— Sim, eu sei, o que aconteceu? — questionei, me aproximando do meu carro, ainda segurando as chaves com força.
— É que o senhor me deu seu número e disse para avisar se precisasse de algo — respondeu ela, um pouco aflita.
— Me dá esse telefone — escutei outra voz — Olá, meu nome é Maria Helena. As babás dos meus netos me disseram que você sempre brinca com eles quando está correndo pela manhã, isso é verdade?
— Sim, senhora... Mas apenas gosto delas. Não me entenda mal, eu só acho que elas são crianças adoráveis — disse, sentindo um medo súbito de ser acusado de algo.
— Não estou achando nada, mas você está há alguns dias sem vê-las, e a Elisa está com febre por sentir sua falta. Você pode vir vê-la? — pediu Maria Helena, com uma voz carregada de preocupação.
— Claro, me dê o endereço e eu vou imediatamente — respondi, já me sentindo culpado.
Com o endereço em mãos, ligo o carro e dirijo o mais rápido que posso, tentando afastar o nó que crescia em meu estômago. Ao chegar, fui recebido por uma mulher que era incrivelmente parecida com Clarisse, porém mais velha. A visão me deixou zonzo, e minha cabeça começou a latejar de uma maneira incompreensível.
— Por aqui — chamou Maria Helena, e eu a segui até o quarto.
O quarto não era muito grande, mas era aconchegante, com as paredes pintadas de azul claro, cinco berços alinhados, um guarda-roupa branco e um grande sofá ao fundo. Gabriela brincava com as outras crianças, enquanto Gisele segurava Elisa no colo, tentando acalmá-la.
— Ei, pequena, estou aqui — disse, pegando-a no colo com todo o cuidado.
Comecei a niná-la suavemente, e aos poucos ela começou a sorrir, mexendo em meu cabelo com suas mãozinhas frágeis. As babás saíram para preparar uma refeição para as crianças, então me sentei no sofá próximo ao berço. As outras crianças logo se aproximaram e se sentaram ao meu lado, exigindo minha atenção com olhares curiosos e inocentes. A culpa que já me corroía apenas aumentou, e tive que me conter para não chorar diante delas.
— Seu nome é mesmo Júlio? — perguntou Maria Helena, visivelmente curiosa.
— Até onde sei, é esse o meu nome — respondi, acariciando o rostinho de Elisa, que já dormia tranquilamente em meu colo.
— Por acaso você já namorou uma mulher chamada Clarisse? — indagou ela, estreitando os olhos, como se tentasse decifrar algo.
— Sim, mas não estou entendendo aonde quer chegar — respondi, confuso e um pouco apreensivo.
— Olha, eu acho que o destino trouxe você até essas crianças. Eu tentei por tanto tempo que minha filha falasse a verdade, e agora você está aqui — disse ela, quase chorando.
— A senhora pode ser mais clara, por favor? — pedi, um pouco distraído com as crianças ao meu redor.
— Se eu estiver certa, você é o pai delas — afirmou ela, com firmeza na voz.
Fiquei atônito, mal conseguindo acreditar nas palavras dela. Meu coração disparou, e ainda estava em choque quando ela saiu da sala e voltou com o celular, mostrando uma foto de Clarisse com as crianças. O impacto foi tão grande que acabei acordando Elisa sem querer, mas, surpreendentemente, ela não chorou; apenas se aconchegou ainda mais em meu peito.
— Vocês sabiam meu nome, e mesmo assim não disseram nada para Clarisse? — perguntei, vendo as duas babás entrarem novamente no quarto, com olhares inseguros. Uma parte de mim, achava que se ela soubesse que eu gostava das crianças, me contaria a verdade.
— Elas não têm culpa. Clarisse nunca revelou o nome do pai para elas — interveio Maria Helena, com um tom compreensivo, observando as expressões assustadas das babás. — Levem as crianças para tomar o lanche da tarde — pediu, e rapidamente elas obedeceram, deixando-nos a sós.
Dona Maria Helena então me contou que, quando Clarisse descobriu que estava grávida, ficou com medo de que eu não acreditasse que os filhos fossem meus e a abandonasse. Quando as crianças nasceram, ela quis me contar a verdade, mas Jennifer apareceu na maternidade dizendo que estávamos noivos, e isso a fez desistir de contar, para não atrapalhar meu relacionamento.
— Espere, então foi naquele dia? Eles nasceram no mesmo dia que Saphira? — pensei, surpreso pela coincidência. Meu coração doía com cada nova revelação. Estava feliz por descobrir que era pai, mas profundamente decepcionado por Clarisse ter escondido isso por tanto tempo.
— Não entendo por que sua filha fez isso... Eu sempre dei o meu melhor por ela, então por que ela não confiou em mim? — perguntei, com a voz embargada de emoção. — Eu não voltei com Jennifer, ela mentiu...
— Eu entendo que você se sinta assim... Não que justifique, mas acho que Clarisse sentiu medo, como eu senti quando fui abandonada pelo seu pai — disse ela, visivelmente abalada, e pude sentir sua dor.
— Imagino que tenha sido difícil para a senhora, mas isso não justifica o que ela fez. Eu tinha o direito de saber. Ela me privou de acompanhar a gravidez e tantos outros momentos importantes... — disse, enquanto algumas lágrimas escapavam.
— Não fique assim, meu filho — disse Maria Helena, me abraçando com ternura. — Acredite, eu tentei encontrar um jeito de falar com você, mas minha filha não me contava nada, não importa o quanto eu insistisse.
Apesar de passar apenas alguns minutos diários com as crianças, eu me sentia culpado por me apegar tanto a elas, ainda mais acreditando que o pai as havia abandonado. Será que é isso que ela diz às pessoas? Me questionei, sentindo-me ainda mais triste.
— Sabe, ela ainda te ama muito. Sofre pelas escolhas que fez — disse Maria Helena, afastando-se um pouco e enxugando as próprias lágrimas.
— Se ela me amasse de verdade, não teria me afastado dos meus filhos — disse, secando meu rosto e tentando me recompor. — A senhora pode me fazer um favor? Eu preciso de uma amostra de DNA das crianças para fazer o exame e confrontá-la da forma correta — pedi, levantando-me decidido.
Com um sorriso compreensivo, ela me disse que me ajudaria. Com a amostra em mãos, alguns fios de cabelo retirados de uma escova, respirei fundo antes de ir até a sala de jantar, onde as crianças estavam comendo. Ao ver seus sorrisos enquanto se sujavam com a comida, meu coração se aqueceu e, por um momento, quase esqueci a dura revelação que acabara de escutar.
Pedi a elas que não comentassem nada com Clarisse, pois eu queria ter essa conversa de maneira sincera. Tinha medo que ela inventasse uma desculpa. Despedi-me de todos com um abraço, e fiquei aliviado ao ver que Elisa estava se sentindo melhor, sua febre havia passado, e ela brincava alegremente com os irmãos.
Para ser sincero, foi difícil sair de lá. Eu queria confrontá-la imediatamente, mas fazer isso na frente das crianças não seria justo. Além disso, estaria mentindo se dissesse que não desconfiei de que tudo não passasse de um engano, já que uma vez fui enganado ao acreditar que Saphira era minha filha, e não queria passar por isso novamente. Fiz o exame o mais rápido possível e, com o resultado em mãos, comecei a imaginar a melhor forma de confrontá-la.
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Atualizado até capítulo 41
Comments
Edmeia Calmerio
Julio vcs merecem ser felizes..mas cuidado com a cobra da Jennifer..não gosto dela.
2025-02-04
0
Erlete Rodrigues
😡😡😡😡😡
2025-02-19
0
Wilma Lima dos Santos
😭😭😭😭😭😭😭😭
2024-12-29
0