Nos aproximamos e fizemos uma rápida reverência ao rei Edric, que nos respondeu com um sorriso. Adrian olhava para mim e para Valenor, e por um instante pensei que ele estava com ciúmes. Olhei intrigada para ele, que virou o rosto, com um leve rubor nas bochechas.
— Seu namorado está com ciúmes — sussurrou Liz no meu ouvido, e me segurei para não rir do comentário e da expressão de Adrian.
— Senhorita... Posso chamá-la apenas de Lili? — perguntou o rei, me deixando um pouco confusa.
— Claro, vossa majestade, como preferir — respondi, sorrindo.
— Ótimo, Lili! Estávamos procurando por você. Soubemos que saiu do treinamento com os magos sem dar explicação. O que aconteceu? — questionou o rei Edric.
Suspirei e expliquei o que havia ocorrido, o quanto me sentira constrangida com a forma como eles falaram comigo, até o momento em que me perdi no castelo e encontrei Valenor na biblioteca.
Pedi desculpas e disse que não gostaria de continuar treinando com os magos. Já que Valenor me ensinara algumas coisas, sugeri que ele continuasse a me ensinar, pois seria mais confortável para todos.
— Claro, como desejar, Lili. O importante é que você se sinta à vontade e que juntos possamos derrotar essa maldição — disse o rei Edric após eu explicar a situação. — Agora que está tudo esclarecido, vou ver minha rainha. Até mais, jovens. — despediu-se.
— Rainha? Ele tem uma? — deixei escapar, tapando a boca ao perceber o que havia dito.
— Claro, o que seria de um rei sem sua rainha? — brincou o rei Edric, soltando uma gargalhada sincera.
— Desculpe, é que ainda não a vi e ninguém mencionou ela — respondi, sinceramente.
— Não se preocupe. Leonora tem a saúde muito frágil, por isso raramente sai de seus aposentos, mas uma hora ou outra você a verá no jardim, o lugar favorito dela no castelo — disse o rei com um sorriso caloroso.
Após nos despedirmos mais uma vez, o rei Edric partiu, deixando-me com Adrian, Valenor e um silêncio constrangedor entre nós. Sentindo a tensão, Liz desapareceu no ar, como se quisesse fugir.
— Já que Adrian está aqui, pode descansar, Valenor. Até amanhã. Nos veremos para aprender mais — disse, tentando quebrar o silêncio com um sorriso.
— Claro, nos vemos amanhã — respondeu Valenor, sorrindo. — Até mais, senhorita Liora, senhor Adrian.
— Até mais — disse Adrian, com um olhar sério.
Caminhamos em direção ao meu quarto, e Adrian permaneceu em silêncio, olhando-me como se estivesse irritado com algo, mas sem coragem de falar.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntei quando chegamos à porta do meu quarto.
— Não, está tudo normal. Provavelmente começaremos a lutar contra as feras na próxima semana, então é bom que você descanse para treinar amanhã — respondeu ele calmamente, mas senti que havia algo a mais por trás de suas palavras.
— Você sabe que não é disso que estou falando — provoquei, tentando descobrir o que ele escondia. — Vamos lá, diga por que parece tão zangado. Fiz algo de errado?
— Não, senhorita Lili e não estou zangado, é impressão sua — disse ele, visivelmente nervoso. — É melhor você descansar. Daqui a pouco trarão seu jantar, e eu preciso ir.
— Tudo bem, entendo. Até amanhã, nos veremos, certo? — disse, sorrindo.
— Claro, até amanhã — respondeu ele com sua calma habitual.
Pedi que ele me desse um beijo na bochecha para provar que realmente não estava bravo comigo, mas no último momento virei o rosto e nossos lábios se encontraram. Eu só queria provocá-lo, mas senti uma onda de choque que, por um breve instante, me levou a um lugar diferente, como se fosse uma memória antiga.
— Não sei o que está acontecendo entre nós, mas você não precisa sentir ciúmes — sussurrei, após me recompor.
— Senhorita Lili... — disse ele, confuso com minha atitude.
— Boa noite, Adrian, até amanhã — falei, dando-lhe mais um beijo, observando um sorriso surgir em seus lábios antes de entrar no quarto.
Encostei-me na porta com o coração acelerado, mal acreditando que eu realmente tivera coragem de fazer aquilo. Senti o calor nas bochechas, mas a sensação eletrizante do beijo ainda me deixava atordoada.
— Finalmente, uma nova lembrança. Quem diria que vocês iriam se reencontrar tão rápido? — brincou Liz, aparecendo com um brilho especial, fazendo uma expressão apaixonada.
— Do que está falando? — perguntei, intrigada.
— Não se faça de desentendida. Sei que foi rápido, mas não é algo que se esquece — respondeu Liz, com as mãos na cintura, me encarando.
Foi realmente rápido, mas eu me vi com Adrian, conversando em frente a uma janela de uma torre. Estávamos usando roupas elegantes e parecíamos apaixonados.
— Então, o que isso significa? Somos algo como almas gêmeas? Reencarnação ou algo assim? — questionei, curiosa. Fazia sentido.
— Isso mesmo, você é muito esperta, merece uma estrelinha — respondeu ela, fazendo uma estrela aparecer com sua magia, arrancando de mim uma risada sincera.
— Então já temos algo... Bom saber — comentei, sorrindo, enquanto Liz fazia uma dancinha engraçada.
Logo depois, uma funcionária do castelo chegou, avisando que traria meu jantar e perguntando se eu precisava de algo. Aproveitei para pedir que preparassem meu banho. Com rapidez, o banho estava pronto, e fiquei grata por poder relaxar após um dia tão movimentado.
Liz pulou na água, agora usando um biquíni azul muito fofinho. Eu nunca me cansava de ver o quanto sua magia era interessante. Ela me explicou que usava magia de luz, o que a permitia fazer aparecer o que quisesse.
— Liz, você realmente não pode aparecer para outras pessoas? Parece que você sempre se esquece que elas não te veem — perguntei, curiosa.
— Na verdade, eu posso, mas só quando nosso vínculo ficar mais forte. Materializar-me para os outros consome muita energia — explicou ela, calmamente.
— Então vamos trabalhar nisso. Não quero que pensem que sou louca por falar sozinha — brinquei.
— Quem te chamou de louca? Me diga que eu dou um soco bem no olho! — respondeu ela, fechando o punho, fingindo estar batendo em alguém.
Rindo, lembrei dos magos, e ela os chamou de servos insolentes novamente. Continuei meu banho conversando com Liz, mas meus pensamentos divagavam para Adrian. Perguntava-me se ele sentira o mesmo e se tivera a mesma lembrança.
Eu estava me apaixonando pelo mesmo homem que amei em outra vida? Será essa a verdade? Mas o mais importante era descobrir quem éramos. Não sei por quê, mas parecia crucial saber. Como se fosse a chave para resolver todos os mistérios. O grande problema era que eu não sabia por onde começar, mas, se uma memória já havia surgido, então as outras viriam aos poucos. Eu encontraria as respostas de que precisava.
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Atualizado até capítulo 41
Comments
Jhay_Focas
Tô muito ansiosa para saber essas respostas rs
2025-03-09
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Jhay_Focas
Essa magia é incrível mesmo, tipo criação
2025-03-09
1
Jhay_Focas
Menina esperta e sapeca hahahahah
2025-03-09
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