Capítulo 13; Conciliação interior

Os ventos suaves batiam nas janelas da sala de aula do terceiro ano no Colégio Gekkoukan.

O professor de japonês falava sobre os significados dos kanjis, uma aula que Hiro detestava.

Ele mal conseguia manter os olhos abertos, o tédio tomando conta, enquanto apoiava o queixo na mão, lutando para não cair no sono.

Sentada logo atrás dele, Mitsuru percebe o cochilo eminente.

Sem hesitar, ela estendeu a mão e deu um puxão firme na orelha de Hiro.

A dor o fez despertar imediatamente, olhando irritado para ela.

"Sabe que isso dói, né?" ele sussurrou, massageando a orelha.

Mitsuru, séria, respondeu em tom repressor. "É claro que sei. E é por isso que continuo puxando sua orelha. Não vou deixar você dormir na aula!"

Hiro, ainda irritado, se inclinou para encará-la de perto. "Ah, qual é, Mitsuru! Numa aula chata dessas, quem não quer dormir?"

Antes que Mitsuru pudesse responder, o professor, notando a conversa, bateu com o apagador na mesa.

"Kirijo! Mikoshi! Podem parar de conversar e prestar atenção, por favor?"

Mitsuru fez um sinal de desculpas, enquanto Hiro soltava um suspiro frustrado, voltando a se recostar na cadeira.

Ele bocejou, sem conseguir disfarçar o tédio, mas logo olhou para trás novamente.

"Ok, vou prestar atenção." murmurou Hiro, ainda contrariado. "Mas você me paga!"

Mitsuru, satisfeita, sorriu levemente. "Très bien. Não quero ver sua nota cair."

O tempo passou devagar, mas logo o sinal tocou, anunciando o horário do almoço.

Hiro suspirou de alívio e se jogou sobre a mesa, enquanto Mitsuru se levantava.

"Vou para a sala do conselho estudantil resolver algumas pendências." disse Mitsuru, organizando seus materiais. "Se precisar de ajuda, peço à Chihiro para te chamar."

Hiro levantou a cabeça, esboçando um sorriso sarcástico. "Por que não me manda uma mensagem?"

Mitsuru olhou por cima do ombro enquanto caminhava em direção à porta. "Porque você nunca responde minhas mensagens. Estou errada?"

Hiro ficou sem palavras, coçando a cabeça, envergonhado por saber que ela tinha razão.

Nos últimos dias, ele realmente estava deixando de responder várias mensagens, exceto as de Fuuka e Akihiko.

Assim que Mitsuru saiu, Hiro pegou sua bolsa para buscar o almoço, mas seu celular começou a vibrar. Era uma mensagem de Minato. O título chamou sua atenção imediatamente:

"Hiro, temos um problema. Não posso explicar muito por aqui. Venha para o terraço do colégio, te explico lá."

Intrigado, Hiro guardou o celular e murmurou para si mesmo: "Ele quer me falar algo. Nao tá parecendo que é pouca coisa."

Ele se levantou, deixando o almoço de lado, e foi em direção ao terraço.

No terraço do colégio Gekkoukan, Minato permanecia imóvel, observando a vista que se estendia diante dele.

As grandes hélices das turbinas eólicas giravam incessantemente, como se tentassem acompanhar o ritmo das batidas de seus pensamentos. Ao longe, Tatsumi Port Island se erguia silenciosa.

Hiro abriu a porta do terraço, levando instintivamente a mão ao rosto para bloquear o brilho do sol que invadia seus olhos.

Uma brisa suave balançava seus cabelos negros, fazendo suas roupas esvoaçarem levemente.

Ele caminhou em direção a Minato, que permanecia de costas, os fones de ouvido sobre as orelhas, seu cabelo azul, uma expressão pensativa, os seus olhos azuis fixos na cidade.

Hiro, andando lentamente na direção de Minato, chamou sua atenção: "Minato, só de olhar pra sua cara dá pra ver que algo aconteceu."

Minato interrompeu a música que tocava, retirando os fones antes de se virar.

Ele assentiu com a cabeça, confirmando as suspeitas de Hiro: "Sim, aconteceu algo. E não é nada bom."

Hiro se postou ao lado de Minato, desviando o olhar para a vista panorâmica que o terraço oferecia.

Ele respirou fundo, como se aquele momento de calmaria trazia uma paz.

"Às vezes eu esqueço o quão boa é essa vista... enfim, o que temos?" disse ele, sua voz carregada com uma leve curiosidade.

Minato, colocando as mãos nos bolsos, respondeu com um ar mais pesado: "Alguns dias atrás, antes de virmos pro colégio, a Elizabeth me ligou..."

Hiro, visivelmente surpreso, virou-se bruscamente para Minato, seus olhos arregalados. "Pera aí. A Elizabeth te ligou? Como que a Elizabeth tem um celular?"

Um raro sorriso surgiu no rosto de Minato, quase imperceptível, mas presente.

Ele também se lembrava de sua própria surpresa ao atender aquela ligação inusitada. "Eu tive a mesma reação. Mas sim, ela me ligou. E disse que cinco pessoas entraram no Tartarus."

Hiro franziu a testa, sentindo uma pontada de inquietação.

Apenas imaginar que pessoas comuns, sem a proteção de uma Persona, haviam entrado no Tartarus já era perturbador o suficiente.

"Pessoas entraram no Tartarus? Como?" perguntou ele, a preocupação marcando sua voz.

Minato coçou a cabeça, como se reorganizasse os pensamentos antes de responder: "Você se lembra da explicação do presidente Shuji? Aquela sobre como algumas pessoas às vezes entram acidentalmente na Dark Hour?"

Hiro assentiu, a memória do aviso voltando à sua mente: "Sim, eu lembro. Se eu nao me engano essas pessoas podem perder suas almas se entrarem na Dark Hour sem querer."

"Então." continuou Minato, sua voz agora mais grave, "Parece que quando essas pessoas entram na Dark Hour, o Tartarus às vezes as atrai para consumir suas almas. E assim..."

Hiro cruzou os braços, cerrando os olhos ao captar o raciocínio de Minato. "... prendendo elas..." completou.

"Exatamente." confirmou Minato. "E se elas ficarem presas por muito tempo, o Ceifador pode acabar com elas."

Hiro sentiu um arrepio leve percorrer sua espinha.

O Ceifador já era um pesadelo suficiente para eles. Agora pessoas comuns, seria como encarar a própria morte.

"Puta merda... o Ceifador já dá uma surra na gente. Uma pessoa normal seria dilacerada por ele... o que a gente faz?" Hiro passou a mão na nuca, pensativo, avaliando a gravidade da situação.

Minato, se virou para Hiro, seu olhar frio. "Vamos fingir que não sabemos dessas pessoas. Eu vou falar pra Mitsuru que hoje vamos para o Tartarus, porque provavelmente a Fuuka vai sentir as pessoas lá dentro."

Hiro o encarou, a dúvida ainda persistindo em sua mente. "E a Yukari? Você sabe que ela ainda não se recuperou."

Minato, sem perder o foco, deu uma solução simples e eficiente: "Ela pode ficar com a Fuuka na entrada enquanto a gente procura as pessoas."

Hiro ponderou sobre o plano. Era arriscado, mas parecia ser a única opção viável.

Com o tempo correndo contra eles, o Ceifador poderia encontrar as pessoas a qualquer momento.

Ele assentiu, aceitando a lógica por trás da proposta. "Tá bom. Admito que é uma boa ideia."

Minato deu um leve sorriso, colocando a mão no ombro de Hiro. "Valeu, Hiro. Vamo salvar essas pessoas."

...15/08/2009 Sábado; Dark Hour...

Todos os membros do S.E.E.S caminhavam em direção à entrada do Tartarus, prontos para mais uma escalada pela torre.

Hiro ajustava o sobretudo enquanto andava ao lado de Shinjiro, até que seus olhos se fixaram no enorme machado de guerra que Shinjiro carregava em suas costas.

Hiro, confuso, pensou consigo mesmo: Esse machado...

Shinjiro, ajustando a braçadeira, notou o olhar de Hiro. "Falou alguma coisa?"

Hiro, surpreendido, balançou a cabeça.

"Ahh... não, eu não falei nada. Aliás, é a primeira vez que eu vejo você com o seu equipamento de combate... mas cadê seu traje? Você tá com a mesma roupa de sempre."

Shinjiro deu de ombros enquanto ajeitava as luvas. "Eu não preciso dele. Só coloquei a braçadeira mesmo. E essa cartucheira."

Assim que todos entraram no Tartarus, Fuuka parou de andar.

Um calafrio percorreu sua espinha, e rapidamente ela puxou o Evoker do coldre, apontando-o para a própria testa.

"Persona!"

Ela puxou o gatilho, ativando o Evoker. Um clarão surgiu atrás de sua cabeça, e Lúcia, sua Persona, apareceu por cima dela.

Mitsuru ficou alerta ao perceber a mudança. "Yamagishi, o que houve?"

Fuuka fechou os olhos, concentrando-se enquanto analisava os andares do Tartarus.

Ela sentiu a presença de cinco pessoas, espalhadas em diferentes andares: três na primeira área do Tartarus e as outras duas na terceira área.

"Eu detectei cinco pessoas dentro do Tartarus. Três delas na primeira área e as outras duas na terceira área."

Junpei arregalou os olhos, surpreso. "O quê? Pessoas dentro do Tartarus?"

Akihiko cerrou os olhos, sua expressão se endurecendo. "Droga, como que elas entraram?"

Mitsuru pensou por alguns momentos, considerando as possíveis abordagens.

Todos irem juntos não seria viável, pois isso deixaria Fuuka sozinha na entrada.

Então, uma ideia surgiu em sua mente. "Eu tive uma ideia. Arisato, quero que você leve o Iori, o Akihiko e a Aigis para resgatar as pessoas na primeira área."

Koromaru, que estava observando tudo, latiu em direção a Mitsuru, como se estivesse curioso.

Aigis, entendendo o que Koromaru tentava comunicar, traduziu. "O Koro-chan disse 'E quem vai resgatar as pessoas na terceira área?' Uma boa pergunta, Koro-chan."

Hiro, incrédulo, olhou para Aigis. "Você sabe o que o Koromaru fala?"

Aigis deu um sorrisinho antes de responder. "Sim, eu instalei o dicionário canino em meus sistemas."

Hiro coçou a cabeça, ainda sem acreditar que Aigis realmente entendia o que Koromaru dizia.

Ele olhou para baixo, onde Koromaru o encarava com seu colete canino e um pequeno kit médico preso às costas.

Hiro acariciou a cabeça de Koromaru, sorrindo.

"Não me olhe assim. Eu não sou um robô que nem a Aigis."

Koromaru latiu em concordância, e Mitsuru, contendo um sorriso, se aproximou de ambos.

"Bom, o segundo grupo será eu, Hiro, você e Aragaki. Nós cuidamos das pessoas na terceira área."

Yukari, com a voz rouca, tossiu algumas vezes antes de perguntar: "E o que eu faço?"

Minato foi rápido em responder. "Você fica com a Fuuka. Mesmo que você possa fazer um pouco de esforço, nós não vamos arriscar."

Yukari pensou em retrucar, mas ao olhar para os rostos de seus amigos, todos preocupados, ela aceitou que seria melhor ficar.

Ela suspirou, soltou a presilha de sua aljava e foi se sentar nas escadas do Tartarus.

Shinjiro se ajoelhou no chão, apertando o cinto do coldre de seu Evoker.

De repente, um som agudo ecoou em sua mente, e ao olhar para frente, ele viu a silhueta de Kastor, o encarando com raiva. Um relinchar de cavalo ecoou em seus ouvidos.

Fuuka, ajustando seu headset, notou o olhar distante de Shinjiro. "Aragaki-senpai, tudo bem?"

Shinjiro balançou a cabeça, tentando afastar a visão perturbadora. Grunhiu de forma irritada antes de pegar o machado e apoiá-lo no ombro.

"Tá tudo bem. Só tinha me esquecido de como esse lugar é bizarro." diz Shinjiro, com um tom sério.

Junpei, massageando o ombro, parecia entender o sentimento de Shinjiro, com um tom sincero fala: "Eu não vou mentir. Parece que sempre estão nos observando..."

Akihiko, colocando suas luvas de soqueira, deu alguns socos no ar enquanto se concentrava. "Tá na hora de treinar um pouco, usando as Shadows como sacos de pancada."

Mitsuru suspirou, puxando o florete, levemente irritada. "Você nunca muda..."

Hiro se abaixou ao lado de Koromaru, ajustando sua coleira e colete.

Após algumas pequenas correções nas presilhas, Hiro acariciou a cabeça do Koromaru.

"Tá pronto garoto?" falou Hiro com um tom curioso.

Koromaru latiu em resposta e caminhou em direção ao teletransporte, onde Mitsuru já esperava.

Shinjiro e Hiro seguiram logo atrás, subindo ao lado de Mitsuru e Koromaru no teletransporte.

Fuuka digitou alguns comandos na tela do dispositivo, ajustando o teletransporte para a terceira área do Tartarus.

Com um olhar sério, ela se dirigiu a Mitsuru. "Kirijo-senpai, eu vou mandar vocês para o andar antes da localização das pessoas. Vocês vão sair no andar... trinta e oito."

Mitsuru assentiu antes de olhar para Minato e alertar: "Quando forem atrás das pessoas na primeira área, sejam rápidos! O Ceifador já deve estar à solta procurando as pessoas."

Minato acenou com a cabeça, e o brilho do teletransporte aumentou, fazendo Mitsuru, Koromaru, Hiro e Shinjiro desaparecerem.

No andar 38, o cenário assumia uma aparência industrial, como uma fábrica.

O layout era principalmente quadrado, composto por diversas estruturas elevadas conectadas por escadas, com a geometria flutuante característica do Tartarus.

O brilho do teleporte diminuiu, revelando a estrutura do lugar, iluminada por luzes vermelhas e azuis que saíam de holofotes presos ao teto.

Algumas das escadas, suspensas e instáveis, pareciam se mover de forma para derrubar qualquer um que tentasse subir.

Hiro olhou ao redor, puxando a kukri da cintura e girando-a entre os dedos com um tom aliviado. "Caramba... pelo menos aqui não é tão escuro."

Mitsuru ergueu o florete, analisando a área. "Sim. Vá na frente com o Aragaki, eu fico na retaguarda com o Koromaru."

Shinjiro lançou um olhar para Koromaru enquanto se movia para a frente, ao lado de Hiro.

"Escutou ela, cuida das nossas costas garoto."

Koromaru latiu em resposta, seguindo o grupo com atenção.

Os quatro avançaram pelos corredores, buscando a escadaria para o próximo andar.

Seus passos ecoavam pelas paredes e estruturas metálicas ao redor, preenchendo o ambiente com um som oco.

No entanto, algo logo chamou a atenção de Koromaru.

O cão começou a rosnar, seu focinho indicando que havia detectado um cheiro estranho.

Hiro ergue sua Kukri, com um olhar atento. "O que foi, Koromaru?"

Antes que ele pudesse avançar, Shinjiro levantou a mão, interrompendo-o.

Com o machado, ele apontou em direção a uma figura distorcida que surgia na frente deles.

"Ali." Ele sussurra com um tom alerta.

Diante deles, uma Shadow emergia de sua forma inicial: uma massa negra e amorfa, com numerosos braços gelatinosos se debatendo ao redor.

Hiro estalou o pescoço, pronto para lutar. "Eu já tava me perguntando por que tava tão quieto."

Mitsuru, com os olhos focados, avaliou a situação. "Hiro! Ataque ela por trás. Sigam minhas ordens quando for necessário."

Hiro assentiu e avançou rapidamente. Com um golpe vertical descendente com sua Kukri, atinge a Shadow.

A criatura soltou um grito agudo e, em resposta, se dividiu em duas figuras distintas.

Uma delas tomou a forma de um homem enorme e musculoso, com pele branca coberta de tatuagens vermelhas que simulavam chamas.

Ele vestia uma tanga de lutador e botas de combate, enquanto uma máscara azul cobria seu rosto.

A outra figura se assemelhava a uma roda de serra prateada, com o centro dourado.

Preso no meio da serra, um homem de cabeça para baixo girava lentamente.

Shinjiro, assumindo sua postura de batalha, grita com raiva: "Temos vantagem! Vamos!"

Todos se posicionaram em volta das Shadows, cercando-as.

A Shadow em formato de homem olhou diretamente para Mitsuru e soltou um grito de raiva.

"Hiro, você primeiro!" ordenou Mitsuru, com os olhos fixos na criatura.

"Entendido!" respondeu Hiro, girando a Kukri com destreza.

Ele se concentrou, observando as Shadows e analisando a melhor abordagem.

Pensou rapidamente: se a Shadow em formato de homem tinha tatuagens que lembravam chamas, isso indicava resistência a ataques de fogo.

A cor branca sugeria que também era forte contra luz, mas vulnerável a escuridão.

Decidido, Hiro avançou contra a Shadow em formato de homem e desferiu um golpe diagonal com a Kukri, acertando o peito da criatura.

A Shadow grunhiu de raiva e tentou socar Hiro, que conseguiu desviar inclinando-se para baixo.

Pulando para trás e voltando à sua posição inicial, Hiro gritou: "Provavelmente o de máscara azul é fraco contra escuridão. Koromaru, sua vez! Use o Cerberus!"

Koromaru latiu em concordância e avançou com agilidade.

Ele pulou em direção à Shadow de máscara azul, mordendo seu pescoço e girando ao redor dele com um movimento acrobático.

Logo após, Koromaru voltou para sua posição anterior e soltou um uivo.

Sua coleira brilhou intensamente, ativando o Evoker, e Cerberus apareceu atrás dele, uivando em uníssono.

A cabeça central de Cerberus abriu a boca, formando uma esfera negra que foi disparada contra a Shadow, atingindo sua fraqueza com precisão.

O impacto derrubou a criatura no chão.

"Mandou bem garoto!" disse Hiro, sorrindo.

Koromaru olhou para Mitsuru e latiu várias vezes, indicando que queria passar a vez para ela.

"Ótimo, pode deixar comigo!" respondeu Mitsuru, compreendendo o recado e erguendo seu florete.

Ela avançou em direção à Shadow em formato de disco de serra, focando no homem preso em seu centro.

Com uma sequência de golpes rápidos e precisos com o florete, Mitsuru começou a ferir a criatura, cada estocada abrindo mais um corte.

A Shadow reagiu, girando violentamente e lançando uma rajada de vento na direção de Mitsuru.

No entanto, Shinjiro rapidamente se colocou na frente dela, soltando um grito irritado enquanto desferia um golpe devastador com seu machado de guerra, quebrando parte do disco da Shadow.

"Vai!" gritou Shinjiro, erguendo o machado em posição defensiva.

Mitsuru aproveitou a abertura e desferiu três cortes horizontais no peito do homem preso na Shadow, seguidos por um chute que fez a criatura cambalear.

Pulando para trás, Mitsuru gritou: "Aragaki! Agora é você!"

Shinjiro puxou o Evoker, e seu coração apertou com a lembrança dolorosa de sua última invocação.

Sabia que, desde então, havia derramado sangue inocente.

Com um suspiro tenso, ele pressionou o cano do Evoker contra a cabeça.

Sussurrando para si mesmo e para seu Persona, ele disse: "Eu sei que você quer me matar... mas não vou morrer agora!"

Abrindo os olhos, uma raiva feroz queimava dentro de Shinjiro, e uma dor aguda se instalava em seu peito.

"Persona!" gritou ele, pressionando o gatilho com força.

O flash do Evoker iluminou o ar, e uma aura negra se manifestou atrás dele.

Kastor, o cavaleiro sombrio, apareceu, com seu cavalo alado relinchando furiosamente.

O cavaleiro e seu cavalo avançaram com uma força implacável, como um míssil, criando uma onda de choque no impacto.

Hiro cobriu o rosto para se proteger do vento causado pela investida. "Caramba..."

Kastor perfurou a Shadow em formato de serra com a ponta de sua lança, diretamente na parte onde o homem estava preso.

A criatura soltou um grito de agonia enquanto Kastor, com uma força brutal, começava a rasgar a Shadow ao meio.

O som metálico da serra partindo ecoou junto com o grito de fúria de Kastor, que finalmente dividiu a Shadow em duas, transformando ela em uma névoa negra.

A Shadow em formato de homem se levantou e avançou furiosamente contra Kastor, desferindo um soco contra a cabeça do cavalo.

Kastor puxou as rédeas, recuando para evitar o golpe, e com uma nova investida, o cavalo perfurou o peito da Shadow com a ponta da cabeça.

A criatura gritou novamente, mas Kastor não hesitou.

Com ambas as mãos, agarrou a cabeça da Shadow e, com um grito furioso, separou o crânio da criatura, estourando-o como uma rolha.

O silêncio tomou conta do ambiente enquanto a Shadow se dissipava em névoa.

Hiro girou sua Kukri, soltando um assobio impressionado pela força de Kastor.

Ele se aproximou de Shinjiro, olhando com compreensão. "Agora eu entendi por que você não gosta de usar seu Persona."

Koromaru latiu, aparentemente perguntando algo ou querendo saber como foi seu desempenho.

Mitsuru sorriu suavemente ao olhar para o cachorro. "Você mostrou uma ótima habilidade Koromaru."

Shinjiro sentiu uma dor no peito e logo percebeu que seu nariz começava a sangrar.

O relinchar do cavalo de Kastor ecoava em sua mente, fazendo-o estremecer.

Hiro, percebendo o que estava acontecendo, rapidamente se posicionou na frente de Shinjiro para que Mitsuru não notasse o sangramento.

"Tá bem?" perguntou Hiro, preocupado.

Shinjiro limpou o nariz e assentiu. "Tô sim. Acho que o Kastor não quer ser perturbado."

Hiro colocou a mão no ombro de Shinjiro, antes de se virar para Mitsuru com urgência. "Vamos, temos que ir para o próximo andar logo."

"Sim, temos que salvar as pessoas antes que o Ceifador as encontre." respondeu Mitsuru, acenando com a cabeça.

Com o aviso de Mitsuru dado, todos começaram a procurar pela escadaria que levava ao próximo andar.

Após alguns minutos de busca, finalmente a encontraram.

A estrutura industrial do lugar, com suas escadas flutuantes e luzes artificiais, parecia ainda mais ameaçadora enquanto o grupo avançava em silêncio.

"Kirijo-senpai, consegue me ouvir?" A voz de Fuuka ressoou pela telepatia, interrompendo o silêncio tenso.

"Sim, estamos indo para o andar 39 agora. Como está a situação do grupo do Arisato?" Mitsuru respondeu, erguendo o olhar para o vazio enquanto conversava com Fuuka através da conexão mental.

"Eles conseguiram achar uma pessoa e trouxeram ela para a entrada. Ela tá aqui comigo e a Fuuka. Sem nenhum ferimento." respondeu Yukari, aliviada, mas ainda com a cautela na voz.

"E o Ceifador? Nada dele?" perguntou Hiro, inquieto, com os olhos focados à frente, enquanto avançavam.

"Era isso que eu ia falar..." Fuuka soava intrigada. "Parece que o Ceifador só vai atrás de usuários de Persona. As pessoas que estão aqui foram atraídas pelo Tartarus não são consideras invasoras, então o ceifador não as persegue... a menos que uma delas acorde e tente sair do andar onde está."

Shinjiro, que andava ao lado de Mitsuru, parou por um momento e tirou o gorro, coçando a cabeça antes de colocá-lo de volta.

"Acho que podemos considerar isso como uma boa notícia." disse ele, olhando para Mitsuru com uma expressão séria.

Mitsuru observou a escadaria à sua frente, seu olhar distante enquanto processava as informações.

Em um movimento elegante, ela mexeu no cabelo, como se tentasse limpar sua mente de dúvidas.

A pressão da missão era evidente, mas antes que pudesse se deixar abater, Hiro colocou a mão no ombro dela, um gesto silencioso de apoio.

Ela fechou os olhos por um momento, permitindo que respire fundo e recupere o foco.

E lembra do que precisa ser feito: salvar aquelas pessoas.

"Vamos! Não temos tempo a perder." disse Mitsuru, sua determinação renovada enquanto olhava para a escadaria.

Com as ordens dadas, os quatro começaram a subir as escadas.

O som de seus passos ecoava pelos corredores metálicos, preenchendo o ambiente silencioso com um som rítmico e mecânico.

O grupo finalmente alcançou o andar 39, que tinha a mesma estrutura industrial e fria do anterior.

No entanto, assim que atravessaram a passagem, o Koromaru começou a farejar o ar e soltou um latido, chamando a atenção de todos.

"O que foi Koromaru?" perguntou Hiro, olhando curioso para o cão.

Mitsuru seguiu o olhar do Koromaru e viu algo pequeno no chão.

Ao se aproximar, notou uma boneca de pano com cabelos loiros e um vestido rosa.

Ao pegá-la, um aperto dolorido tomou conta de seu coração.

"Uma criança..." ela murmura, sabendo que uma das pessoas presas ali era jovem.

"O Tartarus... está atraindo crianças?" disse Mitsuru, com a voz tremendo de angústia e raiva, apertando a boneca com força.

"É o quê? Só pode tá de brincadeira..." Shinjiro respondeu, incrédulo, ao ouvir a notícia.

Hiro, observando a expressão de Mitsuru, colocou a mão em seu ombro e pegou a boneca suavemente. "Nós vamos encontrá-la." disse com convicção, tentando acalmar a Mitsuru. "E eu tive uma ideia."

Mitsuru assentiu, grata pela determinação de Hiro. Hiro então se agachou e assobiou para Koromaru, chamando o cão até ele.

"Consegue farejar o rastro dela, garoto?" Hiro estendeu a boneca para Koromaru, que começou a cheirá-la com atenção.

O cheiro doce que vinha da boneca fez o cachorro farejar o chão em busca de um rastro, e em poucos segundos, Koromaru deu um latido confiante e disparou na direção do cheiro.

"Vamos! Koromaru deve ter encontrado!" Hiro exclamou, já correndo atrás do cão e guardando a boneca em seu sobretudo.

Mitsuru e Shinjiro o seguiram de perto, enquanto Koromaru guiava o caminho com precisão.

Eles passaram por algumas shadows, mas ela não estão no caminho, e eles dão a volta ao redor delas. O foco era salvar a criança.

Logo, o som de um choro fraco ecoou pelo andar. O grupo parou e viu, encostada no chão, uma garotinha abraçando as pernas.

Ela tinha cabelos castanhos trançados em dois coques e vestia uma jaqueta azul marinho sobre uma camisa rosa com um arco-íris, uma saia combinando e sapatos verdes.

"Socorro, mamãe..." a menina soluçava, a voz embargada de medo e desespero.

Koromaru latiu, chamando a atenção do resto do grupo.

Quando Hiro se aproximou, a garotinha se levantou rapidamente e correu para trás de um pilar, assustada.

"Fica longe de mim..." ela disse, com a voz trêmula e o corpo tremendo de medo.

Hiro guardou sua kukri e se ajoelhou perto do pilar. "Calma, a gente veio te resgatar." disse, com a voz suave, tentando acalmá-la.

Mas o trauma era profundo. A menina se escondeu ainda mais, suas palavras revelando o terror de ter visto as shadows imitando a voz de sua mãe para atraí-la. "Você... pode ser um daqueles monstros... Eu não quero morrer..."

Hiro apertou os punhos, sentindo um peso em seu coração ao ver a angústia da criança. "Ela viu uma das shadows... merda." murmurou para si mesmo.

"Não somos os monstros que você viu." Mitsuru interveio, sua voz gentil e firme. "Estamos aqui para ajudar você."

Shinjiro suspirou, impaciente. "Fuuka, onde tá a próxima pessoa?"

"Ela também está nesse andar. Koro-chan, vá com Aragaki-senpai procurar a outra pessoa." respondeu Fuuka pela telepatia.

Koromaru latiu novamente, correndo na direção dos corredores, enquanto Shinjiro o seguia.

Restavam Hiro e Mitsuru com a garotinha, cujo medo ainda era evidente em seus olhos vermelhos de tanto chorar.

Mitsuru, ao lado de Hiro, retirou a boneca do interior do sobretudo do Hiro. "Tente mostrar a boneca para ela." sugeriu, estendendo o brinquedo.

Hiro pegou a boneca e olhou para a criança, que espiava hesitante de trás do pilar. "É sua?" Ele mostrou o brinquedo, sua voz suave e reconfortante. "Nosso cachorro encontrou ela no chão."

Os olhos da menina se arregalaram ao ver a boneca. "Kimiko?" ela sussurrou, saindo de trás do pilar, mas hesitou antes de se aproximar completamente.

"Kimiko é o nome da boneca? É um nome fofo." Mitsuru sorriu suavemente. "A sua mãe nos mandou vir atrás de você."

Hiro decidiu tentar mais uma vez, sabendo que precisava ganhar a confiança da menina. "Meu nome é Hiro. A gente não vai te machucar. Qual o seu nome?"

Finalmente, a garotinha se aproximou, ainda relutante, mas o desejo de abraçar sua boneca foi maior que o medo.

Quando ela pegou Kimiko, abraçou ela com força, e logo depois correu até Hiro, jogando-se em seus braços em um abraço apertado.

"Maiko..." ela murmurou, a voz abafada contra o peito de Hiro. "Me tira daqui, por favor..."

O Hiro ficou imóvel por alguns segundos, completamente surpreso pelo abraço repentino de Maiko.

Ele nunca tinha resgatado uma criança antes, e o gesto de desespero da garota o abalou mais do que ele esperava.

Aos poucos, ele relaxou, passando a mão na cabeça de Maiko de forma reconfortante.

"Tá tudo bem." disse ele com um sorriso gentil, enquanto se levantava, segurando Maiko com firmeza em seus braços. "Você tá segura agora."

Ele olhou para Mitsuru. "Pode me cobrir?"

Mitsuru já estava preparada, puxando seu florete e assumindo a posição de defesa. "Claro. Vamos nos encontrar com Aragaki e Koromaru. Depois, a Yamagishi nos teleporta de volta para a entrada."

Hiro seguiu Mitsuru pelos corredores, carregando Maiko com cuidado.

Ela apertava os braços ao redor de seu pescoço, ainda assustada.

O som de metal reverberou nas paredes, seguido por um grito que ecoou no ar.

"Acaba com eles, Kastor!" a voz de Shinjiro ressoou ao longe.

O relinchar do cavalo de Kastor e os golpes poderosos ecoaram pelos corredores, fazendo Maiko se agarrar ainda mais a Hiro, tremendo de medo.

Hiro, em resposta, deu leves tapinhas nas costas da garota, sussurrando que estava tudo bem, que ela estava a salvo.

Após alguns minutos, Koromaru aconpanha o Shinjiro que apareceu à frente, carregando um homem desacordado em seus braços.

Um homem, de terno, estava em um sono profundo, seu rosto pálido como o de alguém que havia perdido a luta contra a própria consciência.

"Conseguimos salvar esse aqui, mas o Tartarus já sugou a alma dele. Chegamos tarde demais." disse Shinjiro, com um tom de frustração.

Mitsuru fechou os olhos por um momento, lutando para manter a calma. "Mais uma pessoa com a Síndrome da Apatia..."

Hiro, mantendo a frieza em sua voz, respondeu: "Não dá pra salvar todo mundo. Pelo menos ele ainda está vivo, mesmo que esteja nesse estado vegetativo."

Koromaru latiu em concordância, mas sua expressão demonstrava tristeza por não ter conseguido salvar o homem completamente.

Hiro olhou para o cão e sorriu levemente. "Você fez o seu melhor Koromaru. Não fique triste."

Mitsuru respirou fundo, focando no que precisava ser feito a seguir. "Yamagishi, pode nos teleportar de volta."

"Entendido. Vou enviar a Lúcia para vocês." respondeu Fuuka pela telepatia.

Uma luz verde envolveu o grupo, e a silhueta de Lúcia apareceu acima deles.

Mitsuru foi a primeira a pular dentro, seguida por Koromaru e Shinjiro, que ainda segurava o homem desmaiado.

Quando Hiro se preparava para saltar com Maiko, um calafrio percorreu sua espinha.

Ele sentiu uma presença o observando. E Vira lentamente para trás, seu olhar encontrou o Ceifador.

Lá estava ele, parado no corredor. Seu rosto estava coberto por um saco de pano manchado de sangue, com apenas um olho branco à mostra, observando atentamente Hiro.

As longas correntes que pendiam de seus ombros formavam uma cruz, tilintando suavemente a cada movimento.

O Ceifador o encarava, como se o estivesse analisando, mas não atacou. Apenas manteve aquele olhar frio e aterrador.

Hiro engoliu seco, balançando a cabeça para se livrar da sensação de morte iminente.

Com um último olhar pro Ceifador, ele saltou para dentro de Lúcia.

...16/08/2009 Domingo; Madrugada...

A madrugada silenciosa pairava sobre a cidade enquanto Hiro e Mitsuru caminhavam pela área residencial, segurando as pequenas mãos de Maiko.

A lua brilhava no céu, iluminando suavemente as ruas desertas.

Maiko, andando entre os dois, olhava para eles com curiosidade, sem entender o que realmente havia acontecido.

"Eu não lembro o porquê estava com vocês." disse ela, confusa. "Acordei nos braços do moço. Vocês são mágicos?"

Mitsuru ficou um pouco surpresa com a inocente pergunta, enquanto Hiro deixou escapar uma risadinha discreta.

Eles sabiam que Maiko não se lembrava de nada do Tartarus, nem da Dark Hour, já que pessoas comuns esqueciam tudo ao retornarem à normalidade.

"Não, não somos mágicos." respondeu Hiro, sorrindo para Maiko. "Somos como você, pessoas normais."

Maiko olhou para a braçadeira de Mitsuru, seus olhos brilhando de fascínio. "Então, vocês são super espiões, como nos filmes?"

Mitsuru deu um sorriso acolhedor. "Algo parecido, mas você tem que prometer que não vai contar para ninguém."

Maiko assentiu com confiança, inflando o peito. "Pode contar comigo!"

Hiro e Mitsuru riram juntos, divertidos pela seriedade da promessa da garota.

Eles continuaram caminhando até pararem em frente a uma casa de aparência simples, com vasos de flores dispostos perto da entrada.

"É aqui?" perguntou Hiro, observando a fachada rústica.

Maiko sorriu animadamente. "Sim, minha casa! Acho que a mamãe deve estar preocupada."

Mitsuru se ajoelhou na altura de Maiko e olhou nos olhos da menina. "Com certeza. Agora, volte a viver sua vida normalmente. Entendeu?"

Maiko concordou, acenando com a cabeça, e abraçou Hiro com força.

Em seguida, deu um abraço rápido em Mitsuru antes de correr em direção à porta, cheia de energia.

Enquanto Maiko corria, Hiro colocou uma mão no ombro de Mitsuru e observou a menina com um sorriso tranquilo. "Conseguimos salvá-la. Fizemos um bom trabalho."

Mitsuru, exausta mas satisfeita, sorriu de volta. "Sim. Mesmo que um homem tenha se tornado um perdido, ao menos conseguimos salvar uma criança."

Quando começaram a se afastar, Maiko, já na porta, virou-se de repente, com uma última pergunta ecoando em sua mente.

"Qual o nome de vocês?" gritou ela, curiosa.

Hiro e Mitsuru pararam por um instante, trocando olhares.

Embora quisessem responder, sabiam que não podiam revelar suas identidades por causa da segurança do S.E.E.S.

Hiro acenou de volta com um sorriso. "Não podemos dizer. Mas lembre-se de uma palavra: S.E.E.S!"

Com essas palavras, Hiro e Mitsuru desapareceram na escuridão das ruas, deixando Maiko parada na entrada de sua casa.

Um sorriso suave e cheio de alívio se formou no rosto dela, e lágrimas de gratidão começaram a rolar por suas bochechas.

"Obrigado por me salvarem!" gritou ela, curvando-se em um gesto de profunda gratidão.

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