Paguei a conta e saí do bar, deixando Heitor falando sozinho. Sua insistência estava me irritando, e eu não queria acreditar no que ele dizia. Ao chegar em casa, deitei-me no sofá e apaguei ali mesmo. Foi uma noite difícil, mas eu não queria confrontá-la naquele estado. Seria ruim para ambos, e eu ainda alimentava a esperança de que ela não aceitaria terminar comigo tão facilmente. Queria acreditar que ela lutaria pelo nosso amor. Quando acordei, fui até a cozinha e a vi preparando café.
— Precisamos conversar — disse, sentando-me na cadeira da mesa.
— O que você quer? — ela perguntou, entregando-me uma xícara de café e sentando-se ao lado com a sua.
— Você tem razão, não está mais funcionando. Nossas brigas estão cada vez piores, então é melhor terminarmos antes que se torne insustentável — falei, tentando soar firme, mas no fundo torcendo para que ela não aceitasse.
— Tudo bem, também acho que seja melhor assim — respondeu após alguns segundos, e eu mal podia acreditar no que estava ouvindo.
"Tudo bem"? É só isso que ela tem a dizer após dez anos de casamento? Será que eu não signifiquei nada para ela? Meu coração e minha mente estavam em conflito, tentando decidir se eu tinha feito a coisa certa... Será que ela realmente esteve comigo apenas por pena? Respirei fundo, tentando disfarçar o nervosismo, e saí da cozinha. Subi as escadas e fui direto para o banheiro tomar um banho gelado. Evitei olhá-la para não desabar na sua frente. Eu não suportaria ver pena em seus olhos.
Rapidamente providenciei os papéis do divórcio, e logo tudo foi oficializado. Talvez eu tenha me tornado mais frio com as outras pessoas, mas eu não me importava. Alguns dias depois, saí para uma boate para tentar esquecê-la. Após alguns drinks, uma bela loira de olhos azuis simplesmente sentou-se no meu colo. Fiquei confuso com sua atitude, mas segurei sua cintura e perguntei seu nome.
— Meu nome é Jennifer. Posso saber o nome desse homem lindo que bebe sozinho? — perguntou ela, tocando meu rosto.
— Júlio. Meu nome é Júlio... você não quer ir para um lugar mais tranquilo? — perguntei, pois não sou bobo e sabia exatamente o que ela queria.
— Adoraria — respondeu, me puxando para um beijo ardente.
Dominado pelo desejo, ou melhor, deixando meu "amiguinho" pensar por mim, saímos e fomos até um motel. No carro, ela mal me deixava dirigir, e se o motel fosse um pouco mais longe, eu temia chegar sem roupas. Foi uma noite de luxúria e prazer. Ela me fez sentir desejado como eu não me sentia há muito tempo. Trocamos contato, e um mês depois, ela me mandou uma mensagem dizendo que estava grávida.
Meu coração disparou, e eu mal conseguia conter a felicidade. Meu sonho de ser pai finalmente estava se realizando. Com tanta emoção, comprei a aliança mais cara que meu orçamento permitia na época e a pedi em casamento. Eu faria de tudo para estar ao lado do meu filho.
Sete meses depois, nossa filha nasceu, uma linda menina a quem dei o nome de Saphira. Quando perguntei por que ela havia nascido de sete meses, Jennifer disse que havia passado por muito estresse com uma amiga, o que acelerou o parto. Cheguei a perguntar ao médico, e ele não negou, embora estivesse visivelmente sobrecarregado, já que muitas crianças haviam nascido naquele dia. Ele quase não me deu atenção.
Saphira era pequena, mas parecia forte. Fomos para casa, e eu tentei ser o melhor pai possível. Jennifer não ajudava muito a cuidar dela, então eu passava noites em claro, mas sem reclamar. Ela era o meu presente de Deus. Quando Saphira me olhava com seus brilhantes olhos azuis, meu coração vibrava de felicidade.
Contudo, três anos após o nascimento dela, eu ainda não conseguia ter outro filho, e isso estava me frustrando. No aniversário de Saphira, vi a bolsa de Jennifer aberta, e minha curiosidade falou mais alto. Mexi na bolsa, procurando algo que eu nem sabia o que era, mas logo encontrei uma cartela de anticoncepcional. Ao confrontá-la, ela admitiu que não queria ter mais filhos além de Saphira, e que, na verdade, ela nem gostava de crianças. Sem pensar duas vezes, pedi o divórcio — não porque ela não queria ter mais filhos, mas pela mentira. Ela estava me fazendo de bobo.
Foi aí que comecei a pensar em Amanda novamente. Tentei convidá-la para sair várias vezes, mas ela era irredutível. Seu irmão, Arthur, nunca gostou de mim, mas ultimamente estava me tratando cada vez pior. No entanto, tudo o que eu queria era reconquistá-la, mesmo que tivesse que aceitar migalhas. Se ela pudesse me abraçar e dizer que tudo ficaria bem, eu já estaria satisfeito.
Porém, ela já estava em outro relacionamento, e eu não conseguia aceitar. Eu lutaria por seu amor, não importava o que fosse necessário. Ela não podia amar alguém além de mim, isso era doloroso demais.
No entanto, nada deu certo, e ver o vídeo dela se declarando para ele e o pedindo em casamento foi um choque de realidade devastador. Ali, tive a certeza de que ela nunca me amou de verdade, porque ela nunca faria aquilo por mim.
Decidi, então, arrancar esse amor do meu coração de uma vez por todas e focar no que realmente importava: minha filha. Contudo, outra realidade difícil de aceitar me atingiu — essa eu não podia aceitar. Jennifer se envolveu com outro homem, Heitor, mas o pior não era isso. Ela me disse que Saphira não era minha filha. O chão se abriu sob meus pés, e eu não conseguia ver nada à minha frente além de tristeza e decepção.
Pouco antes do Natal, eu fazia minha corrida matinal, tentando não deixar todos aqueles pensamentos ruins me dominarem. Também pensava em como manter contato com minha filha. Mesmo que ela não fosse minha filha biológica, Jennifer não poderia me negar isso. Saphira era minha princesinha.
No meio do caminho, esbarrei em uma mulher. Seus lindos olhos castanhos me deixaram atordoado, e seu sorriso era tão vivo e brilhante. Quando nos abaixamos para pegar os objetos que caíram, senti algo estranho e tentei resistir aos meus próprios sentimentos. Eu não poderia estar me apaixonando de novo, não estava pronto para ser rejeitado novamente.
Nos despedimos, e eu me recriminei por não conseguir conter o meu sorriso. Mesmo assim, me senti mal por não ter pegado o contato dela. Respirei fundo e continuei a corrida. Meu coração vai ter que esperar, ou melhor, vai ter que me dar uma trégua. Se as pessoas que me conhecem apenas como advogado soubessem o que se passa no meu coração, provavelmente ririam de mim por ser tão idiota.
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Atualizado até capítulo 41
Comments
Maria Dos Anjos
quanta maldade,, tomara que ele encontre um amor verdadeiro e tenha uma montanha de filhos
2024-12-07
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Marilu Araujo Felix
pra um advogado é muito lerdo de pensamento , se deixa levar por qualquer conversa ainda mais de um cara que só fez mal a ele..🤦
2025-03-03
1
Juliana Vicentina da Costa Nerys
Agora você vai saber o que é amor de verdade.
2024-12-26
0