Uma luz, é isso que ela representa para mim...
Meu mundo era cinza até a chegada dela; nada parecia ter muito sentido.
Nasci com cabelos prateados e olhos vermelhos, o que levou muitos a associarem minha aparência ao antigo príncipe Julius, o responsável pela maldição que recaiu sobre o reino. Por isso, as crianças zombavam de mim, enquanto os adultos me olhavam de lado. Minha presença era indesejada, e, mesmo com apenas cinco anos, eu já entendia isso.
— Por que ele tem esses olhos estranhos? — cochichava uma criança, sem disfarçar.
— É o garoto amaldiçoado — murmurava uma mulher para outra, lançando-me um olhar de soslaio.
Minha mãe, Mallena Denvers, era minha maior fonte de segurança. Seus cabelos, dourados como fios de ouro, emolduravam seu rosto como uma obra de arte, e seus olhos verdes lembravam esmeraldas. Sua pele, macia e delicada, chamava atenção onde quer que fosse. Seus braços eram meu refúgio sempre que me sentia triste.
— Lembra-se do que sempre digo? — ela me perguntava, enquanto me abraçava.
— Sim, mamãe... Seja forte como o fogo.
Quando eu tinha seis anos, ela adoeceu e faleceu. Perdê-la foi uma das dores mais difíceis que já enfrentei. Foi nessa época que minha magia de fogo começou a se manifestar, e quase incendiei a casa. Para aprender a controlar meus poderes, meu pai me enviou para a academia real.
No início, foi divertido; apesar de eu não possuir muita mana, consegui controlar minha magia com habilidade. No entanto, o preconceito devido à minha semelhança com Julius continuava a me perseguir.
— Cuidado com o príncipe da maldição! — provocava alguém, rindo nos corredores da academia.
Meu pai, Demétrio Denvers, era um homem distinto, de cabelos negros e olhos castanhos. Comandante do exército real e duque, ele era grande amigo do rei Edric. Aos doze anos, o príncipe Louis foi sequestrado em uma emboscada por um reino inimigo. Meu pai, sozinho, derrotou vários inimigos, mas acabou perdendo a vida para salvar o príncipe.
Para honrar o sacrifício de meu pai, o rei Edric passou a cuidar de mim de forma indireta. Quando descobriu como as pessoas me tratavam, proibiu qualquer comparação entre mim e o antigo príncipe Julius, o que trouxe uma leve melhora à minha vida. Eu morava com minha tia Genevieve, irmã de meu pai, uma mulher extravagante e de espírito extremamente alegre.
Esperava que o príncipe Louis respeitasse o sacrifício de meu pai, mas sua arrogância sempre foi uma característica marcante. Ele me provocava de todas as formas possíveis nos corredores da academia real, e eu perdia a paciência com ele diversas vezes.
Para conter minha fúria, o rei Edric me colocou para treinar com o exército real. Assim, dividia meu tempo entre os treinos e a academia de magia, o que me mantinha ocupado e ajudava a controlar meu temperamento, embora as pessoas ainda parecessem temer minha presença. Meu único amigo era Valenor, que desde que entrou na academia demonstrava um talento incrível.
Valenor, porém, era desajeitado e sempre se metia em confusão, mesmo sem intenção. Como não tolerava injustiças, eu o defendia sempre que necessário, até que finalmente pararam de incomodá-lo. Quando nos formamos, nos afastamos um pouco, mas sempre mantive grande respeito por ele.
Aos dezoito anos, tornei-me comandante do exército e herdei o título de duque, que pertencera ao meu pai, assim como o direito de governar suas terras. No início, foi difícil lidar com toda a burocracia e, ao mesmo tempo, liderar o exército. Mas, com muito esforço, conquistei o respeito de todos e, agora, aos vinte e cinco anos, ninguém mais comenta sobre minha aparência; às vezes, até esqueço desse detalhe.
Agora, voltando a falar sobre minha Liora, ou melhor, minha Lili, como prefere ser chamada...
Quando começaram os ataques das feras, reuni alguns de meus soldados e fui patrulhar a floresta próxima ao meu ducado, pois alguns moradores haviam sido atacados por lá.
No meio da floresta, vi uma luz intensa e conduzi meus soldados até o local. Ao nos aproximarmos de um lago, encontrei uma jovem bela, de cabelos negros e olhos azuis. Por um instante, fiquei hipnotizado por seus traços delicados, mas logo me concentrei no essencial: entender o que estava acontecendo e por que ela estava ali.
Ao me aproximar, percebi que ela estava assustada. Isso não me irritou; pelo contrário, algo dentro de mim queria protegê-la, mesmo sem saber do que. Peguei uma capa e a coloquei sobre seus ombros, oferecendo ajuda. Seus olhos curiosos me examinavam, e isso me deixou um pouco desconcertado, embora eu tentasse parecer indiferente.
Ela parecia desconfiada, mas ao me apresentar, começou a se acalmar. Cheguei a me perguntar se era por causa da cor dos meus olhos, mas logo afastei esses pensamentos. Erick, um de meus melhores soldados, se aproximou, mas não me ajudava muito a manter minha postura de comandante diante da bela jovem.
Repreendi-o com um olhar sério, e ele logo se calou. Por fim, ela aceitou minha ajuda e, embora eu não demonstrasse externamente, fiquei muito animado com sua aparição repentina, a ponto de quase esquecer das feras corrompidas. Contudo, quando ela começou a contar sua história, percebi sua tristeza, e isso também me entristeceu.
Saber que ela era de outro mundo me deixou ainda mais curioso, e logo pensei na lenda sobre a santa que salvaria o reino da maldição. Acreditei que essa poderia ser a razão para ela estar aqui.
Liora era como uma flor delicada, e eu protegeria cada uma de suas pétalas. Não sabia de onde vinha esse desejo de protegê-la, mas ele estava lá, vivo e forte. Principalmente quando ela se mostrou fragilizada ao falar da morte dos pais, e, por impulso, a abracei.
Sabia o que precisava fazer, então, assim que ela adormeceu, chamei Riff, minha fera mágica, e enviei uma carta ao rei Edric, explicando a situação e solicitando uma audiência. Temia que ela não se adaptasse, vindo de um mundo tão diferente, mas ela se mostrava disposta a aprender tudo o que fosse necessário para entender o motivo de sua vinda.
Ao comprar roupas para ela com minha tia Genevieve, ela me fez várias perguntas, e acabei deixando escapar o quanto a achava bonita. Esse foi um erro, pois minha tia é incapaz de guardar segredos. Tive receio de que ela me achasse um tolo, mas ela apenas sorriu, o que fez com que eu também deixasse escapar um sorriso bobo.
A viagem até a capital real foi tranquila, exceto quando ela contou que um ser brilhante havia aparecido para ela, alertando sobre alguém em perigo. Ao chegarmos ao local, realmente encontramos moradores de uma cidade próxima sendo atacados por feras corrompidas. Fiz o melhor para protegê-los e, quando achei que as derrotaria, elas se voltaram para Liora, avançando em sua direção.
Tentei protegê-la, mas não fui rápido o suficiente; foi então que vi pela primeira vez seus poderes, tão magníficos e brilhantes quanto ela. Nas lendas, as feras eram destruídas quase como se se desintegrassem no ar. No entanto, o que vi foi algo diferente: as feras, em um piscar de olhos, voltaram ao normal e correram para a floresta mais próxima com um semblante que quase parecia agradecido.
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Atualizado até capítulo 41
Comments
Jhay_Focas
Não me diga que é um capítulo do ponto de vista do Adrien?
2025-03-27
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Jhay_Focas
O poder de libertá-las rs
2025-03-27
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Jhay_Focas
Foi uma cena tão linda
2025-03-27
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