...06/08/2009 Quinta-Feira; Meio-dia...
Hiro estava sentado na beira da cama, o olhar perdido na parede do quarto.
As palavras de Igor ecoavam em sua mente, trazendo à tona sentimentos que ele tentou ignorar por tanto tempo.
"Eu não sou nada... me acostumei a ser ninguém importante... Como meu destino pode estar entrelaçado com o do Minato?"
Esses pensamentos o consumiam, mas antes que pudesse mergulhar mais fundo, ouviu uma batida na porta.
Minato entrou, os fones ainda nos ouvidos. Ao ver Hiro, ele pausou a música e retirou os fones, deixando-os descansarem ao redor do pescoço.
"Você me chamou. Quer conversar?" perguntou Minato, a voz calma, mas carregada de preocupação.
Hiro assentiu, ainda confuso, e gesticulou para que Minato fechasse a porta. "Sim, é sobre a Velvet Room."
Minato fechou a porta silenciosamente e se aproximou, encostando-se contra a parede, de frente para Hiro. "Eu sei que é confuso para você, Hiro. Mas é algo que precisamos enfrentar."
Hiro levantou os olhos, ainda perdidos, e encarou Minato. "Enfrentar o quê? Eu... eu só me ferrei a minha vida inteira. E agora estou subindo aquela maldita torre que parece não ter fim..."
Ele se levantou abruptamente, a frustração e o desespero borbulhando na superfície. "Eu nem sei por que ainda tô vivo. Já pensei tantas vezes em acabar com isso tudo..."
Hiro olhou para o Evoker em cima da escrivaninha, os olhos fixos naquele símbolo de sua própria luta. "Além disso, se eu não mudar minha forma de pensar, o seu destino não vai se cumprir... Por que tudo acaba recaindo sobre mim nessa merda?"
Minato observava em silêncio, sentindo o peso das palavras de Hiro.
Ele sabia bem o que aquele desespero significava.
As lembranças de seu passado, a morte de seus pais, o carro acidentado, a explosão... tudo isso atravessava sua mente como um fantasma que ele nunca conseguiu exorcizar.
"Você já pensou em se matar?" Minato perguntou em um tom que mal disfarçava a dor que sentia.
Hiro olhou para Minato, surpreso, mas rapidamente compreendendo que não estava sozinho naquela dor. "Sim... muitas vezes. Mas... às vezes, eu tenho medo de morrer."
Minato desviou o olhar para a janela do quarto, os olhos fixos em algo além do que podia ver. "Eu não..."
Hiro ficou em silêncio, esperando que Minato continuasse.
Ele não esperava ouvir algo assim, mas, ao mesmo tempo, não estava totalmente surpreso.
Ele sempre sentiu que havia uma escuridão por trás do olhar de Minato, algo que todos eles carregavam, mas que poucos tinham coragem de confrontar.
"Será que a morte é tão assustadora assim?" Minato perguntou, quase para si mesmo. "Todas as vezes que eu vou para o Tartarus, eu não me importo se vou sair de lá com vida ou não."
Hiro ficou surpreso ao ouvir isso. Ele sabia que Minato era corajoso, mas não sabia que ele estava tão desiludido.
Mas então, lembrou-se das vezes que viu Minato se assustar com a presença do Ceifador.
"Mas... das vezes que o Ceifador apareceu, você parecia..." Hiro hesitou, escolhendo suas palavras com cuidado.
"Com medo? Sim, mas não de morrer. Eu tenho medo de deixar algo acontecer com vocês." Minato admitiu, as palavras carregadas de uma sinceridade dolorosa. "Quando eu fui transferido para cá, eu não me importava com ninguém. Mas depois que conheci a Yukari e o resto do pessoal..."
Minato finalmente se virou para encarar Hiro, seus olhos azuis brilhando com uma determinação recém-descoberta. "Eu comecei a entender que talvez... morrer não seja tão interessante assim. Sinto que tem outras pessoas que precisam de mim. Mesmo que, às vezes, a vontade de me matar volte."
Hiro respirou fundo, tentando absorver as palavras de Minato.
Ele sabia que estava perdido, mas talvez... apenas talvez, pudesse encontrar um caminho.
Lembrou-se da promessa que fez a Fuuka, de tentar ser uma pessoa melhor, e do acordo com Akihiko, onde prometeram nunca fugir de uma luta, sob a ameaça de uma boa surra.
"Alguém que precisa de mim... "Hiro murmurou, como se estivesse descobrindo um segredo esquecido. "Eu nunca pensei nisso."
Minato, parecendo um pouco mais relaxado, massageou o ombro enquanto ponderava. "O Igor me falou que nossas relações podem nos tornar mais fortes. Talvez... seja porque isso nos dá um motivo para lutar."
"Você deve estar certo." Hiro admitiu, sua voz ficando um pouco mais firme. "E além disso, temos um trabalho a fazer. Uma Shadow Arcana para enfrentar. E destruir a Dark Hour."
Minato assentiu, seus olhos brilhando com a mesma determinação de antes. "Isso. O S.E.E.S precisa da gente. E, Hiro..."
Hiro ergueu o olhar, curioso. "Hmm?"
"Sobre o que você ouviu na Velvet Room... Não precisa se preocupar em como você pode mudar. Sei que você sofre com sua mente." Minato estendeu a mão para Hiro, um gesto simples, mas carregado de significado. "Mas eu vou te ajudar. Vamos fazer isso juntos."
Hiro olhou para a mão estendida, sentindo algo que há muito não sentia: esperança.
Pela primeira vez, ele se sentiu realmente conectado a alguém, sentiu que não estava mais sozinho em seu inferno pessoal.
"Com certeza." Hiro sorriu, apertando a mão de Minato com força. "Vamo botar pra fuder!"
...Como o próprio Igor disse, a responsabilidade por cima das consequencias das minhas escolhas são totalmente minhas. Então que minha decisão atual seja cumprir o meu destino e ajudar todos....
...Eu tenho um favor a cumprir com o Hiro, e que ele permaneça até o cumprirmos....
...Arcano do Louco;...
...Minato Arisato...
...06/08/2009 Quinta-Feira;...
...Dark Hour...
...OPERAÇÃO DA LUA CHEIA...
A lua cheia brilhava intensamente no céu, sinalizando o início de mais uma operação da Dark Hour.
Na sala de comando, os membros do S.E.E.S estavam reunidos, prontos para agir.
Cada um deles verificava suas armas e recarregava os medicamentos com precisão meticulosa.
A tensão no ar era palpável, mas também havia uma determinação silenciosa entre eles.
Mitsuru, ajustando a braçadeira e jogando os cabelos vermelhos para o lado, falou com firmeza: "Ótimo, todos estão aqui. A Shadow Arcana deve aparecer a qualquer momento."
De repente, o computador da sala começou a apitar, interrompendo o silêncio enquanto localizava a Shadow Arcana.
Fuuka rapidamente começou a digitar no teclado, uma expressão de confusão surgindo em seu rosto.
"Encontrei... Mas parece que está... embaixo da terra... mas como?" Fuuka murmurou, a descrença evidente em sua voz.
Junpei, espiando a tela do computador, arregalou os olhos. "Pera aí... Embaixo da terra? A gente vai precisar usar uma escavadeira?"
Yukari não pôde evitar revirar os olhos e suspirou, passando a mão pelo rosto em incredulidade. "Meu Deus... Junpei, onde infernos a gente vai encontrar uma escavadeira? É óbvio que ela deve estar nos esgotos."
Hiro, aproximando-se do computador e colocando a mão no ombro de Fuuka, ofereceu uma perspectiva diferente: "Parece mais provável que a Shadow esteja em alguma tubulação. Mas não no esgoto.
O Presidente Shuji, que estava observando tudo de perto, deu alguns passos em direção ao computador, seus olhos fixos no mapa dos esgotos da cidade exibido na tela, ao lado das leituras dos dados.
Coçando o maxilar enquanto ponderava, ele finalmente falou: "Hmm... Justificando pela velocidade dela e pelo caminho que está seguindo... Com licença, Yamagishi-kun, permita-me tentar algo.
Fuuka se afastou, dando espaço para o presidente.
Ele começou a digitar rapidamente, seus dedos voando sobre o teclado enquanto abria diversos mapas: rodovias, sistemas de esgoto, de gás e de metrô.
Finalmente, ele parou em uma imagem de um antigo túnel subterrâneo, semelhante a um local de escavação.
Akihiko, inclinando-se para ver melhor, perguntou: "O que é isso, presidente?"
Aigis, com sua voz sempre analítica, respondeu: "Parece um túnel de metrô."
Shuji ajustou os óculos antes de explicar: "De acordo com o que o computador detectou, parece é um antigo túnel que os soldados japoneses escavaram durante a Segunda Guerra Mundial. A cidade aproveitou a estrutura e tentou construir uma estação de metrô."
Mitsuru cruzou os braços, avaliando o mapa: "Mas parece que não deu certo. A única área que parece mais moderna é a entrada. O resto parece estar exatamente como os soldados deixaram."
"Exatamente." Shuji concordou, seu tom ficando mais sério. "A Shadow deve ter encontrado a entrada desses túneis. Mas o que me intriga é..."
Ele pausou, tirando os óculos e massageando os olhos cansados. "O único meio de acessar esses túneis é pelas vias do metrô. Ou seja..."
Yukari, cerrando os olhos, completou o pensamento dele: "Alguém guiou a Shadow Arcana até lá... mas como?"
Akihiko, com a urgência estampada em seu rosto, cortou a discussão: "Podemos falar sobre isso depois? Agora, precisamos ir atrás dela."
Mitsuru, determinada, fez um gesto para todos se prepararem: "Peguem suas coisas. Vamos até esses túneis."
"Certo!" Todos responderam em uníssono, prontos para enfrentar a próxima shadow arcana.
Nos túneis escuros e úmidos, duas figuras aguardavam em meio à escuridão.
Takaya e Jin, escondidos nas sombras, esperavam pacientemente pela chegada do S.E.E.S.
O som oco do tambor do revólver de Takaya ecoava enquanto ele o abria e fechava repetidamente, seus movimentos controlados e meticulosos.
Ao lado dele, Jin finalizava o preparo de suas granadas especiais, sua expressão fria e calculista.
Cada uma delas era uma arma letal, cuidadosamente montada com pedaços de Shadows ou projetada para liberar descargas elétricas e nitrogênio líquido.
Jin, ao apertar demais uma das granadas, sentiu o conteúdo vazar ligeiramente, mas rapidamente soltou o parafuso e corrigiu o erro, seus olhos fixos no trabalho à sua frente.
Fechando a maleta com um clique final, Jin lançou um olhar cético para Takaya. "Você tem certeza de que eles virão até aqui? Eu confio na sua intuição, mas este lugar é bastante isolado."
Takaya, sem desviar o olhar da escuridão à sua frente, pousou a mão sobre o revólver que agora estava de volta em seu cinto. "Tenho certeza absoluta. Chidori conseguiu guiar a Justiça e o Carro de Guerra até aqui. Essas crianças estão desperdiçando um potencial que apenas elas possuem. Idiotas... o poder de ser um Deus, e elas simplesmente não enxergam isso."
Jin ajustou os óculos, o brilho de suas lentes refletindo a pouca luz que havia no túnel. "Além disso, estão tentando destruir a Dark Hour. A coisa mais bela que existe."
Takaya ergueu a mão, sinalizando para Jin que ficasse em silêncio. "Espere... Eles devem estar chegando."
Do outro lado do túnel, o grupo do S.E.E.S. avançava cautelosamente pelos escombros.
As paredes caídas e as ferramentas abandonadas pintavam um quadro de abandono e desolação.
Mitsuru liderava o grupo através dos destroços, seu olhar determinado e firme.
Eles chegaram em frente a um terminal de metrô abandonado, as sombras dançando nas paredes frias e úmidas.
Junpei, engolindo em seco, sentiu um calafrio percorrer sua espinha. "Meu Deus... Isso dá calafrios só de olhar."
Yukari, sentindo uma presença perturbadora, apertou o braço de Minato com força. "Não sei por quê, mas parece que estamos sendo observados."
Akihiko olhou em volta, seus olhos fixos em uma porta corrediça parcialmente enterrada sob os escombros.
Determinado, ele se aproximou e tentou levantar a porta, mas o peso era esmagador.
"Hiro, dá uma mãozinha aqui." pediu, a voz firme, mas com um toque de urgência.
Hiro rapidamente se posicionou ao lado de Akihiko, suas mãos agarrando a borda inferior da porta.
Ao sentir o peso maciço do metal, ele soube que precisariam de toda a força que tinham.
"Beleza. No três a gente levanta." disse Hiro, se preparando para o esforço.
Akihiko respirou fundo, seus músculos já tensos com a expectativa. "Um, dois, VAI!"
Os dois começaram a levantar a porta com toda a força que possuíam.
O esforço era visível em seus rostos, as veias na testa de Hiro saltam para fora, enquanto o rosto de Akihiko começava a adquirir um tom avermelhado.
O peso era de matar, cerca de 150 quilos de metal sólido, resistindo contra seus esforços combinados.
Yukari, observando a luta dos dois, incentivou batendo as mãos. "Vamos, coloquem mais força!"
Hiro, sentindo a pressão em suas pernas e a dor latejante em seus braços, retrucou entre os dentes cerrados. "O quê você acha que a gente tá fazendo? E que tal você ajudar?"
Mitsuru, vendo a dificuldade dos dois, virou para Aigis com um olhar de resolução. "Aigis, ajude eles."
Aigis respondeu com sua calma habitual. "Afirmativo."
Ela se aproximou de Hiro e Akihiko, e sem nenhum esforço aparente, levantou a porta completamente, deixando os dois surpresos.
Akihiko recuperou o fôlego, ainda impressionado. "Às vezes eu esqueço que você é uma androide, Aigis."
Com a passagem liberada, o grupo passou pela porta, mas antes que pudessem avançar muito, uma voz ecoou pelos túneis, reverberando nas paredes de pedra.
"Vocês estão dando muito mais trabalho do que esperávamos. S.E.E.S! " A voz era fria e desdenhosa.
Todos se viraram rapidamente, os olhos atentos ao perigo. Duas figuras emergiram da escuridão.
Um deles, sem camisa, os braços erguidos em um gesto teatral, encarava o grupo com um olhar desafiador.
O outro, vestindo um casaco verde, carregava uma maleta prateada em uma mão e uma granada na outra.
Mitsuru imediatamente colocou a mão sobre o florete, seus olhos cerrando em atenção.
"Quem são vocês?" Sua voz carregava uma desconfiança por ter sido surpreendida.
Fuuka, assustada, se aproximou de Hiro, sua voz trêmula de confusão. "Como eles chegaram tão perto sem eu perceber? A Lúcia não viu eles?"
O homem sem camisa, com um olhar gélido, respondeu com desdém. "Quem nós somos? Somos iguais a vocês... usuários de Personas."
Junpei arregalou os olhos, incrédulo. "O quê? Vocês têm Personas?"
Takaya, com um brilho frio nos olhos, deixou escapar um sorriso sardônico. "Não é óbvio? Afinal, não perceberam que estamos andando normalmente pela Dark Hour? O que mais poderíamos ser?"
Hiro, sentindo a tensão crescer, colocou a mão sobre a cimitarra em sua cintura, o olhar fixo nos dois homens.
"Sei lá... Jesus Cristo?" Sua voz carregava uma mistura de sarcasmo e ameaça.
Jin, o homem de óculos, bufou com desdém. "Hunf... não nos faça rir. Vocês estão desperdiçando um dom inimaginável.?
Minato, percebendo a crescente hostilidade, deu um passo à frente, colocando a mão na frente de Yukari para protegê-la.
"Dom? Você quer falar dos nossos Personas?" perguntou, a voz baixa e cautelosa.
Takaya ergueu uma sobrancelha, como se surpreso pela pergunta, mas seu olhar permaneceu frio. "Exatamente, vocês têm um dom nato de invocar os Personas. Sem passarem por um laboratório."
Mitsuru, cerrando os olhos em irritação, respondeu firme. "Nenhum de nós queria ter os Personas. Mas é nosso objetivo destruir a Dark Hour. Ela está matando as pessoas, espalhando a síndrome da apatia mais e mais."
Takaya, indiferente às palavras de Mitsuru, deu de ombros, como se aquilo não tivesse importância alguma. "E o que isso importa? As pessoas que não têm o dom merecem sofrer as consequências de serem mais fracas."
Takaya lançou um olhar gélido para o grupo, suas palavras recentes ainda ecoando no túnel.
O ar ao redor parecia se tornar mais pesado, carregado de tensão.
Seus olhos frios então pararam sobre Hiro, analisando ele com um interesse particular, como se tivesse encontrado algo único.
Ele apontou diretamente para Hiro, o dedo estendido como se estivesse destacando uma verdade inescapável.
"Você... é você mesmo. Você desperdiçaria um dom desses?" A voz de Takaya era baixa, mas carregava um peso ameaçador. "Você pode ser um deus, com um poder que poucos têm. Pode dominar o mundo."
Hiro sentiu um arrepio percorrer sua espinha ao ouvir aquelas palavras.
Era como se a voz de Takaya tocasse algo profundo dentro dele, algo que ele mesmo temia reconhecer.
Ele olhou para o chão, os pensamentos em turbilhão. "Todas as vezes que eu penso em ter um Persona... eu nunca quis tê-lo. Mas toda vez que eu uso ele... eu me sinto vivo, feliz..." confessou, a voz baixa, quase inaudível.
Takaya esboçou um sorriso macabro, como um predador que sentiu o cheiro do medo de sua presa.
"Agora você entendeu..." Sua voz era suave, mas carregada de tenebrosidade. "Todos vocês são deuses. E sabem que se destruírem a Dark Hour, os Personas também irão sumir."
Junpei, de repente tomado por uma incerteza, olhou para seu Evoker no coldre. Ele sussurrou para si mesmo, como se tentando se convencer de algo. "Eu só consegui encontrar algo para fazer quando entrei pro S.E.E.S... Eu gosto do meu Persona."
Mitsuru desviou o olhar para o lado, as palavras de Takaya ressoando em sua mente.
Ela lembrou do rosto de seu pai, da tristeza que ele sentira ao vê-la despertar seu Persona, como se aquilo tivesse marcado o início de um fardo que ele nunca quis para ela.
A lembrança trouxe de volta aquela dor silenciosa, mas ela apertou a própria mão, encarando Takaya com determinação renovada.
Fuuka, percebendo que Hiro começava a vacilar, apertou sua mão, fazendo-o lembrar da promessa que fizeram.
Uma memória vívida cruzou a mente de Hiro.
Fuuka, em sua memória, falou com uma voz firme e carinhosa: "Não é um acordo. É uma promessa."
Hiro fechou os olhos, acalmando seus pensamentos turbulentos.
Quando os abriu novamente, seus olhos encontraram os de Fuuka, e então ele olhou para Akihiko, lembrando do acordo entre eles.
Por fim, seus olhos se voltaram para Minato, recordando a decisão de ambos de cumprirem seus destinos, aconteça o que acontecer.
Ele cerrou os olhos, resoluto. "Eu não sei quem vocês dois são. Mas isso não quer dizer que matar outras pessoas possa me fazer sentir melhor." A voz de Hiro era firme, carregada de uma nova determinação.
O grupo inteiro olhou para Hiro, surpreso com a mudança em sua postura.
Mitsuru e Fuuka, em particular, sorriram, orgulhosas de verem que Hiro começava a encontrar seu próprio caminho.
Hiro, agora firme em sua convicção, encarou Takaya diretamente. "Eu posso me tornar um deus, mas não é isso que eu quero. O que eu quero... é proteger todos!"
Mitsuru olhou para Hiro, seus olhos suavizando enquanto sussurrava para si mesma. "Hiro..."
Takaya, no entanto, não ficou impressionado. Seus olhos frios se estreitaram com irritação. "Muito bem... Se é isso que você diz. Então proteja isso."
Com um movimento rápido, Takaya puxou seu revólver, a arma brilhando à luz fraca do túnel enquanto ele mirava diretamente em Mitsuru.
Ele abaixou o cão da arma, o som do tambor girando ecoa como um aviso sinistro.
O pânico tomou conta do grupo.
Todos reagiram ao mesmo tempo, a adrenalina disparando em seus corpos.
Junpei arregalou os olhos, o medo pulsando em sua voz. "Senpai!"
Minato, reagindo instintivamente, correu em direção a Mitsuru. "Se abaixa!" gritou, tentando alcançá-la.
Mas Hiro foi mais rápido. Em um impulso, ele se lançou para cima de Mitsuru, colocando-se entre ela e a linha de tiro. "Não, Mitsuru!"
Takaya sorriu de forma cruel, apontando sua arma para a porta corrediça.
Com um movimento preciso, ele apertou o gatilho.
O som do disparo ressoou pelos túneis, um eco metálico que reverberou por todo o ambiente.
A bala atingiu uma correia essencial, que se partiu instantaneamente.
O ruído ensurdecedor de metal sendo forçado reverberou quando a porta se fechou violentamente, trancando o S.E.E.S. dentro do túnel, junto com a Shadow Arcana.
Hiro, que havia se jogado sobre Mitsuru para protegê-la, caiu junto com ela no chão frio e sujo do túnel.
Ele imediatamente se levantou, a preocupação evidente em sua expressão.
"Mitsuru, você se machucou?" perguntou, a voz carregada de preocupação enquanto estendia a mão pra Mitsuru.
Mitsuru, ainda no chão, olhou nos olhos de Hiro, levemente corada, mas claramente aliviada.
"Não... eu tô bem. Obrigada, Hiro." respondeu ela, aceitando a mão estendida para se levantar.
Do outro lado da porta agora trancada, a voz de Takaya soou alta e clara. "Eu sou Takaya Sakaki, lembrem-se desse nome, membros do S.E.E.S."
Jin, com uma risada sombria, acrescentou: "Nós somos os Strega. Boa sorte com a Justiça e o Carro de Guerra."
Todos ficaram imóveis, encarando a porta fechada.
A tensão era palpável, até que Junpei, furioso, correu até a porta e começou a bater nela com força, tentando inutilmente abri-la.
"Desgraçado! Ele prendeu a gente aqui dentro com a Shadow Arcana!" gritou Junpei, a frustração evidente em sua voz.
Yukari, ainda recuperando o fôlego, analisou a situação com mais calma. "Parece que ele estourou a correia da porta... Não vai ter como abrir ela do mesmo jeito." observou, tentando manter a calma.
Nesse momento, um som ensurdecedor de metal se movendo ecoou pelo túnel, como se algo colossal estivesse se aproximando.
Todos se agruparam em círculo ao redor de Fuuka, protegendo ela, cada um com os sentidos em alerta, tentando identificar a origem do barulho que reverberava pelo túnel.
Yukari, com o arco erguido, olhou ao redor, seu medo crescendo a cada segundo.
"De... de onde veio isso?" perguntou, a voz trêmula.
Akihiko estreitou os olhos, concentrado. "Parece que é algo pesado..." murmurou, tentando identificar o som.
Hiro, segurando firmemente sua cimitarra, apontou para as profundezas do túnel, onde a escuridão parecia se intensificar.
"Veio de lá, mais fundo no túnel." disse ele, tentando manter a calma, apesar do suor que escorria por sua testa.
Todos os olhos se voltaram na direção que Hiro indicou.
A escuridão parecia engolir qualquer luz restante, e o som metálico se tornava mais alto e mais intenso a cada segundo.
Junpei engoliu em seco, sentindo o pavor crescer dentro de si. "Não tô gostando desse barulho... Tá parecendo um..." ele começou a falar, mas sua voz falhou.
Yukari, com o arco ainda tenso, virou-se para ele, a ansiedade evidente. "Um o quê?" perguntou, desesperada por uma resposta.
Hiro, tentando controlar o medo que sentia, respondeu com firmeza. "Um carro de guerra. Se for um, a gente vai tá fudido." Ele então olhou para Mitsuru. "Mitsuru, o que a gente faz?"
Mitsuru se colocou na frente do grupo, com uma deçisao tomada em sua mente.
"Vamos concluir o que viemos fazer aqui. Vocês estão prontos? Essa será mais uma Shadow Arcana!" declarou ela, a determinação em sua voz inspirando confiança no grupo.
Todos responderam em uníssono, seus medos momentaneamente esquecidos diante da necessidade de sobreviver. "Sim!"
Mitsuru avaliou rapidamente a situação, antes de se virar para Minato. "Otimo. Arisato, quem você quer na linha de frente? Todos irão lutar juntos, mas aqueles que vão com você serão os primeiros a atacar."
Minato ponderou por um momento, seus olhos percorrendo o grupo antes de fixarem-se em Mitsuru. "Vai ser... você, o Hiro e o Akihiko."
Akihiko sorriu, massageando os ombros em antecipação. "Aí sim, tá na hora de lutar." disse ele, claramente animado com a perspectiva da batalha.
Hiro girou sua cimitarra, a lâmina cortando o ar com precisão. "Ok, vamo lá."
Mitsuru acenou, satisfeita com a escolha. "Brillant! Yamagishi, você fica atrás da Aigis para não ser acertada. Takeba, você e o Iori foquem em dar suporte. Principalmente você, Takeba, use as curas da Io.
Com a ordem dada, Mitsuru puxou seu florete e se virou para o túnel, a tensão aumentando a cada segundo. "Vamos!
Hiro puxou um bastão de luz de dentro do seu sobretudo.
Ele o torceu, ativando-o, e a luz brilhou intensamente, iluminando o caminho à frente.
"Minato, pegue isso!" disse Hiro, entregando o bastão de luz pro Minato.
Junpei, surpreso, ergueu a sobrancelha ao ver o objeto nas mãos de Minato. "Ué... você tinha um desses com você?"
Hiro deu de ombros, mantendo os olhos fixos no túnel à frente. "Bom, já que lanternas normais não funcionam, temos que improvisar algo para iluminar o caminho.
Com a luz guiando-os, o grupo começou a avançar pelo túnel.
O som metálico tornou-se ainda mais alto, as paredes ao redor mostrando sinais de destruição, como se algo colossal tivesse passado por ali recentemente.
Caixas velhas e ferramentas de escavação estavam espalhadas pelo chão, aumentando o sentimento de apreensão.
Fuuka olhou ao redor, a surpresa evidente em seu rosto. "Eu não sabia que havia algo assim embaixo da cidade."
Yukari concordou, sua voz carregada de desconforto. "É... sem falar que isso tá me dando uma agonia... parece que a qualquer momento algo vai pular pra fora."
De repente, um grito metálico e ensurdecedor reverberou pelo túnel, como se uma besta enfurecida estivesse se aproximando.
O som ecoou pelos corredores, e todos se arrepiaram, pegos de surpresa.
Akihiko, imediatamente colocando-se em guarda, tentou controlar a respiração acelerada. "Caramba... que susto..."
Mitsuru rapidamente recuperou sua postura, sua visão se estreitando. "Parece que a Shadow está esperando a gente."
Hiro, cerrando os olhos em concentração, murmurou com firmeza. "E a gente tá pronto. Vamo, ela tá perto.
O S.E.E.S continuou a caminhar até alcançar uma área mais ampla no túnel.
Ferramentas de escavação estavam espalhadas pelo chão, o que indicava que ali era algum tipo de posto de trabalho abandonado.
Aigis olhou ao redor, seus sensores detectando uma presença poderosa. "Ela está aqui. Meus sistemas estão detectando a energia dela."
Minato, segurando o bastão de luz com firmeza, estreitou os olhos, tentando localizar a Shadow. "Parece que aqui é mais claro do que lá em cima..."
Minato, mantendo a calma em meio à tensão, arremessou o bastão de luz para o centro da área aberta.
O bastão bateu no chão com um baque surdo, quicando algumas vezes antes de parar completamente, a luz fraca tentando penetrar a escuridão opressiva.
Junpei, com uma expressão de confusão, olhou ao redor. "Ela tá aqui mesmo?" questionou, a dúvida evidente em sua voz.
De repente, um estrondo ensurdecedor rasgou o silêncio, seguido pelo impacto devastador de um disparo de canhão, atingindo diretamente o bastão de luz.
A explosão iluminou o túnel por um breve momento, e o som metálico do projétil ecoou enquanto o som ameaçador de algo recarregando ressoava pelo espaço.
Da névoa densa que agora cobria a área, uma figura começou a emergir, sua presença carregando um peso que parecia esmagar o ar ao redor.
Todos sentiram um calafrio subir pela espinha enquanto a Shadow arcana se revelava.
A Shadow Arcana da Justiça e a Shadow Arcana do Carro de Guerra finalmente apareceram diante deles.
O monstro era um tanque de guerra maciço, com uma aparência aterrorizante.
A estrutura angular e pesada era reminiscente dos tanques blindados da Primeira Guerra Mundial, mas com uma distorção grotesca.
A parte superior do tanque apresentava uma cabeça de cavaleiro medieval, com uma cruz negra no visor que se assemelhava a uma viseira.
Grandes asas metálicas se projetavam dos lados do canhão, próximas ao capacete, criando uma imagem imponente e macabra.
Yukari, completamente apavorada, recuou um passo, seus olhos arregalados. "Mentira... é um..."
Fuuka, lutando para controlar o pânico em sua voz, completou a frase de Yukari. "Um tanque!?" Sua voz falhou, refletindo o medo crescente.
Hiro, com os olhos fixos na criatura, sentiu o suor escorrer por sua testa enquanto tentava manter a calma. "Agora a gente tá ferrado... É a porra de um tanque.
Mitsuru, recuperando rapidamente sua compostura, ergueu o florete com autoridade. Sua voz ressoou com a confiança, mesmo diante do medo. "Se preparem! Lá vem ela!"
Com a ordem dada, todos entraram em postura de combate, enquanto a shadow arcana termina de recarregar e solta um grito, sabendo que a luta começou.
...Arcano do Carro de Guerra...
...Arcana da Justiça...
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Atualizado até capítulo 33
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