Fiquei aliviado por ela não ter se machucado, e seguimos viagem. Liora aprendia tudo com uma rapidez fascinante, então não tive dificuldade em ensiná-la e logo me vi incorporando um pouco do seu jeito de falar. Estava cada vez mais difícil não sorrir ao vê-la, algo incomum para mim, já que sempre mantive uma aparência calma e controlada — exceto com o príncipe Louis, que tem a capacidade de me tirar do sério a qualquer momento.
Mais tarde, Liora me contou que o ser brilhante que apareceu para ela era uma fada celeste, e logo me lembrei de que se trata de uma das criaturas mágicas raras que Valenor desejava estudar.
Pensando nisso, até senti um pouco de vergonha por ter sentido ciúmes; talvez fosse apenas por ele ser mais jovem e por Liora ter apenas 18 anos, então me senti um pouco inseguro.
Mas voltando aos acontecimentos... Seguimos nossa jornada, e ao chegarmos ao castelo, fomos prontamente acomodados.
Pedi para que seu quarto ficasse em uma ala tranquila, para que ela não se assustasse com a movimentação intensa dos soldados e dos nobres, que sempre apareciam para bajular o rei — e atenderam ao meu pedido.
No dia seguinte, mostrei um pouco do castelo a Liora enquanto aguardávamos a audiência com o rei Edric. Observar seus lindos olhos azuis me deixava completamente desnorteado, e por mais que eu tentasse parecer indiferente à sua presença, era difícil controlar os sentimentos que ela despertava em mim.
A parte que mais a encantou foi o jardim, onde permanecemos por um tempo antes de sermos chamados. O rei Edric sempre demonstrou grande sabedoria, o que fazia com que eu me sentisse à vontade em sua presença.Ainda assim, ele era alguém que não se devia irritar.
Mesmo ciente disso, eu não conseguia conter meus impulsos sempre que aquele príncipe arrogante começava a falar — as consequências pouco me importavam.
O rei Edric, no entanto, sempre encontrava uma forma de me trazer à razão, sem recorrer a medidas severas. Talvez ele carregasse certa culpa por eu ter perdido meus pais tão cedo ou apenas compreendia o respeito que conquistei no exército real.
De todo modo, ele também parecia conhecer bem o próprio filho e não hesitava em repreendê-lo, mesmo que fosse necessário fazê-lo publicamente. O príncipe Louis, por sua vez, pareceu agora direcionar seus comentários maldosos para Liora, o que era um erro grave. Se ele ultrapassasse o limite, eu não hesitaria em usar minha espada para lhe ensinar uma lição.
Apesar de alguns contratempos e do fato de termos duas santas entre nós, estávamos lidando bem com a situação. Ainda que Aurora tivesse uma energia semelhante à do príncipe Louis, o que me causava calafrios, tentei focar apenas no treinamento do batalhão escolhido para a excursão, com o objetivo de resolvermos tudo o mais rápido possível.
Embora não fosse uma tarefa difícil, o treinamento consumia muito do meu tempo, além das reuniões constantes com o rei Edric, que sempre queria saber dos preparativos para a batalha contra as feras. Em cada momento livre, arranjava uma desculpa para vê-la, nem que fosse apenas para um almoço ou um simples passeio pelos corredores do castelo.
Quando a vi conversando com Valenor, senti meu sangue ferver e, por um instante, esqueci que ele era meu amigo. Tentei disfarçar o ciúme, pois nos conhecíamos há poucos dias, mas acho que ela percebeu.
Ao levá-la até seu quarto, Liora me fez várias perguntas, e parecia não acreditar nas minhas respostas. Pensei que tinha colocado tudo a perder, mas ela me surpreendeu com um beijo. Sentir o doce toque de seus lábios me deixou atordoado, ainda mais por conta de uma visão que tive.
Nós dois juntos, perto de uma janela em uma torre, parecendo apaixonados. Meu coração disparou, e minha respiração falhou por alguns instantes. Tentei falar algo, mas ela apenas me beijou novamente antes de se despedir.
Retornei a casa que mantenho próximo ao castelo, ainda confuso, e dormi sentindo o sabor de seus lábios. Liora era uma flor delicada, mas sabia ser ousada, o que só aumentava meu encanto por ela.
Achei que sonharia com ela, mas não esperava que o sonho fosse tão terrível. Vi-a sendo carregada por sombras para um lugar desconhecido e acordei apavorado, o suor escorrendo pela minha testa.
No dia seguinte, decidi contar a ela sobre o pesadelo e sobre a visão que tive durante o beijo. Ver seu rosto corado ao lembrar do que havia feito foi encantador, mas mantive o foco no que eu queria dizer.
Para minha surpresa, ela também tinha visto algo semelhante e revelou que sua fada celeste, Liz, havia lhe dito que poderíamos ser almas gêmeas. Isso explicava o que eu sentia desde o primeiro encontro, e me senti menos culpado, sabendo que eu não era um louco.
Decidimos investigar quem éramos em outra vida, o que se mostrou uma tarefa árdua, pois os preparativos para a excursão consumiam muito do nosso tempo, mesmo com a ajuda de Valenor.
O rei Edric estava particularmente atencioso com Liora, e até a rainha Leonora, que sempre tivera saúde frágil, parecia revigorada, o que me fez questionar se esse efeito era algum dom especial de Liora, embora Aurora, também uma santa, não causasse o mesmo impacto.
Faltava apenas um dia para o início da expedição, e eu estava nervoso. Embora tudo estivesse correndo conforme o planejado, a imagem do pesadelo persistia, e o medo de não conseguir protegê-la era avassalador. Tentei me manter calmo, pois sabia que o nervosismo só aumentaria as chances de algo dar errado.
Enquanto organizava meus pensamentos, lembrei que, ao contar a história do reino para Liora, omiti o fato de ter uma aparência idêntica à do príncipe Julius. Ainda hesitante por causa das lembranças de minha infância, levei-a ao salão memorial.
Ali, entre estátuas, pinturas e objetos dos antigos reis e suas famílias, a conduzi à pintura do príncipe Julius. Ela olhava curiosa para as grandes janelas que iluminavam o ambiente e para aquelas obras que representavam um passado esquecido. Havia um brilho especial em seus olhos, como se ela revivesse algo.
— Lembra-se da história de Calenio? Acabei esquecendo uma parte, e talvez ela seja importante para recuperarmos as memórias de nossa outra vida — disse, aproximando-nos da pintura.
— Sério? Qual parte? — perguntou Liora, intrigada.
Segurei sua mão e parei diante da imagem do príncipe Julius. Ela me olhou atordoada ao notar nossa semelhança.
— Esse é o príncipe Julius e, como pode ver, somos muito parecidos — disse, olhando para a pintura com seriedade, evitando encará-la. — A verdade é que nunca foi fácil para mim carregar essa semelhança, especialmente por ele ser o responsável pela maldição.
— Entendo, deve ter sido difícil. Mas, se isso for verdade, se você foi mesmo o príncipe Julius, talvez devêssemos investigar mais a fundo. Pode ser um bom ponto de partida — disse ela, apertando minhas mãos com força, vislumbrando uma chance de desvendarmos nosso passado.
— Você não se importa que eu possa ter sido alguém tão desprezível? — questionei, ainda nervoso.
— Isso é um pouco preocupante, sim. Mas Liz já me contou que eu era alguma espécie de rainha ou da nobreza. Então, talvez seja a verdade, e precisamos encará-la, mesmo que seja desafiadora. Além disso, no trecho do poema que Valenor encontrou, há algo sobre perdão; talvez estejamos aqui para buscá-lo… mas é difícil dizer — respondeu ela, pensativa. — Mas acho melhor mantermos em segredo. Se alguém descobrir, pode querer nossas cabeças — completou com um sorriso divertido.
— Tem razão, mas prometo que ninguém tocará em seu belo pescoço — falei, tocando seu rosto e, sem resistir, dei-lhe um beijo.
Não sei o que o futuro nos reserva ou se realmente fui o príncipe Julius, mas sei que nada nem ninguém me afastará de minha amada novamente. Se falhei em protegê-la na vida passada, desta vez será diferente.
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Atualizado até capítulo 41
Comments
Jhay_Focas
É bem provável que ele seja mesmo a reencarnação do príncipe Julius
2025-03-27
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Jhay_Focas
Vontade é dar uns tabefes nesse príncipe de araque
2025-03-27
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Jhay_Focas
Você deveria contar isso a ela
2025-03-27
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