Capítulo 15: Acusações e Mentiras

Mais de um ano havia se passado, e ver aqueles bebês pela manhã era como uma fonte de energia. Pelo que as babás me contaram, a mãe delas saía bem cedo para o trabalho. Não sei se isso era bom ou ruim, mas nunca a encontrei e, na verdade, nunca me interessei em saber seu nome; elas apenas se referiam a ela como "chefe" ou "patroa".

Com o tempo, conquistei a confiança das babás e comecei a interagir mais com as crianças, até mesmo segurando-as no colo. Ver seus primeiros passinhos e ouvir suas primeiras palavras foi extasiante. Embora o fato de elas terem começado a me chamar de papai tenha me deixado um pouco preocupado, eu praticamente havia adotado cinco crianças aleatórias sem nem ao menos conhecer a mãe.

Era uma situação inusitada e, ao mesmo tempo, engraçada. Tentei dissuadi-las de me chamar assim, mas foi uma batalha que não consegui vencer, e Gisele e Gabriela apenas riam das minhas tentativas frustradas. Passávamos apenas alguns minutos juntos por dia, então não deveriam se apegar tanto. De qualquer forma, acho que até eu estava me apegando a elas.

Consegui ver Saphira com mais frequência, e me culpava por não investigar a fundo essa história. Não que eu pretenda afastá-la da mãe, já que, apesar dos meus sentimentos, sei o quanto elas são próximas, e jamais a faria sofrer. Por isso, evito ao máximo qualquer encontro com a Jennifer.

Sentado no meu escritório, eu olhava para uma foto que tirei delas como recordação e sorria como um bobo. De repente, escuto uma confusão do lado de fora. Ao sair para verificar, vejo minha secretária, Cristina, tentando impedir uma senhora de cabelos pretos ondulados e olhos castanhos de entrar, já que ela não tinha horário marcado. Notando o desespero no olhar da mulher, peço que me acompanhe ao escritório e digo para Cristina trazer um chá.

— Então, o que a senhora deseja? — perguntei, após Cristina nos servir e sair.

Sem conseguir esconder a tristeza ou conter as lágrimas, ela contou que o filho havia sido acusado de abusar de uma moça e queria que eu o defendesse. Falou-me um pouco da história deles, o que me comoveu. Enfrentar uma falsa acusação era realmente difícil, mas obviamente, eu precisava saber se ele era de fato inocente.

— Por favor, Carlos é uma pessoa honesta, ele jamais tocaria uma mulher sem sua permissão — disse, com os olhos vermelhos, parecendo ter passado a noite em claro. — Eu trouxe tudo o que tenho, espero que seja suficiente — completou, tirando uma grande quantia de dinheiro da bolsa e colocando-a sobre a mesa.

— Falaremos sobre dinheiro depois, dona Marta — disse, empurrando o dinheiro de volta. — Não vai ajudar seu filho se estiver preocupada em como se sustentar.

— Muito obrigada, isso significa que vai me ajudar? — perguntou, com um sorriso esperançoso.

— Farei o meu melhor. Se seu filho for inocente, garanto que a verdade virá à tona — prometi, tentando transmitir confiança.

Ela agradeceu repetidamente, e eu a acompanhei até a saída. Após nos despedirmos, comecei a trabalhar no caso. Não seria fácil, e as evidências não estavam muito favoráveis ao meu cliente. Ele estava detido na delegacia onde Amanda trabalhava. Como ele não tinha antecedentes e não representava riscos, consegui sua liberdade provisória, permitindo que respondesse ao processo em casa.

Passei dias trabalhando incansavelmente para conseguir provas e testemunhas. Durante esse tempo, estava tão exausto que não consegui ver as crianças, e senti saudades delas. Ao revisar os documentos do caso, descobri que a promotora responsável pela acusação era ninguém menos que Clarisse.

Respirei fundo, coloquei os documentos na pasta e fui até o local onde ela trabalhava. É de praxe que promotor e advogado se reúnam para discutir as provas, então o encontro era inevitável. Ao entrar em seu escritório, ela me pediu para sentar, mas estava visivelmente desconfortável.

— Vamos acabar logo com isso — disse, sentando na cadeira à frente da mesa e olhando-a seriamente.

— Claro! Tudo o que quero é que a justiça seja feita — respondeu, suspirando.

— Então, pelo visto, estamos do mesmo lado — comentei, com um sorriso no canto dos lábios.

— Não parece, já que você está defendendo um criminoso — disse ela, com a voz firme, tentando soar intimidadora.

— Você não deveria se adiantar tanto em seu julgamento, doutora Clarisse Queiroz — retruquei com firmeza. — Meu cliente é inocente até que se prove o contrário, não se esqueça disso.

— Claro — respondeu, com o olhar baixo.

Começamos a trocar informações rapidamente. Por mais que as provas parecessem incriminar meu cliente, consegui identificar várias incongruências e enxergar uma luz no fim do túnel que poderia usar para provar a inocência de Carlos.

Ao final da reunião, ela se dirigiu à porta e a abriu, praticamente me expulsando. No entanto, havia algo que eu precisava perguntar, algo que me atormentava. Fechei a porta atrás dela e encostei minha mão perto de seu rosto.

— Antes de ir, quero que você seja honesta e me diga por que terminou comigo daquela maneira — pedi, quase em um sussurro, próximo ao seu ouvido, enquanto o doce aroma que ainda me enfeitiçava pairava no ar.

— Tudo o que você precisava saber estava na mensagem — respondeu, fechando os olhos e virando o rosto para o lado.

— Não, isso não é verdade — disse, tocando sua perna, levantando levemente seu vestido cinza.

Ver sua pele se arrepiar foi a confirmação de que ela ainda sentia algo por mim. Então, por que mentiu dizendo que tudo foi um erro? Era incompreensível, e continuei provocando, deslizando minha mão até sua coxa.

— Não quero falar sobre isso aqui — disse ela, me empurrando.

— Então pode ser em um jantar? — sorri, observando suas expressões.

— Não, eu não quero falar com você em momento nenhum. Apenas me deixe em paz e vá viver com sua família — disse ela, com o rosto vermelho, e eu não sabia se era de raiva ou de outro sentimento.

— Minha única família é Saphira e você sabe disso. Se você não gosta dela, realmente é melhor não termos mais conversa — retruquei, decepcionado por ela usar Saphira como desculpa.

Ela parecia prestes a dizer algo, mas meu celular tocou, e eu saí para atender. Seja lá o que fosse, eu não sabia se queria escutar.

— Alô? Quem fala? — perguntei ao atender a ligação.

— Senhor Júlio? Sou eu, Gabriela, a babá dos quíntuplos que o senhor vê todo dia — respondeu a voz do outro lado da linha.

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Comments

Erlete Rodrigues

Erlete Rodrigues

o que foi agora ⁉️⁉️⁉️⁉️

2025-02-19

0

luciane souza

luciane souza

Eita que não se desenrolou nada, aí angústia autora não faz assim ☺☺☺☺

2024-11-10

1

Fatima Gonçalves

Fatima Gonçalves

gente do céu o que foi

2024-10-25

2

Ver todos
Capítulos
1 Capítulo 1: Cicatrizes do Passado
2 Capítulo 2: Um Caminho Difícil
3 Capítulo 3: Términos e Recomeços
4 Capítulo 4: Correndo Riscos
5 Capítulo 5: Expectativas e Encontros
6 Capítulo 6: Meu Senhor Bonitão
7 Capítulo 7: Corações em Sincronia
8 Capítulo 8: Meu doce Desejo
9 Capítulo 9: Do Amor à Dor
10 Capítulo 10: Uma quase Tentativa
11 Capítulo 11: Entre o Amor e Escolhas
12 Capítulo 12: Consequência de Minhas Escolhas
13 Capítulo 13: Segredos da Maternidade
14 Capítulo 14: Laços Invisíveis
15 Capítulo 15: Acusações e Mentiras
16 Capítulo 16: Verdades Reveladas
17 Reencarnei como Uma Santa em Um Mundo de Magia
18 Capítulo 17: O Peso do Silêncio
19 Capítulo 18: Complicações
20 Capítulo 19: Lutando Pelo que é Meu
21 Capítulo 20: O Peso dos Segredos
22 Capítulo 21: Corações em Conflito
23 Capítulo 22: O Julgamento
24 Capítulo 23: Entre o Amor e a Culpa
25 Capítulo 24: Escolhendo Prioridades
26 Capítulo 25: Tempo de Reflexão
27 Capítulo 26: Amor em Família
28 Capítulo 27: Um Jantar em Família
29 Capítulo 28: Recomeços
30 Capítulo 29: Momentos de Felicidade
31 Capítulo 30: Datas Especiais
32 Capítulo 31: Um Adeus
33 Capítulo 32: Um Recomeço Instável
34 Capítulo 33: Carinho e Cuidados
35 Capítulo 34: Rotina
36 Capítulo 35: Passeios
37 Capítulo 36: Perigo
38 Capítulo 37: Fuga Rápida
39 Caítulo 38: Determinação
40 Capítulo 39: Apresentação de Saphira
41 Capítulo 40: Final Feliz
Capítulos

Atualizado até capítulo 41

1
Capítulo 1: Cicatrizes do Passado
2
Capítulo 2: Um Caminho Difícil
3
Capítulo 3: Términos e Recomeços
4
Capítulo 4: Correndo Riscos
5
Capítulo 5: Expectativas e Encontros
6
Capítulo 6: Meu Senhor Bonitão
7
Capítulo 7: Corações em Sincronia
8
Capítulo 8: Meu doce Desejo
9
Capítulo 9: Do Amor à Dor
10
Capítulo 10: Uma quase Tentativa
11
Capítulo 11: Entre o Amor e Escolhas
12
Capítulo 12: Consequência de Minhas Escolhas
13
Capítulo 13: Segredos da Maternidade
14
Capítulo 14: Laços Invisíveis
15
Capítulo 15: Acusações e Mentiras
16
Capítulo 16: Verdades Reveladas
17
Reencarnei como Uma Santa em Um Mundo de Magia
18
Capítulo 17: O Peso do Silêncio
19
Capítulo 18: Complicações
20
Capítulo 19: Lutando Pelo que é Meu
21
Capítulo 20: O Peso dos Segredos
22
Capítulo 21: Corações em Conflito
23
Capítulo 22: O Julgamento
24
Capítulo 23: Entre o Amor e a Culpa
25
Capítulo 24: Escolhendo Prioridades
26
Capítulo 25: Tempo de Reflexão
27
Capítulo 26: Amor em Família
28
Capítulo 27: Um Jantar em Família
29
Capítulo 28: Recomeços
30
Capítulo 29: Momentos de Felicidade
31
Capítulo 30: Datas Especiais
32
Capítulo 31: Um Adeus
33
Capítulo 32: Um Recomeço Instável
34
Capítulo 33: Carinho e Cuidados
35
Capítulo 34: Rotina
36
Capítulo 35: Passeios
37
Capítulo 36: Perigo
38
Capítulo 37: Fuga Rápida
39
Caítulo 38: Determinação
40
Capítulo 39: Apresentação de Saphira
41
Capítulo 40: Final Feliz

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