Capítulo 5; Decisões que foram tomadas

...30/07/2009 Quinta-Feira; Manhã...

Hiro subiu as escadas rapidamente até seu quarto, a mente ainda ocupada com o que Shinjiro havia dito.

Ele entrou no quarto, pegando sua carteira e celular sobre a mesa, e em seguida, dirigiu-se para a porta.

Ao abrir a porta, no entanto, foi surpreendido por Akihiko, que estava parado bem na frente dela, os olhos cerrados em uma expressão de desconfiança.

"Desde quando você conhece o Shinjiro?" Akihiko perguntou, sua voz firme, mas carregada de tensão.

Hiro, despreocupado, deu de ombros. "Desde ontem. Eu vi você e ele conversando perto do cinema. Acabei ouvindo a conversa de vocês dois."

O rosto de Akihiko começou a se contorcer de incredulidade, uma mistura de surpresa e irritação começando a ferver em seu interior. "Hã? O que você ouviu?"

"Que uma inocente morreu," Hiro respondeu sem rodeios, seus olhos fixos nos de Akihiko. "Também ouvi que o Shinjiro era do SEES."

Ao ouvir essas palavras, Akihiko sentiu seu braço formigar, o impulso de socar Hiro surgindo com força.

Ele cerrou o punho, lutando contra o desejo de desferir o golpe.

"Olha aqui." Akihiko começou, a voz tensa enquanto tentava conter sua raiva. "O que aconteceu foi... foi um acidente."

Hiro, no entanto, manteve sua postura calma. "Eu não tô perguntando isso. Só quero entender uma coisa, Akihiko. Se o Shinjiro era do SEES, então por que ele saiu? Sendo um dos poucos que tem um Persona?"

Ele fez um gesto amplo, indicando o ambiente ao redor. "É só olhar em volta. Mesmo que tenhamos oito membros, nove se contar o Koromaru. Mas dá pra ver que as Shadows estão acabando com a gente."

Akihiko desviou o olhar, a expressão se suavizando ao perceber que Hiro tinha razão.

As shadows estavam se tornando cada vez mais fortes, e o número crescente de feridos era prova disso.

"Você tem razão." Akihiko admitiu, com a voz mais baixa. "Ontem mesmo, Minato e Junpei se feriram muito. E o que a gente enfrentou nem era uma Shadow Arcana. E daqui a sete dias vai ser a próxima lua cheia."

Hiro baixou os braços, seu tom mais suave agora que havia conseguido transmitir seu ponto. "Entendeu meu ponto agora? Eu não sei quem morreu, dessa pessoa que você mencionou. Mas uma coisa é óbvia: com o Shinjiro, as coisas podem ficar mais fáceis."

Nesse momento, a mente de Akihiko foi puxada para o passado, para memórias dolorosas que ele havia tentado enterrar.

Um flashback do orfanato pegando fogo surgiu em sua mente.

Ele se viu mais jovem, sendo segurado por homens que tentavam impedi-lo de voltar ao prédio em chamas.

"MIKIII!" O grito de sua voz jovem ecoou em sua mente.

A cena mudou para outro flashback: ele, mais velho, pressionava Shinjiro contra a parede de um prédio enquanto Mitsuru tentava reanimar uma mulher caída no chão.

"O QUE VOCÊ FEZ?! SHINJIRO!" Akihiko gritou em desespero.

Ele voltou à realidade, o olhar fixo no chão enquanto tentava processar as palavras de Hiro.

Quando levantou os olhos, viu Hiro o observando, aguardando uma resposta.

"Foi mal, Hiro." Akihiko murmurou, o peso das memórias ainda presente em sua voz. "Você tem razão."

Akihiko ficou em silêncio por um momento antes de falar novamente, a decisão firme em seu tom. "Quando você voltar, quero conversar com você. Acho que é melhor a gente se conhecer melhor, para acabar com essa sensação de que vamos sair na mão a qualquer momento."

Hiro levantou uma sobrancelha, surpreso com a sugestão.

Ele percebeu que Akihiko estava começando a entender que era hora de deixar de lado a rivalidade entre eles.

Um sorriso raro e suave apareceu no rosto de Hiro. "Claro, acho que é melhor não brigarmos no meio do Tartarus."

Akihiko riu baixinho, relaxando um pouco. "Obviamente. Mas se você me irritar, ainda te dou um murro."

Hiro deu um soquinho no ombro de Akihiko, um gesto de camaradagem. "Digo o mesmo. Bom, vou indo."

Enquanto Hiro se afastava, Akihiko puxou o celular e abriu uma foto antiga.

Na tela, ele viu uma imagem de si mesmo, mais jovem, ao lado de Shinjiro e de uma garota sorridente.

Akihiko sorriu para a foto, murmurando para si mesmo, "Acho que você tem razão, maninha. Tenho que parar de ser um durão."

...30/07/2009 Quinta-Feira; Meio-dia...

As ruas estavam movimentadas com a energia jovem dos alunos que, fora do período de aulas, se dispersavam em pequenos grupos, aproveitando o tempo livre.

Hiro e Shinjiro caminhavam em meio a essa agitação, o som das conversas e risadas servindo como pano de fundo.

"Esse colégio está botando muitos feriados," Hiro comentou, quebrando o silêncio. "Sem contar no festival de filmes que vai ter mês que vem."

"É." Shinjiro respondeu de forma lacônica. Ele fez um sinal com a cabeça e parou em frente a um pequeno restaurante de ramen. "Vamos entrar aqui."

Sem dizer mais nada, Shinjiro empurrou a porta e entrou, sendo seguido por Hiro.

Os dois se sentaram no balcão, onde o cheiro tentador do caldo de ramen já preenchia o ar.

"Dois especiais, por favor." Shinjiro pediu, com uma voz firme e direta.

Hiro se acomodou no banco ao lado, mas a inquietação estava estampada em seu rosto. "Então, você queria falar comigo. Sobre o que?"

Shinjiro suspirou profundamente, tirando uma seringa do bolso do sobretudo.

Ele girou o objeto entre os dedos antes de olhar diretamente para Hiro. "Quando eu falei com você ontem, pensei um pouco. E fiquei interessado em algo." Ele fez uma pausa, o olhar intenso. "Qual é sua história, Hiro Mikoshi?"

Hiro foi pego de surpresa pela pergunta. Ele nunca havia falado sobre sua vida para ninguém.

Mas algo na presença de Shinjiro, talvez sua seriedade ou o peso em seu olhar, fez com que ele se sentisse compelido a responder.

O rosto de Hiro se fechou, os olhos desviando para suas mãos. "Eu... porra..."

Ele lutou para encontrar as palavras, a voz soando abafada pela dor reprimida. "Foi mal, eu não falo muito sobre isso."

Shinjiro notou a mudança na expressão de Hiro, os olhos perdidos, como se estivesse revivendo memórias dolorosas.

Ele viu no jovem uma dor profunda, algo que parecia estar despedaçando-o por dentro.

"Foi mal." Shinjiro disse, sua voz agora cheia de compreensão. "Se não quiser falar sobre isso, eu entendo. Estamos no mesmo barco."

Hiro levantou os olhos, encarando Shinjiro. Havia uma conexão tácita entre os dois, um reconhecimento mútuo de que ambos carregavam cicatrizes internas.

"Não, tudo bem. Eu também percebi que tanto eu quanto você estamos com a cabeça fudida."

Nesse momento, o chefe do restaurante trouxe dois copos de água e os colocou no balcão.

Hiro pegou um deles e o bebeu de uma vez, tentando se recompor.

"A minha mãe morreu durante o parto." Hiro começou, as palavras saindo de sua boca com dificuldade. "Eu nunca a conheci, mas eu já superei isso e não ligo, mesmo que muitas vezes eu pense nela. Mas..."

Ele apertou o copo nas mãos, os nós dos dedos ficando brancos, enquanto tentava conter a maré de emoções que ameaçava transbordar.

"Mas meu pai... ele me largou quando eu tinha uns dez anos, ou talvez nove. Não lembro direito. Mas ele me chamava de monstro." A voz de Hiro vacilou, a dor e a amargura tornando-se evidentes. "Meu... meu próprio pai me chamou de monstro."

Shinjiro ficou chocado ao ouvir isso. O peso dessas palavras o atingiu como um soco.

O próprio pai de Hiro havia o abandonado, marcando-o de uma maneira cruel e irreparável.

"Caralho..." Shinjiro murmurou, passando a mão pelo pescoço, tentando processar o que acabara de ouvir.

Hiro permaneceu com a mão no rosto, lutando para não ceder à escuridão que sentia.

Uma lágrima escorreu pelo seu rosto, mas ele rapidamente a limpou, forçando ela a recuperar a postura.

"Daí pra frente, tive que me virar para viver," Hiro continuou, a voz agora mais firme, mas ainda carregada de tristeza. "Morei com um amigo do meu pai até vir para o dormitório. Fui transferido para o colégio Gekkoukan porque consegui uma bolsa. O resto... o resto você já sabe."

As palavras de Hiro evocaram memórias em Shinjiro, transportando-o de volta ao passado.

Ele lembrou-se de um orfanato em chamas, a imagem de um jovem Akihiko tentando desesperadamente voltar para dentro do prédio incendiado.

"Akihiko!" Shinjiro havia dito na época, sua voz carregada de tristeza e resignação. "A sua irmã não vai voltar."

Ele suspirou, afastando as memórias, e colocou uma mão firme no ombro de Hiro. "Eu sei," disse, a voz carregada de empatia. "Você se culpa, não é?"

Hiro olhou para ele, confuso e surpreso. "Hã?"

"Você se culpa por isso ter acontecido," Shinjiro continuou, o olhar profundo. "Mas será que realmente você fez algo de errado? Você mesmo disse que não tem nenhum motivo para lutar."

Shinjiro pegou seu copo de água e tomou um gole, deixando as palavras pairarem entre eles. "Você luta no S.E.E.S porque foi chamado pelo presidente. Mas você não percebeu que agora tem algo a fazer? É só perceber o seu papel no S.E.E.S. Eles precisam de você, Hiro."

Hiro limpou a lágrima restante, e por um breve momento, flashes da Mitsuru e do restante do grupo passaram por sua mente. "Você tem razão. Eu tenho que continuar. Mas carregar o peso do mundo nos ombros... sei lá, parece que é coisa demais."

Nesse momento, o chefe do restaurante chegou com as duas tigelas de ramen, colocando-as gentilmente no balcão.

"Dois especiais." disse ele, com um sorriso amistoso. "Qualquer coisa, é só falar."

Shinjiro pegou uma das tigelas e, usando os hashis, levou um pouco do macarrão à boca, saboreando o caldo salgado e rico.

"Sei como é." Shinjiro disse enquanto mastigava, a voz baixa e cheia de melancolia. "Depois do que eu fiz, não quero voltar para o S.E.E.S. Carregar esse mesmo peso... não dá mais para mim."

Hiro pegou sua tigela, mas a pergunta que vinha evitando desde o início escapou de seus lábios antes que pudesse se conter. "Sim. Sobre isso que você fez. O que exatamente aconte..."

Ele parou no meio da frase, seus olhos se fixando no pescoço de Shinjiro.

As veias de Shinjiro estavam ficando negras, pulsando de forma agressiva.

"Shinjiro... o seu pescoço," Hiro apontou, preocupado.

Shinjiro se surpreendeu e tocou seu próprio pescoço, sentindo uma dor aguda atravessar seu peito.

Sua visão começou a ficar turva, uma figura sombria surgindo em sua mente.

"Porra! Agora não... Kastor!" Shinjiro murmurou, a voz carregada de dor.

O sangue começou a escorrer de seu nariz, e ele rapidamente pegou a seringa que havia tirado do sobretudo mais cedo.

Ele puxou a manga, revelando um braço marcado por inúmeras picadas.

Ao injetar o conteúdo da seringa em seu braço, Shinjiro sentiu uma calma fria se espalhar por seu corpo.

As veias negras em seu pescoço começaram a recuar, a pulsação intensa diminuindo gradualmente.

Hiro, que observava a cena com olhos arregalados, mal conseguia conter seu espanto. "Shinjiro, o que caralhos foi isso?"

Shinjiro respirou fundo, limpando o sangue que escorria de seu nariz com as costas da mão. "É meu Persona. Ele... tá 'irritado'."

Hiro olhou fixamente para a seringa que Shinjiro havia acabado de usar. "Isso... é um daqueles inibidores que você me deu?"

"Sim." Shinjiro assentiu, pegando os hashis novamente como se nada tivesse acontecido. "Eu tenho que usar um deles para manter Kastor sob controle. Se bem que esse descontrole é minha culpa."

Ele então olhou para Hiro, que ainda parecia perplexo. "Não vai comer?"

Hiro piscou, como se só então se lembrasse da tigela de ramen à sua frente. "Ah. Vou sim."

Os dois começaram a comer em silêncio. Enquanto o sabor do ramen se espalhava por sua boca, Hiro não conseguia afastar a inquietação que se alojava em seu coração.

Será que os outros me veem apenas como uma ferramenta de combate?

Após alguns minutos, Shinjiro terminou de beber o caldo do ramen e soltou um suspiro satisfeito, como se tivesse aliviado um peso que carregava.

"Hiro."

Hiro, que ainda terminava de comer, respondeu com um som abafado. "Hmm?"

"Sobre o que eu fiz para sair do S.E.E.S. Foi porque..." Shinjiro começou, hesitante, como se as palavras fossem um fardo.

Hiro colocou a tigela no balcão, sentindo a seriedade do momento. "Porque você matou sem querer uma mulher, não foi?"

Shinjiro confirmou com a cabeça, o rosto inexpressivo. "Sim, foi. O meu Persona entrou em frenesi e acabou matando uma mulher que estava próxima."

Ele pegou a seringa usada e a colocou no balcão, como se aquele pequeno objeto carregasse o peso de suas ações passadas. "Eu não quero mais usar meu Persona, então eu uso esses inibidores. Eles cancelam temporariamente o poder de seu Persona."

Hiro olhou para o inibidor com um misto de curiosidade e preocupação. "Onde conseguiu um desses? A Mitsuru e o Akihiko sabem disso?"

Shinjiro pegou o inibidor e o guardou no bolso do sobretudo. "Não, eles não sabem. E eu pego esses inibidores com alguns conhecidos."

Sem dizer mais nada, Shinjiro tirou uma nota de dez mil ienes do bolso e a colocou no balcão.

"Não diga para a Mitsuru e nem para o Akihiko sobre esses inibidores, tá bom?"

Hiro assentiu, compreendendo a gravidade do pedido. "Claro. Aliás, como que você conheceu a Mitsuru e o Akihiko?"

Shinjiro suspirou, como se as memórias pesassem sobre ele. "Eu e o Aki crescemos em um mesmo orfanato. Nossa infância toda... o Akihiko tinha uma irmã mais nova, de sangue."

Hiro se inclinou no balcão, captando cada palavra. "Quando você fala 'tinha', você quer dizer que ela morreu, não é?"

Shinjiro concordou com a cabeça, os olhos ficando sombrios. "Sim. O orfanato pegou fogo por causa de um curto-circuito. E a irmã dele não conseguiu sair a tempo."

Ele bufa irritado e apoia a mão na cabeça, o peso das memórias o esmagando. "Eu consigo lembrar do desespero do Akihiko, tentando se soltar dos bombeiros enquanto o orfanato queimava... com a Miki lá dentro."

Hiro desviou o olhar, sentindo um nó no estômago. "Jesus... eu nunca tive uma irmã. Mas dá para imaginar o desespero."

"Sim, eu vi nos olhos dele."

O celular de Hiro vibrou sem parar, interrompendo a conversa. Ele o tirou do bolso e viu várias chamadas perdidas da Fuuka.

"Aconteceu algo..." Hiro murmurou, os olhos se estreitando.

"Pode ir." Shinjiro disse, notando a urgência na expressão de Hiro. "Deixa que eu pago o seu."

Hiro se levantou apressadamente, mas parou ao ouvir Shinjiro chamar seu nome.

"Hiro, antes de você ir."

Hiro se virou para ele, esperando que Shinjiro falasse.

"Você acha que eu deveria voltar para o S.E.E.S? Mesmo que eu tenha abandonado o Akihiko e a Mitsuru?"

Hiro abaixou o olhar, ponderando sobre a pergunta.

Depois de alguns segundos de silêncio, um raro sorriso animado apareceu em seu rosto.

"Olha, se eu fosse abandonar tudo que eu faço por causa de um acidente ou erro que eu cometi, eu já taria embaixo da terra."

Hiro continuou, a voz firme. "Acho que todos nós fazemos besteiras, mas acho que isso é humano."

O celular de Hiro vibrou novamente, desta vez uma mensagem da Fuuka aparecendo na tela.

Mensagem: Hiro, me ajuda. Tem alguns homens me seguindo. Estou na estação Iwatodai.

Enquanto Shinjiro ponderava sobre as palavras de Hiro, uma pergunta começou a ecoar em sua mente. Será que eu devia voltar mesmo?

"Entendo..." Shinjiro disse com um sorriso raro. "Vou pensar nisso. E Hiro."

Hiro, guardando o celular no bolso, olhou para ele. "O quê foi?"

"Obrigado, acho que eu precisava conversar com alguém sobre isso."

Hiro sorriu de volta, um calor genuíno em seus olhos. "Que nada. Eu também precisava falar um pouco do meu passado para alguém."

Com um aceno, Hiro se despediu e saiu correndo do restaurante, deixando Shinjiro sozinho.

Shinjiro acenou para o chef, chamando-o.

"Outro especial, por favor.", disse ele, colocando outra nota de dez mil ienes no balcão.

...30/07/2009 Quinta-Feira; Tarde...

Fuuka andava rapidamente pelas ruas, seu coração martelando no peito enquanto sentia a presença dos dois homens que a seguiam de perto.

A cada passo, o medo e a aflição aumentavam, tornando sua respiração cada vez mais curta e entrecortada.

Os olhares deles, carregados de segundas intenções, eram como garras invisíveis que tentavam alcançá-la.

"Por favor... Onde você tá?" Ela pensava, lutando para manter a calma.

Desesperada, Fuuka virou em uma rua estreita na tentativa de despistá-los, mas logo percebeu que havia cometido um erro terrível.

O beco não tinha saída. A parede à sua frente parecia crescer, fechando qualquer rota de fuga.

"Ah não... Hiro, cadê você?" Sua voz saiu fraca, quase um sussurro.

"Olha só, finalmente você entrou em um local isolado." A voz do primeiro homem ressoou com uma satisfação perturbadora.

Um sorriso malicioso apareceu em seus lábios enquanto ele puxava uma faca, brilhando na penumbra.

Ele fez um gesto com a mão, chamando Fuuka para mais perto, como um predador encurralando sua presa.

"Vamos, passa o dinheiro. Ou talvez você tenha algo mais a oferecer?" O segundo homem disse, aproximando-se lentamente.

Fuuka recuou, tentando se afastar, mas logo suas costas encontraram a parede fria.

O pânico tomou conta dela, seus olhos fixos na lâmina da faca enquanto a mente procurava desesperadamente por uma saída.

Mas antes que pudesse pensar em qualquer coisa, uma figura surgiu no início do beco, obscurecida pelas sombras.

"Ei, é impressão minha ou essa menina é aluna do colégio Gekkoukan?" O segundo homem murmurou, lançando um olhar pensativo para seu comparsa.

"Você tem razão," respondeu o primeiro, girando a faca em seus dedos com um sorriso sinistro. "Já vi ela com aquele uniforme."

Ele se aproximou ainda mais, agarrando a roupa de Fuuka e começando a examiná-la com olhos famintos. "Que tal... você nos obedecer? Garotinha..."

Um assobio agudo cortou o ar, reverberando pelo beco estreito.

O segundo homem virou-se para ver de onde vinha, mas foi tarde demais.

Um soco certeiro atingiu seu rosto, esmagando o nariz com um estalo seco. Ele gritou de dor, cambaleando para trás.

"Mas que...?" O primeiro homem começou, confuso.

"Desculpa a demora. Foi difícil te encontrar." disse Hiro, sua voz gelada enquanto segurava o segundo homem pela gola da camisa.

Com um movimento rápido e preciso, Hiro aplicou uma chave de braço, arrancando um grito agonizante do homem enquanto seu ombro se deslocava.

Sem hesitar, Hiro agarrou a cabeça dele e a esmagou contra uma lata de lixo próxima, espalhando sangue pelo metal sujo.

"Cale essa boca!" Hiro rugiu, antes de bater novamente a cabeça do homem, nocauteando-o instantaneamente.

O primeiro homem, ainda segurando a faca, avançou com um grito de raiva. "Seu desgraçado, vou te matar!"

Hiro deu um passo lateral, se esquivando com facilidade, e então desferiu um chute na lateral da perna do agressor, quebrando o joelho em um ângulo grotesco.

O homem caiu no chão com um grito, segurando a perna enquanto lágrimas de dor escorriam por seu rosto.

"Meu Deus..." Fuuka murmurou, horrorizada.

Hiro pegou a faca do homem caído, examinando ela com desprezo. "Como que você vai me matar, com isso aqui?"

Com um movimento simples, ele quebrou a lâmina em duas, revelando que era uma faca falsa, mais uma ferramenta de intimidação do que uma arma verdadeira.

"Não me faça de idiota, seu filho da puta." Hiro disse, a raiva em sua voz.

O homem levantou as mãos em rendição, mas Hiro não deu a mínima.

Com um chute feroz, ele acertou a cabeça do homem, fazendo os dentes dele voarem e o derrubando inconsciente.

Largando os pedaços da faca de brinquedo, Hiro se virou e caminhou em direção a Fuuka, seu olhar suavizando ao ver o medo nos olhos dela.

"Você tá bem?" Ele perguntou, a preocupação evidente em sua voz.

"Sim, eu tô." Fuuka respondeu, ainda tremendo. "Mas você não precisava espancar os homens assim."

Hiro piscou, confuso. "O quê? Mas eles iriam te roubar. Ou até mesmo fazer algo pior."

Fuuka, ainda preocupada e assustada, balançou a cabeça. "Hiro, eu sei que você me salvou. Mas não precisa necessariamente usar a força bruta."

As palavras dela atingiram Hiro como um balde de água fria.

Ele olhou para o lado, pensativo, tentando processar o que ela havia dito. Finalmente, ele suspirou fundo e a encarou.

"Vou... tentar me lembrar disso na próxima." ele disse, hesitante. "Mas não quer dizer que esses dois mereciam menos."

"Tem razão." Fuuka admitiu, a voz mais suave.

Sem aviso, ela se jogou nos braços de Hiro, abraçando ele de forma apertada.

Hiro ficou surpreso, sentindo seu rosto esquentar com a proximidade inesperada.

"Mesmo assim, obrigado Hiro." A voz de Fuuka era sincera, carregada de alívio e gratidão.

"Ok, ok." Hiro disse, envergonhado, enquanto passava a mão pelo cabelo esverdeado de Fuuka de forma desajeitada. "De nada. Vamo voltar pro o dormitório. E... não conta pra Mitsuru sobre isso, tá bom?"

Fuuka se afastou do abraço, sorrindo para ele. "Tá bom. Mas prometa que vai tentar não espancar todo mundo. Entendeu?"

Ela levantou o dedo mindinho, um gesto doce e inocente que fez o coração de Hiro derreter.

O gesto simples, mas cheio de significado, tocou algo profundo dentro dele.

Ele viu Fuuka não apenas como uma amiga, mas como uma irmã mais nova que queria protegê-lo de si mesmo.

Hiro sorriu, um calor genuíno irradiando de seu rosto enquanto entrelaçava seu mindinho com o dela. "Entendi. Então, temos um acordo."

"Não é um acordo." Fuuka disse com uma risadinha. "É uma promessa."

...Uma promessa....

...Acho que é isso que pode fazer o Hiro ser uma pessoa melhor....

...Eu vou ajudar ele!...

...Arcana da Sacerdotisa;...

...Fuuka Yamagishi...

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Comments

Carlos hunter15

Carlos hunter15

Agora isso já foi um pouco exagerado.

2024-10-19

0

Carlos hunter15

Carlos hunter15

Por que caralhos alguém iria assaltar uma pessoa com uma falca falsa se era só comprar uma faca de cozinha barata?

2024-10-19

0

Carlos hunter15

Carlos hunter15

Bem feito.

2024-10-19

0

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