Clarisse...
Encontrar com Júlio depois de tanto tempo foi uma experiência desafiadora. Ver seu olhar frio, examinando-me de cima a baixo como se quisesse me decifrar, deixou meus sentimentos confusos.
Porém, mesmo falando de forma distante, sua voz, suave e ao mesmo tempo firme, parecia manter o controle absoluto da situação, como se nada pudesse abalá-lo.
A leveza de sua voz e o tom frio e dominador me deixava inexplicavelmente excitada, uma mistura de emoções que eu não sabia como conter.
Quanto ao caso... Uma jovem de 18 anos, de cabelos castanhos ondulados e olhos castanhos, chamada Natalia Amorim, foi a uma boate com suas amigas. Segundo seu relato, ela estava bêbada e começou a dançar com um rapaz.
Carlos Santiago, que parecia ter mais ou menos sua idade, com cabelos negros, olhos castanhos e uma barba rala. Eles se beijaram, mas quando ele a chamou para um local mais reservado, ela recusou. Ele, então, a deixou dançando com as amigas, e tudo parecia ter terminado ali.
Mas, depois de um tempo, suas amigas saíram com outros rapazes, e Natalia, sozinha, deixou a boate tentando encontrar um táxi para voltar para casa. Foi então que, após andar alguns metros, alguém a segurou, tampou sua boca e a levou para um beco escuro, onde foi violentamente abusada.
Não havia câmeras de segurança que cobrissem o beco, e o agressor usava uma máscara. Contudo, uma câmera em uma área próxima capturou a figura de um homem com a mesma camisa preta e calça jeans que Carlos usava naquela noite.
Ele foi preso no dia seguinte, e Natalia o identificou como o agressor. O que me enfurecia era o fato de Júlio ter aceitado defender alguém acusado de uma agressão tão brutal, especialmente quando ele me respeitou numa situação semelhante e ainda me aconselhou a ter cuidado com a bebida. A ironia me corroía por dentro.
Tentei, a todo custo, controlar meus sentimentos, querendo terminar a reunião o mais rápido possível. Cada minuto ao lado de Júlio era uma tortura. Sua proximidade, seu cheiro familiar, o som de sua voz... Eu sabia que, se não saísse logo dali, sucumbiria ao desejo de rasgar sua camisa e me entregar ao que meu corpo clamava.
Quando ele fechou a porta atrás de mim, com um sorriso provocador, eu quase cedi. Meu corpo reagiu ao seu toque, um pulsar quente me invadiu, e tive que reunir toda a minha força de vontade para afastá-lo.
Minhas palavras duras não refletiam a verdade, mas eu não podia demonstrar fraqueza. No entanto, quando o ouvi dizer que a única família que ele tinha era Saphira, senti um nó no estômago. Só a ideia de ele realmente não estar mais com Jennifer me lançou numa espiral de emoções conflitantes.
Meu coração disparou, e por um breve instante, pensei em contar a verdade a ele. Admitir que fui tola por acreditar numa mentira, mesmo sabendo que ele talvez jamais me perdoasse. Aquela mentira estava me destruindo por dentro.
Seu celular tocou, e ele saiu sem sequer se despedir. Não que eu o pudesse culpar; afinal, eu o tratei mal. Quase pedi que ele ficasse, mas meu corpo não reagiu. Permaneci imóvel, impotente. Assim que ele saiu, me sentei, tentando organizar a confusão de sentimentos que me dominava. Incapaz de encontrar respostas, liguei para Beatrice e combinei de encontrá-la numa lanchonete no fim do expediente.
— Você não vai acreditar no que aconteceu! — disparei, sentando-me ao lado dela, que já me aguardava.
— Pela sua cara, você encontrou o Júlio, acertei? — Ela sorriu, curiosa. — E contou para ele sobre as crianças?
— Acertou a primeira parte. Mas... não consigo contar a verdade. Ele nunca me perdoaria, isso se ao menos acreditasse em mim — respondi, frustrada e culpada.
— Eu não entendo por que você insiste nisso. Júlio sempre foi tão gentil com você. Só porque seu pai abandonou vocês, não significa que ele faria o mesmo. — A expressão de resignação no rosto de Beatrice me fez sentir ainda mais perdida.
— Quando ele disse que a única família dele era Saphira, eu quase contei. Acho que eles não estão juntos... — murmurei, abaixando o olhar.
— O que eu disse? Se você não fosse tão cabeça-dura... Mas não, você nunca me escuta — reclamou ela, chamando a garçonete com um gesto impaciente.
Pedi a ela que parasse com os sermões, precisava aliviar minha mente. Depois de insistir um pouco, ela finalmente cedeu.
Quando as babás me contaram que Júlio havia se aproximado das crianças. A notícia quase me matou de medo, receosa de que ele descobrisse a verdade e me acusasse de traição e por isso, terminei com ele assim que descobri a gravidez.
No entanto, achei injusto impedi-lo de ver as crianças, então deixei que tivessem esses momentos juntos, mesmo que ele não soubesse a verdade. Pedi às babás para não mencionarem nada à minha mãe, confiando que elas manteriam a discrição.
Infelizmente, acabei contando para Beatrice, e ela quase foi ao encontro de Júlio para revelar toda a verdade. Por sorte, consegui convencê-la a não fazer isso. Muitas vezes não concordávamos em determinados assuntos, mas era uma amizade que eu prezava muito.
— E você? Está com um olhar diferente... Conheceu alguém? — perguntei, percebendo o rubor que subia em suas bochechas.
— Na verdade, sim. Tive uma noite incrível, mas não acho que vai se repetir... — respondeu com um sorriso tímido.
— Sério? E quem é ele? O que impede vocês de ficarem juntos? — indaguei, intrigada.
— O nome dele é Robert. Tem lindos olhos verdes e um sorriso capaz de me fazer querer tirar a calcinha se ele pedisse — disse ela, soltando uma risada espontânea. — Não ria, se você não quer um bonitão na sua vida, eu quero um na minha! — completou, me vendo rir de sua sinceridade.
— Desculpa... — disse, tentando me conter. — Mas, então, o que impede?
— Ele prefere relacionamentos casuais. Eu, claro, me apaixonei sozinha e agora preciso esquecer esse sentimento — disse ela, com um olhar melancólico.
Ficamos conversando por um tempo, e tentei confortá-la, assegurando que ela encontraria alguém que a faria esquecer Robert. Ela mencionou que ele tinha 39 anos, oito a mais que ela, e pelo que vi, não seria fácil para ela superar aquele homem que não queria compromisso. Sempre torci pela felicidade dela, e de coração, desejei que o destino trouxesse um grande amor para sua vida.
Ao voltar para casa, minha mãe já havia saído e as crianças estavam jantando. Graças a Deus, a febre de Elisa havia passado, e ela parecia bem mais animada. Tomei um banho relaxante, troquei de roupa, e depois de comer algo, dispensei as babás. No entanto, as crianças estavam inquietas, como se desejassem outra pessoa para colocá-las para dormir. Foi uma batalha para acalmá-las, e no fim, acabei adormecendo no sofá do quarto delas, exausta.
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Atualizado até capítulo 41
Comments
Edmeia Calmerio
tomará que eles si acertem..oo os dois juntos e será uma família linda,, masxaxho que tem muitas coisas erradas com os amigos dele..falsos ..
2025-02-04
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Erlete Rodrigues
acho que ele tinha que fazer o DNA a safira também
2025-02-19
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Katia Cilene
tinha que ter feito DNA da safira
2024-12-01
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