Tomei meu café da manhã com calma, apreciando cada gole da bebida quente enquanto observava os raios de sol filtrarem pela janela. Logo descobri que Eloise era a responsável pela comida deliciosa. Ao elogiá-la, ela corou profundamente, e foi nesse momento que percebi que elogios e agradecimentos não eram algo comum por aqui. Adrian também parecia estranhar tal comportamento, por isso supus que a situação fosse, de fato, incomum.
Quando estava me levantando da mesa, depois de terminar a refeição, vi Adrian entrar na sala. Ele estava acompanhado por um pequeno grupo de pessoas que carregavam roupas e acessórios, em especial vestidos. Senti uma pontada de curiosidade, mas decidi esperar que ele explicasse o que estava acontecendo.
— Bom dia, senhorita Liora, esta é Genevieve La Martine, proprietária de uma famosa loja de roupas — disse Adrian, apresentando a senhora ao seu lado. Seus cabelos castanhos cacheados emolduravam um rosto vivaz, com olhos verdes que brilhavam de simpatia.
— É um prazer conhecê-la. Você é ainda mais bonita do que Adrian mencionou — disse Genevieve, me cumprimentando com um abraço caloroso e um beijo em cada bochecha. Pude notar um leve rubor no rosto de Adrian, que logo se recompôs. — Ele não disse, mas sou sua tia mais querida.
— Prazer em conhecê-la também — respondi, retribuindo o carinho. Genevieve tinha uma energia contagiante e parecia ser uma mulher extremamente espontânea.
— Como precisaremos visitar o rei, pedi para Genevieve trazer algumas roupas. Sinta-se à vontade para escolher algumas para a viagem e também para o dia a dia — disse Adrian, limpando a garganta de leve, parecendo um pouco desconfortável com toda a situação.
— Obrigada. Nem sei como agradecer por tudo o que você está fazendo por mim — falei, sentindo uma onda de gratidão.
— Agradeça ficando deslumbrante — disse Genevieve com um sorriso travesso, segurando minha mão e me guiando pelas escadas até meu quarto.
Lancei um breve sorriso a Adrian enquanto subíamos as escadas, acompanhadas pelas pessoas que carregavam as roupas, e ele retribuiu. Foi a primeira vez que o vi sorrir e ele ficava lindo. Assim que tudo foi organizado no quarto, nos deixaram a sós.
Genevieve começou a me ajudar a escolher algumas peças e, à medida que separávamos os vestidos, me senti transportada para outra época, como se estivesse vivendo um romance histórico. As peças tinham uma beleza singular, com tecidos suaves e detalhes elaborados.
A manhã foi divertida, embora um pouco cansativa. Experimentei mais roupas do que estava acostumada, e apesar de tentar escolher as mais simples, todas eram incrivelmente elegantes. Embora algumas não fossem exatamente o meu estilo, não pude deixar de me encantar com a qualidade e o cuidado de cada peça.
Além disso, conversar com Genevieve foi revigorante; sua alegria era contagiante, e ela não parava de falar sobre Adrian, sempre com orgulho nos olhos. Falou sobre sua infância, seus feitos e como ele se tornou o homem que era.
Após terminarmos as escolhas, descemos até a sala. Adrian já nos esperava pacientemente e, após pedir que seus ajudantes recolhessem as roupas restantes, nos despedimos de Genevieve, que partiu prometendo me visitar se eu voltasse.
Observei os ajudantes descendo com as roupas, e assim que saíram, me afundei no sofá, soltando um longo suspiro, sentindo o cansaço nos ombros. Fechei os olhos por um momento, tentando relaxar.
— Senhorita Liora, se não estiver muito cansada, partiremos amanhã para a capital do reino, onde fica o castelo real — informou Adrian, de pé à minha frente, com sua postura sempre impecável.
— Você pode me chamar de Lili, Adrian. Não gosto muito de ser chamada de Liora — protestei, abrindo os olhos devagar.
No entanto, ao encarar a figura imponente de Adrian, com seus olhos fixos nos meus, senti meu rosto esquentar de repente. A sensação me deixou desconcertada, sem entender o motivo.
— De qualquer forma, não estou cansada. Podemos ir sim — completei, tentando me recompor.
— Seu nome é muito bonito, mas se prefere assim, respeitarei, senhorita Lili — disse ele, em tom quase repreensivo, com um leve sorriso nos lábios. — No entanto, seria mais apropriado manter seu nome diante do rei. Apelidos podem parecer informais demais.
— Você tem razão... Pode me dar mais algumas dicas para eu não cometer erros na frente dele? — perguntei, tentando esconder a ansiedade com um sorriso tímido.
— Claro, teremos cinco dias de viagem. Tempo suficiente para você aprender tudo o que precisa — respondeu ele, e meu sorriso se desfez ao perceber a longa distância até a capital.
Mais tarde, fomos almoçar, e Adrian me deu uma verdadeira aula de história sobre o reino. Segundo ele, quando Cassius, um notável guerreiro, chegou, tudo era apenas uma vila dominada por bandidos, que controlavam os moradores através do medo, abusando de sua incapacidade de se defender. Comovido pelo sofrimento deles, Cassius derrotou todos os criminosos, libertando a vila de seus carrascos.
Em retribuição, foi nomeado líder da vila, que, sob seu comando, começou a prosperar, crescendo em tamanho e população. Todos queriam seguir o grande herói, e seus feitos se tornavam cada vez mais notáveis. Naquela época, a economia era baseada em caça e pesca, mas, com o tempo, a agricultura passou a ter um papel importante, influenciando o desenvolvimento das cidades do reino.
O grande problema surgiu quando Cassius faleceu e, em vez de o trono passar para seu primogênito, Julius, foi dado a Edward, o segundo na linha de sucessão. Ressentido pela escolha do pai, Julius se escondeu no castelo de inverno, consumido pela inveja. Tentou tirar a vida do irmão, mas, após uma batalha intensa, acabou derrotado.
Julius, detentor de grande poder mágico e corroído pelo ressentimento de não ser tão bom quanto o irmão, usou seus últimos suspiros de vida para lançar uma magia proibida, amaldiçoando o reino. Ele corrompeu os animais, fazendo-os agir de forma destrutiva, e levou também a vida de Liliana, o grande amor de Edward.
O feitiço fez com que a alma de Liliana fosse para outro mundo, pois ela era a única capaz de acabar com a maldição. Desde então, a cada cem anos, eles tentam encontrar a alma de Liliana para que ela liberte o reino do caos. No entanto, embora uma santa tenha conseguido conter temporariamente o mal, ainda não encontraram a alma correta.
Durante o resto do dia, Adrian ficou ocupado organizando os últimos detalhes da viagem, enquanto eu explorava a casa. O jardim, em especial, era de uma beleza deslumbrante, com flores de cores vibrantes e espécies que eu nunca tinha visto antes.
Violeta me ajudou a arrumar as malas, e Esmeralda, sendo uma dama de postura elegante e refinada, me deu dicas de etiqueta, ensinando-me como as mulheres se comportavam neste mundo. Embora as regras fossem muitas, me senti mais confiante com o apoio que recebi.
O jantar preparado por Eloise estava tão delicioso quanto as outras refeições. E, novamente, ela corou quando a elogiei, o que achei adorável. Adrian, no entanto, parecia visivelmente cansado, então não exigi muito de sua atenção. Após o jantar, nos recolhemos para nossos quartos, prontos para a viagem que começaria logo ao amanhecer.
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Atualizado até capítulo 41
Comments
Jhay_Focas
Não tem como ele não ficar lindo sorrindo, só de imaginar meu coração amolece
2025-01-12
1
Jhay_Focas
Que história interessante, será que você é a alma correta?
2025-01-12
1
Syl Gonsalves
será que não foi tipo europeus chegando aqui e encontrando os nativos?
2025-03-26
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