Liora...
Finalmente chegou o dia em que iniciaríamos nossa luta para quebrar essa maldição. Eu estava nervosa; seria uma longa viagem, cheia de perigos, além dos desafios da missão em si. Conhecia ainda muito pouco desse mundo.
Saber que Adrian poderia ser a reencarnação de Julius me deixou apreensiva no começo, mas eu não percebia nele a maldade das histórias. Talvez fosse pelo fato de ele estar ao meu lado desde que cheguei, o que me trazia uma paz inexplicável.
Nem consigo imaginar o quão difícil teria sido minha vida se estivesse sozinha. Talvez ainda estivesse perdida naquela floresta… isso, se já não tivesse morrido de fome ou sido atacada por alguma fera. Penso nisso e solto uma risada nervosa só de imaginar.
— Eu te encontraria e te salvaria — diz Liz, dando tapinhas na minha bochecha, ao ler meus pensamentos.
— Claro, claro! Minha pequena heroína — respondo rindo, segurando-a pelo vestido. Ela faz uma expressão de indignação e desaparece por um instante.
Voltando ao Adrian: no dia anterior, ele chegou ao meu quarto acompanhado por algumas pessoas e servos do castelo. Trouxeram várias roupas e logo as dispuseram sobre minha cama, deixando apenas eu, Adrian e Rosabella no quarto.
Rosabella era a serva que mais me ajudava. Seus olhos tinham um tom violeta marcante, e seu cabelo era castanho acobreado. Apesar de não ter nenhum outro traço especial além da cor dos olhos, sua alegria era contagiante, e ela sempre mantinha um sorriso doce ao falar.
— O que é tudo isso? — perguntei, olhando para as roupas na minha cama. — Você já comprou tantas roupas para mim, por que mais?
— Estas são diferentes… Não é comum para mulheres usarem esse tipo de roupa, mas quis garantir que você pudesse se mover com agilidade no campo de batalha; com vestidos, isso seria impossível — explicou ele, com uma leve hesitação. — Por isso, mandei fazer essas peças sob medida...
— Que incrível! São calças e camisas? — exclamei, pegando as roupas e admirando a textura do tecido. — Será que vão caber?
— Tenho certeza que sim. Enviei suas medidas exatas... — respondeu ele, sério.
— Como sabe minhas medidas? — questionei, intrigada.
— Sou um bom observador — respondeu ele, parecendo sem jeito, enquanto Rosabella soltava um sorriso discreto. — De qualquer forma, eles demoraram para entregar, então é melhor a senhorita terminar de arrumar as malas; partiremos amanhã bem cedo — completou, saindo apressado.
O jeito envergonhado dele me surpreendeu, mas logo deixei isso para lá, pois compreendia um pouco seus sentimentos. Pedi ajuda a Rosabella e começamos a experimentar algumas das peças que ele trouxe. Para minha surpresa, todas caíam perfeitamente.
— Você ficou linda nessas roupas de homem, senhorita Liora — comentou Rosabella, com os olhos brilhando.
— Obrigada, mas não são roupas de homem, são apenas roupas. De onde venho, todos usam calças, independente do gênero — respondi, e ela me olhou espantada, perguntando se eu falava sério.
Afirmei que sim e sorri ao ver sua expressão curiosa. Olhei meu reflexo no espelho: usava uma camisa branca de mangas largas e uma calça preta com um cinto em estilo espartilho. O tecido era confortável e quente, permitindo que eu me movimentasse com facilidade.
Adrian também comprou alguns sapatos extremamente confortáveis, e eu não poderia estar mais satisfeita; já estava cansada de usar vestidos o tempo todo. Enquanto arrumava as malas, Rosabella fazia muitas perguntas sobre o meu mundo, ou melhor, o mundo de onde vim, já que descobri que meu verdadeiro lugar era aqui.
— Olha, estou combinando com você! — disse Liz, vestindo uma roupa idêntica à minha.
— Está muito fofinha — disse eu, verificando se Rosabella não estava prestando atenção, para ela não pensar que sou louca.
Com muita eficiência, Rosabella me ajudou a preparar tudo para a viagem. Agradeci a ela, e após trazer meu jantar, fiquei repassando mentalmente o que poderia acontecer. Tomei um banho relaxante e deitei-me.
Liz logo se aconchegou no travesseiro e adormeceu, mas eu estava nervosa demais; as horas passavam e, depois de imaginar mil possibilidades de coisas que poderiam dar errado, finalmente adormeci.
Na manhã seguinte, acordei cedo e vesti a roupa que havia experimentado no dia anterior. Talvez tenha sido um erro, pois não sabia que o rei faria um discurso para o batalhão que nos acompanharia, muito menos que ele pediria para que eu e Aurora ficássemos ao seu lado no palco.
Estávamos na arena de treinamento, e montaram um pequeno palco de madeira. Tentei sorrir e disfarçar o nervosismo, mas sentia o calor nas bochechas ao ver tantos olhares em minha direção. Ao trocar um breve olhar com Adrian, ele sorriu para mim, e senti-me mais confiante.
O rei Edric fez um discurso inspirador, ressaltando a importância de cada um para o reino e pedindo que todos retornassem sãos e salvos.
— ... Cada um de vocês é essencial para o futuro do nosso reino. Que a coragem os acompanhe e que retornem a salvo ao nosso lar. O reino precisa de vocês — concluiu com uma energia firme, sua voz ecoando na arena.
A multidão respondeu com um brado entusiasmado, e, em seguida, Adrian falou brevemente, num tom mais contido, porém confiante.
— ... Sei que cada um de vocês tem dado o seu máximo em treinamento. Agora, precisamos do mesmo empenho para cumprir essa missão. Conto com cada um — concluiu.
Eu observava como os soldados o olhavam com admiração e respeito. A devoção deles era clara. Logo depois, chegou nossa vez de falar.
Aurora foi primeiro, fazendo um discurso tocante. Ela começou com firmeza, mas seu tom logo suavizou.
— ...Lutamos pelo que amamos, pelo que nos faz humanos. Treinei exaustivamente para estar à altura desta missão, e prometo que darei tudo de mim para proteger este reino.
As palavras dela eram bonitas e inspiradoras, mas prolongaram-se um pouco demais, talvez até mais que o discurso do rei. Depois foi a minha vez. Respirei fundo e, ao olhar para a plateia, senti uma onda de nervosismo. Não queria falar muito, então fui direta.
— Sou nova nesse mundo, mas já conheci pessoas que tenho no coração e me fazem sentir confiante, sentir que eu posso fazer a diferença — disse, lançando um olhar discreto para Adrian. — Se estiver ao meu alcance, farei o meu melhor para mantê-los seguros.
Assim que terminei, uma onda de aplausos preencheu o espaço. Eu desci do palco um pouco nervosa, mas ao ver Adrian sorrindo, senti-me mais à vontade.
— Seu discurso foi sincero e bonito. Tenho certeza de que tocou a todos — Adrian se aproximou e comentou em voz baixa.
— Obrigada — respondi, tentando esconder o alívio.
Nossa jornada começou logo em seguida. Nosso primeiro ponto ficava a apenas dois dias de viagem, então não demoraria muito. Fui em uma carruagem com Adrian e Valenor, enquanto Aurora foi com o príncipe em outra. Ele havia insistido em vir, aparentemente para garantir a segurança dela.
— Não acredito que ele fez questão de vir também — murmurei, revirando os olhos.
Adrian riu baixo e me lançou um olhar cúmplice.
— Prepare-se. Vai ser uma viagem longa — disse, fazendo Valenor e eu rirmos da situação.
Tínhamos um total de 20 soldados, além de algumas outras pessoas responsáveis pela comida e outros cuidados. Na verdade, havia muito mais gente do que eu conseguia contar, pois o príncipe estava conosco, e ele parecia ser o tipo de pessoa que adora ser bajulado. Realmente era uma viagem longa, pensei, observando toda aquela mobilização pela janela.
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Atualizado até capítulo 41
Comments
Jhay_Focas
Ele deveria ter avisado antes, ahhhh
2025-03-27
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Jhay_Focas
Me fiz a mesma pergunta
2025-03-27
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Jhay_Focas
Espero que ninguém morra
2025-03-27
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