...29/08/2009 Sábado; Madrugada...
A lua iluminava levemente as ruas desertas enquanto o S.E.E.S caminhava de volta para o dormitório.
A noite estava calma, mas o grupo carregava uma preocupação silenciosa.
Hiro, ainda desacordado, era sustentado por Akihiko e Shinjiro, que o carregavam com cuidado, cada um segura um de seus braços.
Mitsuru andava logo atrás, o rosto claramente perturbado.
Sua expressão preocupada não passava despercebida, especialmente para Aigis, que caminhava ao seu lado.
Os sistemas dela notou o desespero oculto na face de Mitsuru, algo profundo que eles detectavam com precisão.
"Kirijo-senpai, o que está pensando?" Aigis perguntou, seus olhos fixos na líder.
Mitsuru desviou o olhar para Hiro, sendo carregado adiante, e depois voltou-se para Aigis. "Eu... não sei..." Sua voz soava distante.
"Já é a terceira vez que o Hiro desmaia do nada. Primeiro foi quando ele viu o vídeo do Eiichiro Takeba. Depois, foi quando surtou na luta contra as Shadows Arcana do Carro e da Justiça. E agora, isso de novo..."
Aigis, observando à frente enquanto andava, tentou entender melhor a situação. "Eu não compreendo esses sentimentos... mas Minato-san uma vez me disse que a preocupação vem de um afeto por alguém. Acho que é por isso que tenho esse impulso de proteger Minato-san."
Mitsuru sorriu suavemente, mas seu olhar permaneceu inquieto. "Na verdade, é diferente, Aigis. Você sempre quis proteger o Minato desde que foi ativada em Yakushima."
Yukari, que andava ao lado de Minato, escutou a conversa. Intrigada, ela se aproximou. "Falando nisso Aigis, por que você é tão protetora do Minato?"
Aigis respondeu sem hesitar, seus olhos fixos no horizonte. "Eu... sinto que preciso protegê-lo."
Nesse momento, um gemido baixo escapou de Hiro.
Ele começava a se mexer, sua face distorcida em dor.
"Ei, calma Hiro." Shinjiro parou de andar, olhando pro Hiro.
Hiro abriu os olhos lentamente, piscando contra a luz fraca da lua.
Sua visão ainda turva, ele olhou ao redor, confuso.
Akihiko e Shinjiro estavam ao seu lado, enquanto Mitsuru rapidamente se virou e colocou as mãos nos ombros dele.
"Hiro, tá tudo bem?" Ela perguntou, sua voz carregada de preocupação. "É a terceira vez que isso acontece."
Hiro esfregou a testa, ainda sentindo a dor latejar. "Mitsuru... O que aconteceu?"
Minato, observando de perto, respondeu calmamente. "Você desmaiou do nada. Estamos indo para o dormitório agora."
Hiro tentou se lembrar, mas tudo era um borrão.
Fragmentos da visão com Lúcifer surgiam em sua mente; ele se via atacando, gritando, envolto em raiva e fúria.
Fuuka, visivelmente preocupada, se aproximou. "Hiro, por que você desmaia assim?"
Soltando-se do apoio de Akihiko, Hiro franziu o cenho, esfregando a cabeça como se tentasse dissipar a confusão. "Eu não lembro... senti uma dor na cabeça e desmaiei."
Ken, que segurava a kukri de Hiro, perguntou com a voz cheia de preocupação. "Mikoshi-senpai, você não lembra de nada além disso?"
Hiro hesitou por um momento antes de murmurar. "Acho que... conversei com meu Persona?" Ele parecia incerto. "Sim... acho que foi isso."
Junpei arregalou os olhos, incrédulo. "Espera aí. Você falou com seu Persona?"
Hiro olhou para o grupo, agora ciente da atenção que recebia. "Se foi isso que realmente aconteceu... sim, eu falei com Lúcifer."
O silêncio caiu sobre o grupo. Todos se entreolhavam, confusos.
Não era normal, nem esperado, que alguém pudesse conversar com seu Persona diretamente.
Aigis foi a primeira a quebrar o silêncio. "Hiro-san, não há possibilidade de um usuário conversar com o próprio Persona. Afinal, o Persona é uma manifestação do seu 'verdadeiro eu'."
Hiro, surpreso, inclinou a cabeça. "Ué, não é normal falar com seu Persona?"
Mitsuru balançou a cabeça, seu olhar sério. "Não. Você apenas ouve a voz do seu Persona quando o invoca pela primeira vez. Se conseguiu falar com Lúcifer, o que ele disse?"
Hiro tentou se lembrar, mas sua mente parecia envolta em névoa.
A dor latejou novamente em sua cabeça, e ele soltou um gemido baixo, pressionando os dedos contra sua cabeça.
Vendo isso, todos ficaram em alerta, temendo que ele pudesse desmaiar novamente.
Mas o Hiro ergueu a mão, indicando que estava bem.
"Eu tô bem. Mas... não lembro de nada. É como se fosse... um borrão." Ele murmurou, sua voz cansada.
O grupo ficou em silêncio, ponderando o que fazer. A preocupação de que Hiro estivesse se sobrecarregando com o poder de seu Persona era evidente.
Fuuka olhou para Mitsuru, buscando orientação. "Kirijo-senpai, o que a gente faz?"
Mitsuru refletiu por um momento antes de decidir. "Aigis, quero que você fique com Hiro o dia todo quando ele acordar mais tarde. Não quero arriscar que o Persona dele saia se descontrole."
Aigis assentiu imediatamente. "Entendido. Ficarei com Hiro-san."
Mitsuru voltou seu olhar para Hiro. "Você consegue andar?"
Hiro assentiu, embora ainda estivesse visivelmente exausto. "Consigo. Tô melhor agora."
Com isso, ele começou a andar devagar, e Mitsuru e Aigis o seguiram de perto.
O resto do grupo caminhou em silêncio atrás deles, todos ainda processando os eventos enquanto retornavam ao dormitório, cercados pelo silêncio da madrugada.
...30/08/2009 Domingo; Meio-dia...
O quarto estava silencioso, exceto pelo som abafado do gemido de Hiro, afundado no travesseiro enquanto a dor em sua cabeça pulsava forte.
Ele tentou se mover, mas algo gelado e metálico em seu pescoço o fez saltar da cama, assustado.
Seu coração disparou por um momento, até que viu a figura familiar de Aigis ao seu lado, observando-o com olhos azuis serenos e penetrantes.
Seus cabelos loiros curtos estavam cuidadosamente arrumados, e seu corpo metálico branco reluzia sob a luz suave do quarto, sem a sua roupa por cima, e apenas com seu laço vermelho amarrado em seu pescoço.
"Ah, é você, Aigis." Hiro suspirou, aliviado, massageando a testa.
Aigis aproximou-se calmamente, estendendo a mão para a testa do Hiro enquanto seus scanners se ativavam.
"Peço desculpas por te assustar, Hiro-san." Sua voz era firme, mas com uma nota de cuidado. "Estou cumprindo o que a Mitsuru-senpai me pediu."
Hiro sorriu levemente, tentando aliviar a tensão. "Tudo bem. Acho que não vai acontecer mais nada comigo."
Aigis levantou-se, caminhando até a escrivaninha no canto do quarto.
Pegou a cadeira e a posicionou na frente da cama, sentando-se diretamente à frente de Hiro.
Ele, por sua vez, sentou-se na beira da cama, esfregando os olhos com cansaço.
Quando os abriu novamente, percebeu o olhar fixo de Aigis, como se algo estivesse profundamente em sua mente metálica.
"Hiro-san, posso fazer uma pergunta?" A voz de Aigis soou hesitante, mas curiosa.
"Claro. O que foi?" Hiro respondeu, curioso.
Os olhos de Aigis, sempre analíticos, demonstraram uma leve sombra de preocupação.
"Eu... não entendo por que estou sentindo isso." Ela começou, seus olhos baixando por um momento. "Antes de você perder o controle na luta contra o Arcano do Carro e da Justiça, você quase morreu... e eu senti que não fiz o suficiente para proteger todos vocês. Mas porquê eu senti isso?"
Hiro ergueu uma sobrancelha, intrigado. "Você... sentiu culpa? Espera, tem algo que me perguntei várias vezes."
Aigis olhou para as próprias mãos, como se estivesse tentando compreender algo além de sua programação.
Ela era uma arma anti-shadow, construída para lutar, mas... havia algo mais?
Algo além de seu propósito original? Talvez emoções humanas?
"Um usuário de Persona invoca o seu 'verdadeiro eu' de sua mente." Hiro comentou, tentando acompanhar o raciocínio dela. "Mas como você tem um Persona, Aigis? Já que você é uma androide?"
Aigis levantou os olhos para ele, explicando de forma mecânica. "Meu núcleo foi feito do mesmo material dos Evokers, da moto da Mitsuru-senpai e do computador na sala de comando. E nele foi injetado meu Persona, que é o Palladion."
Hiro coçou a cabeça, tentando processar. "Certo, eu entendi essa parte. Mas... ter um Persona não significa que você teria sentimentos humanos?"
Aigis franziu as sobrancelhas, como se lutasse para compreender a pergunta. "Não sei processar a resposta correta. Eu sigo os pedidos e ordens de vocês. Mas... quando vi você quase morrer... e sentir essa vontade de proteger o Minato-san... eu me pergunto quem eu realmente sou."
Hiro ficou em silêncio por um momento, pensando na complexidade da situação.
A Aigis lembra do momento em que o Hiro perdeu o controle, seu corpo pulsando com uma energia feroz enquanto ele atacava a Shadow Arcana do Carro, esmurrando ela com fúria.
Aigis, ainda imersa em seus próprios pensamentos, olhou novamente para Hiro. "Eu detectei uma energia muito alta circulando pelo seu corpo quando você se descontrolou. Hiro-san... você não quer se tornar um monstro, quer?"
Hiro rapidamente balançou a cabeça. "Não, eu não quero. Quando a Fuuka e a Mitsuru me contaram o que eu fiz, comecei a evitar de usar o Lúcifer. Eu tô com medo de perder o controle e machucar vocês..."
Aigis abaixou os olhos, absorvendo suas palavras. "Eu entendo..."
O silêncio entre eles era denso, mas de alguma forma, acolhedor.
Hiro percebeu que esta era a primeira vez que tinha a chance de conversar de verdade com Aigis, sem a pressão de uma batalha.
Ele também notou algo diferente nela. Não era que Aigis escondesse algo dos outros, mas talvez... ela mesma não soubesse o que era.
De repente, Aigis o encarou, seus olhos curiosos. "Posso te pedir um favor?"
Hiro se surpreendeu. "Pode sim."
Aigis se inclinou levemente na cadeira, seu olhar mais suave do que antes. "Quero que você me ensine sobre a vida humana. Talvez, assim, eu possa entender por que me preocupo tanto com o Minato-san."
Hiro soltou um suspiro breve, um sorriso brincando em seus lábios enquanto ele olhava para o lado e sussurrava para si mesmo: "De todas as pessoas no S.E.E.S, ela pede logo pra mim..."
Ele olhou diretamente nos olhos dela e, com um gesto suave, colocou a mão na cabeça de Aigis, afagando levemente seus cabelos. "Eu vou tentar te ajudar. Mas... não sou o melhor nisso."
Aigis deu um sorrisinho genuíno, algo raro vindo dela. "Muito obrigada, Hiro-san. Aliás, afagos assim não são para mostrar carinho aos cachorros?"
Hiro deu uma risada inesperada, surpreso com a inocência da pergunta. "Na verdade não. Dar carinho na cabeça de alguém pode ser uma maneira de mostrar afeto pelo outro."
Aigis pareceu processar essa nova informação, seu olhar brilhando com uma curiosidade renovada. "Ahh, então é por isso que você e a Fuuka-san dão carinho no Koro-chan?"
Hiro sorriu, assentindo. Aigis, por sua vez, se levantou e, após refletir por um momento, colocou sua mão fria e metálica na cabeça de Hiro, imitando o gesto.
Ele sentiu o toque metálico contra seus cabelos, e Aigis começou a acariciá-lo suavemente.
"Demonstrar afeto..." Ela murmurou para si mesma, como se estivesse assimilando cada nova sensação.
Hiro se levantou, um sorriso ainda brincando em seus lábios. "Mas não é bom fazer isso o tempo todo. Se não, vai ficar meio estranho."
Aigis olhou para ele, depois para sua própria mão, parecendo processar cada detalhe enquanto um sorriso suave surgia em seu rosto.
Ela sentiu, pela primeira vez, que estava verdadeiramente acolhida.
...30/08/2009 Domingo; Tarde...
O vento soprava suavemente no terraço do dormitório, acariciando as paredes e o parapeito de metal.
Hiro está encostado ali, olhando para o horizonte distante. Seus pensamentos estão longe, e o Evoker está em sua mão, frio e pesado.
Ele respira devagar, perdido em uma espiral de questionamentos e incertezas.
A porta do terraço se abriu lentamente. Minato entrou com suas mãos enfiadas nos bolsos e seus fones sobre os ouvidos, a música abafando o som do mundo ao seu redor.
Ele caminhou até o parapeito, parando ao lado de Hiro, sem dizer nada a princípio.
Hiro olhou de soslaio para Minato, um leve sorriso triste surgindo em seu rosto. "Achei que você não viria."
Minato, ainda com a expressão impassível, tirou os fones dos ouvidos. "Como tá se sentindo?"
Hiro suspirou, voltando a olhar para o horizonte. "Eu sei lá... tô com a cabeça cheia... do que a Elizabeth me falou sobre a segunda etapa do meu Arcano."
Minato encostou-se no parapeito, seus olhos azuis refletindo o céu à sua frente. "Era isso que eu queria te perguntar. O mundo está contra você?"
Hiro esfregou a mão na cabeça, frustrado. "Mais ou menos isso. O mundo, ou alguma coisa externa, quer me destruir... quer me fazer sentir medo, insegurança ou influenciar minhas decisões. Mas o que isso quer dizer?"
Ele suspirou profundamente, os olhos focando no Evoker em sua mão.
Os detalhes metálicos e a marca do S.E.E.S ainda estavam visíveis, mas havia arranhões e desgastes de tantos usos nos combates.
Hiro, com o rosto tenso e confuso, apertou o Evoker com força. "A Elizabeth me perguntou se o Lúcifer tá aparecendo nas minhas visões... e ele tá aparecendo pra mexer com minha cabeça. ENTÃO POR QUE CARALHOS O MEU PRÓPRIO PERSONA TÁ TENTANDO ME ATRAPALHAR?!"
Sua voz ecoou pelo terraço, e ele apertou o parapeito com tanta força que seus dedos ficaram brancos.
O ar parecia mais pesado, e ele respira fundo para tentar se acalmar.
Minato olhou para ele, sua expressão permanecendo inabalável. "Eu acho que o Lúcifer não quer te atrapalhar."
Hiro virou-se para ele, intrigado. "Como assim?"
Minato cruzou os braços, mantendo o olhar fixo no horizonte. "E se ele está tentando te avisar de algo? Talvez ele esteja te alertando."
Hiro passou a mão pelos cabelos, claramente frustrado. "Mas como eu vou saber se nem me lembro do que conversei com ele?"
Minato deu de ombros, sua voz calma. "Eu diria que você deveria aceitar o que ele diz."
As palavras de Minato pairaram no ar, deixando Hiro em silêncio por alguns instantes.
Ele se inclinou ainda mais no parapeito, escondendo o rosto entre os braços, como se procurasse respostas dentro de si.
Ele tentou se lembrar das vezes que falou com Lúcifer, mas tudo o que vinha à sua mente era raiva, sangue e uma sensação esmagadora de fúria descontrolada.
Hiro soltou um suspiro frustrado, levantando a cabeça. "Se eu falar com ele de novo... vou pensar no que você disse."
Minato continuou olhando para o horizonte, seu tom mais suave agora. "Tudo bem. Aliás, eu queria falar com você sobre algo."
Hiro olhou para ele, curioso. "Sobre o quê?"
Minato tocou levemente o colar de seu MP3, o gesto quase imperceptível, mas carregado de significado.
Seus olhos se nublaram por um instante, e ele teve um flash de memória – o acidente que tirou a vida de seus pais.
Ele balançou a cabeça, afastando a lembrança dolorosa, e finalmente encarou Hiro.
Com um tom calmo, mas cheio de uma melancolia velada, Minato disse: "Você perdeu sua mãe, e não parece que isso te afeta muito."
Hiro franziu o cenho, surpreso com a pergunta direta. "A Yukari me contou que você também perdeu seus pais. Mas, no meu caso, foi só minha mãe... já meu pai... ele me abandonou."
Minato coçou a cabeça, pensativo. "Eu perguntei porque você não parecia querer viver, sabe?"
Hiro olhou para o céu, o azul vasto e sem fim refletindo seu próprio vazio interno. "Acho que... é graças a vocês que tenho um motivo para viver. Eu e a Fuuka fizemos uma promessa... que eu tentaria me tornar uma pessoa melhor. E, até agora, tem funcionado."
Minato assentiu levemente, também olhando para o céu. "Eu percebi isso. A Yukari uma vez me disse que eu pareço calmo... mas a verdade é que eu sempre desejei morrer."
Os olhos de Hiro escureceram com a sinceridade do Minato.
Ele sabia que havia algo sombrio no comportamento de Minato, mas ouvir aquilo em voz alta tornava tudo mais real. "Sim... eu percebi esse lado em você. Quando me perguntou se a morte era tão assustadora."
Minato suspirou, como se estivesse exorcizando um peso de sua alma. "Quando meus pais morreram, eu... meio que não ligava se ia viver ou morrer. Eu só... existia, esperando que o destino decidisse. Se eu fosse morrer, que fosse. Se alguém me chamasse para algo, eu simplesmente ia. Porque eu não me importava."
Hiro ligou os pontos rapidamente. "Então você entrou para o S.E.E.S porque... tanto fazia para você, não é?"
Minato assentiu mais uma vez, seu rosto ainda sem expressar emoção, mas suas palavras carregadas de um cansaço profundo. "Isso. Quando o presidente Shuji me perguntou se eu queria entrar no S.E.E.S, eu aceitei porque não tinha motivo para recusar. Eu luto contra as shadows sem me importar com o que acontece comigo. Porque, no fim das contas... eu não ligo."
Hiro e Minato permaneciam quietos, cada um mergulhado em suas próprias dores e reflexões.
O vento, que antes parecia suave, agora soava como um eco distante das memórias que ambos tentavam processar.
Minato olhou fixamente para as nuvens, e, como um relâmpago atravessando sua mente, a imagem do carro de seus pais em chamas apareceu com uma clareza que doía.
Ele suspirou, o peso da lembrança o puxando para o passado.
Minato, com a voz baixa e um toque de melancolia, quebrou o silêncio: "Mas, diferente de mim, vocês têm algo que os faz felizes. Eu... eu quero ajudar vocês."
Hiro sorriu, mas era um sorriso amargo, quase irônico. "Só que você também precisa ser feliz, sabe? Eu lembro que o Igor falou algo quando entrei na Velvet Room... Ele disse que você fica mais forte com suas relações... algo assim."
As palavras de Hiro ressoaram dentro de Minato, como se tivessem acionado uma lembrança há muito enterrada. De repente, ele teve um flash de memória, do momento em que pisou pela primeira vez na Velvet Room. A voz enigmática de Igor ecoou em sua mente, as palavras soando mais profundas agora do que jamais haviam soado antes.
"São suas relações que irão lhe levar à sua ascensão. Crie novos laços, conviva com seus aliados, para que no fim o torne mais forte."
Minato ergueu os olhos para o céu, observando as nuvens que flutuavam. Ele refletiu sobre o que o Hiro disse, sobre o que Igor havia dito. E, finalmente, algo se encaixou em sua mente.
Minato olhou para Hiro, seus olhos mais firmes do que antes. "Agora eu entendi..."
Hiro arqueou uma sobrancelha, curioso. "Entendeu o quê?"
Minato apertou o colar de seu MP3 levemente, como se o simples toque trouxesse consigo uma sensação de clareza. "Foram os laços que eu criei com todos vocês... Foram todos vocês que me fizeram sentir que eu precisava fazer algo, que minha vida tinha um propósito."
Hiro ficou em silêncio, ouvindo atentamente, percebendo que Minato precisava colocar para fora aquilo que estava guardado dentro dele.
Não era algo que acontecia com frequência, então ele deixou Minato continuar.
Minato, ainda olhando para Hiro, com uma firmeza nova em sua voz, disse: "Eu posso colocar minha vida em risco... mas eu não vou deixar nenhum de vocês morrer quando a gente lutar contra as Shadow arcana. As vidas de todos são importantes."
Hiro sorriu, desta vez de forma mais genuína, e respondeu: "Mas prometa que não vai se sacrificar por todos nós no final, tá bom? Não tô afim de ter que ir até o inferno ou o céu para te trazer de volta."
Minato, em um raro momento de vulnerabilidade, deixou escapar um sorriso largo, algo que Hiro quase nunca tinha visto. "Bom, se não aparecer nada que nos force a nos sacrificar pelo bem de todos... eu não vou morrer."
Hiro apontou para Minato, o sorriso ainda no rosto. "Agora é bem... diferente ver você com um sorriso largo assim."
Minato olhou para ele, confuso. "Hã?"
Hiro deu um tapinha no ombro de Minato, a expressão leve. "Deixa pra lá. Valeu por me ouvir um pouco."
Minato assentiu com a cabeça, seus olhos voltando ao horizonte. "Eu também, Hiro. Conversar com você... parece aliviar o coração."
Os dois ficaram ali, em silêncio, mas desta vez o peso em seus ombros parecia um pouco mais leve, como se o simples ato de compartilhar suas dores e seus pensamentos os tivesse aproximado um pouco mais.
...[Pensamentos]...
...Desde que fui ativada de novo, eu ando do lado do Minato, querendo protegê-lo. Mas eu nem sei o porque quero protegê-lo. Eu preciso saber o porquê sinto isso....
...Aigis; Arcano do Éon...
...Finalmente entendi o que eu preciso fazer, eu não ligava para nada, não me importava com o que iria acontecer comigo....
...Percebi que todos que conheço, converso e convivo são importantes, e suas vidas têm um valor único. Mas eu sei da urgência de vivermos o quanto possível. Cada um merece sua chance de buscar a felicidade, pois o tempo é contado....
...Minato Arisato; Arcano do Louco...
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Atualizado até capítulo 33
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