Júlio...
Naquele momento, eu segurava o teste de DNA com o resultado positivo nas mãos trêmulas, sentindo-me um idiota por não ter enfrentado a verdade antes. O peso no meu peito crescia a cada segundo, enquanto minha cabeça girava com questionamentos: será que estava certo em tentar pedir a guarda?
Nunca fui esse tipo de homem, mas, com a descoberta dos meus outros cinco pequenos, o desejo de passar mais tempo com todos eles me consumia de forma sufocante. Não queria afasar mãe de sua convivência; isso estava longe dos meus planos. Ela já havia feito isso comigo, e eu não queria ser como ela. Cada instante perdido parecia uma eternidade roubada.
Saber que ela teve febre e que eu não estava lá para ajudá-la ainda me machucava profundamente, como uma ferida aberta que insistia em não cicatrizar, latejando como uma lembrança constante de tudo o que eu havia perdido.
Com isso em mente, comecei a cuidar dos trâmites legais, organizando papéis e assinando documentos, determinado a garantir meus direitos como pai. Ela já havia mentido por muito tempo, mas agora eu estava decidido a recuperar o tempo perdido. Não havia espaço para culpa.
Ela agiu da pior maneira possível, pensando apenas em si. É uma mulher egoísta, e eu a desprezo. Se não fosse pelo vínculo que compartilhamos, eu não hesitaria em nunca mais olhar para a cara dela.
Enquanto organizava os documentos para o pedido de guarda, uma ligação inesperada de Marta me interrompeu. Sua voz trêmula informou que Carlos havia sido preso novamente. Senti um frio na espinha e, tentando acalmá-la, prometi resolver a situação. Fui direto para a delegacia, com o coração acelerado, precisando entender o que havia acontecido desta vez.
— O que aconteceu, Carlos? Não te disse para evitar sair de casa? — questionei com mais severidade do que pretendia, sentando-me à sua frente.
Seus olhos castanhos, geralmente vivazes, estavam vermelhos e inchados, e seus cabelos negros, completamente bagunçados, revelavam o desespero. Ele parecia perdido, assustado como um animal encurralado. Respirei fundo, tentando conter minha irritação, e adotei um tom mais brando. Já tinha recebido informações preliminares de Amanda, e o caso estava se complicando.
— Estou tentando te ajudar, Carlos, mas você precisa se ajudar também — pedi, na esperança de que ele confiasse em mim.
— Um amigo me chamou para ir à casa dele, só para espairecer, e achei que não haveria problema. Pode perguntar a ele, nós só conversamos e depois voltei para casa. Não aconteceu nada além disso, eu juro — respondeu, angustiado.
— Mas agora surgiu outra vítima, justamente no caminho da casa desse seu amigo... Estou tentando acreditar em você, mas preciso que seja sincero — falei com firmeza, tentando detectar algum sinal de mentira em seu olhar.
— Estou sendo sincero, nunca machucaria ninguém! — ele respondeu, lágrimas escorrendo pelo rosto.
Tentei extrair mais informações sobre o que poderia ter acontecido. Prometi que conversaria com seu amigo e investigaria a fundo. Sabia que palavras de consolo seriam inúteis, mas tentei tranquilizá-lo, assegurando que lutaria por sua inocência. Ao terminar a conversa, fui até Amanda para obter mais detalhes.
— Você realmente acha que ele é inocente? Não acha suspeito ele estar presente nos dois lugares onde os abusos ocorreram? — Amanda questionou, com o olhar penetrante, enquanto me entregava os documentos.
— Esse é o meu trabalho, Amanda. Se eu não acreditar no meu cliente, quem vai? Você? Alguém está armando para ele, e vou provar isso. Espero que encontre quem realmente cometeu esses crimes — respondi, prevendo a longa batalha que estava por vir.
— Pode deixar, é só questão de tempo... — ela afirmou, seus olhos fixos nos meus. — Mas, antes disso, queria falar com você sobre outra coisa.
— Que assunto? — perguntei, intrigado pela mudança repentina.
Sem rodeios, Amanda começou a falar sobre a descoberta que fez após ter filhos. Após exames, descobriu que tinha um problema hormonal que dificultava engravidar, e seu médico considerou um milagre ela ter tido filhos. Sua revelação me fez refletir sobre minha própria situação. Acabei abrindo para ela os acontecimentos inesperados das últimas 24 horas e meus dilemas. Amanda sempre foi uma boa conselheira, e suas palavras pesavam para mim.
— Não entendo como você pode ser tão inteligente para ajudar os outros, mas tão cego em relação à sua própria vida — disse ela, o tom sério e provocador.
— Do que está falando? — perguntei, irritado.
— Ela te enganou por tanto tempo, e você ainda se preocupa com ela. Porém, se você tivesse procurado a verdade desde o início, poderia ter evitado tanto sofrimento — respondeu, cruzando os braços.
— Falar é fácil para você... Tá, eu sei que fui covarde por não ter investigado — admiti, com relutância.
— Você poderia ter pedido a guarda de Saphira. Jennifer não se importa com ela como você pensa. E, quanto a essa outra mulher, vocês precisam conversar e esclarecer as coisas.
— Vou pensar nisso... — me despedi, refletindo sobre suas palavras.
Ao sair dali, aproveitei que Clarisse estava no trabalho e fui visitar as crianças. Pedi à minha secretária para remarcar compromissos e passei o dia com elas. Embora ainda não soubesse o que fazer, estar com elas me trazia paz.
Quando saí do apartamento de Clarisse, fiz um esforço poisainda era muito difícil. Eu não queria me afastar das crianças, mas havia questões a resolver. No caminho de volta, Robert me ligou com uma atualização sobre as investigações, e a conversa desviou para as novas descobertas da minha vida pessoal.
— Dá para acreditar que sou pai de seis crianças? Saphira sempre será minha filha, tenha meu sangue ou não. Isso não vai mudar, mas descobrir que tenho mais cinco foi emocionante — disse com entusiasmo que não sentia a muito tempo.
— Fico feliz por você. E agora, o que vai fazer? — perguntou ele.
— Vou tentar recuperar o tempo perdido e passar o máximo de tempo possível com eles. O resto eu resolvo depois — respondi.
— Cuidado com o coração. Não quero ver você sofrer de novo — aconselhou ele.
— Não vou me deixar enganar — me despedi.
Em casa, organizei algumas coisas, me arrumei e fui fazer o que era certo. Ela não me faria de idiota outra vez, e eu iria garantir isso.
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Atualizado até capítulo 41
Comments
Edmeia Calmerio
tomara que ele acerte com Clarisse..isso sim autora linda.
2025-02-05
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Erlete Rodrigues
ele tem que ter cuidado com o que ele vai fazer
2025-02-19
0
Aparecida Fabrin
torcendo para os dois se acertarem.
2025-03-07
0