Capítulo 2; O bater das asas

...24/07/2009 sexta-feira; Dark Hour...

O Tartarus se ergueu em sua forma melancólica, imponente e avassalador.

As paredes pareciam pulsar suavemente, como se estivessem vivas, enquanto os ponteiros de um relógio gigantesco continuavam seu movimento incessante.

Hiro, olhando para cima, não conseguia esconder seu espanto.

"Cacete, olha o tamanho disso. É enorme." exclamou, tentando processar a magnitude do lugar.

Aigis, sempre calma e precisa, respondeu: "O Tartarus é o lugar onde lutamos para tentar diminuir os casos de síndrome da Apatia. Mas, pelos meus scanners, nem sequer estamos na metade do caminho."

O grupo começou a avançar, atravessando as enormes portas da entrada.

Um corredor imponente os levou a uma área vasta e aberta, que mais parecia o interior de um gigantesco relógio.

Engrenagens metálicas giravam sem parar ao redor, enquanto um enorme pêndulo balançava de um lado para o outro, o seu movimento hipnotizante.

Hiro, ainda impressionado, observou o ambiente. "Meu Deus..."

Mitsuru e Akihiko avançaram à frente. Mitsuru carregava uma caixa médica, que começou a instalar no chão, para caso de emergência.

Hiro, ainda atordoado, olhou para a imponente escadaria que levava ao grande relógio no centro da sala.

"Nosso colégio sempre foi essa torre? Caramba." murmurou, ainda tentando entender a situação.

Junpei, que já estava acostumado com a visão, deu um leve sorriso, mas ainda parecia impressionado. "Não importa quantas vezes eu veja esse andar. Eu sempre me arrepio."

Minato, que até então permanecia em silêncio, lembrou-se de algo importante. "Hiro, tem algo que esquecemos de te falar. O Tartarus tem muitos andares que mudam a cada Dark Hour. Nosso objetivo é chegar até os andares limite de cada área."

Fuuka, que havia se juntado ao grupo, explicou: "O grupo é separado em quatro pessoas, sendo Minato-san o líder. Ele decide quem vai subir com ele, ou seja, mais três pessoas."

Mitsuru se levantou após terminar de posicionar a caixa médica e, batendo as mãos, decidiu: "Já que vamos ver como você se sai em combate, o grupo será composto por você, Takeba e Iori. Arisato, você cuida dele?"

Minato assentiu. "Sim, eu fico de olho no Hiro. Estarei na passagem do relógio no topo da escada."

Enquanto isso, Hiro observava Yukari ajustando a corda de seu arco, enquanto Junpei praticava alguns golpes com sua montante.

De repente, uma voz distante ecoou em sua mente: "Finalmente... a hora está chegando."

Mitsuru, notando que Hiro estava parado, aproximou-se com uma expressão preocupada. "Mikoshi, você tá bem?"

Hiro, saindo de seu breve transe, respondeu: "Ah, eu tô. Só tava pensando em algo."

Mitsuru, puxando o seu Evoker do coldre, ofereceu-o a Hiro. "Entendi. Aqui, leve meu Evoker. O seu ainda não foi produzido, então fique com o meu emprestado."

Hiro pegou o Evoker, observando-o por um momento.

O dispositivo em formato de pistola prateada com detalhes intrincados e o emblema do SEES gravado no cano.

Ele girou o Evoker em seu dedo e o colocou no coldre no seu novo cinto. "Obrigado, vou precisar conhecer meu persona."

No topo da escadaria, Minato, Junpei e Yukari esperavam pacientemente.

Fuuka, ajustando seu headset, se dirigiu a Hiro: "Hiro-san, esqueci de avisar. Meu persona não é para lutar como o de vocês, mas vou dar suporte tático por meio da minha telepatia."

Mitsuru acrescentou: "Outra coisa, quando estiver subindo os andares com Arisato, sempre escute as ordens dele, ou as minhas, que eu enviarei por meio da telepatia da Yamagishi."

Hiro começou a subir a escadaria, ouvindo as instruções de Mitsuru.

Antes de desaparecer pela passagem do relógio, ele olhou para trás, tirando sua cimitarra da bainha. "Pode deixar, vou tentar seguir as ordens dele. Por enquanto."

Mitsuru observou enquanto os quatro desapareciam na escuridão do Tartarus.

Ao seu lado, Fuuka já havia invocado sua Persona, Lúcia.

A figura etérea de Lúcia flutuava ao lado de Fuuka, com seu corpo pálido e translúcido, trajando um vestido rosa que emitia um brilho suave.

Seu rosto é vermelho, cobertnas suasaixas que deixam amostra apenas sua boca e seu nariz, e em suas costas, seu cabelo loiro levitava lentamente, refletindo a luz esverdeada do Tartarus.

Mitsuru observava o Tartarus com uma expressão grave. "Yamagishi, consegue ver eles?"

Fuuka, concentrada em sua Persona, respondeu: "Sim, daqui a pouco consigo espelhar a visão da Lúcia no centro do círculo."

Aigis se aproximou de Lúcia, curiosa. "Eu me pergunto, que tipo de Persona o Hiro-senpai tem. Todos nós temos Personas ligados a deuses ou figuras importantes da mitologia grega."

Akihiko, cruzando os braços enquanto olhava para o círculo projetado por Lúcia, comentou: "Vamos ver o que você é capaz, Hiro."

Após atravessarem a passagem, Hiro olhou em volta, observando o ambiente sombrio e claustrofóbico. "Caraca, acho que vai demorar para eu me acostumar com isso." murmurou, ainda surpreso.

A voz de Fuuka ressoou em suas mentes através da telepatia. "Pessoal, conseguem me ouvir?"

Yukari olhou para cima, como se pudesse ver Fuuka. "Alto e claro. Dessa vez estamos aqui apenas para testar o Hiro, né?"

Mitsuru confirmou pela telepatia. "Sim, caso ele se saia melhor do que o esperado, podem subir até onde conseguirem."

Junpei, sempre entusiasmado, apertou o cabo de sua montante. "Muito bem, hora de matar umas Shadows."

O grupo começou a avançar pelos corredores, subindo alguns andares em busca de Shadows.

Quando Hiro virou uma esquina, Yukari rapidamente agarrou a gola do casaco dele, puxando-o de volta.

"Cuidado, tem uma ali." sussurrou Yukari.

Os quatro espiaram pela esquina e avistaram uma Shadow: uma criatura gosmenta, com vários braços, que se arrasta pelo chão em busca de algo.

Minato puxou sua espada da bainha e se preparou para atacar. "Certo, vou te explicar rápido como funciona nossa tática. Se conseguirmos atacar uma Shadow por trás, teremos vantagem. Por algum motivo, elas só reagem após nossa 'rodada', então é crucial atacá-las primeiro."

Hiro assentiu, tentando assimilar a informação. "Entendi, um de cada vez. Vamo nessa."

Com um movimento rápido, Minato avançou contra a Shadow, atingindo-a pelas costas com sua espada.

A criatura soltou um grito irritado, seu corpo se distorcendo e se transforma em um ser verde e cilíndrico, com membros e olhos completamente brancos.

Hiro recuou, assustado. "Mas o quê? Que porcaria é essa?"

Junpei ajustou sua postura com a montante, pronto para atacar. "Uma das várias formas que uma Shadow pode assumir."

Cercados, os quatro ficaram de olho na Shadow, que parecia analisar seus oponentes em busca de uma saída.

Minato, sem desviar o olhar da criatura, deu o próximo comando. "Yukari, sua vez."

Yukari puxou a corda de seu arco, mirando cuidadosamente. "Tá bom."

Ela disparou uma flecha que acertou o olho da Shadow, fazendo-a gritar de raiva e focar em Yukari.

A voz de Mitsuru ecoou em suas mentes através da telepatia. "É agora, Hiro. Use seu Persona."

Hiro olhou para o Evoker em seu coldre e o puxou com a mão esquerda, enquanto sua direita segurava firmemente a cimitarra.

Ele observou o dispositivo, que parecia incrivelmente com uma pistola.

"Ok, é só apontar para minha cabeça e puxar o gatilho." murmurou, tentando acalmar seu coração acelerado.

Ele pressionou o cano contra a lateral de sua cabeça, fechando os olhos por um momento.

"Só puxa o gatilho. Só puxa o gatilho," repetiu para si mesmo.

Até que uma voz, profunda e ressonante, ecoava em sua mente: "Então, finalmente podemos viver uma nova fase dessa história. Vamos, grite aquilo que você carrega. Eu sou tu, e tu és eu."

Um sorriso macabro se formou nos lábios de Hiro, tão perturbador que fez Yukari se assustar.

"Hiro..." sussurrou Yukari, sentindo um calafrio.

Hiro sentiu seus cabelos se arrepiando, uma sensação estranha e poderosa tomando conta de seu corpo.

Mesmo que o dispositivo o matasse, o que importava? Esta era a verdade.

"Sim, vamos acabar com isso." murmurou, quase como se falasse para si mesmo. "Lúcifer!"

Seus olhos se abriram, cheios de uma sede de sangue que ele manteve oculta por muito tempo.

"Persona!" gritou, puxando o gatilho.

Um flash de luz vermelha saiu do outro lado de sua cabeça, sinalizando que o Evoker havia sido ativado.

Uma energia escura e vermelha começou a flutuar em volta de Hiro, até que finalmente, atrás dele, seu Persona emergiu.

Lúcifer apareceu, uma figura imponente e aterradora.

Seu rosto era pálido como a lua, com um sorriso largo e assustador que revelava dentes afiados. Seus olhos brilhavam com uma luz vermelha intensa, emanando um poder avassalador.

Seus cabelos curtos e brancos complementavam a pele pálida, enquanto penas pretas se espalhavam por seu corpo musculoso e bem definido.

As penas se concentram principalmente nos ombros e no peito, algumas delas pulsando com uma luz vermelha semelhante à dos olhos.

E suas pernas se assemelham a patas cobertas de escamas pretas e detalhes vermelhos.

Para completar sua aparência, Lúcifer possuía enormes asas brancas que se estendiam para os lados.

Apesar de sua aparência angelical, contraste com o resto de sua figura criava uma sensação perturbadora e ameaçadora.

Junpei, desacreditado, apenas conseguiu murmurar: "Caramba, olha esse Persona."

Com um grito de guerra, Hiro ordenou: "Acaba com ele, Lúcifer!"

Lúcifer apontou suas mãos na direção da Shadow e lançou Eiha, um ataque de escuridão.

Arames negros emergiram do chão, enrolando-se em volta dos membros da Shadow.

Com um puxão estrondoso, os arames retornaram ao chão, arrancando os membros superiores da criatura.

A Shadow soltou um grito de dor enquanto um líquido negro jorrava de onde antes estavam seus braços.

Sem dar tempo para a criatura reagir, Lúcifer desapareceu, e Hiro avançou com sua cimitarra em mãos.

Ele agarrou a cabeça da Shadow e, com um corte limpo e preciso, decapitou ela.

A Shadow se desfez em uma névoa negra, desaparecendo no ar.

Hiro girou a cimitarra, limpando o sangue negro da Shadow com um movimento fluido. "Essa sensação... foi incrível."

Minato relaxou, saindo de sua postura de combate. "Admito, a primeira vez pode ser incrível."

Yukari ainda parecia abalada, seu olhar fixo em Hiro. "Hiro, por um momento você ficou..."

Hiro, percebendo sua preocupação, deu de ombros. "Ah, o sorriso macabro? Não se preocupe, é raro me ver animado daquele jeito."

Yukari balançou a cabeça, frustrada. "Não é isso, idiota. O seu Persona... ele é diferente dos nossos."

Junpei, sem entender, interveio. "Ahn, Yukari, você se esqueceu que cada um tem seu próprio Persona?"

Ela suspirou, levando a mão ao rosto. "Ai meu Deus, parece que vocês compartilham o mesmo neurônio."

A voz de Akihiko soou através da telepatia, esclarecendo o que Yukari queria dizer. "Ela tá tentando explicar que os nossos Personas têm ligação com deuses gregos ou personagens da mitologia grega. Mas o do Hiro... é da mitologia judaica ou cristã."

Hiro, com uma expressão entediada, retrucou: "E por acaso isso importa? Com todo respeito, mas, se acham o meu Persona estranho, não sei como mu..."

Antes que pudesse terminar, ele notou que Yukari, Junpei e Minato o olhavam com expressões de puro terror.

Hiro ficou confuso. "O que foi? Tem algo atrás de mim?"

Fuuka, com desespero evidente em sua voz, gritou através da telepatia: "Hiro, se abaixa!"

Instintivamente, Hiro se agachou no exato momento em que uma enorme bala mágica passou voando, colidindo com a parede atrás dele e explodindo em incontáveis pedaços.

"Cacete, o que foi isso?!" Hiro exclamou, ainda em choque.

Fuuka respondeu, sua voz tremendo de medo. "É o Ceifador! Corram!"

Hiro se virou para olhar, e seu sangue gelou ao ver uma enorme Shadow, com um par de revólveres gigantescos, encarando ele.

A figura ameaçadora parecia analisá-lo, seus olhos vazios r, os seusndo uma escuridão tenebrosa.

Ceifador: "ヘラルド"

Minato correu até Hiro, agarrando o braço dele com força. "Não fica aí parado, corre!"

Sem hesitar, Hiro, Minato, Junpei e Yukari começaram a correr o mais rápido que podiam, o som das botas ecoando pelos corredores enquanto o Ceifador os perseguia implacavelmente.

"Ei, por que essa Shadow tá correndo atrás da gente?!" Hiro gritou, tentando entender a situação.

A voz de Mitsuru ecoou em suas mentes, explicando com urgência. "Para o Tartarus, nós somos invasores. Se passarmos muito tempo nos andares, ele envia o Ceifador atrás de nós."

Minato, liderando o grupo enquanto corriam freneticamente, adicionou: "Além disso, o andar de entrada é o único onde o Ceifador não entra. Ou seja, nosso único lugar seguro é lá."

Yukari olhou para trás, pálida. "Ele tá chegando perto!"

Junpei olhou para trás e viu o Ceifador se aproximando rapidamente de Yukari.

Em um movimento desesperado, ele puxou o Evoker do coldre e apontou para a própria cabeça.

"Hermes!" Junpei gritou, invocando o seu Persona.

Um flash de luz surgiu do outro lado da cabeça de Junpei, e seu Persona, Hermes, apareceu, voando em direção ao Ceifador.

Com uma velocidade impressionante, Hermes desferiu um chute no peito da criatura e lançou uma rajada de Agi, uma poderosa magia de fogo.

As chamas envolviam o torso do Ceifador, mas este não hesitou; apontou um de seus enormes revólveres para Hermes e disparou uma bala mágica de vento, acertando a fraqueza do Persona.

Hermes foi lançado para trás, ferido, e desapareceu no ar.

Hiro olhou para trás e viu que, embora tivessem ganhado distância do Ceifador, Junpei estava com o braço coberto de sangue.

"Junpei, seu braço!" Hiro exclamou, preocupado.

Junpei mordeu os lábios para conter a dor. "Eu tô bem. Continua correndo."

Os quatro continuaram correndo pelos corredores do Tartarus, até que chegaram a uma sala com uma máquina de teletransporte.

"Subam no teletransporte! Vão!" A voz de Mitsuru soou através da telepatia.

Sem hesitar, os quatro subiram na plataforma, e Minato pressionou o botão.

Um brilho envolveu todos, e eles desapareceram da sala, escapando por pouco.

Na entrada do Tartarus, Mitsuru olhava para cima, observando o teletransporte ativando.

Em um instante, Minato, Junpei, Yukari e Hiro foram arremessados para fora da máquina, caindo um em cima do outro.

Akihiko e Aigis correram até eles, preocupados.

"Vocês estão bem?" Akihiko perguntou.

Hiro se levantou, ainda ofegante. "Acho que sim. Caramba, foi por pouco."

Aigis, notando o ferimento de Junpei, aproximou-se para ajudar. "Junpei-san, me permita cuidar do seu braço."

"Ah, valeu, Aigis." Junpei respondeu, grato, enquanto Aigis começava a enfaixar seu braço.

Enquanto Fuuka se apressava em trazer a caixa médica, Mitsuru se aproximou de Minato e Yukari, mas algo estranho aconteceu.

Uma voz sussurrou em sua mente.

"Arauto..."

Ela olhou ao redor, procurando a origem da voz, mas não encontrou nada.

Hiro percebe a confusão de Mitsuru, ele para de massagear o ombro e questiona. "Mitsuru, aconteceu alguma coisa?"

"Eu escutei uma voz." Mitsuru respondeu, ainda tentando entender o que havia ocorrido.

Yukari olhou para ela com preocupação. "Voz? Mitsuru-senpai, acho que o Tartarus tá mexendo com sua cabeça. Ninguém aqui escutou voz alguma."

Mitsuru colocou a mão na testa, tentando afastar a sensação estranha. "Acho que você tem razão."

Minato, tentando aliviar a tensão, mudou de assunto. "Bom, trocando de assunto... O Hiro até que sabe lutar."

Hiro, despreocupado, tirou o Evoker do coldre e o devolveu para Mitsuru. "Não é a primeira vez que eu luto. Eu treinei no clube de esgrima e no de defesa pessoal do meu antigo colégio, antes de ser transferido pro Gekkoukan."

Akihiko, com os olhos semicerrados de irritação, encarou Hiro. "Isso explica muita coisa."

Os dois começaram a se encarar, uma tensão palpável no ar.

A aura de ódio entre eles era quase tangível, e Junpei, percebendo a situação, interveio.

"Por que vocês dois estão se encarando assim?" Junpei perguntou, tentando aliviar o clima.

Aigis, ao enfaixar o braço de Junpei, acabou aplicando um pouco mais de força do que o necessário, fazendo Junpei pular de dor. "Aí aí, cuidado, Aigis."

Akihiko olhou para Junpei e depois para Hiro. "Bom, como todos vocês sabem, eu sou o melhor lutador do clube de boxe. Mas um dia, um aluno estava derrotando todos os outros sem nenhuma dificuldade, desafiando todo mundo. E esse era o Hiro."

Junpei, Yukari e Fuuka ficaram surpresos ao ouvir isso.

Akihiko era famoso por ser o melhor lutador do colégio.

"Espera." Yukari exclamou. "Akihiko-senpai, aquele boato do ano passado de que um aluno conseguiu derrotar todos do clube de boxe, incluindo você, não foi mentira?"

Akihiko balançou a cabeça, negando. "Não, não foi mentira. Foi uma luta meio secreta que eu tive com o Hiro. Admito que eu queria por o Hiro no lugar dele. Resultado..."

Hiro, se espreguiça como se não fosse grande coisa, completou. "Eu saí com o nariz quebrado, e o Akihiko saiu com um dos dedos da mão inchados e o dedão do pé quebrado."

Fuuka, ainda tentando entender a situação, perguntou: "Mas... por que você desafiou todo o clube de boxe?"

Hiro respondeu com um tom indiferente: "Fizeram uma aposta comigo, na qual, se eu ganhasse de todo o clube de boxe do colégio, eu ganharia vinte mil ienes. Na verdade, eu fiz isso porque não tinha nada melhor para fazer."

Mitsuru, irritada com o que acabou de ouvir, não conseguiu conter sua indignação. "Você fez isso apenas por causa do tédio? Mikoshi, você tem noção do que fez?"

Hiro, que estava se afastando em direção à saída, parou e olhou para Mitsuru. "Sim, eu tenho. Eu precisava ganhar algumas coisas. Diferente de você, eu nunca ganhei nada dos meus pais. Dinheiro, presentes, nada. Afinal, eu nem conheci minha mãe, e meu pai me abandonou. Tudo que eu faço, é apenas para sobreviver. Tô voltando pro dormitório."

Hiro começou a caminhar para fora, deixando todos para trás, mostrando claramente que não se importava com ninguém.

Minato, surpreso com as palavras de Hiro, comentou: "Isso foi inesperado. Bom, vou aproveitar e ir com ele."

Minato seguiu Hiro em direção ao dormitório, enquanto Mitsuru permanecia parada, refletindo sobre as palavras que ainda ecoavam em sua mente. "Diferente de você, eu nunca ganhei nada."

Ela colocou a mão no peito, sentindo o peso dessas palavras como um tiro.

Mitsuru sussurrou para si mesma: "Nem eu ganho algo, Hiro. Apenas recebo ordens da minha família."

Akihiko, percebendo o impacto emocional em Mitsuru, colocou a mão no ombro dela. "Vamos voltar. Amanhã a gente conversa com o Hiro."

Mitsuru apenas acenou em concordância e começou a sair do Tartarus.

Fuuka, ainda processando o que Hiro havia dito, olhou para Yukari e comentou, preocupada: "Yukari-chan, só eu que, depois do que o Hiro falou, percebi que ele tem algo faltando? Tipo..."

Yukari completou, também preocupada: "Tipo, como se ele estivesse vazio por dentro? Sim, eu percebi também."

Junpei, agora de pé, refletiu sobre Hiro. "Eu tinha receio em falar com o Hiro. Mas, ele é um cara legal. Acho que ele só precisa se acostumar conosco."

...25/07/2009 Sábado; Manhã...

O som irritante do despertador ecoou pelo quarto, forçando Hiro a se mexer na cama.

Com os olhos ainda fechados, ele estendeu a mão em direção ao aparelho barulhento.

"Fica quieto. Maldito." murmurou irritado, a voz sonolenta.

Num movimento repentino, Hiro golpeou o despertador com força.

O som de algo quebrando preencheu o quarto, seguido por um furo na cabeceira da cama. Hiro arregalou os olhos ao ver o que tinha feito.

"Eita... Acho que coloquei força demais." ele comentou, olhando para o despertador agora rachado no meio.

Coçou a cabeça e, resignado, levantou-se da cama, observando o quarto novo.

"Até que é bem confortável aqui. Bom, vou me arrumar." disse para si mesmo, enquanto se dirigia ao armário para pegar suas roupas e se preparar para a aula.

Os dias passaram, e a rotina normal se instalou.

O grupo continuava suas vidas escolares durante o dia, enquanto à noite, durante a Dark Hour, eles se tornavam combatentes, subindo cada vez mais os andares do Tartarus.

...28/07/2009 Terça-feira; Meio-dia...

Era hora do almoço, e os corredores da escola estavam cheios de alunos conversando e se movimentando de um lado para o outro.

Na sala do conselho estudantil, Mitsuru estava concentrada, lendo documentos de reclamações, entre elas há de um aluno pego fumando no ambiente escolar.

Uma batida na porta ecoou pela sala, fazendo Mitsuru desviar o olhar dos papéis.

"Entre." disse, colocando o papel na mesa.

A porta se abriu, revelando Hiro, que entrou na sala com uma expressão indiferente, enquanto terminava de beber um suco.

O líquido na garrafa acaba, e Hiro joga ela no lixo ao lado da porta, ele limpa a boca após terminar o suco.

"O seu vice-presidente faltou me decapitar, só pra avisar que você queria falar comigo. Então, o que você quer?" Hiro perguntou, sem rodeios.

Mitsuru se levantou, mantendo a compostura. "Mikoshi, sobre o que você falou durante a Dark Hour, da primeira vez que fomos ao Tartarus."

Hiro fechou a porta e cruzou os braços, encarando Mitsuru. "Sim, eu lembro. Quer me dar um sermão por causa do que eu fiz no clube de boxe?"

Mitsuru balançou a cabeça, negando. "Não, é outra coisa."

Hiro notou que Mitsuru parecia cabisbaixa, refletindo sobre o que ele havia dito anteriormente.

Sentiu um peso em sua consciência ao perceber que suas palavras a haviam magoado.

"Ah, eu te magoei, não foi?" ele perguntou, sem jeito.

Mitsuru, surpresa, respondeu rapidamente. "O quê? Não, não é isso."

Ela deu a volta na mesa e se aproximou de Hiro, parando em frente a ele.

Com o olhar baixo, ela parecia estar lutando com suas próprias emoções.

"Quando você falou aquilo, eu não quis falar naquele momento. Mas, após pensar um pouco..." Mitsuru desviou o olhar, pondo a mão em seu próprio braço.

"Você não tem tudo?" Hiro suavizou seu tom, tentando compreender o que ela queria dizer.

Mitsuru fechou os olhos, como se tentasse encontrar coragem para continuar. "Não. Quando você disse que nunca tinha ganhado algo, e que era diferente de mim... você tá errado."

Ela finalmente levantou o olhar, encarando Hiro com uma mistura de indecisão e preocupação. "Mesmo que eu tenha nascido em uma família rica, de uma das maiores empresas do mundo, a Kirijo Group, eu não ganho nada. Eu luto para fazer meu pai ficar orgulhoso e para protegê-lo. Mas, eu não ganho nada além de um 'Bom trabalho'."

Hiro se surpreende com a confissão.

A lembrança de seu próprio pai, que o abandonou quando era criança, passou por sua mente.

"Você tem sorte de ter um motivo pra lutar." Hiro sussurrou, mas Mitsuru não conseguiu ouvir.

"O que disse?" ela perguntou, confusa.

Hiro abriu os olhos e, depois de um suspiro, falou com mais clareza. "Olha, Mitsuru. Eu posso ter falado algo que te incomodou, e desculpa por isso. Mas, não tem motivo para você querer se explicar. Cada um de nós tem seus motivos, seus objetivos, e seus demônios internos."

Mitsuru ficou surpresa com a sinceridade de Hiro, mas antes que pudesse responder, ele continuou.

"Se o seu motivo para lutar é proteger seu pai, então se mantenha firme. Mas não deixe que uma frase dita por alguém barre o seu objetivo."

Ele colocou a mão no ombro de Mitsuru, com um gesto firme e encorajador. "Você é nossa líder, não fique de cabeça baixa."

O sinal para o início da próxima aula tocou, cortando o silêncio que da sala.

"Bom, acho que devemos voltar para a sala." Hiro sugeriu, olhando para cima.

Mitsuru assentiu, um sorriso calmo surgindo em seus lábios. "Sim, você tem razão. Obrigado por me escutar."

Hiro se virou em direção à porta. "Não há de quê. Às vezes, desabafar é bom."

Quando ele estava prestes a sair, Mitsuru se virou para voltar à mesa, mas parou por um momento.

"Mikoshi, posso fazer uma pergunta?" ela disse, ainda de costas para ele.

Hiro parou e se virou para ela. "Pode."

Mitsuru pensou por um momento, antes de se virar para encará-lo. "Qual é seu motivo para lutar?"

Hiro foi pego de surpresa pela pergunta e olhou para o lado, confuso.

Depois, voltou a olhar para Mitsuru com um sorriso incerto.

"Eu não faço ideia." respondeu, dando de ombros.

Os dois ficaram se encarando por um breve momento, como se ambos estivessem tentando entender o que se passava na mente do outro.

"Talvez, eu ainda encontre algum. Aliás, me chame apenas de Hiro. Não tem motivo para manter essa formalidade." Hiro fala isso olhando para os olhos da Mitsuru, com um raro sorriso gentil.

Mitsuru ficou surpresa com a informalidade repentina, mas antes que pudesse responder, Hiro saiu da sala e fechou a porta atrás de si.

Sozinha, Mitsuru sorriu suavemente. "Entendo... vou lembrar disso. Hiro."

...??/??/2009 ????; Dark Hour...

Um homem desperta em meio à escuridão, os olhos arregalados e a mente confusa.

Ele olha ao redor, tentando entender onde está. As ruas que antes conhecia agora estão repletas de caixões fechados, alinhados como se aguardassem algum ritual macabro.

"Que lugar é esse? Por que as ruas estão cheias de caixões?" ele murmura, a voz tremendo de medo.

De repente, um som metálico e pesado rompe o silêncio.

Algo se move nas sombras de um beco próximo, acompanhado por barulhos mecânicos que reverberam pelo ar.

"Ótimo, a Justiça e o Carro de Guerra acordaram." uma voz fria e impassível ecoa das trevas.

O homem se sobressalta, virando-se para a origem do som. "Quem tá aí?" ele grita, o desespero evidente em sua voz.

Três figuras emergem da escuridão, cada uma com uma presença ameaçadora. Dois homens e uma jovem mulher se aproximam lentamente.

O primeiro, um homem de cabelos prateados envolta de um cabo preto mantendo o cabelo preso, seus olhos amarelos, veste-se de forma casual, mas sua falta de camisa e a postura relaxada contrastam com o olhar penetrante e macabro.

Ele é Takaya Sakaki, líder de um grupo que cumprem contratos de assassinato, utilizando a Dark Hour, ele está com ambas das mãos apontadas para o céu. E um revólver magnum de calibre 0.500, está preso ao cinto de sua calça jeans.

A segunda figura é uma jovem garota, Chidori Yoshino.

Seus longos cabelos ruivos se espalham por seus ombros, com olhos castanhos escuros, usa uma faixa preta com babados branco-creme e uma adaga falsa presa, dando a ilusão de que sua cabeça foi empalada por ela.

Fora isso, ela usa gola de tecido estilo branco com fita preta, vestido longo gótico lolita branco, meias brancas e sapatos de salto alto.

Seu olhar vazio e desprovido de emoção faz com que qualquer um que a encare sinta um calafrio na espinha.

O terceiro, um homem de casaco verde e óculos com lentes alaranjadas, Jin Shirato, observa tudo com uma frieza analítica, como se estivesse calculando cada movimento e consequência, enquanto carrega uma maleta prateada.

"Vocês...? Eu... eu não fiz nada! Eu fiz o que vocês pediram." o homem balbucia, o desespero transbordando de sua voz enquanto tenta justificar sua existência diante dos três.

Takaya para, seus olhos gélidos fixos no homem. "Sim, você fez. Mas isso não significa que estaria livre. Você foi escolhido para ceder sua vontade a eles."

O medo domina o homem, e ele tenta se levantar, desesperado para fugir.

No entanto, antes que consiga dar um passo, uma mão gelada e implacável pousa em seu ombroimpedindo a suaua fuga.

"Medeia, não precisa ceifá-lo. O Takaya não deu a ordem." Chidori diz, sua voz monótona e sem emoção.

Sua Persona, Medeia, desaparece, deixando o homem livre, mas ainda aterrorizado.

"Por favor, eu faço qualquer coisa." ele implora, seus olhos suplicando por misericórdia.

Jin, com os olhos semicerrados, observa o homem com desdém. "Qualquer coisa?" ele repete, antes de se virar para Takaya. "O que fazemos?"

Takaya havia tirado seu revólver do cinto, pronto para atirar na perna do homem, mas após a intervenção de Chidori, ele reconsidera e guarda a arma.

"Fique parado onde está." ordena Takaya, levantando os braços como se fosse dar um comando final.

"Como assim?" o homem pergunta, sua voz trêmula de medo e confusão.

De repente, um estrondo ensurdecedor preenche o ar.

Uma bala de canhão, vinda de algum lugar nas sombras, atinge o homem por trás, partindo-o ao meio.

Seu torso e suas pernas são separados com brutalidade, e suas entranhas se espalham pelo chão enquanto ele grita em agonia.

"Isso dói! Isso dói! SOCORRO! ALGUÉM ME AJUDA!" o homem grita, sua voz se tornando um lamento desesperado e dolorido.

O som mecânico se intensifica, e da névoa que envolve a rua, uma Shadow em forma de tanque emerge, movendo-se com uma intenção mortal.

Takaya começa a rir, um riso macabro e sem alma, enquanto Chidori e Jin observam a cena com atenção fria.

"Conheça dois dos Arcanos Maiores. Entregue sua alma à vontade deles!" Takaya declara, como se estivesse apresentando o destino macabro do homem.

O som do canhão recarregando preenche o ambiente, e em um instante, o disparo ressoa novamente, ecoando pelos becos durante a Dark Hour.

O tanque, implacável, termina o serviço, obliterando o que restava do homem.

Seus gritos são silenciados, deixando apenas o som pesado do tanque se afastando na névoa.

Ninguém, exceto aqueles presentes, tem a menor noção de que um monstro mecânico está à solta, escondido na escuridão da Dark Hour.

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Comments

Carlos hunter15

Carlos hunter15

Arauto

2024-10-19

0

🚨🌹maly20🌹🏵️

🚨🌹maly20🌹🏵️

Não sou de expressar minhas emoções, mas este livro me fez sentir tantas coisas.

2024-10-04

2

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