A noite, a encontrei novamente em uma boate. Ela parecia estar comemorando algo com sua amiga, mas ambas estavam tão bêbadas que achei melhor levá-las para casa, evitando que algo de ruim acontecesse. Duas mulheres sozinhas naquela situação era realmente perigoso. Com a ajuda do porteiro, consegui levá-las até o apartamento dela. Não sei se elas moram juntas, mas como são amigas, imaginei que saberiam o que fazer ao acordar.
Ela tentou me beijar, mas resisti aos meus desejos, pois ela não estava em condições de raciocinar. Deixei um bilhete com meu número, pedindo que me mandasse uma mensagem no dia seguinte, dizendo se estava bem, e fui para casa. Fiquei aliviado no dia seguinte quando recebi uma mensagem agradecendo pela ajuda e confirmando que estava bem. Finalmente nos apresentamos. Seu nome era Clarisse, e sua foto era tão linda...
Enquanto isso, continuo tentando falar com Jennifer para ver minha pequena Saphira. Cansado de ser ignorado, tento entrar à força na mansão de Heitor. Essa mulher é rápida quando se trata de dinheiro; em pouco tempo, já está morando com ele. Pela porta, vejo Saphira sentada no sofá da sala, mas antes que eu possa fazer algo, a polícia chega e me leva.
— Será que você pode chamar sua irmã para eu pagar minha fiança e ir embora? — perguntei a Arthur ao vê-lo trancar a cela.
— Mais tarde. Ela está na lua de mel e não tem pressa para tirar alguém como você daqui — respondeu ele, com raiva. — Minha irmã está muito melhor sem você, e até está grávida — completou com um sorriso sarcástico.
— Que bom para ela. Espero que seja muito feliz — disse, com sentimentos confusos. — Sabe... não é porque terminei com sua irmã que você precisa me odiar. Não aja como se eu tivesse sido um crápula — reclamei.
— Você a abandonou por achar que ela não poderia ser mãe. Não merece nem que ela fale com você — disse ele, sério, e saiu sem me escutar.
As coisas parecem simples quando ouvimos apenas um lado da história. Sim, ela era incrível, mas, como eu, também não era perfeita. Chegou até a me ameaçar para me manter afastado. Talvez eu seja o pior dos homens e ninguém seja capaz de me amar, pensei, enquanto esperava ela chegar para me tirar dali.
Ela não demorou muito, e não sei se era o semblante de gravidez, mas estava linda como sempre, embora eu já não a visse com os mesmos olhos. Me deu o sermão habitual e me fez contar o que havia acontecido. Eu não precisava escutar aquilo, já sabia que não tinha direitos, pois não sou o pai biológico.
Saí de lá pensando em fazer uma besteira, como levar minha filha para longe, mesmo sabendo que a polícia me encontraria rapidamente. Mas não destruiria a vida da minha pequena. Apesar de Jennifer ser leviana, ela ainda era a mãe, e Saphira não conseguiria ficar longe.
Por sorte, a babá ainda era a mesma, e como ela sabia o quanto eu amava minha filha, não hesitou em me ligar quando Saphira ficou doente. Ela estava com febre por estar longe de mim, e mesmo não compartilhando o mesmo sangue, tínhamos uma conexão profunda. Eu me sentia impotente por não estar com ela.
Mesmo correndo o risco de ser preso novamente, fui até a mansão de Heitor. Desta vez, Jennifer me recebeu e sugeriu que nos encontrássemos em outro lugar para eu ver Saphira. Embora estranhando, não tive escolha senão aceitar. Quando estava saindo, vi Heitor se aproximando, com um sorriso e o braço ao redor da cintura de Jennifer. Ele parecia se deliciar em me ver humilhado.
Mas não tinha tempo para pensar nele. Só queria que Saphira ficasse bem. Quando cheguei ao local combinado, já do lado de fora, senti que algo estava errado. Eu deveria ter suspeitado, mas fui ingênuo. Ao entrar, percebi que era uma casa abandonada. Tudo estava um caos, mas antes que eu conseguisse sair, fui cercado por cinco homens encapuzados que começaram a me espancar.
Tentei me defender, mas não consegui. Depois do que pareceu uma eternidade, eles finalmente me deixaram, jogado no chão. Sentia raiva de mim mesmo por ter sido tão idiota. Como pude acreditar naquela mulher? Tentei me levantar, mas desabei novamente.
— O chefe disse que tinha que parecer um suicídio — disse um dos homens, quando voltaram, segurando um frasco de remédios e duas garrafas de bebida.
Logo senti dois homens me segurando enquanto os outros me obrigavam a engolir tudo aquilo. Tentei resistir, até mesmo cuspir, mas os poucos remédios que consegui colocar para fora me forçaram a engolir, misturados com a terra no chão.
Fui perdendo a consciência e a última coisa que me lembro foi de acordar em um hospital, com muitas pessoas ao meu redor. Me sentia constrangido por estar naquela situação, especialmente com crianças por perto. Não queria que ninguém me visse assim, principalmente elas.
No entanto, todos pareciam estar ali para comemorar o Ano Novo comigo. Os únicos momentos da minha vida em que comemorei essa data foram com Amanda e, depois, com Saphira. No momento, eu não tinha nenhuma das duas. Mesmo que Amanda estivesse ali, ela não era mais minha Amanda; era a Amanda de Henrique. E, sabendo que ele salvou minha vida, sentia-me em dívida com ele. Eu precisava recompensá-lo de alguma forma, não poderia dever nada a ninguém.
Enquanto eu tentava entender a situação, as crianças me abraçaram, o que me fez sentir um pouco melhor. Pelas janelas, os fogos de artifício iluminavam o céu e, por um instante, consegui esquecer o constrangimento de estar em um estado tão lamentável.
Até Arthur estava lá, e parecia ter deixado de lado parte de sua raiva. Não que eu me importasse, pois eu já não me importava com mais nada. Logo depois, eles saíram, e o médico veio me examinar. Foi quando ele me contou que Henrique, seu pai e seu irmão haviam me salvado.
Após o médico sair, Amanda quis saber o que havia acontecido. Com seu bloquinho de notas, sempre a postos, ela insistiu. Eu não queria envolvê-la, mas Henrique, seu pai Joshua, e seu irmão Guilherme foram enfáticos em me oferecer ajuda. Não sabia o que poderiam fazer, mas aceitei contar o ocorrido.
Eles ouviram com paciência e, depois, se despediram, me deixando só. Ao olhar para a lua pela janela, prometi a mim mesmo que não seria mais fraco. Não dependeria mais da ajuda de Amanda, nem da sua pena. Seria a última vez que ela me veria assim, e a última vez que aceitaria sua ajuda.
Não sei o que fizeram, mas Heitor se entregou e confessou o crime. No entanto, sua pena foi de apenas oito anos. Eu já estava acostumado com minha vida valendo pouco e com leis que não punem adequadamente, mas ainda era frustrante. O lado bom é que, alguns dias depois, estava melhor e pude ver minha pequena Saphira no apartamento de Jennifer. Brinquei com ela e depois a coloquei para dormir.
— Poderíamos tentar ser uma família de novo, o que acha? — disse Jennifer, se aproximando quando me acompanhava até a porta.
— Você está louca? Você quase me matou mandando-me para aquela casa! Nem sei como você também não foi presa — respondi, me afastando.
— Eu não tive culpa! Ele disse que só queria conversar com você. Por favor, acredite em mim e me perdoe — implorou, com seus olhos de coelho indefeso.
— Esqueça. Entre eu e você, só existe Saphira. Não ache que não vou deixar todas as minhas visitas formalizadas e nem sonhe em afasta-la de mim — disse, olhando-a seriamente, antes de sair.
Jennifer
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Atualizado até capítulo 41
Comments
Rose Gandarillas
Imagem feit por IA, autora?
2024-12-12
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Juliana Vicentina da Costa Nerys
Essa mulher é mesmo uma sem escrúpulos.
2024-12-26
0
Erlete Rodrigues
nossa ‼️ como ele sofre né ⁉️
2025-02-19
0