— Não seja boba, ele é apenas meu amigo, mal nos conhecemos — retruquei, um pouco envergonhada. — Mas que história é essa de voltar? — questionei, curiosa.
— Eu não vou saber explicar direito. Precisamos fortalecer nosso vínculo para que eu possa acessar suas memórias. O que posso dizer agora é que sua alma pertencia a este mundo — respondeu ela calmamente, rodopiando.
— Entendi, mas me explica melhor algumas coisas. Começa por quem você é e que vínculo é esse que temos — pedi, tentando pegá-la para ver se ela parava.
Quando finalmente a segurei com as duas mãos, ela sentou-se nelas como se fosse um mini trono, cruzou as perninhas e começou a falar sem parar. Depois de um tempo, voou e se acomodou no meu ombro. Sua explicação foi longa, e eu não sabia de onde ela tirava tanto fôlego de um corpinho tão pequeno.
Resumindo, ela era uma espécie de fada celeste, um ser mágico muito raro que atua como guia espiritual para pessoas com grande magia. Ela vive em um plano astral, e quando cria um vínculo com alguém, esse vínculo se torna eterno. Não importa quantas vezes a pessoa reencarne, ela sempre a encontrará.
No entanto, suas memórias são compartilhadas, e como eu voltei sem lembranças, precisaríamos fortalecer nosso vínculo tanto para que ela pudesse permanecer mais tempo no plano físico quanto para acessar minhas memórias antigas. Caso contrário, ela só teria acesso ao que eu me lembrava. Pensar nisso me deixava um pouco constrangida, e fiquei receosa de até onde ela teria visto em minhas lembranças.
— E como fazemos para fortalecer esse vínculo? — perguntei, curiosa.
— Nada de muito especial. Basta convivermos, compartilharmos sentimentos, lutarmos juntos... essas coisas. Ser amigo é o diferencial — respondeu ela, levantando a mãozinha no final.
— Eu quero ser sua amiga — disse, tocando sua mão com o dedo indicador, e ela sorriu.
Eu ia perguntar como ela sabia que aqueles homens estavam sendo atacados, mas uma batida na porta interrompeu meus pensamentos. Liz desapareceu novamente, e isso não me surpreendeu. Na verdade, ela tinha ficado por muito tempo e deveria estar precisando descansar. Quando abri a porta, eram os empregados trazendo meu almoço.
Agradeci gentilmente e, enquanto estava sentada à mesa começando a comer, Liz reapareceu, atacando um bolinho com cobertura que seria minha sobremesa. Ela comia com tanta vontade que era até engraçado.
— O que foi? — perguntou ela, sentada na bandeja e segurando um pedaço de bolo, com a boca toda suja.
— Nada, só achei que você fosse um ser espiritual, sabe, que não precisasse comer — respondi com sinceridade, tentando não rir.
— Eu realmente não preciso, mas amo doces. Então, consiga mais para mim — disse ela, balançando a cabeça de uma forma fofa.
— Sim, senhora. Todo doce que você quiser — falei, e ela sorriu, com os olhos brilhando.
Conversamos um pouco e lembrei de perguntar como ela sabia do ataque. Ela explicou que estava tentando me encontrar quando encontrou, por acaso, aqueles homens em perigo. Logo depois, sentiu minha presença e conseguiu pedir ajuda.
— Nossa conexão ainda estava muito fraca, por isso foi difícil te encontrar. Mas já estou estabilizando, e daqui a alguns dias conseguirei aparecer sempre que quiser — completou ela, com um sorriso confiante.
— O que você sabe sobre essas feras corrompidas? — perguntei, intrigada.
— Sei que você é a santa que vai salvar o mundo — disse ela, soltando o pedaço de bolo e fazendo uma pose de heroína.
— Mas isso foi só o que me disseram, e já tem uma santa — retruquei, estreitando os olhos. — Além do mais, parece que foi um erro eu ter vindo para cá.
— Nada nessa vida é um erro, minha jovem. Se você veio, é porque há uma razão. Mas não se preocupe, vamos descobrir tudo, é apenas questão de tempo — disse ela, voando até perto do meu rosto e dando tapinhas na minha bochecha, antes de sumir novamente.
Conversar com Liz era estranhamente reconfortante, e seu jeito espalhafatoso era realmente fofo. Se nós realmente tínhamos esse vínculo de vidas passadas, ele devia ser muito forte. Estava ansiosa para descobrir quem eu era nesse mundo.
Algum tempo depois do almoço, um dos magos que estava na sala do trono veio me chamar para aprender mais sobre minha magia e sobre como eu iria ajudar a santa — sim, eles ainda acham que vou ser apenas uma ajudante. — O segui, já impaciente com sua arrogância. Não estava nem um pouco animada para aprender algo com eles, mas era o que tinha para o momento, então resolvi dar uma segunda chance, quem sabe eu mudasse de opinião.
Chegamos a uma grande sala, onde os outros dois magos e Aurora já me aguardavam. Olhei para eles e os cumprimentei educadamente. Aurora me respondeu com um sorriso gentil, mas os outros dois magos simplesmente ignoraram meu cumprimento.
— Já aprendi algumas coisas, e, se precisar de ajuda para entender, pode me perguntar — disse Aurora, segurando meu braço, o que me irritou um pouco. Não entendo por que tem pessoas que só sabem falar tocando nos outros.
— Obrigada — respondi, sorrindo e me afastando. Vai saber onde essa mão estava, pensei.
Os magos se apresentaram, e finalmente soube seus nomes: Zhilfar, Kaleon e Thares. Eles começaram a explicar como funcionava a magia. Segundo eles, todos tínhamos uma rede de mana percorrendo o corpo, e, graças a ela, todos podiam usar magia em certos níveis, dependendo da quantidade de mana que possuíam.
A explicação era muito ortodoxa e entediante, e eu não conseguia entender como canalizar essa mana. No meio da explicação, Liz apareceu novamente e começou a rodopiar entre os magos, como se os julgasse com um olhar que poderia matar qualquer um. Os magos então pediram que tentássemos canalizar, mas eu não conseguia.
— Liz, vem aqui — sussurrei, e ela veio rapidamente. — Você poderia me explicar como fazer isso? — pedi.
— Senhorita Liora, como você vai ser uma boa ajudante se não consegue se concentrar para fazer algo tão simples? — questionou Thares, com um ar de prepotência.
— Quem você pensa que é para tratar vossa majestade dessa forma, seu servo inútil? — esbravejou Liz, cerrando os punhos como se quisesse socar o mago.
— Já disse que não sou uma rainha — sussurrei para Liz, que colocou a mão na cabeça, desconfiada.
— Tem certeza que não é? Consigo ver claramente em minhas lembranças você sentada em um trono — disse ela, coçando o queixo e flutuando à minha frente.
— O que você está sussurrando aí sozinha? Por acaso é louca? — questionou Zhilfar, e, sinceramente, eu não tinha paciência para responder. A vontade era soltar algumas palavras nada educadas.
— Não seja tão duro com a senhorita Liora, mestre Zhilfar. Tudo é muito novo para ela. Vamos continuar, e daqui a pouco ela aprenderá — disse Aurora, com um olhar preocupado.
Liz flutuou até Aurora e, em um ato inesperado, mostrou a língua para ela. Tentei conter o riso, afinal, ela estava me defendendo, mas foi quase impossível.
— Essa falsa pensa que engana quem? — sussurrou Liz, apontando para Aurora com desdém, e eu dei de ombros, sorrindo.
— Vamos continuar então — disse Zhilfar, sorrindo para Aurora como se ela fosse uma deusa.
— Com todo o respeito, não vou continuar coisa nenhuma. Vocês não sabem explicar e ainda me tratam mal. Vou voltar para o meu quarto, com licença — disse, saindo da sala, irritada com a arrogância deles, e Liz me seguiu.
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Atualizado até capítulo 41
Comments
Jhay_Focas
Pelo jeito, Liz também não vai com a cara da Aurora. Algo de errado não tá certo com ela
2025-03-08
1
Jhay_Focas
Muito fofa, e também, difícil achar alguém que não gosta de doces rs
2025-03-08
1
Jhay_Focas
Eu também não entendo, e isso me dá uma raiva
2025-03-08
1