— Tudo bem, senhorita. Sei que deve ser difícil para você assimilar o que está acontecendo, mas vou lhe explicar — disse Adrian, segurando minha mão, antes de começar a contar tudo o que sabia.
Segundo ele, esse reino havia sido amaldiçoado há muitos séculos e, a cada cem anos, os magos, a mando do rei, invocavam uma santa de outro mundo para afastar o mal que os cercava. Somente essa santa tinha o poder para tal feito.
No entanto, ele mencionou que a maioria das informações eram sigilosas e nem ele tinha acesso a tudo. O que ele me contou era quase todo conhecimento comum.
O estranho foi o fato de eu ter ido parar tão longe do castelo real e de ter mudado de corpo. Ele prometeu me levar até o rei para descobrirmos o que realmente aconteceu e confirmar se eu era mesmo a santa.
— E se eu não for essa santa? E se tiver havido algum erro? — questionei, hesitante.
— Se isso aconteceu, lhe dou minha palavra que encontrarei uma forma de levá-la de volta para casa, se assim desejar — respondeu ele, com a mão no peito.
— Muito obrigada por tudo. Eu não saberia o que fazer se estivesse sozinha — disse com sinceridade.
Ainda estava tentando processar toda essa história, e apesar de continuar confusa, eu sentia que podia confiar em Adrian. Até agora, ele havia sido um verdadeiro cavalheiro, sempre gentil e compreensivo.
— Estou apenas fazendo o que é certo. Não se preocupe com isso. Vou garantir que fique bem e em segurança — disse ele com seu tom formal de falar, ao qual eu já estava até me acostumando.
Terminamos o jantar, e Esmeralda me levou até o quarto onde eu iria dormir. Não tinha muitos móveis, mas era bem agradável: um grande guarda-roupa talhado em madeira escura, uma cama no centro, um tapete à frente da cama e uma penteadeira com espelho. Algo que notei foi que todos os móveis pareciam obras de arte, de tão detalhados que eram. Eu diria que um artista os fez, ou pelo menos essa seria assim que chamaria.
— O senhor Adrian não comentou nada, mas tomei a liberdade de lhe trazer algumas roupas minhas, para que não precise dormir com essa roupa suja. Não sei se são do seu agrado, mas acredito que sejam mais confortáveis — disse Esmeralda, segurando algumas roupas, com o olhar baixo.
— Na verdade, isso é ótimo. Muito obrigada por pensar nisso — agradeci, sorrindo.
— Fico feliz em ouvir isso. Também coloquei algumas peças íntimas, mas são novas, nunca foram usadas, então pode ficar tranquila — explicou ela calmamente com sua voz doce, e fiquei admirada com seu nível de educação e gentileza.
Ela colocou as roupas na cama, mostrou-me também um par de sapatos que, embora parecesse um número maior, dava para usar tranquilamente, e me entregou um roupão, levando-me em seguida até o banheiro. Lá, havia uma grande banheira de madeira e alguns produtos de higiene pessoal em uma mesinha ao lado. Ela me sugeriu tomar logo banho antes que a água esfriasse.
Agradeci por sua gentileza, e ela se retirou, deixando-me sozinha para que eu pudesse me banhar tranquilamente. Notei que o banheiro também tinha uma parte separada com uma privada, algo bastante moderno para o ambiente. Provavelmente ideia de outra "santa". Pelo menos eu não teria que usar um penico... que alívio, pensei, agradecendo a Deus por não ser a primeira a vir.
Toquei a água para sentir a temperatura, que estava realmente agradável e quentinha. Coloquei minhas roupas sobre a mesinha, me despi e entrei na banheira. Após algum tempo relaxando, verifiquei os produtos, que eram semelhantes aos do meu mundo, mas pareciam mais artesanais. O aroma de jasmim era tão agradável que quase me esqueci do banho, imersa na essência.
Evitei molhar o cabelo por ser tarde, lembrando dos conselhos da minha mãe, que sempre reclamava quando eu lavava o cabelo antes de dormir. Esse pequeno detalhe me trouxe nostalgia, desejando que tudo não passasse de um sonho, e que eu acordasse no dia seguinte com ela me chamando de Liora, como sempre fazia, em vez de Lili.
Após o banho, enrolei-me no roupão e fui até o quarto. Além das peças íntimas que Esmeralda mencionara, que eram um pouco maiores do que eu costumava usar, havia dois vestidos longos: um branco e um cinza. Logo percebi que o branco era uma camisola, ou algo assim. O tecido era agradável, e quando o vesti, coube perfeitamente. Guardei as outras peças no guarda-roupa e, finalmente, deitei-me. Estava exausta e logo adormeci.
Estar em um mundo que parecia ao mesmo tempo rústico e refinado era uma experiência única. Provavelmente, a essa hora, eu estaria mexendo no celular, indo dormir só de madrugada. Mas, sinceramente, não sinto muita falta... bem, talvez um pouco. Conversar, assistir a vídeos, jogar... são coisas que nos viciam, e sentimos falta quando não podemos fazer.
No entanto, agora eu estava mais preocupada com o que aconteceria a seguir. Adrian estava me ajudando, mas só de pensar que terei que me apresentar diante de um rei de verdade, já sinto um frio na espinha. Provavelmente não saberei como me comportar, então só me resta torcer para que ignorem minha falta de habilidades sociais, já que eu poderia ser a santa que salvaria o reino.
No outro dia, acordei com a luz do sol refletindo pela janela, mas não parecia ser muito cedo. Após ir ao banheiro e fazer minha higiene pessoal, vesti o vestido cinza que Esmeralda havia me emprestado. Ele parecia simples, mas ao mesmo tempo delicado, com uma fita em tom mais escuro na cintura, que permitia fazer um laço nas costas.
Alguns minutos depois, Violeta apareceu batendo à porta e me chamou para tomar café. Descemos, e fui recebida por uma grande mesa repleta de bolos, biscoitos, café... Parecia um café da manhã para um exército, embora as cadeiras estivessem vazias.
Perguntei onde estava Adrian, e me disseram que ele havia saído cedo, mas pediu para que eu ficasse à vontade. Agradeci com um sorriso pelo cuidado e me sentei para comer, pois estava faminta.
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Atualizado até capítulo 41
Comments
Brennda Germany's
então, tecnicamente, se você for realmente uma santa, o que o título da história, praticamente já diz, você é quem pode acabar com a maldição!?
2025-03-26
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Beatriz
Sua história está me dando inspiração, de início já gostei e agora muito mais, por favor continue escrevendo
2025-03-26
1
Maah Monteiro
misericórdia mas peça íntima tem que ser nova mesma, já pensou a menina pegar alguma doença no xeris
2025-03-28
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