O percurso até o nosso primeiro destino foi mais tranquilo do que eu imaginava. Tirando o fato de que o príncipe Louis passava a maior parte do tempo venerando Aurora e se colocando em um pedestal, tudo seguia sem grandes problemas.
Chegaríamos ao local na manhã seguinte. Sentindo-me um pouco tensa após o jantar, me afastei das outras pessoas. Sentei em um tronco de árvore e fiquei observando a lua cheia.
— O que você está fazendo aqui sozinha? — questionou o príncipe Louis, aproximando-se.
— Não é da sua conta — respondi sem pensar muito.
— Você não deveria falar assim comigo. Se for boazinha, talvez eu até te deixe ser uma das minhas concubinas — disse ele, e senti nojo de suas palavras.
Sem pensar, levantei-me bruscamente e dei-lhe um tapa no rosto, fazendo-o cambalear para trás.
— Sua... — gritou ele, levantando a mão para me bater, furioso.
No entanto, antes que pudesse me acertar, Adrian me puxou, fazendo sua mão atingir o vazio. Em seguida, colocou sua espada no pescoço de Louis, forçando-o a recuar.
— Se encostar um dedo sequer em Lili, não voltará para casa vivo — disse Adrian, me abraçando com força com o braço livre.
— Você sempre esquece com quem está falando. Mas, uma hora, meu pai vai deixar de te favorecer — rosnou Louis, mantendo a arrogância.
— E você ainda acha que isso me importa? Não brinque comigo, principezinho. Se for necessário enfrentar o reino para protegê-la, eu o farei — respondeu Adrian, pressionando a espada o suficiente para tirar um pouco de sangue de Louis.
— Tudo bem, tudo bem... — disse Louis, levantando as mãos e se afastando, mas mantendo um sorriso malicioso para mim, o que me deixou profundamente constrangida.
Ele saiu em direção ao acampamento, como se nada tivesse acontecido. Quando finalmente estava longe, comecei a me acalmar e abracei Adrian, deixando algumas lágrimas escaparem.
— Vai ficar tudo bem. Não deixarei ele, ou qualquer outro, fazer algo contra você — disse Adrian, guardando a espada e acariciando meus cabelos.
— Eu sei, mas não esperava que ele fosse fazer uma proposta tão nojenta — respondi, afastando-me para secar as lágrimas. — Você sabe que eu nunca aceitaria, não sabe?
— Claro que sei. Não se preocupe. Ficarei mais atento para que isso não se repita — respondeu Adrian, tocando meu rosto com gentileza. Ficamos ali por um tempo para eu me acalmar.
Logo fomos dormir. Adrian permaneceu ao meu lado, e isso me fez sentir protegida, permitindo que eu descansasse. Acordamos antes do amanhecer e, após um café rápido, seguimos viagem.
Na entrada da floresta, já era possível sentir o clima sombrio. Uma energia sinistra emanava do lugar, e eu tinha a sensação de que poderia sufocar a qualquer momento.
— Não precisa ter medo. Eu vou te proteger — disse Liz, aparecendo de repente e me assustando.
— Onde você estava? — questionei, estreitando os olhos. — Sumiu a noite inteira.
— Estava resolvendo alguns problemas no reino espiritual para garantir sua proteção — respondeu ela.
— Você acha que eu vou conseguir? — perguntei, olhando para a escuridão quase viva à frente.
— Tenho certeza que sim — respondeu Adrian, aproximando-se. — Concentre-se no que precisa fazer e deixe o resto comigo.
— Obrigada... — disse, abraçando-o. Liz começou a flutuar ao nosso redor, afirmando que eu era forte e que não deveria me preocupar.
Reunimo-nos com os outros, e Adrian começou a repassar o plano. Entraríamos na floresta e, ao chegar ao centro, eu e Aurora usaríamos nossos poderes para destruir a fonte da contaminação. Os soldados nos protegeriam durante o processo.
Enquanto alguns ficaram protegendo as carruagens, seguimos floresta adentro. Cada passo parecia mais pesado, como se a própria floresta tentasse nos impedir de avançar. Apesar disso, eu conseguia manter o foco e a concentração.
Liz permanecia sempre ao meu lado, murmurando palavras que eu não conseguia compreender. Quando perguntei o que ela dizia, explicou que eram encantamentos para me proteger da energia negativa e dificultar que as feras corrompidas me detectassem com facilidade.
Adrian liderava o grupo com sua incrível aura de comando, mantendo todos atentos. Já o príncipe Louis, ainda furioso pelo ocorrido na noite anterior, não escondia sua raiva. Embora se mostrasse atencioso com Aurora, tratava-me com olhares maliciosos que me causavam desconforto. Tinha alguns magos auxiliando, mas comparados a Valenor, eles ainda eram iniciantes.
À medida que nos aproximávamos do centro da floresta, a escuridão se intensificava. Valenor usou sua magia para criar chamas flutuantes que iluminavam o caminho, mas a tensão aumentava a cada passo.
— Você aprendeu tudo muito rápido. Apenas relaxe e faça o seu melhor — disse Valenor ao meu lado. Sorri, sentindo-me fortalecida por sua confiança.
— Tive o melhor professor. Não poderia ser diferente — respondi, enquanto ele ajeitava os óculos, visivelmente sem jeito.
Pouco depois, os uivos de lobos começaram a ecoar ao nosso redor, trazendo uma tensão ainda maior. Em um momento de descuido, pisei em um galho seco que estalou alto, e o som me assustou. Instintivamente, agarrei-me a Valenor, mas logo percebi que não era nada grave e tentei recuperar a compostura.
— Está bem? — perguntou Adrian, sério.
— Sim, só me assustei com o galho — respondi, e ele pareceu se acalmar.
No instante seguinte, lobos surgiram e todos ficaram em guarda. Com o treinamento que tive com Valenor, respirei fundo e decidi que não fecharia os olhos. Enquanto Adrian e os soldados nos protegiam, concentrei-me, juntei as mãos e visualizei a magia.
Por mais assustadores que parecessem, eu não podia vacilar. Uma luz me envolveu, e consegui ver a névoa negra se dissipar dos animais. Era como se o tempo passasse mais devagar, e cada detalhe do processo ficava claro. Os lobos, agora purificados, pararam e olharam para mim, como se agradecessem, antes de desaparecerem na floresta.
Os que estavam ao meu lado me lançaram olhares de surpresa e admiração, como se não acreditassem no que haviam presenciado. Eu mal tive tempo de processar suas reações, pois, ao virar para o outro lado, deparei-me com Aurora.
Ela estava em completo pânico, imóvel, com os olhos arregalados e as mãos trêmulas. Parecia incapaz de reagir, enquanto os soldados formavam um círculo ao seu redor, protegendo-a. Contudo, sua expressão era a de alguém à beira de um colapso, congelada pelo medo.
— Faça alguma coisa! — gritei, tentando tirá-la daquele estado apático.
Meu grito pareceu fazê-la finalmente despertar e, aos poucos, Aurora começou a se mover. Uma luz começou a envolvê-la, brilhante e intensa, crescendo rapidamente.
Por um breve instante, pensei que ela finalmente iria ajudar. Provavelmente por ter esquecido, naquele instante, como sua magia funcionava, então o que aconteceu a seguir foi assustador do que eu esperava.
De repente, a magia de Aurora se espalhou, mas em vez de purificar, trouxe destruição. Todos os animais atingidos pela luz caíram no chão, inertes, e seus corpos começaram a se desfazer diante de nossos olhos. Transformaram-se em cinzas, que o vento levou de forma impiedosa, deixando apenas o vazio onde antes havia vida.
Uma dor cortante atravessou meu peito, como se eu também tivesse sido atingida. O choque e o arrependimento me invadiram instantaneamente, deixando-me atordoada.
— O que você fez? — perguntei, minha voz trêmula e quase inaudível.
Caí de joelhos, incapaz de suportar a visão da devastação que se espalhava à minha frente. A imagem dos animais desaparecendo em cinzas parecia gravada em minha mente, e o horror do momento me deixou sem forças para reagir.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 41
Comments
Jhay_Focas
Amo que os animes a reconhecem como salvadora rs
2025-03-27
0
Jhay_Focas
Vai se catar, seu pedaço de merda!
2025-03-27
0
Jhay_Focas
Isso, relaxe. Respira e expira
2025-03-27
0