Mais de um ano havia se passado, e ver aqueles bebês pela manhã era como uma fonte de energia. Pelo que as babás me contaram, a mãe delas saía bem cedo para o trabalho. Não sei se isso era bom ou ruim, mas nunca a encontrei e, na verdade, nunca me interessei em saber seu nome; elas apenas se referiam a ela como "chefe" ou "patroa".
Com o tempo, conquistei a confiança das babás e comecei a interagir mais com as crianças, até mesmo segurando-as no colo. Ver seus primeiros passinhos e ouvir suas primeiras palavras foi extasiante. Embora o fato de elas terem começado a me chamar de papai tenha me deixado um pouco preocupado, eu praticamente havia adotado cinco crianças aleatórias sem nem ao menos conhecer a mãe.
Era uma situação inusitada e, ao mesmo tempo, engraçada. Tentei dissuadi-las de me chamar assim, mas foi uma batalha que não consegui vencer, e Gisele e Gabriela apenas riam das minhas tentativas frustradas. Passávamos apenas alguns minutos juntos por dia, então não deveriam se apegar tanto. De qualquer forma, acho que até eu estava me apegando a elas.
Consegui ver Saphira com mais frequência, e me culpava por não investigar a fundo essa história. Não que eu pretenda afastá-la da mãe, já que, apesar dos meus sentimentos, sei o quanto elas são próximas, e jamais a faria sofrer. Por isso, evito ao máximo qualquer encontro com a Jennifer.
Sentado no meu escritório, eu olhava para uma foto que tirei delas como recordação e sorria como um bobo. De repente, escuto uma confusão do lado de fora. Ao sair para verificar, vejo minha secretária, Cristina, tentando impedir uma senhora de cabelos pretos ondulados e olhos castanhos de entrar, já que ela não tinha horário marcado. Notando o desespero no olhar da mulher, peço que me acompanhe ao escritório e digo para Cristina trazer um chá.
— Então, o que a senhora deseja? — perguntei, após Cristina nos servir e sair.
Sem conseguir esconder a tristeza ou conter as lágrimas, ela contou que o filho havia sido acusado de abusar de uma moça e queria que eu o defendesse. Falou-me um pouco da história deles, o que me comoveu. Enfrentar uma falsa acusação era realmente difícil, mas obviamente, eu precisava saber se ele era de fato inocente.
— Por favor, Carlos é uma pessoa honesta, ele jamais tocaria uma mulher sem sua permissão — disse, com os olhos vermelhos, parecendo ter passado a noite em claro. — Eu trouxe tudo o que tenho, espero que seja suficiente — completou, tirando uma grande quantia de dinheiro da bolsa e colocando-a sobre a mesa.
— Falaremos sobre dinheiro depois, dona Marta — disse, empurrando o dinheiro de volta. — Não vai ajudar seu filho se estiver preocupada em como se sustentar.
— Muito obrigada, isso significa que vai me ajudar? — perguntou, com um sorriso esperançoso.
— Farei o meu melhor. Se seu filho for inocente, garanto que a verdade virá à tona — prometi, tentando transmitir confiança.
Ela agradeceu repetidamente, e eu a acompanhei até a saída. Após nos despedirmos, comecei a trabalhar no caso. Não seria fácil, e as evidências não estavam muito favoráveis ao meu cliente. Ele estava detido na delegacia onde Amanda trabalhava. Como ele não tinha antecedentes e não representava riscos, consegui sua liberdade provisória, permitindo que respondesse ao processo em casa.
Passei dias trabalhando incansavelmente para conseguir provas e testemunhas. Durante esse tempo, estava tão exausto que não consegui ver as crianças, e senti saudades delas. Ao revisar os documentos do caso, descobri que a promotora responsável pela acusação era ninguém menos que Clarisse.
Respirei fundo, coloquei os documentos na pasta e fui até o local onde ela trabalhava. É de praxe que promotor e advogado se reúnam para discutir as provas, então o encontro era inevitável. Ao entrar em seu escritório, ela me pediu para sentar, mas estava visivelmente desconfortável.
— Vamos acabar logo com isso — disse, sentando na cadeira à frente da mesa e olhando-a seriamente.
— Claro! Tudo o que quero é que a justiça seja feita — respondeu, suspirando.
— Então, pelo visto, estamos do mesmo lado — comentei, com um sorriso no canto dos lábios.
— Não parece, já que você está defendendo um criminoso — disse ela, com a voz firme, tentando soar intimidadora.
— Você não deveria se adiantar tanto em seu julgamento, doutora Clarisse Queiroz — retruquei com firmeza. — Meu cliente é inocente até que se prove o contrário, não se esqueça disso.
— Claro — respondeu, com o olhar baixo.
Começamos a trocar informações rapidamente. Por mais que as provas parecessem incriminar meu cliente, consegui identificar várias incongruências e enxergar uma luz no fim do túnel que poderia usar para provar a inocência de Carlos.
Ao final da reunião, ela se dirigiu à porta e a abriu, praticamente me expulsando. No entanto, havia algo que eu precisava perguntar, algo que me atormentava. Fechei a porta atrás dela e encostei minha mão perto de seu rosto.
— Antes de ir, quero que você seja honesta e me diga por que terminou comigo daquela maneira — pedi, quase em um sussurro, próximo ao seu ouvido, enquanto o doce aroma que ainda me enfeitiçava pairava no ar.
— Tudo o que você precisava saber estava na mensagem — respondeu, fechando os olhos e virando o rosto para o lado.
— Não, isso não é verdade — disse, tocando sua perna, levantando levemente seu vestido cinza.
Ver sua pele se arrepiar foi a confirmação de que ela ainda sentia algo por mim. Então, por que mentiu dizendo que tudo foi um erro? Era incompreensível, e continuei provocando, deslizando minha mão até sua coxa.
— Não quero falar sobre isso aqui — disse ela, me empurrando.
— Então pode ser em um jantar? — sorri, observando suas expressões.
— Não, eu não quero falar com você em momento nenhum. Apenas me deixe em paz e vá viver com sua família — disse ela, com o rosto vermelho, e eu não sabia se era de raiva ou de outro sentimento.
— Minha única família é Saphira e você sabe disso. Se você não gosta dela, realmente é melhor não termos mais conversa — retruquei, decepcionado por ela usar Saphira como desculpa.
Ela parecia prestes a dizer algo, mas meu celular tocou, e eu saí para atender. Seja lá o que fosse, eu não sabia se queria escutar.
— Alô? Quem fala? — perguntei ao atender a ligação.
— Senhor Júlio? Sou eu, Gabriela, a babá dos quíntuplos que o senhor vê todo dia — respondeu a voz do outro lado da linha.
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Atualizado até capítulo 41
Comments
Erlete Rodrigues
o que foi agora ⁉️⁉️⁉️⁉️
2025-02-19
0
luciane souza
Eita que não se desenrolou nada, aí angústia autora não faz assim ☺☺☺☺
2024-11-10
1
Fatima Gonçalves
gente do céu o que foi
2024-10-25
2