpando o rosto. "Da próxima vez, tenta não me matar de susto, combinado?"

Koromaru latiu de forma animada, como se concordasse, enquanto Hiro começava a acariciar sua cabeça.

Hiro, ainda fazendo carinho em Koromaru, sentia uma onda de pensamentos passando por sua mente.

"Por que você é tão fofo?!" ele gritou mentalmente, enquanto o cachorro balançava o rabo com entusiasmo.

Fuuka, soltando uma risadinha, comentou: "O Koro-chan ficou rodando o dormitório procurando você e o Minato-san."

"É sério? Acho que deve ser porque salvamos ele no santuário..." Hiro respondeu, se levantando e batendo as mãos.

Koromaru soltou um ganido curioso, inclinando a cabeça para o lado, e Hiro notou a roupa que o cachorro estava usando.

Uma camiseta branca sem mangas com pequenas asinhas e uma coleira que parecia mais um dispositivo tecnológico.

"Mas que porra de roupa é essa?" Hiro perguntou, visivelmente confuso e um pouco de desgosto. "Fuuka, por que o Koromaru tá vestindo isso?"

Fuuka, ainda rindo, olhou para Koromaru com carinho. "Bom, ele chegou vestindo isso. Eu até achei fofo, mas não sei quem colocou."

Hiro coçou a cabeça, claramente incomodado com a escolha de roupa, mas decidiu se ajoelhar perto do Koromaru para investigar a coleira.

Ele percebeu o pequeno brasão do S.E.E.S gravado em uma das presilhas.

"Essa coleira... é o Evoker dele?" Hiro perguntou.

"Sim." respondeu Fuuka, com um sorriso. "O Evoker foi adaptado para o Koromaru poder usá-lo com um uivo. Koro-chan, quer mostrar pro Hiro?"

Koromaru latiu animado e foi para o centro da sala.

Após fechar os olhos por um momento de concentração, ele soltou três latidos furiosos, seguidos por um longo uivo.

A coleira brilhou, emitindo uma luz azul e, com um som etéreo, o Cerberus foi invocado.

A imponente criatura de três cabeças emergiu do nada, acompanhando o uivo de Koromaru, e lentamente caminhou até Hiro e Fuuka.

A cabeça central lambeu o rosto de Hiro, enquanto as outras duas cabeças se esfregavam em Fuuka, fazendo-a rir.

"Ah qual é... que bafo!" Hiro exclamou, limpando o rosto. "Por que eu sempre sou o alvo das lambidas?"

Com o desaparecimento do Cerberus, Koromaru correu até Fuuka, claramente esperando uma recompensa.

Fuuka se abaixou e pegou um pouco de ração da tigela. "Bom garoto, aqui está."

Koromaru comeu alegremente da mão dela, e Hiro observou com um sorriso.

Ele olhou para o relógio na parede - eram 18h58.

Hiro murmurou para si mesmo: "O Shinjiro deve chegar daqui a meia hora... acho que vou aproveitar e trocar de roupa."

Subindo as escadas, ele foi em direção ao seu quarto.

Ao abrir a porta, notou que o quarto estava arrumado como ele deixou, exceto pela cama bagunçada, que ele sempre tinha preguiça de arrumar.

No entanto, algo chamou sua atenção: um pedaço de papel sobre a escrivaninha.

Curioso, Hiro pegou a nota e, ao ver a caligrafia do presidente Shuji, franziu o cenho com desgosto. "Meu Deus... que garrancho é esse? Ele pode ser da meia idade, mas puta que pariu... que letra horrível."

Lutando para decifrar a mensagem, ele finalmente entendeu.

Era uma carta informando que uma nova arma havia sido feita para ele, substituindo sua cimitarra quebrada, e que ela estava na sala de comando.

O Hiro levanta uma das sobrancelhas, interessado no que conseguiu ler. "Nova arma? Conseguiu chamar minha atenção.

Interessado, Hiro trocou de roupa rapidamente; ele vestiu um jeans preto rasgado nos joelhos e uma camiseta preta com uma camisa de manga comprida vermelha por cima, as mangas puxadas até os cotovelos.

Subiu até o quarto andar e, ao abrir as portas da sala de comando, avistou uma maleta branca sobre a mesa de centro.

Ele a pegou, retirou os lacres e abriu a maleta, revelando uma impressionante machete kukri feita sob medida.

Um assobio de admiração escapou de seus lábios.

"Caralho... agora eu gostei." disse Hiro, pegando a kukri.

Ele girou a lâmina com agilidade em volta da mão, testando o equilíbrio.

Em seguida, entrou em posição de guarda e desferiu três golpes rápidos no ar, cortes amplos e precisos.

Girou a kukri novamente antes de guardá-la na nova bainha.

"Ela vai servir por enquanto..." murmurou, satisfeito com a nova arma.

...10/08/2009 Segunda-feira; Noite...

Após passar alguns minutos testando a Kukri, Hiro desceu para o térreo do dormitório e avistou Yukari, Minato e Junpei na mesa de jantar, mergulhados nos livros e cadernos.

Junpei, no entanto, parecia estar tendo uma batalha perdida com as questões de matemática, seus olhos arregalados em desespero.

"Meu Deus... como raios eu faço isso? Não faz o menor sentido..." murmurou Junpei, claramente frustrado.

Hiro sorriu ao ver a cena e depois olhou para os sofás, onde Mitsuru lia um livro com sua elegância habitual, enquanto Akihiko tomava uma vitamina.

Perto deles, Fuuka e Aigis brincavam com Koromaru, que, ao ver Hiro, latiu animado, pedindo atenção.

"Foi mal, garoto. Agora não posso." disse Hiro, acariciando a cabeça de Koromaru para que ele não ficasse triste.

Nesse momento, Mitsuru, ao notar a Kukri que Hiro segurava, fechou o livro com delicadeza e se levantou, caminhando em sua direção.

"Eu encomendei essa Kukri por causa do seu estilo de luta." disse Mitsuru, colocando a mão no ombro de Hiro. "Uma cimitarra tem uma lâmina mais frágil, especialmente considerando como você luta."

Hiro sorriu levemente, lembrando-se do momento em que quebrou sua antiga cimitarra. "É, eu sei. Obrigado por ter resolvido isso."

Antes que pudessem continuar a conversa, a porta do dormitório se abriu, e todos voltaram seus olhares para a entrada.

Um homem alto, com uma expressão séria, vestido com um sobretudo vinho e um gorro cinza, entrou calmamente. Shinjiro Aragaki havia chegado.

Mitsuru e Akihiko ficaram visivelmente surpresos, seus olhos arregalados.

Enquanto isso, Hiro sorria de maneira suave, já prevendo o que estava para acontecer.

Fuuka, ainda abaixada para pegar um brinquedo de Koromaru, levantou-se e perguntou curiosa: "Kirijo-senpai, quem é ele?"

Mitsuru, ainda perplexa, mal conseguiu responder. "Arag... Aragaki?" balbuciou, sem acreditar.

"Yo." respondeu Shinjiro, despreocupado como sempre.

Akihiko, ainda mais confuso, se aproximou de Shinjiro, tentando entender o motivo de sua presença. "Shinjiro, o que você tá fazendo aqui?"

"Preciso falar com vocês dois." respondeu Shinjiro, alternando seu olhar entre Mitsuru e Akihiko, mas fixando-se em Akihiko. "Tô afim de voltar pro grupo."

A declaração chocou a ambos. O próprio Akihiko havia passado meses tentando convencer Shinjiro a retornar ao S.E.E.S, e agora ele estava se oferecendo para voltar.

Junpei, que até então estava confuso, levantou-se e apontou para Shinjiro. "Espera... ele era do S.E.E.S?"

Hiro deu um passo à frente, colocando a mão no ombro de Shinjiro e sorrindo. "Bom, para quem não conhece, esse é Shinjiro Aragaki, um ex-membro do S.E.E.S. E eu consegui convencer ele a voltar."

Mitsuru, ainda surpresa, olhou para Hiro. "Você?"

Shinjiro, visivelmente irritado, forçou um sorriso e olhou de soslaio para Hiro. "Não precisa dar tantos detalhes..."

Akihiko e Mitsuru se entreolharam, sem acreditar no que estavam ouvindo.

Hiro, por sua vez, se aproximou de Akihiko e deu um soquinho camarada em seu braço. "Você e a Mitsuru precisam dele. Me agradece depois."

Em seguida, ele se afastou, indo em direção a Koromaru, que observava a interação de longe.

Hiro começou a acariciar o Koromaru, enquanto Mitsuru, tentando retomar o foco, balançou a cabeça para se recompor.

"Se você quer voltar para o S.E.E.S, venha comigo e com o Akihiko até a sala de comando. Precisamos conversar." disse Mitsuru, com sua postura firme de líder.

Shinjiro assentiu e seguiu Mitsuru e Akihiko escada acima, enquanto o ambiente no dormitório se tornava silencioso e tenso.

Todos observavam a cena com atenção.

Yukari, ainda confusa, colocou sua caneta sobre a mesa e perguntou: "Hiro, o que aconteceu?"

Hiro se levantou e respondeu, tentando resumir: "Bom, em uma versão curta, Shinjiro é amigo de infância do Akihiko. E há cerca de dois anos, quando o S.E.E.S foi criado, os primeiros membros foram ele, Akihiko e Mitsuru."

Ele parou por um momento, coçando a cabeça, tentando encontrar as palavras certas para explicar a história de Shinjiro sem revelar os detalhes mais sombrios.

Aigis, curiosa, se aproximou de Hiro e perguntou diretamente: "Hiro-san, você sabe por que Aragaki-senpai saiu do S.E.E.S?"

Hiro suspirou. "Sei, sim. Mas o Shinjiro pediu para eu não contar a ninguém. O que posso dizer é o seguinte: ele se culpa por algo que aconteceu acidentalmente... por causa do Persona dele, que se descontrolou."

O ambiente ficou ainda mais tenso. Yukari sentiu um calafrio percorrer sua espinha, preocupada com a possibilidade de algo assim acontecer com ela no futuro.

Hiro deu alguns passos em direção à cozinha, parando na porta por um momento. "E tem mais uma coisa... envolve uma pessoa inocente."

Com isso, ele entrou na cozinha, começando a procurar algo para comer, enquanto os outros permaneciam em silêncio, refletindo sobre o que acabaram de ouvir.

Na sala de comando, o ambiente estava carregado de tensão.

Akihiko e Shinjiro estavam sentados em sofás opostos, trocando olhares silenciosos, sem saber como começar a conversa.

Enquanto isso, Mitsuru, que havia saído para o estoque de equipamentos, retornava carregando uma pequena caixa com o brasão do S.E.E.S e o número "2" gravado abaixo.

O silêncio finalmente foi quebrado quando Akihiko, visivelmente apreensivo, reuniu coragem para perguntar.

Ele apertou as mãos e soltou um suspiro.

"Por que agora? Eu sempre tentei te trazer de volta, e agora você aparece do nada." disse Akihiko, com um tom de frustração misturado à curiosidade.

Shinjiro se encostou no sofá, soltando um suspiro de exaustão. "Eu pensei bastante nos últimos dias, especialmente depois que comecei a conversar com o Hiro. Cada vez que a gente falava, ele me fazia questionar se eu realmente estava fazendo o que devia."

Mitsuru, sentando-se em uma poltrona próxima, adotou um tom mais acolhedor, percebendo o peso da culpa que Shinjiro carregava. "Na verdade, o erro foi você ter saído, Aragaki. Você sabe que sempre pôde confiar em nós."

O olhar de Shinjiro caiu para suas próprias mãos.

Ele focou seu olhar no pulso esquerdo, onde as marcas do uso dos inibidores ainda eram visíveis, uma lembrança constante de seus atos passados.

"Depois do que eu fiz?" Shinjiro começou, a voz endurecida pela dor. "A culpa de ter matado aquela mulher ainda me persegue. E isso aconteceu na frente do próprio..."

Akihiko rapidamente levantou a mão, interrompendo o amigo. "Ei, calma. Não precisa falar sobre isso agora."

Shinjiro bufou, tentando conter sua frustração.

Enquanto ele olhava na direção de Akihiko, sua visão começou a distorcer, e ele viu a silhueta de Kastor, seu Persona, pairando atrás de Akihiko com uma expressão ameaçadora, como um fantasma do passado que ele não conseguia escapar.

Mitsuru, percebendo o clima tenso, tentou mudar de assunto. "Aliás, como foi que o Hiro conseguiu te convencer a voltar?"

Shinjiro balançou a cabeça, tentando afastar a visão de Kastor. "Foi durante as vezes que saímos juntos. Ele me fez muitas perguntas sobre minha vida, e eu acabei questionando ele também."

Akihiko franziu o cenho, intrigado. "Agora que você mencionou isso... o Hiro nunca falou sobre a vida dele antes de entrar no S.E.E.S."

Mitsuru assentiu silenciosamente, preocupada.

Ela sempre se importou com Hiro, mas ele nunca compartilhou nada sobre seu passado.

Shinjiro deu um pequeno sorriso, ainda que melancólico. "O Hiro nunca contou nada a vocês? Isso eu não esperava. Mas, para ser sincero, foi ele que me colocou nos trilhos de novo."

Shinjiro coçou o queixo, lançando um olhar sério para Mitsuru. "Eu não posso trazer aquela mulher de volta, mas finalmente percebi que vocês estão precisando de ajuda."

Akihiko soltou um suspiro frustrado. "Eu odeio admitir... mas as Shadows estão ficando mais fortes."

"Esse também é um dos motivos." respondeu Shinjiro, fechando os olhos. "O Hiro me contou que a Shadow da Arcana do Carro quase matou ele, não foi?"

Mitsuru soltou um grunhido baixo, relembrando a imagem do corpo de Hiro caído, com o peito esfolado.

Era uma memória que ela lutava para esquecer, mesmo sem se culpar mais pelas batalhas arriscadas que o S.E.E.S enfrentava.

"Mitsuru?" chamou Shinjiro, notando o desconforto dela.

Mitsuru colocou a mão no rosto, tentando se recompor.

Sua voz saiu abafada. "Estou bem. Só não gosto de lembrar disso. Mas, sim... as Shadows da Arcana são muito fortes, e a cada encontro, algum de nós quase morre."

Ela abriu a pequena caixa que carregava e retirou uma braçadeira do S.E.E.S com o número "2" gravado nela.

Ela estendeu o acessório para Shinjiro, que o pegou com cuidado, observando-o em silêncio, ciente de que estava prestes a invocar seu Persona novamente, algo que ele suprimiu por muito tempo.

"Aragaki." disse Mitsuru, com uma seriedade renovada. "Eu e o Akihiko realmente queremos que você volte. Mas você tem certeza de que quer isso?"

Shinjiro olhou para a braçadeira em suas mãos e, por um breve momento, refletiu sobre o tempo que lhe restava.

Ele sabia que essa era sua última chance de fazer algo significativo para seus amigos.

Ele ergueu os olhos, encontrando o olhar de Mitsuru e Akihiko. "Eu tenho. Como eu já disse ao Hiro antes... tá na hora de parar de fugir."

...11/08/2009 Terça-feira; Amanhecer...

O sol começava a nascer, seus primeiros raios atravessando as cortinas do dormitório, iluminando os quartos dos membros do S.E.E.S com um brilho suave.

A neblina matinal acrescentava um toque etéreo à cena, tornando o ambiente pacífico, mas carregado com a expectativa de um novo dia.

Minato, ainda molhado após o banho, entrou em seu quarto.

Ele caminhou até o suporte, onde deixou a toalha e a jaqueta de seu traje de combate.

Ao se virar para pegar a camisa do uniforme escolar no armário, sentiu o celular vibrar sobre sua escrivaninha.

Confuso, ele pegou o aparelho e viu um número desconhecido piscando na tela.

Ao atender, uma voz familiar o surpreendeu.

"Bom dia, Minato. Espero que tenha dormido bem." disse Elizabeth, sua voz gentil e calmamente enigmática do outro lado da linha.

Minato arqueou as sobrancelhas enquanto começava a abotoar a camisa. "Elizabeth? Como você conseguiu meu número? E desde quando você tem um celular?"

Elizabeth riu levemente, como se a resposta fosse óbvia. "Meu mestre me concede os recursos necessários para auxiliá-lo... e agora, também para auxiliar o Hiro."

Minato calçou os sapatos, processando a informação.

Ele sabia que Elizabeth era uma figura misteriosa, mas a ideia dela usando um celular o pegou de surpresa.

"Entendi... aconteceu algo importante para você me ligar?" perguntou ele, levantando-se da cama.

Elizabeth, do outro lado da linha, adotou um tom mais sério e enigmático. "Sim, algo que requer sua imediata interferência."

Minato franziu o cenho, o clima de mistério em suas palavras o deixando em alerta. "O que seria?"

"Eu senti que cinco pessoas foram puxadas para dentro do Tartarus." respondeu Elizabeth, sua voz soando como um eco distante e cheio de suspense. "E estão presas lá dentro."

Minato ficou imóvel por um instante, o coração batendo mais rápido.

Ele sabia que o Tartarus pode fazer com as coisas que ele considera invasoras, e o fato de pessoas estarem presas lá significava que era apenas questão de tempo pro ceifador encontrá-las.

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2024-10-21

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