Clarisse...
Quando fiz amor com Júlio pela primeira vez, foi uma das sensações mais incríveis que já vivi. A maneira como ele me tocava e beijava fazia eu me sentir única. Eu poderia ficar para sempre em seus braços e seria feliz a cada segundo. Ouvir as batidas lentas de seu coração enquanto ele dormia era como escutar uma música composta por anjos, traçando um caminho para a nossa felicidade.
— Quando vou conhecer esse rapaz que deixou você suspirando assim? — perguntou minha mãe, quando fui visitá-la.
— Não seja apressada, dona Maria Helena! Estamos apenas nos conhecendo — respondi, sentada no sofá, abraçando a almofada.
— Sei, mas isso não é impedimento. Eu e seu pai começamos a namorar assim que nos conhecemos — disse ela, sorrindo nostálgica.
— E veja só no que deu — falei, soando um pouco mais áspera do que gostaria. — Desculpa, mãe, não queria falar isso.
— Não tem problema, você não tem culpa de seu pai ser um cafajeste, mas isso também não significa que seu namorado será igual a ele — disse ela, com um sorriso carinhoso.
Sinto-me um pouco mal por minha mãe ainda manter algum sentimento por meu pai. Mesmo que ela negue, sabemos que esse é o motivo de ela nunca ter tido outro relacionamento. Ela sonhava com o dia em que ele se arrependeria de nos ter abandonado e voltaria dizendo que nunca deixou de amá-la. No entanto, sabemos que isso nunca vai acontecer.
Com o passar dos dias, Júlio e eu ficamos cada vez mais próximos. Ele era um homem incrível, que me fazia sentir como uma princesa em um conto de fadas. Conheci sua filha, e, apesar de não ser filha biológica dele, percebi que eles tinham uma conexão única. A mãe dela, por outro lado, era um grande problema. Sempre que podia, olhava para Júlio como uma raposa pronta para atacar a presa. Para mim, parecia mais uma víbora prestes a dar o bote. Mesmo não suportando sua presença, tentei ignorá-la; afinal, a pequena Saphira não tinha culpa de ter nascido dela.
O grande problema começou um mes depois de termos transado pela primeira vez, quando minha menstruação, que sempre vinha certinha, não apareceu. Seguindo o conselho de Beatrice, fiz o teste de gravidez e quase desmaiei ao ver que estava realmente grávida. Perguntava-me se Júlio acreditaria em mim ou pensaria que eu o havia traído. Fiz um exame de sangue para confirmar, e o resultado foi o mesmo.
Estávamos em uma lanchonete quando vi o resultado e fiquei completamente perdida. Por mais que Beatrice insistisse para que eu contasse a verdade a Júlio, não me sentia confiante. Não suportaria ser rejeitada por ele e, contrariando os pedidos de Beatrice, decidi não contar, pelo menos por enquanto. Segurando o papel com o resultado, mentia para mim mesma, dizendo que estava fazendo a coisa certa.
— Veja só, o que é isso?! Você está grávida? — perguntou Jennifer, aparecendo atrás de mim e tomando o resultado das minhas mãos. — O que será que o Júlio vai dizer ao saber que você colocou um belo par de chifres nele?
— Não confunda a Clarisse com você. Ela jamais faria isso; é óbvio que ela está grávida dele — disse Beatrice, furiosa, tomando o papel das mãos de Jennifer.
— Jennifer, só te aturo porque o Júlio gosta da sua filha, que nem é dele, mas que ele criou com muito carinho e amor. Então, não pense que tem intimidade comigo para se meter na minha vida — disse, finalmente expressando o que sentia.
— Será mesmo que ela não é filha dele? Ele não fez nenhum exame de DNA, sabe por quê? — provocou ela, com ar prepotente. — Porque ele aceita tudo que eu digo sem questionar. No fim das contas, sou eu quem estará no coração dele, e basta uma palavra minha para ele te chutar para longe — completou, com evidente arrogância.
Eu não sabia o que pensar naquele momento. Lembrei do meu pai, capacho da secretária dele, quando disse que os gêmeos não eram seus filhos, e ele simplesmente acreditou. Pensando ter sido traído, largou nossa mãe e, consequentemente, seus próprios filhos, para seguir o que chamava de amor.
Vendo meu nervosismo, Beatrice pagou nossa conta e me arrastou para que eu não precisasse mais encarar aquela mulher. Eu deveria ter sido forte e enfrentado a situação, mas, acima de tudo, não deveria ter duvidado de Júlio. No entanto, não fiz isso. Passei dias pensando em uma maneira de conversar com ele e decidi que terminar seria a melhor opção. Assim, nenhum de nós sofreria.
Contudo, não conseguia fazer isso pessoalmente, então mandei uma mensagem para ele, evitando ter que enfrentá-lo. Estávamos namorando havia menos de dois meses; ele superaria rápido, e seguiríamos nossas vidas sem nos machucar. Pelo menos foi o que pensei. Vi ele de longe algumas vezes, e meu coração acelerava, como se quisesse sair do peito para ir ao seu encontro.
Resisti aos meus sentimentos e segui com minha vida. Apesar da imensa vontade de estar ao lado dele, não queria correr o risco de ter o mesmo destino que minha mãe. Com três meses de gravidez, minha barriga já estava maior do que o normal, e quase desmaiei — algo que parece estar se tornando frequente — ao ver, na ultrassonografia, cinco pequenas vidas crescendo dentro de mim.
— Será que Júlio ficaria feliz em saber que vai ser pai? — pensei em voz alta ao sair da clínica e me arrepdi logo depois, ao ver a cara de minha mãe
— Provavelmente sim. Por que você não conta logo a verdade para ele? Por que decidiu sozinha excluí-lo da sua vida? — perguntou minha mãe, levemente irritada.
— Já falei mil vezes, mamãe, por favor, respeite a minha escolha — respondi, firme, enquanto entrávamos no carro.
— Sua escolha eu respeito, mas e a escolha do pai, você respeitou? — insistiu ela, colocando o cinto de segurança.
— Não é como se ele quisesse ter uma família. Além disso, ele acha que não pode ter filhos, ele não acreditaria em mim — respondi, dando partida no carro e indo levá-la para casa.
— Como você sabe que ele não quer ter uma família? E achar não é certeza. Pense bem no que está fazendo, está punindo esse rapaz por achar que ele é igual ao seu pai, e isso é muito injusto — disse ela, com tristeza na voz.
— Chega, mamãe! Você está me deixando nervosa, e isso não é bom para as crianças — falei, um pouco alterada, e ela parou de falar, balançando a cabeça em desaprovação.
Sei que estou errada em não levar em consideração os sentimentos de Júlio, mas não quero pensar nisso agora. Quero ter uma gravidez tranquila, e sei que não terei isso com ele duvidando da paternidade das crianças.
Noah
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Atualizado até capítulo 41
Comments
Cida Araujo
mulher burra é essa viu não quer sofrer por achar que ele vai rejeitar os filhos mas ja está passando que é isso que vai acontecer
2025-02-20
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Edmeia Calmerio
ah não autora ajuda os dois curtirem a gravidez, da uma chance ao Júlio..mesmo ela vendo a traidora dormindo, forçado com ele.., por favor nosso casal . juntinhos..
2025-02-04
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Cida Araujo
se ela viu ele com a cobra mesmo não estando consciente foi bem feito prá ela onde ja se viu terminar ó relacionamento por mensagem ela esta jogando ele nós braços de outra
2025-02-20
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