O castelo era ainda mais imponente do que eu imaginava. Ao chegarmos durante a noite, nos informaram que só poderíamos falar com o rei no dia seguinte. Na manhã seguinte, após um café servido em nossos quartos, Adrian me guiou pelos vastos corredores do castelo, quase um labirinto de pedra adornado com obras de arte de diversos estilos. Havia pinturas refinadas, tapeçarias intricadas e estátuas que pareciam capturar a essência de grandes heróis do passado, seus olhares eternizados em pedra.
Ao final do passeio, ele me levou até o jardim real, onde sentamos em um banco de madeira, à sombra de uma majestosa árvore, esperando o chamado para a audiência com o rei. O jardim era simplesmente deslumbrante — o lugar mais encantador daquele castelo de pedra fria. As flores vibravam com cores intensas e o perfume que exalavam parecia transportar qualquer um para um mundo de sonhos.
No centro do jardim, havia uma fonte esculpida com a imagem de uma bela mulher de asas angelicais. Sua expressão era tão serena que causava uma certa inquietação, como se fosse algo familiar.
Especialmente para a audiência, eu vestia um longo vestido azul, com mangas esvoaçantes que caíam delicadamente sobre meus ombros. Detalhes dourados com bordados florais cintilavam discretamente sob a luz da manhã e alguns enfeites dotados no cabelo. Conversava com Adrian sobre temas triviais, tentando afastar a tensão crescente.
— Vai dar tudo certo, senhorita Lili. Tenho certeza de que você se sairá muito bem — disse Adrian com um sorriso encorajador, segurando levemente minha mão, como se adivinhasse meus pensamentos.
— Espero que você esteja certo — respondi, tentando esconder minha ansiedade por trás de um sorriso confiante.
Os últimos dias haviam sido exaustivos. Lidar com o luto era uma batalha diária, mas ao lado de Adrian, eu sentia um alívio inexplicável, como se o peso do mundo desaparecesse. O mais estranho era que o conhecia havia apenas poucos dias.
Por volta das dez da manhã, um guarda nos escoltou até a sala do trono. Cada passo em direção à sala aumentava minha inquietação, como se algo sombrio me aguardasse. O corredor parecia mais estreito e silencioso a cada instante.
— Deixe que eu explico tudo — disse Adrian em um tom suave, tentando acalmar meus nervos. Assenti, grata por sua presença.
Quando as imensas portas se abriram, fomos recebidos por um murmúrio de vozes. A sala estava cheia de cortesãos, nobres discutindo assuntos importantes, mas o foco logo se voltou para nós. Um longo tapete vermelho se estendia até o trono, onde o rei Edric nos aguardava com uma expressão impassível.
Ele ergueu a mão e o silêncio tomou conta da sala. Seguindo Adrian, caminhamos até o trono e fizemos uma reverência profunda. Ao lado do trono do rei, havia outro trono vazio. Fiquei curiosa, mas decidi evitar perguntas.
Adrian começou a relatar tudo o que havia acontecido, sua voz firme e clara. Enquanto ele falava, eu tentei manter a postura ereta, como havia praticado com Esmeralda e com o próprio Adrian durante nossas breves paradas no caminho. Ele era um professor exigente, apesar de sua paciência e gentileza.
Observei a decoração ao redor. O salão era grandioso, porém minimalista, com armaduras polidas e algumas pinturas que retratavam cenas de guerra em tons sombrios. Adrian havia me contado vários detalhes sobre a história do reino e do rei Edric, o que me permitiu reconhecer alguns elementos ao redor. Atrás dos tronos, um brasão magnífico se destacava.
No centro do brasão, um escudo azul reluzia, adornado com um sol dourado e uma lua crescente prateada. Dois leões brancos, altivos e de postura imponente, flanqueavam o escudo, suas patas traseiras fincadas no chão com determinação. Acima, uma coroa cravejada de esmeraldas brilhava sob a luz das tochas. As intricadas folhagens esculpidas ao redor do brasão conferiam um toque de nobreza ao conjunto.
Ao lado do brasão, uma bandeira majestosa tremulava levemente. No centro, um sol dourado irradiava raios detalhados em todas as direções, circundado por uma meia-lua prateada que apontava para uma estrela solitária no canto superior direito. O fundo azul-escuro da bandeira, salpicado por estrelas menores, representava o céu noturno, e as ondas verde-azuladas abaixo simbolizavam a ligação entre o céu e a terra, um equilíbrio cósmico e natural.
— Então, você acredita que ela é a santa? — indagou o rei Edric, sua voz grave e repleta de autoridade, ecoando pelo salão.
— Sim, Vossa Majestade! — respondeu Adrian com convicção.
O rei Edric era imponente. Seus cabelos grisalhos revelavam sua idade, mas os olhos, de um azul acinzentado, ainda irradiavam uma energia quase hipnotizante. Ele me observava com atenção, como se quisesse desvendar algum segredo em mim, mas curiosamente, eu não me sentia intimidada por ele quanto esperava. Na verdade, existia uma certa familiaridade que me deixava um pouco confortável em sua presença.
— A verdade é que conseguimos invocar a santa, mas não tenho certeza do que aconteceu — disse o rei Edric, em um tom calmo, mas firme. — Magos, venham até aqui e me expliquem o que pode ter dado errado.
Três homens de capas brancas se aproximaram rapidamente, fazendo uma reverência respeitosa diante do rei.
— A verdade, Vossa Majestade, é que houve um pequeno erro durante o feitiço de invocação. Esta jovem pode ter sido trazida por engano — explicou um dos magos, com certa hesitação.
— Como assim, um engano? Eu vi com meus próprios olhos! Ela usou os poderes da santa e purificou as feras! — protestou Adrian, sem esconder sua incredulidade.
— O poder da santa nunca purificou as feras, apenas as desintegrou. Nunca houve relatos de tal purificação — corrigiu outro mago, com uma expressão solene.
Enquanto a discussão continuava, minha mente estava em caos. Como assim um engano? Não era para eu estar aqui? O que vai acontecer comigo agora? Haverá algum caminho de volta para casa?
— Se houve um erro, a responsabilidade é de vocês! — esbravejou o rei Edric, sua voz carregada de fúria. — Contudo, se essa jovem tem o poder de purificar as feras, ela pode ser mais valiosa do que imaginamos.
— Claro, Vossa Majestade, faz todo sentido — concordou um dos magos, embora sua voz transparecesse um leve desprezo. — Talvez ela possa ser útil como assistente da santa.
— Com todo o respeito, Vossa Majestade, eu não fui arrancada do meu mundo para ser a ajudante de ninguém. Quero respostas e quero voltar para casa — declarei, firme, sem vacilar.
Adrian me lançou um sorriso encorajador, mas havia uma tristeza em seu olhar que eu não conseguia decifrar. Antes que eu pudesse refletir sobre isso, uma gargalhada ecoou pelo salão.
— Gostei de você, garota. Liora, certo? — disse o rei Edric, me analisando com um brilho curioso nos olhos.
— Sim, Vossa Majestade — respondi, fazendo uma reverência discreta.
— Ótimo! Tragam a outra santa. Quero que elas se conheçam e comecem a trabalhar juntas — ordenou o rei a um dos guardas, que prontamente saiu para cumprir a tarefa.
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Atualizado até capítulo 41
Comments
Jhay_Focas
Cê tá doido, né
Não ouviu o que ela disse???
2025-01-22
1
Jhay_Focas
Se você gostou, vai obedecer ela, né
2025-01-22
1
Jhay_Focas
Então isso significa que ela é VERDADEIRA santa
2025-01-22
1