Ao fazer alguns exames no quarto mês de gravidez, conheci um casal simpático na clínica. Amanda e Henrique, ela com sete meses de gestação, irradiavam uma serenidade que me confortou. O jeito cuidadoso com que ele tratava Amanda me tocou profundamente. Por um instante, desejei que Júlio estivesse ao meu lado, segurando minha mão com a mesma delicadeza. No entanto, a culpa rapidamente tomou conta de mim por ter terminado nosso relacionamento de maneira tão impensada e imatura.
Assim como minha mãe e Beatrice, eles insistiram que eu devia contar a verdade ao pai dos meus filhos. O peso da dúvida me consumia. E se ele não acreditasse em mim? Depois de conversar com minha mãe e ver meus pequenos se mexendo na ultrassonografia, decidi que não podia adiar mais. Tomei coragem e fui até a casa de Júlio para contar tudo.
Quando cheguei, a porta, que estava entreaberta, revelou uma cena que me deixou sem chão. Júlio estava beijando outra mulher, Jennifer. O choque me atingiu em cheio e, naquele momento, entendi que ela estava certa. Eles haviam se reconciliado, e eu não seria o obstáculo entre eles.
Um aperto profundo tomou conta do meu peito, e minha visão começou a se turvar. A pressão subiu, e temi que isso pudesse afetar meus bebês. A raiva e o desespero me dominaram enquanto caminhava de volta, chutando uma lata de lixo no meio da calçada para liberar a frustração.
Será que revelar a verdade mudaria algo? Ele escolheria ficar comigo? A resposta já estava clara: ele amava aquela mulher, e eu fui ingênua ao pensar que ele me amava. Além do mais, eu sabia que conseguiria criar meus filhos sozinha. Afinal, ajudei minha mãe a cuidar dos meus irmãos, e isso nunca foi um fardo. Enxuguei as lágrimas enquanto revivia a lembrança daquele beijo, tão íntimo e tão doloroso. Entrei no carro e voltei para casa.
Trabalhar enquanto carregava cinco bebês era um desafio constante. Evitar encontrar Júlio nos tribunais tornou-se minha prioridade, e por sorte, nossas rotas nunca se cruzaram. Isso era um alívio, pois sabia que, ao vê-lo, eu poderia ceder à tentação de me aproximar dele. Mas prometi a mim mesma: não seria como minha mãe. Eu arrancaria esse sentimento do meu coração, mesmo que a dor fosse intensa.
Decidi vender meu apartamento e comprar um menor, perto da casa da minha mãe, onde poderia contar com sua ajuda. Noah, meu irmão, cuidou de toda a papelada. Ter um corretor de imóveis na família era uma verdadeira bênção. Com o novo lar, planejei contratar uma babá — ou até duas —, já que cuidar de cinco crianças exigiria mais do que uma pessoa poderia suportar sozinha.
Os meses passaram, e meu corpo sentia o peso da gestação. A exaustão era constante. Minha licença-maternidade chegou mais cedo do que o previsto, o que certamente gerou ressentimento em alguns colegas, mas eu sabia que tinha direito. Conquistei meu cargo por mérito, e nada poderia mudar isso. Minha mãe, Beatrice e meus irmãos, mesmo com suas rotinas agitadas, sempre arranjavam tempo para me apoiar.
Apesar de todo o carinho que me cercava, algo permanecia vazio. O buraco que Júlio havia deixado, e que, por mais que eu tentasse, só parecia crescer. Agora, eu compreendia melhor os sentimentos da minha mãe. Ver Júlio com outra mulher me despedaçava, como se tivesse sido traída, mesmo sendo eu a responsável pelo término.
Quando meus bebês finalmente nasceram, a alegria preencheu meu mundo. No entanto, junto com a felicidade de segurá-los em meus braços, veio um desejo incontrolável de correr até Júlio e contar tudo. Ao ver seus pequenos rostos, com aqueles cinco pares de olhos azuis, tão parecidos com os dele, algo dentro de mim se acendeu. Seriam eles a ponte para nos reunirmos?
Tive três meninas e dois meninos: Camila, Elisa, Marina, Felipe e Otávio. Eles eram a mistura perfeita de nós dois, trazendo esperança e luz aos meus dias, como um lindo arco-íris. Senti uma felicidade indescritível ao vê-los saudáveis e fortes. Mas ainda no hospital, enquanto eu me recuperava, Jennifer apareceu sem ser convidada.
— Desde quando somos amigas para você vir me ver? — perguntei, tentando manter a calma.
— Só vim ver seus filhos. Cinco bebês... Não tem medo de que seu corpo não volte ao normal? — comentou com o mesmo veneno de sempre.
— Sorte deles não estarem aqui para ver sua cara — rebati, sentindo satisfação ao notar sua expressão de desagrado.
— Falei para o Júlio que você estava grávida dele. Sabe o que ele disse? — continuou ela, ignorando meu comentário. — Ele disse que não acredita em você, e que, mesmo que fosse verdade, ele nunca teria uma família com alguém como você.
— Ele vai acreditar em mim. Vai me perdoar por não ter contado antes — respondi, tentando disfarçar minha insegurança.
— Esta aliança me diz o contrário — disse ela, mostrando o anel em seu dedo. — Se tiver orgulho ou amor próprio, deixe que reconstruamos nossa família sem interferências — concluiu, saindo e me deixando arrasada.
Minha mãe chegou logo depois, e eu a abracei com força. Sem dizer uma palavra, ela parecia entender o que havia acontecido. Juntas, fomos ver os bebês, o que trouxe um pouco de conforto ao meu coração. Como eles nasceram prematuros, precisaram ficar no hospital por vários dias.
A ideia de que Júlio estava reconstruindo sua vida com Jennifer me dilacerava. Mas a culpa era minha. Como minha mãe sempre dizia, eu fiz minhas escolhas, e agora precisava lidar com as consequências. Eu não interferiria na felicidade deles. Se ele escolheu estar com ela, respeitaria essa decisão.
Um ano e meio se passou, e me esforcei ao máximo para criar meus filhos. No entanto, não conseguia imaginar como explicaria a ausência do pai quando eles começassem a perguntar. "Sua mãe foi covarde e não contou ao seu pai que vocês existiam por medo de rejeição." Como dizer algo assim?
Voltei ao trabalho graças à ajuda das babás; Gisele e Gabriela, que eram verdadeiros anjos. Minha mãe também estava sempre por perto, cuidando dos netos com carinho. Estava trabalhando em um caso de abuso em uma boate, no qual a jovem vítima acusava um rapaz de agressão.
O advogado de defesa veio conversar comigo, e eu estava tão distraída, preocupada com Elisa, que havia ficado com febre, que nem reparei no nome 'Júlio Ferraz' estampado nos documentos. Fiquei em choque ao vê-lo entrar na sala. Seus olhos azuis, agora frios e distantes, cortaram-me como uma lâmina. Ele parecia outra pessoa, tão diferente, mas ainda capaz de fazer meu coração disparar.
— Sente-se — pedi, tentando esconder o tremor em minha voz.
Da esquerda para a direita: Felipe, Camila, Elisa, Marina e Otávio
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Atualizado até capítulo 41
Comments
Solaní Rosa
meu Deus quanta fofura coisas mais lindas
falta de diálogo tanto da Clarisse e do Júlio e a cobra da Jannifer tem que pagar por todo o mal
2024-11-22
2
Edmeia Calmerio
que lindos autora,plisss para esse casal .. desmascarar essa Jenifer...por favor
2025-02-04
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Erlete Rodrigues
nossa estou achando essa história é tão triste
2025-02-19
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