Capítulo 7: Corações em Sincronia

Alguns dias haviam se passado, e eu não tinha encontrado mais o senhor bonitão, tampouco ele mandava ou respondia minhas mensagens. O Natal e o Ano Novo até que foram divertidos; passei com minha família e com minha amiga doida. Mas, não sei, talvez eu tivesse me iludido cedo demais, e ele realmente apenas não tivesse se interessado em mim. Mesmo assim, sentia uma preocupação surgir em meus pensamentos, como se algo ruim estivesse acontecendo e eu não tivesse controle.

Na segunda semana de janeiro, estava eu fazendo minha corrida, como de costume, quando o vi sentado em um banco da praça, dessa vez usando um moletom azul. Meu coração começou a bater acelerado, e eu não sabia se era por finalmente encontrá-lo ou pela vergonha dele ter me visto bêbada. Ele estava tomando água de coco, enquanto o vento bagunçava seus cabelos negros, e aquela visão era quase um pecado em praça pública.

"Ele não tem vergonha de ficar se exibindo assim?", pensei sozinha, sentindo um frio na barriga, sem coragem de me aproximar. Mas, por fim, respirei fundo, fui até ele e sentei ao seu lado no banco, segurando minha garrafa de água e tentando disfarçar meu nervosismo.

— Eu posso saber por que o senhor bonitão não respondeu minhas mensagens? — questionei com a voz firme, tentando soar indiferente.

— Desculpa, eu meio que perdi meu celular e não consegui recuperar as mensagens, então não vi as suas — disse ele, colocando o coco de lado e olhando para mim, sorrindo.

— Entendo, mas diz aí. Como foi seu Natal e Ano Novo? — perguntei, tentando puxar assunto.

— Diferente. Acho que essa seria a palavra mais apropriada para definir — disse ele, pensativo.

— Diferente como? Bebeu demais também? — insisti, provocando.

— Não exatamente. No Natal, fiquei sozinho em casa, mas aconteceram algumas coisas e fui parar no hospital. Quando acordei, faltavam apenas alguns minutos para o Ano Novo — contou ele, rindo, como se não quisesse falar tudo.

— Como assim? O que aconteceu? Você está bem? — perguntei, procurando ver se ele tinha algum ferimento, mas ele segurou minhas mãos, me impedindo. — Desculpa, eu não deveria ter feito isso. Não temos intimidade o suficiente — disse, baixando o olhar, um pouco envergonhada.

— Não tem problema... Se estivéssemos em um quarto só nós dois, eu deixaria você tocar meu corpo inteiro, mas aqui é tentação demais — disse ele com um sorriso atrevido, e senti vontade de procurar um buraco para me esconder.

— Não foi a minha intenção — disse, pegando minha garrafa de água e bebendo quase toda, evitando olhar para ele.

— Claro! — afirmou ele, diminuindo a distância entre nós dois. — Mas, se quiser, podemos marcar um encontro e ir para um lugar mais reservado, e você pode ter todas as intenções que quiser comigo — sussurrou ele em meu ouvido, me fazendo engasgar com a água.

Mas que atrevido, meu Jesus amado. Além de bonitão, ele tinha que provocar assim? Parecia que meu coração ia sair pela boca, e ele tinha razão em um ponto: eu realmente não resistiria se estivéssemos a sós. Olhei para os lados, vendo as pessoas passando distraídas, e soltei um suspiro, olhando depois para ele, que ria um pouco por causa da minha tosse involuntária.

— Você está bem? — perguntou ele, passando a mão nas minhas costas.

— Estou sim, senhor atrevido — disse eu, sorrindo.

— Senhor bonitão... Senhor atrevido... Quando vai me chamar pelo nome? — questionou ele, estreitando os olhos.

— Quando estivermos na cama — sussurrei em seu ouvido.

Se ele sabia brincar, eu também sabia, pensei e sorri ao olhar para ele, que parecia incrédulo com o que escutara. Para provocar ainda mais, beijei seu rosto bem perto dos lábios. Porém, a surpreendida foi eu quando ele tomou meus lábios em um beijo ardente, segurando minha cintura e deixando nossos corpos próximos o suficiente para que eu sentisse nossos corações em sincronia. Aqueles lábios... Eu poderia ficar o dia inteiro saboreando cada pedacinho desse homem.

— Você não deveria me provocar assim, sabia? — sussurrou ele com a voz rouca, quando paramos de nos beijar.

— Foi você que começou sendo esse pedaço de mau caminho — respondi, sorrindo e arrumando uma mecha do meu cabelo que ficou bagunçada.

— Ok, assumo minha responsabilidade, mas você vai ter que assumir a sua também — disse ele, tocando meu queixo.

— Com certeza — disse, sorrindo e o encarando. — Você estava correndo? Vamos continuar e discutir melhor como iremos fazer isso — sugeri, e ele aceitou animado.

Continuando a corrida, tentei descobrir um pouco sobre sua vida para conhecê-lo melhor e descobri que ele era advogado, atuando mais na área criminalista. Aparentemente, ele passou por um divórcio há algum tempo e descobriu que sua filha não era sua filha biológica e que ele não poderia ter filhos. Porém, ele parecia sempre responder de maneira ambígua, e, apesar de não entender muito bem essa parte, decidi não perguntar mais, pois parecia um assunto delicado.

— Então quer dizer que vamos nos encontrar nos tribunais? — perguntou ele, correndo de costas na minha frente, enquanto sorria.

— É o que parece, mas só começo daqui a dois meses. Sabe como é a burocracia desses concursos — respondi, admirada com a energia dele.

— Sei sim, mas rápido esse tempo passa, principalmente se soubermos aproveitar — disse ele, piscando o olho de forma provocante, e voltou a correr ao meu lado.

Continuamos a corrida, e ele me acompanhou até a frente do meu prédio, e nos despedimos com um beijo. Vi-o se afastando, acenando para mim, e entrei no prédio distraída.

— E essa carinha de apaixonada? — Seu Joaquim questionou quando passei pela portaria.

— Está tão evidente assim? — repliquei com um sorriso bobo.

— Está evidente que você está brilhando como o sol. Se não for amor, eu não sei o que é — disse ele, sorrindo, e fiquei um pouco sem jeito.

Tentei desconversar e subi para meu apartamento. Tirei minha roupa e entrei debaixo do chuveiro para tomar um banho frio. Não sei o que estava acontecendo comigo, mas sempre parecia tão quente quando estava perto do Júlio. Nem mesmo a água gelada conseguia afastar os pensamentos que eu estava tendo com ele naquele momento, e eu ansiava por nosso encontro à noite.

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Comments

Edmeia Calmerio

Edmeia Calmerio

aí tomara que esses dois si acertem... bora autora.

2025-02-02

0

Erlete Rodrigues

Erlete Rodrigues

quem falou que ele não pode ter filhos ⁉️⁉️⁉️

2025-02-19

0

Fatima Gonçalves

Fatima Gonçalves

SIM DESDE O PRIMEIRO ESBARRÃO

2024-10-25

1

Ver todos
Capítulos
1 Capítulo 1: Cicatrizes do Passado
2 Capítulo 2: Um Caminho Difícil
3 Capítulo 3: Términos e Recomeços
4 Capítulo 4: Correndo Riscos
5 Capítulo 5: Expectativas e Encontros
6 Capítulo 6: Meu Senhor Bonitão
7 Capítulo 7: Corações em Sincronia
8 Capítulo 8: Meu doce Desejo
9 Capítulo 9: Do Amor à Dor
10 Capítulo 10: Uma quase Tentativa
11 Capítulo 11: Entre o Amor e Escolhas
12 Capítulo 12: Consequência de Minhas Escolhas
13 Capítulo 13: Segredos da Maternidade
14 Capítulo 14: Laços Invisíveis
15 Capítulo 15: Acusações e Mentiras
16 Capítulo 16: Verdades Reveladas
17 Reencarnei como Uma Santa em Um Mundo de Magia
18 Capítulo 17: O Peso do Silêncio
19 Capítulo 18: Complicações
20 Capítulo 19: Lutando Pelo que é Meu
21 Capítulo 20: O Peso dos Segredos
22 Capítulo 21: Corações em Conflito
23 Capítulo 22: O Julgamento
24 Capítulo 23: Entre o Amor e a Culpa
25 Capítulo 24: Escolhendo Prioridades
26 Capítulo 25: Tempo de Reflexão
27 Capítulo 26: Amor em Família
28 Capítulo 27: Um Jantar em Família
29 Capítulo 28: Recomeços
30 Capítulo 29: Momentos de Felicidade
31 Capítulo 30: Datas Especiais
32 Capítulo 31: Um Adeus
33 Capítulo 32: Um Recomeço Instável
34 Capítulo 33: Carinho e Cuidados
35 Capítulo 34: Rotina
36 Capítulo 35: Passeios
37 Capítulo 36: Perigo
38 Capítulo 37: Fuga Rápida
39 Caítulo 38: Determinação
40 Capítulo 39: Apresentação de Saphira
41 Capítulo 40: Final Feliz
Capítulos

Atualizado até capítulo 41

1
Capítulo 1: Cicatrizes do Passado
2
Capítulo 2: Um Caminho Difícil
3
Capítulo 3: Términos e Recomeços
4
Capítulo 4: Correndo Riscos
5
Capítulo 5: Expectativas e Encontros
6
Capítulo 6: Meu Senhor Bonitão
7
Capítulo 7: Corações em Sincronia
8
Capítulo 8: Meu doce Desejo
9
Capítulo 9: Do Amor à Dor
10
Capítulo 10: Uma quase Tentativa
11
Capítulo 11: Entre o Amor e Escolhas
12
Capítulo 12: Consequência de Minhas Escolhas
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Capítulo 13: Segredos da Maternidade
14
Capítulo 14: Laços Invisíveis
15
Capítulo 15: Acusações e Mentiras
16
Capítulo 16: Verdades Reveladas
17
Reencarnei como Uma Santa em Um Mundo de Magia
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Capítulo 17: O Peso do Silêncio
19
Capítulo 18: Complicações
20
Capítulo 19: Lutando Pelo que é Meu
21
Capítulo 20: O Peso dos Segredos
22
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Capítulo 22: O Julgamento
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Capítulo 25: Tempo de Reflexão
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28
Capítulo 27: Um Jantar em Família
29
Capítulo 28: Recomeços
30
Capítulo 29: Momentos de Felicidade
31
Capítulo 30: Datas Especiais
32
Capítulo 31: Um Adeus
33
Capítulo 32: Um Recomeço Instável
34
Capítulo 33: Carinho e Cuidados
35
Capítulo 34: Rotina
36
Capítulo 35: Passeios
37
Capítulo 36: Perigo
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Caítulo 38: Determinação
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