Capítulo 6: O Caminho até A Capital Real

Logo cedo, tomamos café da manhã sob o brilho suave do sol que mal começava a despontar no horizonte. Após nos despedirmos de todos com um misto de ansiedade e expectativa, iniciamos a longa viagem. O caminho era extenso e cansativo; às vezes, parávamos para descansar em alguma pousada ou apenas para comer algo. Contudo, para minha surpresa, a jornada estava sendo mais tranquila do que eu havia imaginado.

A companhia de Adrian era extremamente agradável, e, quanto mais conversávamos, mais eu sentia como se nos conhecêssemos há anos. Ele tinha uma maneira leve de falar, o que tornava a viagem menos monótona. Durante o percurso, como prometido, me deu várias dicas sobre como me comportar na frente do rei: eu deveria me curvar sempre que o cumprimentasse, chamá-lo de "majestade" e manter um tom cordial em todas as situações, mesmo que ele parecesse irritado ou indiferente.

Percebi que esse rei era uma figura difícil de agradar, alguém de presença forte e, talvez, intransigente. Mas eu estava decidida a ser o mais gentil e agradável possível. Talvez, com sorte, ele pudesse me contar o que realmente havia acontecido comigo e, quem sabe, até me ajudar a encontrar o caminho de volta para casa.

Já no terceiro dia de viagem, com o sol alto no céu, eu estava distraída, encantada pela vastidão do cenário que se desenrolava lá fora. Não sabia exatamente o que era diferente nas paisagens deste lugar, mas tudo parecia tão mais vivo, com cores tão intensas que quase pareciam irreais.

As planícies se estendiam por quilômetros a perder de vista, e as florestas, que surgiam ocasionalmente, pareciam guardar segredos profundos.

— Ai! — reclamei, ao sentir algo esbarrar em mim de repente.

Cocei a testa onde a colisão tinha ocorrido e, ao abrir os olhos, vi uma pequena bolinha de luz azul flutuando à minha frente. Ela não parava de repetir: "Santa, ajude!"

— Você está bem, senhorita Lili? — perguntou Adrian, visivelmente preocupado.

— Estou sim, mas essa bolinha está dizendo que precisa da minha ajuda — respondi, tentando enxergar melhor aquele pequeno ser luminoso.

Com um pouco mais de atenção, consegui ver que aquela bolinha de luz, na verdade, tinha uma forma. Um corpinho diminuto, longos cabelos azuis que flutuavam ao redor de si e um vestido da mesma cor, só que num tom mais escuro. Tudo nela parecia ser feito de pura luz.

— De que bolinha você está falando? — perguntou Adrian, intrigado, já sacando sua espada como precaução.

— Ele não consegue me ver, santa. Só você pode me ver — disse o pequeno ser, com a voz fina e apressada. — Venha rápido, é urgente!

— Ela está aqui, e disse que só eu posso vê-la — respondi a Adrian, que pareceu se acalmar um pouco, mas ainda com os olhos atentos à nossa volta.

Pedi para que parássemos a carruagem, e a bolinha de luz rapidamente voou para fora, me chamando para segui-la. Desci apressada, com o coração acelerado, e comecei a seguir sua trilha cintilante. A urgência em sua voz, carregada de preocupação, deixava-me inquieta.

Mesmo sem saber exatamente o que estava acontecendo, algo em mim me dizia que eu deveria ajudá-la. Já estava no final da tarde, e o céu começava a se tingir de um laranja intenso, com o sol prestes a se pôr no horizonte.

— Para onde estamos indo? — questionou Adrian, nos seguindo de perto, com a espada em punho, seus olhos atentos, como se pressentisse algum perigo iminente.

— Não sei ao certo, ela só pediu que a seguíssemos — respondi, acelerando o passo enquanto o vento soprava suavemente, espalhando folhas secas pelo caminho.

Continuamos a seguir a pequena bolinha de luz, que flutuava incansavelmente à nossa frente. Após alguns minutos de caminhada rápida, nos deparamos com uma cena inquietante: três homens estavam cercados por raposas selvagens, seus olhos brilhando em um tom vermelho e seus corpos envoltos pela mesma névoa escura que cercara os lobos quando cheguei neste mundo.

Senti um arrepio percorrer minha espinha. Procurei a bolinha de luz para entender o que estava acontecendo, mas ela havia desaparecido. Adrian, com sua habitual rapidez, pediu que eu ficasse ali e imediatamente partiu para salvar aqueles homens.

As raposas atacavam com uma fúria descomunal, suas presas afiadas e garras dilacerantes brilhando à luz do crepúsculo. Adrian se movia com uma agilidade impressionante, desviando dos ataques e contra-atacando. No entanto, as feras pareciam não sentir dor, como se fossem imunes aos golpes que recebiam.

Eu estava petrificada, sem saber como poderia ajudar. Será que havia algum poder dentro de mim que pudesse ser útil naquele momento? Mas eu não fazia ideia de como acessá-lo. Enquanto isso, observava Adrian lutar, seus movimentos rápidos e precisos pareciam mais uma dança do que um combate, o som do metal ecoando no ar enquanto ele defendia aqueles homens, que aproveitaram para se esconder em um local seguro.

— Vamos, Santa, ajude-o! — pediu a bolinha de luz, que reapareceu, girando ao meu redor.

— Como posso ajudá-lo? — perguntei, sentindo a urgência tomar conta de mim.

Antes que a pequena luz pudesse responder, as raposas perceberam minha presença. Abandonando a luta com Adrian, correram em minha direção com uma rapidez assustadora, seus olhos brilhando com uma ferocidade implacável. Meu corpo congelou, incapaz de reagir, mas Adrian, percebendo o perigo iminente, correu desesperado para impedir que elas chegassem até mim.

O som de seus passos ecoava, mas parecia distante, abafado pelo som do meu próprio coração martelando em meus ouvidos. Senti o pânico tomar conta de mim, e, num ato de desespero, fechei os olhos, tentando me lembrar de como havia agido da última vez.

Rezei, com todas as minhas forças, para que aquilo acabasse. Meu coração batia acelerado, e cada segundo parecia se arrastar. Não sei quanto tempo se passou, mas, aos poucos, o som dos rosnados cessou. A tensão no ar se dissipou, como se uma tempestade tivesse acabado de passar. Quando abri os olhos, Adrian estava à minha frente, de costas para mim, em posição de guarda, a espada ainda em mãos, mas as raposas haviam desaparecido.

— Você está bem? — ele perguntou, virando-se para mim enquanto guardava a espada e me lançava um olhar preocupado.

— Estou sim... mas o que aconteceu? — perguntei, tentando entender.

— É difícil de explicar. Eu tentei chegar até você para te proteger, mas, quando você fechou os olhos, uma luz envolveu seu corpo, e as raposas voltaram ao normal, fugindo para a floresta — explicou ele, intrigado.

— Uma luz? Isso não é bom? — questionei, ainda sem entender completamente.

— Não sei dizer. Talvez tenhamos essa resposta quando chegarmos ao castelo — respondeu ele, cauteloso.

Os três homens, que antes estavam escondidos, se aproximaram para nos agradecer repetidamente. Vestiam roupas simples, provavelmente agricultores voltando para casa. Após nos despedirmos, retornamos à carruagem. Procurei pela bolinha de luz, mas ela havia desaparecido novamente. Eu tinha tantas perguntas para fazer a ela, mas, por algum motivo, ela sumia quando eu mais precisava.

O resto da viagem foi tranquilo, sem mais complicações. Conversamos um pouco sobre o que havia acontecido, e, no final, estávamos com mais perguntas do que respostas. A pequena luz apareceu brevemente outra vez, apenas para se apresentar.

Seu nome era Liz, mas ela estava muito fraca para materializar sua presença por muito tempo. No entanto, prometeu que apareceria sempre que fosse extremamente importante.

Adrian já havia enviado uma carta, avisando de nossa chegada ao castelo. Estávamos exaustos, e arrumaram quartos para que pudéssemos descansar, além de uma refeição quente que nos aguardava. Eu estava ansiosa e nervosa, na expectativa de que, finalmente, todas as minhas perguntas fossem respondidas.

Liz

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Comments

Phillip Shakespeare

Phillip Shakespeare

eu fico triste por que tipo as vezes temos que matar os animais mais daí lembramos que eles so usam seu instinto para se defender o que permite a manipulação humana eu lembro de animais que mato no RPG mas não tem como ou é ele ou meu grupo

2025-03-27

0

S.Kalks

S.Kalks

é os Quens, de Quenlândia

2025-03-27

1

Sarah Vitória Veloso

Sarah Vitória Veloso

Uma alma Boa... mas não pensou no que exatamente a bolinha queria ajuda.. Eu perguntaria

2025-03-26

0

Ver todos
Capítulos
1 Capítulo 1: Da felicidade ao caos
2 Capítulo 2: Um outro mundo
3 Capítulo 3: Uma Ajuda Reconfortante
4 Capítulo 4: A Maldição do Reino
5 Capítulo 5: Roupas e História
6 Capítulo 6: O Caminho até A Capital Real
7 Capítulo 7: O Castelo Real
8 Capítulo 8: O Encontro das Santas
9 Capítulo 9: Conhecendo Um Pouco da Liz
10 Capítulo 10: O Mago Valenor
11 Capítulo 11: Primeiro Beijo
12 Capítulo 12: Treinamento Incansável
13 Capítulo 13: A Rainha Leonora
14 Capítulo 14: Minha Luz / Parte 1
15 Capítulo 15: Minha Luz / Parte 2
16 Capítulo 16: Começo da Viagem
17 Capítulo 17: Chegada na Floresta
18 Capítulo 18: Uma Luz na Escuridão
19 Capítulo 19: Chegando ao Primeiro Ponto
20 Capítulo 20: Uma Conexão Profunda
21 Capítulo 21: Sonhos de Vidas Passadas
22 Capítulo 22: Planos e Mais Treinamento
23 Capítulo 23: Reunião Antes da Batalha
24 Capítulo 24: Ruby
25 Capítulo 25: A História se Torna Mais Complexa
26 Capítulo 26: Sombras e Sacrifícios
27 Capítulo 27: O Medo que me Consome
28 Capítulo 28: Caminho para as Chamas
29 Capítulo 29: Batalha entre Pai e Filho
30 Capítulo 30: Pacto Selado
31 Capítulo 31: Determinação
32 Capítulo 32: Momento em Família
33 Capítulo 33: Um Longo Treinamento
34 Capítulo 34: Primeiro Voo e Treino de Magia
35 Capítulo 35: Castelo de Inverno
36 Capítulo 36: No Limite da Raiva
37 Capítulo 37: A Verdade Sobre o Reino
38 Capítulo 38: Meus Sentimentos
39 Capítulo 39: Contando a Verdade
40 Capítulo 40: Corações em Conflito
41 Capítulo 41: Conversa entre Irmãos
Capítulos

Atualizado até capítulo 41

1
Capítulo 1: Da felicidade ao caos
2
Capítulo 2: Um outro mundo
3
Capítulo 3: Uma Ajuda Reconfortante
4
Capítulo 4: A Maldição do Reino
5
Capítulo 5: Roupas e História
6
Capítulo 6: O Caminho até A Capital Real
7
Capítulo 7: O Castelo Real
8
Capítulo 8: O Encontro das Santas
9
Capítulo 9: Conhecendo Um Pouco da Liz
10
Capítulo 10: O Mago Valenor
11
Capítulo 11: Primeiro Beijo
12
Capítulo 12: Treinamento Incansável
13
Capítulo 13: A Rainha Leonora
14
Capítulo 14: Minha Luz / Parte 1
15
Capítulo 15: Minha Luz / Parte 2
16
Capítulo 16: Começo da Viagem
17
Capítulo 17: Chegada na Floresta
18
Capítulo 18: Uma Luz na Escuridão
19
Capítulo 19: Chegando ao Primeiro Ponto
20
Capítulo 20: Uma Conexão Profunda
21
Capítulo 21: Sonhos de Vidas Passadas
22
Capítulo 22: Planos e Mais Treinamento
23
Capítulo 23: Reunião Antes da Batalha
24
Capítulo 24: Ruby
25
Capítulo 25: A História se Torna Mais Complexa
26
Capítulo 26: Sombras e Sacrifícios
27
Capítulo 27: O Medo que me Consome
28
Capítulo 28: Caminho para as Chamas
29
Capítulo 29: Batalha entre Pai e Filho
30
Capítulo 30: Pacto Selado
31
Capítulo 31: Determinação
32
Capítulo 32: Momento em Família
33
Capítulo 33: Um Longo Treinamento
34
Capítulo 34: Primeiro Voo e Treino de Magia
35
Capítulo 35: Castelo de Inverno
36
Capítulo 36: No Limite da Raiva
37
Capítulo 37: A Verdade Sobre o Reino
38
Capítulo 38: Meus Sentimentos
39
Capítulo 39: Contando a Verdade
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Capítulo 40: Corações em Conflito
41
Capítulo 41: Conversa entre Irmãos

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