Alguns dias haviam se passado, e eu não tinha encontrado mais o senhor bonitão, tampouco ele mandava ou respondia minhas mensagens. O Natal e o Ano Novo até que foram divertidos; passei com minha família e com minha amiga doida. Mas, não sei, talvez eu tivesse me iludido cedo demais, e ele realmente apenas não tivesse se interessado em mim. Mesmo assim, sentia uma preocupação surgir em meus pensamentos, como se algo ruim estivesse acontecendo e eu não tivesse controle.
Na segunda semana de janeiro, estava eu fazendo minha corrida, como de costume, quando o vi sentado em um banco da praça, dessa vez usando um moletom azul. Meu coração começou a bater acelerado, e eu não sabia se era por finalmente encontrá-lo ou pela vergonha dele ter me visto bêbada. Ele estava tomando água de coco, enquanto o vento bagunçava seus cabelos negros, e aquela visão era quase um pecado em praça pública.
"Ele não tem vergonha de ficar se exibindo assim?", pensei sozinha, sentindo um frio na barriga, sem coragem de me aproximar. Mas, por fim, respirei fundo, fui até ele e sentei ao seu lado no banco, segurando minha garrafa de água e tentando disfarçar meu nervosismo.
— Eu posso saber por que o senhor bonitão não respondeu minhas mensagens? — questionei com a voz firme, tentando soar indiferente.
— Desculpa, eu meio que perdi meu celular e não consegui recuperar as mensagens, então não vi as suas — disse ele, colocando o coco de lado e olhando para mim, sorrindo.
— Entendo, mas diz aí. Como foi seu Natal e Ano Novo? — perguntei, tentando puxar assunto.
— Diferente. Acho que essa seria a palavra mais apropriada para definir — disse ele, pensativo.
— Diferente como? Bebeu demais também? — insisti, provocando.
— Não exatamente. No Natal, fiquei sozinho em casa, mas aconteceram algumas coisas e fui parar no hospital. Quando acordei, faltavam apenas alguns minutos para o Ano Novo — contou ele, rindo, como se não quisesse falar tudo.
— Como assim? O que aconteceu? Você está bem? — perguntei, procurando ver se ele tinha algum ferimento, mas ele segurou minhas mãos, me impedindo. — Desculpa, eu não deveria ter feito isso. Não temos intimidade o suficiente — disse, baixando o olhar, um pouco envergonhada.
— Não tem problema... Se estivéssemos em um quarto só nós dois, eu deixaria você tocar meu corpo inteiro, mas aqui é tentação demais — disse ele com um sorriso atrevido, e senti vontade de procurar um buraco para me esconder.
— Não foi a minha intenção — disse, pegando minha garrafa de água e bebendo quase toda, evitando olhar para ele.
— Claro! — afirmou ele, diminuindo a distância entre nós dois. — Mas, se quiser, podemos marcar um encontro e ir para um lugar mais reservado, e você pode ter todas as intenções que quiser comigo — sussurrou ele em meu ouvido, me fazendo engasgar com a água.
Mas que atrevido, meu Jesus amado. Além de bonitão, ele tinha que provocar assim? Parecia que meu coração ia sair pela boca, e ele tinha razão em um ponto: eu realmente não resistiria se estivéssemos a sós. Olhei para os lados, vendo as pessoas passando distraídas, e soltei um suspiro, olhando depois para ele, que ria um pouco por causa da minha tosse involuntária.
— Você está bem? — perguntou ele, passando a mão nas minhas costas.
— Estou sim, senhor atrevido — disse eu, sorrindo.
— Senhor bonitão... Senhor atrevido... Quando vai me chamar pelo nome? — questionou ele, estreitando os olhos.
— Quando estivermos na cama — sussurrei em seu ouvido.
Se ele sabia brincar, eu também sabia, pensei e sorri ao olhar para ele, que parecia incrédulo com o que escutara. Para provocar ainda mais, beijei seu rosto bem perto dos lábios. Porém, a surpreendida foi eu quando ele tomou meus lábios em um beijo ardente, segurando minha cintura e deixando nossos corpos próximos o suficiente para que eu sentisse nossos corações em sincronia. Aqueles lábios... Eu poderia ficar o dia inteiro saboreando cada pedacinho desse homem.
— Você não deveria me provocar assim, sabia? — sussurrou ele com a voz rouca, quando paramos de nos beijar.
— Foi você que começou sendo esse pedaço de mau caminho — respondi, sorrindo e arrumando uma mecha do meu cabelo que ficou bagunçada.
— Ok, assumo minha responsabilidade, mas você vai ter que assumir a sua também — disse ele, tocando meu queixo.
— Com certeza — disse, sorrindo e o encarando. — Você estava correndo? Vamos continuar e discutir melhor como iremos fazer isso — sugeri, e ele aceitou animado.
Continuando a corrida, tentei descobrir um pouco sobre sua vida para conhecê-lo melhor e descobri que ele era advogado, atuando mais na área criminalista. Aparentemente, ele passou por um divórcio há algum tempo e descobriu que sua filha não era sua filha biológica e que ele não poderia ter filhos. Porém, ele parecia sempre responder de maneira ambígua, e, apesar de não entender muito bem essa parte, decidi não perguntar mais, pois parecia um assunto delicado.
— Então quer dizer que vamos nos encontrar nos tribunais? — perguntou ele, correndo de costas na minha frente, enquanto sorria.
— É o que parece, mas só começo daqui a dois meses. Sabe como é a burocracia desses concursos — respondi, admirada com a energia dele.
— Sei sim, mas rápido esse tempo passa, principalmente se soubermos aproveitar — disse ele, piscando o olho de forma provocante, e voltou a correr ao meu lado.
Continuamos a corrida, e ele me acompanhou até a frente do meu prédio, e nos despedimos com um beijo. Vi-o se afastando, acenando para mim, e entrei no prédio distraída.
— E essa carinha de apaixonada? — Seu Joaquim questionou quando passei pela portaria.
— Está tão evidente assim? — repliquei com um sorriso bobo.
— Está evidente que você está brilhando como o sol. Se não for amor, eu não sei o que é — disse ele, sorrindo, e fiquei um pouco sem jeito.
Tentei desconversar e subi para meu apartamento. Tirei minha roupa e entrei debaixo do chuveiro para tomar um banho frio. Não sei o que estava acontecendo comigo, mas sempre parecia tão quente quando estava perto do Júlio. Nem mesmo a água gelada conseguia afastar os pensamentos que eu estava tendo com ele naquele momento, e eu ansiava por nosso encontro à noite.
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Atualizado até capítulo 41
Comments
Edmeia Calmerio
aí tomara que esses dois si acertem... bora autora.
2025-02-02
0
Erlete Rodrigues
quem falou que ele não pode ter filhos ⁉️⁉️⁉️
2025-02-19
0
Fatima Gonçalves
SIM DESDE O PRIMEIRO ESBARRÃO
2024-10-25
1