Olhei rapidamente para ele e desviei o olhar, tentando formular uma resposta, mas nada parecia lógico ou real. Se eu dissesse que era de outro mundo, ele acreditaria? Bom, na verdade isso é apenas uma teoria que criei por causa dos filmes que assisti, então nem eu tenho certeza se estou certa.
— Não é preciso falar, se não desejar; porém, não poderei ajudá-la sem saber o que ocorreu — disse ele, notando minha hesitação.
— Não é isso, é que eu realmente não faço a mínima ideia de como tudo aconteceu. Talvez você ache uma loucura, mas eu estava no meu quarto e, de repente, apareceu uma luz e eu vim parar naquela floresta — tentei explicar da melhor forma possível.
— Então, foi isso que ocorreu? Tenho uma leve suspeita sobre o que possa ter acontecido. Em meu lar, poderemos discutir melhor — disse ele, em um tom solene.
Se ele não achou o que eu falei estranho, talvez eu não esteja ficando louca. Agradeci com o melhor sorriso que pude naquele momento e continuei admirando a paisagem, enquanto nos aproximávamos dos portões da cidade. Lá, muitos guardas usavam armaduras parecidas, porém mais simples. Quando passamos, eles cumprimentaram Adrian com respeito, e ele retribuiu o cumprimento com um aceno de cabeça.
Após nos despedirmos dos outros soldados que nos acompanhavam, seguimos pelas ruas pavimentadas com paralelepípedos. As casas e os estabelecimentos comerciais, construídos predominantemente em pedra e em sua maioria pintados de branco, chamavam a minha atenção. As pessoas caminhavam pelas ruas, conversando animadamente, dando ao lugar uma atmosfera vibrante e acolhedora. O que mais me impressionou, no entanto, foram os postes de cerca de três metros de altura, que iluminavam a cidade com seus lampiões, criando uma cena tanto curiosa quanto encantadora.
Mas não é como se eu conseguisse ver muita coisa, pois estava de noite e eu lutava contra o sono. Naquele momento, tudo o que eu queria era um banho e uma cama confortável. Espero que pelo menos isso tenha aqui. Deus me livre de estar em um cenário medieval de verdade. Ao pensar nisso, minha obsessão por limpeza logo se ativou e, confesso, senti um pouco de medo.
Não demorou muito para chegarmos à casa dele — ou melhor dizendo, à mansão, quase um castelo. Enquanto eu admirava a beleza do lugar, ele, em um movimento ágil, desceu do cavalo e chamou minha atenção para me ajudar a descer. Obviamente aceitei, nunca tinha montado em um cavalo antes e não fazia a mínima ideia de como desmontar.
— Obrigada — disse, quando ele me colocou no chão.
— Não é necessário que me agradeça. Vamos entrar; o frio aqui fora é intenso — disse ele, olhando para mim com uma expressão de preocupação.
— Claro — respondi rapidamente, e caminhamos até a entrada.
Ele abriu a porta, e fomos recebidos por um senhor de cabelos grisalhos, vestindo um terno elegante, acompanhado por três mulheres em simples vestidos pretos com aventais brancos. Pareciam uniformes, embora cada um tivesse pequenas variações que destacavam suas personalidades distintas. Olhei ao redor da ampla sala de entrada, decorada de maneira imponente e refinada.
O piso de mármore polido refletia a luz suave dos candelabros e do grande lustre dourado no centro da sala. Na parede oposta, uma lareira de pedra abrigava um fogo brilhante que aquecia o ambiente, tornando-o ainda mais acolhedor. Os móveis, embora rústicos, tinham um toque de elegância refinada com suas cores sóbrias. Notei dois sofás de couro e desejei poder finalmente me sentar, já que o balanço do cavalo durante o trajeto havia sido exaustivo.
Adrian rapidamente me apresentou a eles e fui recebida com um sorriso caloroso. O senhor era o mordomo, chamado Sebastian. Já as três mulheres, a loira baixinha de olhos azuis era Violeta; a ruiva, de olhos castanhos e com uma pequena cicatriz no pescoço, perto da orelha, se chamava Eloise. Elas pareciam ter quase a mesma idade, talvez um pouco mais velhas.
A terceira, um pouco mais velha, provavelmente perto dos 40 anos — mas nunca fui boa em adivinhar idades —, chamava-se Esmeralda, e tinha cabelos castanhos e olhos verdes vibrantes, que se destacavam ainda mais com seu sorriso encantador. Ela era quase da altura de Violeta, porém um pouco mais alta.
— Esmeralda, por favor, prepare o quarto de hóspedes para nossa convidada e providencie um banho para ela — disse ele a Esmeralda, logo após as apresentações, e ela o atendeu prontamente. — Você deve estar faminta. Vamos jantar, e, assim que terminarmos, poderá descansar.
Pensei em dizer que estava tudo bem, mas meu estômago me traiu e entregou minha fome descaradamente. Ao escutar, ele lançou um olhar sério para os outros funcionários, que se apressaram em sair.
— Por aqui — disse ele, me guiando até a sala de jantar.
Eu o segui, observando o ambiente. A sala de jantar era tão grande e elegante quanto a outra sala. Havia uma enorme mesa com 12 lugares, coberta com uma toalha branca, e várias cadeiras perfeitamente entalhadas. Ele puxou a cadeira para que eu pudesse me sentar e, em seguida, pediu licença, dizendo que ia retirar sua armadura para me acompanhar no jantar. Alguns minutos depois, ele voltou, vestindo uma camisa cinza e uma calça preta, e sentou-se em uma cadeira ao meu lado. Violeta e Eloise rapidamente começaram a nos servir.
O prato era uma carne com textura macia e suculenta, um pouco adocicada, acompanhada de arroz e alguns legumes. Ele me disse que era cordeiro. Era realmente muito gostoso, mesmo que não estivesse muito temperado. Acompanhava o jantar uma taça de vinho, que eu até bebi um pouco, mas não muito, pois não estou acostumada a bebidas alcoólicas. Então ele pediu para que trouxessem um suco de amoras.
— Por favor, conte-me tudo o que recordar, não importa quão insensato possa parecer — pediu ele, após tomar um gole de seu vinho.
— Eu me lembro de que era meu aniversário de 18 anos. Eu saí com meus pais para fazer um piquenique e... — comecei a explicar, mas as palavras escaparam nessa parte, sem que eu conseguisse completar, então respirei fundo. — Um carro veio em nossa direção e acertou meus pais. Eles morreram na hora — completei, com a voz fraca no final.
Antes que eu percebesse, senti Adrian me abraçando. De alguma forma, me senti segura e protegida. Todas as lágrimas que eu havia reprimido surgiram naquele momento, e eu chorei como uma criança, enquanto ele apenas fazia carinho nos meus cabelos. Quando me senti melhor, me afastei para continuar a falar. Ele secou minhas lágrimas e voltou a prestar atenção.
— Meus parentes resolveram tudo sobre o velório, e foi tudo muito rápido. Quando vi, já era noite e eu estava no meu quarto — expliquei calmamente.
Não sei por que estava falando da morte dos meus pais, talvez nem fosse relevante.
— Então apareceu um círculo brilhante, e uma luz me cercou. Meu corpo começou a mudar e eu me tornei uma pessoa diferente. Quando percebi, estava em uma floresta estranha, cercada por lobos assustadores. Fechei os olhos, pensando que era um pesadelo, e todos os lobos desapareceram — terminei a explicação, ansiosa por uma resposta, enquanto o olhava nos olhos.
— Existem algumas informações estranhas, mas creio saber o que ocorreu — disse ele, após refletir por alguns instantes. — Você deve ser a santa que os magos tentavam invocar — completou, com um olhar sério.
— Santa? Magos? Invocar? — questionei, um pouco confusa, não pelos termos, mas pelo que ele queria dizer exatamente. Como assim, eu sou uma santa?
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Atualizado até capítulo 41
Comments
Phillip Shakespeare
você foi invocada para salvar esse mundo vc com nível que sofre com um mini Boss nível 10 quase morrendo e os guardas da vila de boa com nível 99 mas eles não são os heróis kkk
2025-03-27
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Phillip Shakespeare
claro a clássica dúvida como explicar que não sou desse mundo e não faço ideia nenhuma como entrei aqui será que morri será que estou em coma muitas dúvidas
2025-03-27
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Syl Gonsalves
ou seja um personagem que a tua mente criou para lidar com o luto e obviamente, se é tua criação, vai atender às tuas expectativas...
2025-03-26
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