Sentindo o calor de Clarisse deitada sobre meu peito, eu me sentia tão bem que não queria mais sai comdali. Seu cheiro, seu sabor, o som de sua voz... Ela era perfeita em todos os sentidos, e eu tinha vontade de fazer o possível para vê-la feliz, se ela quisesse continuar ao meu lado.
Os dias passaram, e entre encontros, passeios e muito sexo, eu estava completamente feliz. Apresentei-a à Saphira e, aparentemente, ela não se importou com a pouca convivência que eu mantinha com Jennifer. Principalmente, parecia entender o amor que eu sentia por minha pequena princesa. Infelizmente, eu só conseguia ver Saphira a cada 15 dias. Já perguntei quem é o pai dela e por que Jennifer não quer que ela o conheça, no entanto ela nunca me respondeu.
— Sabia que você deveria pagar uma multa por ser tão bonitão? Não vou conseguir me concentrar no trabalho pensando em você — dizia ela com um sorriso travesso, quando saímos do banho.
— Pois eu já faço isso todo dia — respondi, beijando-a. — Você acharia que estou sendo apressado demais ao dizer que te amo?
— Não, porque sinto o mesmo — disse ela, me abraçando e me provocando.
Costumávamos correr juntos, já que minha casa não ficava longe de seu apartamento, e eu já me sentia bem melhor. Meus órgãos haviam ficado fragilizados pelo álcool misturado com os remédios, mas estavam se recuperando com o tempo. Obviamente, não contei nada para Clarisse sobre o que aconteceu; não queria que ela sentisse pena de mim.
Quando percebi, quase dois meses haviam se passado e, apesar de ainda não ter conhecido sua família, eu queria dar esse passo, tornar tudo mais sério. No dia 1º de março, meu aniversário de 37 anos, que não contei para Clarisse, pois queria fazer uma surpresa e pedi-la em casamento nesse dia.
Porém, o surpreendido fui eu quando ela terminou tudo comigo por mensagem. Eu deveria ter imaginado: se ela quisesse algo realmente sério comigo, eu já teria conhecido sua mãe, seus irmãos... Olhei para a mensagem, ainda incrédulo, ao ler que tudo o que vivemos foi apenas um erro, e ela ainda pediu que eu não a procurasse mais.
Segurando a caixa com as alianças que eu tinha comprado, me senti patético. Como ela pôde me fazer acreditar que gostava de mim e depois me descartar como se eu fosse um completo nada? Frustração, desânimo, raiva... e outros sentimentos que eu nem conseguia descrever tomaram conta de mim. Eu já estava cansado de tentar ser feliz e de bater com a cara na porta tantas vezes.
Fui idiota o suficiente para tentar ligar para ela, buscando uma explicação melhor, apenas para descobrir que ela havia me bloqueado completamente. Mandei uma mensagem para confirmar e, de fato, ela tinha me colocado na lista negra.
Deitei na cama, frustrado, abraçando meu travesseiro que ainda tinha seu cheiro das noites que ela passou aqui, o que só piorou a dor que eu estava sentindo. Tentei imaginar o que eu poderia ter feito de errado, recapitulei várias vezes nosso tempo juntos. Nada fazia sentido. Eu tentei de verdade ser o homem que ela gostaria de ter ao seu lado para sempre, e eu achava que ela estava gostando de mim. No entanto, descubro que fui apenas "um erro" para ela.
Enxuguei as lágrimas e fui tomar um banho frio para esquecer tudo aquilo. Me perguntando se meu pai estava realmente certo quando dizia que eu não seria feliz, que eu não merecia. Sou uma pessoa tão desprezível assim? Por que o amor parece ser algo tão inalcançável para mim? Com um turbilhão de pensamentos na mente, deixei a água escorrer, levando consigo minha última vontade de ter alguém ao meu lado. Eu já estava cansado de tentar.
Foco no trabalho e na minha pequena Saphira, que a cada dia fica maior e mais bonita. Ela é meu maior tesouro, e, mesmo podendo vê-la apenas duas vezes por mês, já é o suficiente para deixar meu coração mais leve. Rapidamente, dois meses se passaram. Recebi um convite de Joshua, o pai de Henrique, para almoçar, e aceitei, movido pela curiosidade.
— Como vai indo a vida, meu rapaz? — perguntou ele com um sorriso caloroso, após fazermos nossos pedidos.
— Está indo bem, trabalhando muito e tentando aproveitar a vida — respondi com um sorriso forçado.
Não que minha vida estivesse ruim, mas eu não sentia que estava fazendo algum progresso. Era como se eu estivesse parado enquanto o mundo continuava a girar, como se minha presença fosse irrelevante para qualquer pessoa. Algum tempo depois, servem nossas refeições, e continuamos a conversa.
— Mas você não tem nenhum projeto, algo que queira realizar? — questionou ele, curioso.
— Não, só quero continuar fazendo meu trabalho e cuidar da minha filha, mesmo que eu não tenha permissão de vê-la muitas vezes — respondi sinceramente.
— Você é um rapaz tão jovem. Não pensa em construir sua própria família? Não sei como é a história entre você e a mãe de sua filha, mas não pensou em dar uma chance para ela? Quem sabe assim você possa conviver mais com sua filha — sugeriu ele, olhando para mim com compaixão.
— Não acredito que um relacionamento dê certo sem amor, e também não quero que Saphira viva uma mentira — respondi, após refletir um pouco.
— E no trabalho? — insistiu ele, e sinto como se estivesse sendo interrogado.
— Normal, eu acho... Defendo meus clientes, recebo meu salário, aguento meu chefe irritante — respondi, rindo ao lembrar da expressão do meu chefe quando ele fica bravo.
— E por que você não abre sua própria agência de advocacia? Você é tão inteligente, tenho certeza que se sairia muito bem e ficaria mais feliz — disse ele, confiante.
— Por que o senhor acha que não sou feliz? E por que está me fazendo essas perguntas? — indaguei, confuso.
Ele finalmente revela suas intenções e, após um longo discurso sobre a vida e a realização dos sonhos, insiste que eu abra minha própria agência. Sinceramente, eu não estava com vontade de fazer nada; minha rotina monótona estava perfeita. Então, por que eu sairia da minha zona de conforto? Era irracional o que ele estava propondo, mas ele não deixou de insistir, então acabei aceitando.
Alguns dias se passaram, e Joshua começou a me arrastar para todos os lugares possíveis. Eu não entendia o motivo por trás de sua ajuda. Ele era o pai do atual marido da minha ex. Sei que eles me ajudaram, e sou grato por isso, mas eu me sentia um pouco sufocado com seu excesso de cuidado.
— Posso perguntar por que deseja tanto me ajudar? — questionei, após vermos mais um lugar para ser a sede da minha agência.
— Como você é desconfiado, meu jovem. Apenas gostei de você e quero lhe ajudar. Você parece precisar de alguém ao seu lado, nem que seja este velho — dise ele, colocando o braço sobre meu ombro. — Sabe, Henrique me disse que, enquanto estava na cadeia, Amanda lhe mandava livros, e isso foi como um porto seguro, algo em que ele podia se apoiar... Eu vejo que, por mais que você não fale, você parece perdido. Então, deixe-me ajudar.
— Tudo bem, eu aceito sua ajuda, mas não precisa exagerar, eu estou bem — disse, sorrindo.
Mas saber que Amanda mandava livros para Henrique na cadeia me pegou de surpresa. Fiquei me perguntando há quanto tempo ela fazia isso e se já o amava naquela época. Será que ela o amava quando ainda estava casada comigo? Não pude suportar a ideia, mas fingi que não tinha ouvido e continuei conversando com Joshua.
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Atualizado até capítulo 41
Comments
Edmeia Calmerio
que pena autora , queria muito que ele ficasse com Clarisse, acho que essa Amanda falou algo para ela, quero vero Clarisse e Júlio juntinhos .os dois si amam...
2025-02-04
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Marilu Araujo Felix
Eita carma ruim heim..o que será que aconteceu pra ela acabar assim do nada..
2025-03-03
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Marcia Cristina
ela tá grávida 🤰 e ra com medo de falar
2025-01-02
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